Rio 2016: conquistamos o direito de ser feliz

 

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Lá se foram os Jogos Olímpicos. E com eles, meus sonhos de atleta. Vão deixar saudades. Nestas duas últimas semanas, meus desejos e emoções foram transferidos para cada um daqueles que estavam ali disputando uma medalha ou simplesmente em busca de um lugar na foto olímpica.

 

Imaginei-me enfrentando os americanos no basquete, levantando para Wallace cortar na rede, arremessando um martelo que sequer teria força para carregar e correndo atrás de Bolt. Nem mesmo o trauma de infância provocado por um professor de judô ansioso, me tirou o desejo de estar no tatame derrubando nossos adversários.

 

Fisicamente, o mais próximo que cheguei dos Jogos foi em Itaquera, zona leste de São Paulo, para assistir à vitoria da Alemanha sobre a Nigeria, na semifinal do futebol masculino. Espiritualmente, vivi todos os instantes possíveis das Olimpíadas.

 

Atirei, lancei, arremessei, chutei, rebati … no rádio, na televisão ou no aplicativo. Em um dos jogos de basquete do Brasil, parei o carro ao lado da avenida para ver as imagens do quarto final na tela do celular. Ouvir apenas não saciaria minha tensão e seguir dirigindo seria um risco.

 

Devo ter revelado algum traço de vergonha diante de meus filhos ao não ser capaz de conter as lágrimas frente a vitória incrível ou ao depoimento emocionado de quem, apenas por ter o direito de estar ali, já ganhou na vida sua medalha. Como chorei nesses Jogos. Vai ver é o ideal. Ou a idade.

 

Hoje, um dia depois de assistirmos à cerimônia de encerramento, feita com o mesmo bom gosto e sensibilidade da festa de abertura, ouvi especialistas no esporte e na vida, no Jornal da CBN. E o entusiasmo com que cada um descreveu suas percepções com os Jogos deram a dimensão do fenômeno provocado pelo esporte olímpico.

 

Adriana Behar, responsável pela gestão do Time Brasil, mesmo sem a meta alcançada, deu medalha de ouro para a forma como as disputas olímpicas inspiraram jovens e novos atletas. Para ela, a Rio 2016 é só o início de uma era voltada ao esporte:

 

 

Zuenir Ventura, mineiro de nascença e carioca por adoção, chegou a me dizer que os Jogos foram talvez a emoção coletiva mais intensa que viveu em seus 85 anos. E lembrou que, além do transporte e de construções esportivas que poderão ser usadas a partir de agora, o maior legado foi o resgate da autoestima do carioca e do brasileiro:

 

 

Apesar dos pulos de excitação, ninguém está aqui disposto a esconder os tropeços na organização tanto quanto os erros de execução. Provavelmente gastou-se mais dinheiro do que devíamos. A fila ficou emperrada na porta do estádio, a comida sumiu, houve roubos e uma morte trágica na favela – um soldado da Força Nacional que errou o caminho e foi baleado quando estava fora de serviço.

 

Sabemos que após a festa, a semana recomeça, a conta tem de ser paga e muito atleta será esquecido. O Rio, mesmo lindo, segue violento. O Brasil ainda precisa crescer muito para ser uma potência esportiva, tem de investir mais ainda no esporte de base para formar novos cidadãos e mudar a gestão nas confederações e federações, a maioria quebrada por incompetência ou mal-feitos.

 

Que ninguém se iluda! Mas que todos tenhamos tido o direito à felicidade!

3 comentários sobre “Rio 2016: conquistamos o direito de ser feliz

  1. O espírito Olímpico é tão bonito, que ele fique entre nós e nos inspire a construir um país melhor e mais justos, onde atletas , com incentivos, floresçam e nos tragam mais medalhas e orgulho, dentro e fora das competições.
    Abraço!

  2. Caro Milton Jung!

    Vou oferecer uma medalha que pode ser olímpica ou apenas simbólica !!! E essa é para todos os comunicadores do nosso país que com sabedoria sabe nos presentear com suas colunas, frases e opiniões tão ricas que orientam e explicam o que precisamos tirar de qualquer situação ou evento vivido aqui e agora.

    Parabéns !!!!

  3. Fiquei com dois corações. Gostaria de ter dom de ubiquidade,eis que,por mais força que fizesse,não consegui torcer para o futebol brasileiro e o do nosso Tricolor. Dos dois,nenhum precisava perder o seu jogo,mas o escolhido pelos deuses do futebol, em detrimento do Grêmio,foi quem venceu com Luan e Walace. E que triste falta nos fizeram esses dois craques.

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