Por Clênio Caldas
Minha história se passa nos anos de 1950, na rua Dona Júlia, na Vila Mariana, onde se localizava o então Grupo Escolar Marechal Floriano. Ali, estudávamos no curso primário sob a orientação das professoras Maria da Glória, Ana e Júlia. Foram nossas dedicadas mestras, como também educadoras conscientes e responsáveis com os garotos para as quais nossos pais nos entregavam. A classe era somente de meninos. As meninas ficavam em outra ala do prédio.
Foram anos tranquilos e proveitosos, prova do alto grau de conceito das escolas estaduais e do quilate dos professores que nos ensinavam com zelo e carinho.
Cenas pitorescas, todavia, não deixavam de ocorrer.
Houve o garoto que comprou o pirulito e, sem ao menos saboreá-lo, quebrou-o no pátio da escola para ver se a haste estava premiada. Foi advertido pelo rigoroso inspetor Trivino devido o desperdício cometido.
Lembro de alunos em pranto ao fim da aula por não notarem a presença dos pais que, atrasados, demoravam a aparecer.
Tinha o medo generalizado da molecada nos dias em que todos passávamos pela “revisão dentária” na temida e apavorante cadeira do dentista, em uma das salas da diretoria separada especialmente para isto.
Havia dias festivos e felizes, também, especialmente quando eram suspensas as aulas para que todos aproveitassem o “cineminha” no refeitório, apinhado de meninos e meninas, ávidos por assistirem às trapalhadas de “O Gordo e o Magro”. E mais: com direito a amostra grátis do achocolatado Vic Maltema, com o jingle cantado a plenos pulmões por uma gurizada alucinada de felicidade!
Ao deixarmos a escola, encontrávamos o Sr. Osvaldo, o guarda civil que com um sorriso singelo e terno, exalando simpatia e confiança, nos conduzia em segurança para atravessarmos a já movimentada Domingos de Morais. Lá do outro lado, pegamos o ônibus ou embarcáramos no bonde que nos levava para casa.
Lembrança de uma São Paulo ainda pacata mas em pleno desenvolvimento, com seus momentos singelos e deliciosos, marcados na memória, que permanecerão para sempre em um cantinho especial de muita saudade!
O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10h30, no programa CBN SP, da rádio CBN. A sonorização é do Cláudio Antonio e a narração de Mílton Jung
Lembrei-me do Vick Maltema, o primeiro achocolato que conheci, nos anos 50 e que depois desapareceu pela concorrência desigual do Toddy e Nescau. Também lembrei da Aveia Genser, também massacrada pela Quaker e por aí vai. No passado, os sábados eram de futebol de rua à tarde e à noitinha um tio ia até a padaria Regência e comprava o pão de forma Regência, um diferencial nos pães de forma, presunto e queijo e estava feita a festa. Só para situar: os jogos eram na Rua Desembargador Mamede, em pleno Jardim Paulistano.