Avalanche Tricolor: lembranças de um time de futebol

 

São Paulo 2 x 0 Grêmio
Brasileiro – Morumbi (SP)

 

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Fomos em família ao Morumbi nessa noite de sábado. Programa raro desde que me mudei para São Paulo, em 1991. Levei os filhos e uma sobrinha que mora longe daqui, mas aproveita suas férias no Brasil. O ambiente dos estádios, contaminado pela violência e intolerância, não me inspira muito. Mas nas condições apresentadas para essa partida, era mais uma oportunidade para compartilhar com eles emoções que vivi. Estava feliz ao lado deles, provavelmente muito mais entusiasmado do que eles, por repetir aqui o que em toda minha infância e adolescência meu pai me proporcionou: a alegria de assistir a um jogo de futebol.

 

O estádio do Morumbi em especial sempre me trouxe boas lembranças. Voltar lá, tarde da noite, com a névoa que marcou São Paulo, nesse sábado, mexeu com meus sentimentos e memória. Uma volta ao tempo. Ao sentar-me próximo do gramado, era como se estivesse revivendo alguns dos grandes momentos da história gremista.

 

Ficamos próximo da goleira – e fiz questão de apontar a eles – em que Baltazar marcou de fora da área o gol do nosso primeiro título brasileiro, em maio de 1981. Eu não estava lá. Morava em Porto Alegre, na época. Era muito jovem, mas ainda é viva a cena da bola amortecida no peito do nosso atacante, sendo rebatida de primeira e deslizando na rede adversária.

 

Lembrei-os que foi naquela mesma goleira que se iniciou a incrível vitória por 4×3 nas quartas-de-final da Copa do Brasil, de 2001. Assim como na noite desse sábado, daquele vez eu também estava com meus meninos no Morumbi, pois fomos beneficiados pelo calendário do futebol brasileiro que marcou um jogo decisivo em plena tarde de quarta-feira. Era a primeira vez em que íamos juntos assistir a uma partida de futebol. E fiquei feliz deles, mesmo com apenas dois e quatro anos, terem presenciado momento tão emblemático. O Grêmio tinha Marcelinho Paraíba endiabrado, a ponto de marcar três gols, ser expulso e se transformar em nosso herói.

 

Poucas semanas depois, o Morumbi seria palco de outro momento memorável na minha trajetória de torcedor e profissional. Desta vez sozinho, por minha conta e risco. Tive a oportunidade de narrar, pela RedeTV!, a final da Copa do Brasil contra o Corinthians quando ganhamos por 3 x 1 e conquistamos mais um título nacional.

 

Dois dos gols gremistas foram naquela mesma goleira que, na noite desse sábado, estava diante de nós, marcados por Zinho e Marcelinho Paraíba – o primeiro foi do lado de lá, após cabeceada de Marinho. Tem coisas que jamais vamos esquecer.

 

Estar no Morumbi nessa sábado me permitiu recuperar essas histórias incríveis vividas pelo Grêmio e dividi-las com meus filhos e minha sobrinha. Lembranças de um tempo em que nossos atacantes resolviam nem que tivessem uma só chance em seu caminho. Que nossos zagueiros eram capazes de afastar qualquer risco de gol. E nossos jogadores jamais aceitariam passivamente o toque de bola adversário.

 

Assim que a bola começou a rolar nesse sábado, percebi que aquele futebol que tanto me emocionava estava apenas na lembrança a ser compartilhada com a família. Lamentavelmente, apenas lembranças…

6 comentários sobre “Avalanche Tricolor: lembranças de um time de futebol

    • Telmo, já que nos falta artista na bola, vamos bater palma para os artistas que enaltecem a bola como Gessinger e Antonio Skármeta. Valeu pela dica, devidamente compartilhada com a turma no Twitter.

  1. Lamentável o time que nos deu todas essas emoções, estar nessa situação. Tudo que você escreveu eu vivi, de longe , mas vivi. As alegrias daquelas épocas, a cada dia que passa parece que nunca mais voltarão. Não temos jogadores com brio, com raça, com vergonha na cara, não temos dirigentes preocupados com o time e muito menos com os torcedores que sofrem e suplicam por um time com raça, com hombridade e que honre o nosso manto.
    Abraço.
    Ivo

    • Ivo, mesmo diante desta realizada, sigo confiante na conspiração dos astros a nosso favor, e acredito que poderemos ver o desencantar do futebol desta garotada que forma nossa equipe.

  2. 0 elenco do Grêmio ,aquele que venceu Corinthians,mereceu tudo o que se disse dele. O problema é que o grupo de jogadores do São Paulo é bem superior ao gremista. Há peças de reposição que sobram. Roger fez o que pode paras preencher os vazios que os seus atletas machucados deixaram. Não foi possível. Em campo,a resposta desse time que o nosso técnico escalou estava tão desfalcado que não havia como esperar o que seria um milagre. Milagre,em futebol, não existe. Fosse um jato de sorte ainda vá lá. O Grêmio precisa de um atacante bem mais especializado na posição do que os
    meninos que Roger se obrigou a escalar. Desculpem-no e ponham a culpa no São Paulo.
    .

  3. Pai, você tem razão. Pagamos pela carência do nosso elenco. As ausências de Galhardo, na direita, e Wallace, na frente da área, pesaram muito mais do que poderíamos imaginar. Especialmente nosso lado direito transformou-se em um corredor, e os dois zagueiros ficaram desprotegidos. No ataque, ainda nos falta o matador, aquele que marcaria o gol desperdiçado no primeiro tempo pelo Pedro Rocha. Esses garotos exigirão paciência do técnico e da torcida.

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