A imagem da educação que realmente interessa ao Brasil

 

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Cantei o hino em datas comemorativas, na escola que estudei em Porto Alegre. Perfilei-me diante da bandeira, em abertura de eventos esportivos. Repito o gesto até hoje nas atividades oficiais. Migrei da Ditadura para a Democracia sempre respeitando nosso hino, nossa bandeira e nosso brasão. E se o fiz não é porque fui obrigado ou filmado.

 

Também não agi com patriotismo devido às aulas de Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política do Brasil, as quais, essas sim, fui obrigado a frequentar porque estavam no currículo escolar. Imagino que os professores até se esforçaram para me ensinar alguma coisa, mas sequer o nome deles sou capaz de lembrar.

 

Perdão, professor de EMC e OSPB!

 

O sentimento patriótico que construí tem muito a ver com valores e pensamentos que aprendi em casa. Quem conhece meu trabalho, sabe da importância que dou à educação, uma responsabilidade dos pais ou dos adultos de referência das crianças, já que nem todas têm o privilégio de nascer em uma família estruturada.

 

A escola também foi importante, sem patriotadas. Oferecendo-me informação e liberdade para refletir. Permitindo o questionamento. Abrindo espaço para o contraditório. Ensinando-me a respeitar os que pensam de forma diversa.

 

Ao longo do tempo, desenvolvi uma ideia do que representa este sentimento que identificamos como patriotismo —- e o descrevi da seguinte maneira no livro “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos”:

 

“Patriotismo não é coisa pouca. É o orgulho que temos pelas coisas da nossa terra, pelos símbolos que nos unem. E os nossos símbolos, com todo o respeito, são muito mais do que a bandeira, o brasão e o hino. São os nossos atos e características, a nossa cultura, a nossa história. A educação e a escolaridade que oferecemos. A ética que nos move é símbolo dessa união, também. De amor. De patriotismo”

 

Foi esse sentimento de patriotismo que aflorou logo cedo, nesta terça-feira, quando fui provocado a falar sobre a “carta” — da qual você já deve ter ouvido falar — enviada pelo Ministério da Educação aos alunos da rede pública e privada, escrita com um texto ufanista e conceitos subjetivos, com pedido impróprio e assinado de forma ilegal. Para o desastre ser completo, só faltaram erros gramaticais — o que não me surpreenderia depois de ouvir o ministro Ricardo Vélez chamar a todos nós de “cidadões”, em sua primeira fala pública ao assumir o cargo.

 

Para lembrar: o documento pedia a leitura da carta a todos os alunos, seguida do canto do hino nacional diante da bandeira brasileira, e a gravação em vídeo, por celular, a ser enviada ao MEC.

 

Sei da existência de legislação de 1971, acrescida de um parágrafo, em 2009, que obriga a execução do hino nacional brasileiro ao menos uma vez por semana, nas escolas públicas e privadas, de ensino fundamental e médio. Ou seja, o texto era desnecessário nesse caso. Mas, tudo bem, vamos levar em consideração que vivemos em um país de leis que pegam e outras que não pegam.

 

Agora, gravar crianças cantando o hino, sem autorização, fere o Estatuto da Criança e do Adolescente. Que fique claro, a proibição não se deve ao fato delas estarem cantando o hino. Poderiam estar na sala de aula estudando ou correndo na praça atrás da bola tanto quanto poderiam estar usando drogas ou batendo em outras crianças. O ECA garante o direito à preservação da imagem da criança. Ponto.

 

Usar lema de campanha eleitoral —- a “carta” vinha acompanhada da mensagem “Brasil acima de todos, Deus acima de tudo”, que marcou a campanha do presidente Jair Bolsonaro — também é proibido. É ilegal.

 

Ao longo da tarde, o Governo recuou. Incluiu o pedido de autorização para gravação e retirou o lema de campanha —- dando razão aos que reclamaram da “carta” e deixando aqueles que criticaram às críticas com a brocha (ou o twitte) na mão.

 

É provável que alguns diretores de escolas resolvam sacar seus celulares, gravem as imagens da meninada perfilada, com mão no peito e cantando o hino, e depois saiam atrás dos pais para receber a autorização necessária.

