Avalanche Tricolor: guris, a vida não é feita só de 5 a 0

 

 

Grêmio 5×0 Veranópolis
Gaúcho – Arena Grêmio

 

GREMIOFBPA

Festa na Arena com direito a golaço e goleada, em foto de LUCASUEBEL/GREMIOFBPA

 

Estou retornando do Recife. No caminho do aeroporto, vi uma camisa do Grêmio à venda no camelô. O motorista de táxi, simpático em suas informações turísticas, acabara de sinalizar que havíamos deixado para trás o bairro dos Aflitos, onde tem o estádio do Náutico. Falou dos outros três estádios importantes da cidade, mas já não prestava mais atenção no que falava.

 

O Grêmio e os Aflitos ocuparam minha memória até a chegada ao aeroporto. Foi aqui perto que construímos a mais incrível das histórias que o futebol já assistiu. E por mais bonito e rico que tenha sido o passado desta cidade, para mim o Recife sempre será lembrado por aquela Batalha de 2005 que me emociona sempre que penso nos lances que vivemos juntos: eu, o Grêmio e os Aflitos.

 

Estive por aqui nesses dias, porém, para curtir outro esporte que pouco tem a ver com o futebol. O caro e raro leitor desta Avalanche sabe que nos últimos tempos tenho convivido de perto com a prática dos esportes eletrônicos. E como a cidade do Recife foi palco da final do campeonato brasileiro de League of Legends, em sua primeira temporada do ano (no segundo semestre tem outra temporada, que classifica para o Mundial), foi pra cá que me mandei para ver de perto meu filho mais novo no comando de uma das equipes finalistas, a Keyd Stars.

 

O centro de convenções que recebeu o evento, a final do CBLol, lotou seus cerca de 9 a 10 mil lugares, com guris e gurias entusiasmados, vestindo a camiseta de seus ídolos, gritando o nome dos jogadores e comemorando cada abate ou objetivo alcançado. Eu, em particular, sofri como sofrem os pais diante da disputa que seus filhos estão envolvidos. Fiquei orgulhoso de vê-lo contando sua história em destaque nos telões eletrônicos. E me emocionei ao consolar tanto ele quando a gurizada que forma seu time, após a perda do título para a Red Canids.

 

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Em uma temporada na qual a equipe foi reformada, um novo trabalho se iniciou e correram o risco de ficar de fora da decisão até a última rodada da fase de pontos corridos, eles conseguiram a vaga para as finais, venceram a semifinal e se credenciaram ao título. A vitória não veio e a frustração transpareceu no rosto daqueles guris que com o tempo passaram a integrar minha família, também.

 

Lá na nossa casa, em São Paulo, o nome deles está sempre nas nossas conversas. Acompanhamos de perto a paixão com que se dedicam aos treinos e o esforço que fazem para conviver confinados em um mesmo ambiente, batizado de Gaming House, chique demais para a realidade da casa em que trabalham e moram.

 

Todos eles são jovens, a maioria tem 20 e poucos anos, sequer metade daqueles que já vivi. Por isso, fiz questão de mostrar a eles quantas derrotas tive de amargar em minha vida. Mostrar que nem por isso desisti de meus objetivos. Que aprendi com as perdas e, a partir delas, forjei minha personalidade para me capacitar às vitórias.

 

Exceção ao meu filho, o mais jovem da equipe, provavelmente os demais desconheçam a façanha alcançada pelo nosso Imortal aqui mesmo no Recife, há pouco mais de dez anos, não muito distante do local onde disputaram seus jogos nestes dias. Se assistirem àquela partida ou lerem aquela história perceberão que o revés deste fim de semana é apenas uma lição necessária para que se construa uma equipe realmente vencedora.

 

Uma equipe vencedora não se entrega diante da frustração, aprende com ela, corrige seus erros, identifica a força adversária e volta mais forte.

 

Foi assim com o Grêmio de 1977, que nos levou a reconquistar o Gaúcho tantos anos depois de perdas para o mesmo adversário; foi assim com o Grêmio em 1983, que ganhou a Libertadores, após sobreviver a Batalha de La Plata, na Argentina; foi assim no Mundial, conquistado na prorrogação, após ter cedido o empate minutos antes do fim da partida.

 

Guris, não se enganem: nossa vida não foi feita só de 5 a 0 com direito a golaços e show de dribles em cima do adversário como neste sábado, na Arena, lá em Porto Alegre (verdade que alguns 5 a 0 também ficaram para a história).

 

É preciso lutar, perder e aprender: só assim o Grêmio encontrou forças para superar o impossível como naquele dia, no Recife. Só assim, teremos o verdadeiro prazer de uma vitória. E, tenham certeza, eu estarei lá de novo para dar um abraço em cada um de vocês.

2 comentários sobre “Avalanche Tricolor: guris, a vida não é feita só de 5 a 0

  1. Achei que iria falar do São Paulo… Já que “TRI” COLOR mesmo é o SP. O resto tem que explicar como Tricolor Carioca, Tricolor Gaúcho, Tricolor Paranaense… ETC ETC ETC

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