Conte Sua História de SP: “com tutu, não, vou pagar com cheque”

 

Por Lucélio de Moraes.

 


Aportei por aqui, em 1982, com 18 anos, interessado em trabalhar e fazer faculdade de Rádio e TV. Hoje, estou com 51.

 

Vim de Itapetininga/SP, onde já havia trabalhado por alguns anos na Rádio Difusora local e desenvolvido gosto pela área de comunicação. Na família, o terreno também era fértil: pais educadores e irmãos mais velhos professores e advogados, em sua maioria. Sou o caçula de oito irmãos.

 

Antes de prestar vestibular, tinha que fazer o então 3º colegial e me matriculei no curso Objetivo/Cincinato Braga, integrado com o cursinho, na parte da tarde. Na primeira semana de aula, ao tentar tirar uma dúvida com a professora, ergui o braço e tasquei: “Dona… não entendi”.

 

Pronto! Foi risada geral na classe e esse virou meu apelido por algum tempo.

 

Ao fim do turno da manhã, eu tinha que correr para almoçar, ali mesmo na Paulista com Joaquim Eugênio de Lima, para atender às aulas do cursinho pré-vestibular no prédio Gazeta, que se iniciavam à uma e meia da tarde. Correria de paulistano, mas tinha que me adaptar, pois ficava claro: esse era o ritmo da cidade e eu queria vencer, dos medos e da vida.

 

Num desses almoços da primeira semana, o caipira atacou novamente: minha mãe havia me dado várias folhas de cheque assinadas do Banco do Brasil para eu ir me virando, até abrir conta e me estabelecer devidamente.

 

Ao chegar em um restaurante da Paulista, a preocupação era grande: será que vão aceitar cheque já assinado? Não tinha cartão de crédito e não havia outra alternativa, estava sem dinheiro suficiente para o almoço, mas fiquei bem quieto; se eu avisasse que estava com um cheque em branco, o sujeito poderia não me deixar almoçar. Então, sentei-me e fiquei aguardando o garçom, confesso, um pouco nervoso com aquela situação de risco.

 

Ele chegou com o bloquinho na mão e, todo alegre me falou:

 

“olá chefia, o que vai pra hoje, cardápio ou prato do dia?”
“…olha, eu vou querer este prato aqui do dia: arroz, feijão, bife e fritas”.

 

Então ele perguntou:

 

“é com tutu?
– “… Hã?? Não, tutu, não, eu vou pagar com cheque!!”.

 

Ele não parava de rir e ainda chamou os colegas para ouvir aquela minha impropriedade caipira..

 

Lucélio de Moraes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: envie seu texto para milton@cbn.com.br.

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