 

O arsenal de imagens consideradas patrióticas que o Governo terá em mãos será usado da maneira que interessar ao ministro —- ou ficará armazenado no seu computador. Faça o quem entender. Desde que tenha a autorização para tal.

 

Mas já que é adepto de produções cinematográficas, recomendo que o ministro se dedique também a revelar o filme da educação brasileira que, anualmente, é registrado nos exames de larga escala e avaliações externas, tais como o SAEB — Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica e o ENEM — Exame Nacional de Ensino Médio.

 

Essas, sim, são as imagens da educação que interessam ao Brasil.

Deu problema? Vai um ministério, aí!

 

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Reportagem do jornal O Globo de hoje (11/01) mostra que o corte de secretarias municipais foi uma das medidas mais importantes tomadas pelos prefeitos das capitais brasileiras no início da gestão, este ano. Prefeitos de 14 cidades cortaram 104 secretarias.

 

Conforme levantamento, o caso mais radical foi o de Porto Alegre, onde o prefeito Nelson Marckezan, do PSDB, reduziu de 37 para 15 secretarias. O Rio de Janeiro de Crivella está com 12 secretarias, depois de cortar pela metade este número. E São Paulo de Dória, corou cinco secretarias e está com 22.

 

O Governo Federal também foi cobrado a reduzir o número de ministério logo após o impeachment de Dilma Roussef. E Michel Temer o fez em número menor do que o esperado. Passou de 31 para 23. Algumas pastas foram absorvidas por outros ministérios, transformadas em secretarias com menor estrutura e poder. Houve recuos como no caso do ministério da Cultura que seria extinto, mas por pressão do setor retomou seu status de Ministério.

 

Porém, como a gente conhece bem a forma como funciona a política no Brasil, anúncios de cortes devem ser comemorados com moderação. Pois, a pressão de alguns segmentos, crises pontuais e negociação política costumam motivar a recriação de secretarias e ministérios.

 

Agora mesmo estamos acompanhando esta situação: a bancada da bala, formada por deputados que se dizem representantes do setor de segurança pública, pressiona Temer para que seja criado o Ministério da Segurança Pública. O argumento é que o Ministério da justiça tem que resolver várias demandas ao mesmo tempo e não consegue priorizar a questão da segurança.

 

A ideia é transformar a Secretaria Nacional de Segurança Pública que está no Ministério da Justiça em ministério, com mais poder, e claro, mais cargos e mais gastos.

 

Se é verdade que a criação de ministérios pode resolver problemas, talvez fosse o caso de nos mobilizarmos para a recriação dos ministério da Educação e da Saúde.

 

Não se engane com os discursos fáceis e de aproveitadores.

O que se espera é que o Ministério da Cultura seja realmente de todos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

MinC

 

A reação dos artistas à incorporação do Ministério da Cultura ao da Educação teve  repercussão não prevista por Michel Temer e  equipe.

 

Além da primeira vitória ao conseguir o retorno como Ministério, os artistas obtiveram  posse diferenciada, pela extensa cobertura e concorrida solenidade do ato.

 

Marcelo Carelo ao assumir, ontem, o Ministério conseguiu holofotes de ponta à pasta da Cultura. E no ritmo de arte e festa, iniciado com citação à Aquarela do Brasil de Ary Barroso, prestou contas àqueles artistas que reagiram contra a medida inicial do novo governo, ao mesmo tempo que respondeu aos que os criticaram como aproveitadores:

 

“os artistas são trabalhadores que tecem os fios que desenvolvem a economia do País”.

 

É exatamente por esse caminho que gostaria de aproveitar e lembrar que como “trabalhadores” deveriam ser tanto eles, artistas, quanto as organizações, entidades e companhias que os empregam. E, consequentemente, seguir as regras de mercado.

 

No competitivo mundo das artes cênicas, plásticas, musicais, literárias etc é preciso ter competência técnica na essência do produto, mas também na operação. É preciso ter talento, mas também a qualificação organizacional, necessária quando se oferta serviços e produtos. É o que popularmente se diz: não basta inspiração; a transpiração é fundamental.

