Da danada

 

Por Maria Lucia Solla

 

Depressão

 

Insisto e repito que é preciso ter cuidado dobrado e multiplicado com a depressão!

 

A depressão é sorrateira, mas chega chegando. Disfarçada de tudo, menos dela mesma.

 

Penetra!
Oportunista!

 

Se vale do cansaço, da solidão, de uma doença qualquer, do escoamento da reserva financeira, do que encontrar pela frente, para se infiltrar por brechas intelectuais, emocionais, físicas e metafísicas. Sem critério. Sem a mínima decência.

 

é mal-falada
de tudo rotulada
de frescura a loucura
de fraqueza a moleza

 

de amor que não tem cura

 

é ladina a depressão
leva em plena luz do dia
toda a bênção que eu pedia
sem culpa sem coração

 

contamina tudo
do tom da voz ao ritmo da vida
que vira descompasso
a cada passo

 

O que acontece? O cardápio é extenso. Alguém diz A, e entendemos B, até que o povo percebe e nos manipula pelo desentender. Entende?

 

Nada como a fraqueza alheia para fazer do covarde um forte!
E os predadores se fartam, na cara dura.

 

mas como na vida
tudo tem o seu oposto
há os que ajudam muito
e por puro gosto

 

atenção!
muita atenção!
discernimento e organização
fogem da raia no primeiro escorregão
e entendemos literalmente
o que é meter o pé pela mão

 

já posso ver mais claro
quanto ela me custa caro
mas ainda tenho na boca
seu amargo gosto
suas garras no meu rosto
e a pecha de louca

 

Leia também o texto “De pressão”, publicado pela autora no Blog do Mílton Jung

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

4 comentários sobre “Da danada

  1. Mike Lima
    No face book postei sobre uma época da minha vida sobre quando “fui sorteado” e fiquei doente com depressão.
    É terrível sim!
    Muito stress, ansiedade, causado por “alguns fatores”
    Muita carga e muita areia para “meu caminhãozinho”
    Familiares, doença em familia, filho unico com pais idosos e ambos doentes, acabou agrana, trabalho praticamente desapareceu, filhas ingressando nas faculdades, etc.
    Para muitos até por familiares falavam que era frescura de minha parte, preguiça, outros iam mais além, vagabundo!
    Até que um dia acabei indo parar num PS e la fiquei, totalmente combalido, abatido, com quase vinte quilos a menos, “mais pra lá do que prá cá”, perdi os movimentos do meu corpo do pescoço para baixo.
    Pane geral!
    Travou tudo!
    Nem com Ctrl+Alt+Del o sistema retornava e nem dava o reboot.
    E assim passaram meses, sendo tratado com medicamentos antidepressivos, neurológicos, ansiolíticos.
    Até o terrivel Depakene tive que tomar.
    Porém, apesar des estar naquela fase me considerando um trapo, como um caça que c
    tinha acabado de chegar de um combate aéreo, todo perfurado, arregaçado, no meu íntimo, la no fundo ainda tinha uma pequena chama acesa.
    A chama do lutador de judô que fui um dia, karate que aprendeu com os mestres, levar golpes dos adversários e oponentes, como se defender, como saber cair, depois levantar e depois aprender como cair de pé!
    Aprendei como usar os contragolpes também.
    E assim aos poucos, até onde era possivel procurando e acima de tudo mesmo minha mente ainda não conseguindo concatenar “as coisas” como deveriam, fazia um esforço tremendo para manter manter a calma, sem neuras, passei estudar o que podia sobre essa terrivel doença mental, a depressão acabei sendo curado.
    Mas os resultados de todo “esse sofrimento” é que depois notei que algo de interessante, de bom tinha acontecido comigo
    Aprendi muitas coisas com a depressão o que colaborou ainda para um certo grau de evolução.
    Pois, o sofrimento nos faz evoluir e compreender sobre alguns vários aspectos em nossas vidas.
    Como por exemplo, “um dia isso também passa”
    Bjus e pau na máquina ai Mme!

  2. Alpha India November, meu amigo,

    uma hora depois da outra, por algum tempo era meu objetivo – e olha que às vezes me atropelava. Hoje, vou num dia depois do outro, e aceito meu resultado, seja ele qual for.
    Bem… às vezes. tem dias que….

    É bem assim, não é?

    Importante é não desistir.

    Beijo e boa semana,

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