 

Não vejo por que um tratamento de espécime dependente. No passado, sem nenhum apoio governamental, tivemos gênios musicais, literários, teatrais etc … Não concordo com Caetano Veloso, que protestou veementemente contra a medida atual, pois ele teve seus grandes momentos artísticos quando havia repressão. Naquela época apoio e financiamento nem pensar.

 

Apenas acredito na razão de Caetano quando diz :

 

“O MinC é nosso. É uma conquista do estado brasileiro, não é de nenhum governo”

 

Não é de nenhum governo nem de nenhum grupo de artistas privilegiados.

 

É o que esperamos!

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

O ministro e sua teológica carinha

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Os caros leitores – caríssimos seria ainda mais correto para o tratamento que dispenso – que se dão ao trabalho de ler os textos por mim postados às quintas-feiras no blog do Mílton, segundo imagino,no mínimo,quando vão tomando conhecimento dos nomes que o presidente(a) de seu país escolhe para ocupar os seus ministérios,têm não apenas a esperança,mas o direito de ver os detentores dos mais importantes cargos ,aqueles mais aptos,por serem, na cabeça do presidente,os maiores especialistas nos assuntos com os quais vão lidar. Nem sempre é assim.

 

Às vezes – eu diria que nem tantas – os nomes dos escolhidos não são,exatamente,preenchidos por verdadeiros especialistas. Com o andar dos Rolls-Roices,porém,os preferidos na instância inicial podem mostrar jeito para o cargo e os seus desmandos relevados por interesse político-partidário. Outros, pelas mais diferentes razões,acabam dando sorte. Claro que tal hipótese é a mais difícil de se concretizar. Afinal,estamos tratando dos homens e/ou mulheres mais importantes depois do presidente,mas nem todos com as mesmas aptidões ou,no mínimo,boas intenções para o exercício de funções tão complexas como se espera (ou no se espera)de um ministro.

 

Cheguei a duvidar,ao ler o ZH do fim do ano quando,ao ler a manchete que gritava nos meus ouvidos virtuais “Peixes bem fora d’água”. Pensei,de imediato,que o periódico se referisse a peixes que morrem aos milhares,como acontece volta e meia. Não se tratava,no entanto,de peixes mortos,mas de alguma coisa mais estranha,o que descobri logo abaixo da manchete ao ler este texto:”Teólogo Comandará esporte no país (o restante,diante do fantástico anúncio, não passava de café pequeno nem vale a pena repetir).Tenho certeza de que se houvesse no Vaticano,um Ministros dos Esportes esse não seria um teólogo. Eu,pelo menos,estou certo que Francisco,por entender de futebol como poucos não cometeria tal asneira.

 

O pior,todavia,vem aí:”O ministro do Esporte,George Hilton, chegou ao primeiro escalão de Dona Dilma Roussef debaixo de uma vasta enxurrada de críticas. O fato de ele não ser familiarizado com a área que passou a comandar – o que ele mesmo admitiu em recente entrevista – foi a razão de uma das ressalvas feitas ao seu nome. A outra decorre do seu passado por atitudes,no mínimo,questionáveis.Em 2005,Hilton desembarcou num jato particular no Aeroporto da Pampulha,em Belo Horizonte,transportando 11 caixas de dinheiro”. Chamo a atenção dos que não estão por dentro da história que George Hilton e suas “caixinhas de dinheiro” foram salvas ou coisa que o valha pela pronta ação do delegado federal Domingos Pereira Reis,primeira autoridade informada sobre o caso, que foi bastante camarada com aquele que acabaria sendo, anos depois, ministro do Esporte. Desculpem-me,mas este ministro deveria ir para uma pasta mais condizente,pelo menos,com a sua teológica carinha.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung (o pai dele)

O Ministério 39

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Às vésperas da criação do 39º ministério, ao contrário da indiferença do povo brasileiro, as almas de dois ilustres personagens devem estar agitadas. O britânico Northcote Parkinson, desconhecido professor entre nós, oportunamente lembrado agora pela Veja, e o presidente Jânio Quadros sempre memorizado pela renúncia e pela denúncia das “forças ocultas”. Em 1957 Parkinson identificou uma série de anomalias nas estruturas burocráticas governamentais, que refletiam em seu crescimento exponencial. Analisando o pós-guerra, quando o Império Britânico foi desfeito, verificou que a estrutura burocrática que administrava as colônias apresentava crescimento independente da necessidade. A armada naval com 62 navios na Ativa possuía 2.000 elementos no Almirantado em terra, mas após 14 anos tinha 3.569 membros no Almirantado para 20 navios na Ativa. Um fenômeno, que inspirou as leis de Parkinson.

 

Dentre elas:

 

“Um chefe de seção está sempre disposto a aumentar o número de seus subordinados, desde que não sejam seus rivais”.

 

“Os chefes de seção inventam trabalho uns para os outros”

 

“O tempo despendido na discussão de cada item de uma agenda está na razão inversa da soma discutida”

 

Com estes princípios Parkinson analisou a evolução histórica do gabinete britânico, concluindo que:

 

“O ponto de ineficiência de um gabinete é alcançado quando o número de membros excede 20 ou 21”

 

Nesta época o Brasil tinha 11 ministros, dentro de uma lista de seis a 38, encabeçada por Luxemburgo e Honduras com seis ministros e finalizada pela URSS com 38 ministros. O número de 20 a 21, preconizado como limite de eficiência, comprovava que os melhores países estavam neste intervalo. Estados Unidos com 10, Grã Bretanha com 18, e Alemanha, Itália, Japão, França, Canadá entre 19 até 21membros.

 

Jânio Quadros, em 30 de janeiro de 1961, assume como presidente da República e mantém o gabinete dentro da margem da eficiência preconizada por Parkinson. Nomeia 15 ministros. Porém, sem a maioria no Congresso, os 6 milhões de votos obtidos não conseguem manejar a massa política oposicionista. Em 25 de agosto de 1961, renuncia atribuindo às “forças ocultas” a razão da saída.

 

Ao voltarmos à normalidade democrática em 1985 com Sarney, o gabinete passa a ter 29 membros e uma nova função. Às forças ocultas aplica-se a doação de ministérios, como se fossem capitanias hereditárias partidárias. E, ninguém mais repete Jânio, que dos 15 ministérios deu três para a UDN, um para o PSD e um para o PR, “desperdiçando” 10 ministérios. Collor teve 27 ministros, Itamar 25, FHC 31, Lula 37 e Dilma vai para o 39º com a criação da Pasta das Micro e Pequenas Empresas.

 

Os melhores países da lista de Parkinson continuam dentro do intervalo de eficiência. O Brasil está fora e assim permanecerá se não dermos o fora naqueles que estão dentro destas forças nada ocultas.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras

Ministério das Cidades perdeu razão de ser

 

O Ministério das Cidades não sai do noticiário, desde que Mário Negromonte foi acusado de oferecer R$ 30 mil a políticos do seu partido para que estes retirassem assinatura de apoio a abertura da CPI da Corrupção. Além disso, há suspeitas de liberação de pagamentos irregulares para empreiteiras que doaram mais de R$ 15 milhões ao PP, partido que comanda a pasta, nas eleições de 2010. Em um caso e noutro os dados ainda não são consistentes, mas expõem uma mudança clara de prioridades dentro da pasta responsável pelo Orçamento de R$ 6,21 bilhões.

Ao surgir no início do Governo Lula, tendo o ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra como ministro, a expectativa era de que, pela primeira vez, os municípios brasileiros teriam dedicação especial do Governo Federal. Justo, dado o fato de que mais de 80% da população vive, hoje, no ambiente urbano. Na época, formou-se uma equipe com alguns nomes de trabalho reconhecido internacionalmente, como o da urbanista Raquel Rolnik.

Um ano e meio depois, o Ministério foi oferecido para o PP, partido do então presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti. O nome indicado foi o de Márcio Fortes de Almeida que permaneceu até o fim do segundo mandato de Lula e apenas não seguiu com Dilma Roussef por pressão de uma das alas do PP que defendia a nomeação de Mário Negromonte.

O Ministério das Cidades não passou para as mãos do PP de graça. A pasta se transformou em carro-chefe do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e responsável pelo programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Um filão e tanto, político e financeiro.

Criado para o desenvolvimento urbano, hoje o Ministério é um mero tocador de obras sem planejamento. Um desperdício de ideia, oportunidade e dinheiro. Muito dinheiro.