Conte Sua História de São Paulo: o bonde da Casa Verde

 

Pedro Vitorino
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Plim, plim, plim, lá vem o bonde
Plim, plim, plim, lá vai o bonde.
De onde vem, pra onde se destina?
– Vem do Centro, Rubino de Oliveira,
Da Vila Maria, Vila Sabrina,
Como bólido, espalhando faíscas incandescentes
Sobre os trilhos e dormentes
Tortuosamente fincados nesta Terra de Piratininga.

 

Em cada parada um vaivém de pessoas aprumadas
Subindo ou descendo, soberbas, aceleradas,
Rumo ao trabalho ou sua triunfante volta ao lar:
– São paulistanos, paulistas, mineiros, baianos,
Brasileiro do sul, do norte, do leste e do oeste
E de além mar: portugueses, espanhóis, japoneses,
E muitos outros que nesta terra aportaram
E a escolheram para aqui fincarem suas raízes.

 

É quase madrugada, ainda ruas escuras,
Luzes ofuscadas pela fria e incessante garoa paulistana;
Na Praça Centenário, rostos sonolentos aguardam a vez do embarque…
Lá vem o bonde, trepidante, com seu condutor – o motorneiro –
Em seu traje de gala, triunfante!
E mais uma jornada se inicia, no seu pinga-pinga,
Em ziguezagues pelas ruas da cidade, ainda adormecida,
Mas pronta a cumprir seu destino, sem fadiga.

 

Homens, mulheres e garotos imberbes ali estão:
Gorros à cabeça, cachecóis e capas a cobrir-lhes os corpos
–  A proteção indispensável contra a garoa e o frio-
Em cada mochila, a marmita, a garantir-lhes a sustentação no trabalho.
E lá vai o bonde, descendo a Rua Inhaúma,
Ponte da Casa Verde à vista, com seus muitos campos de futebol – ladeados –
Silenciosos agora, mas repleto de vida, aos domingos,
Em sublimes momentos de intensa glória!

 

Barra Funda, Bom Retiro – o centro está logo ali;
Lá vai o bonde, no seu plim, plim, plim insistente.
Em cada curva um solavanco – um vai pra lá, vem pra cá
Despertando aqueles heróicos trabalhadores anônimos
Símbolos da grandeza desta terra que é de luta e esperança;
Ouve-se o plim, plim, plim da última passagem registrada
– “Fim da linha”, diz o cobrador, mais uma vez,
Porém, diziam as más línguas: !Não a última cobrada”!

 

Anoitece, e toda aquela gente sonolenta desse mesmo dia – no seu amanhecer –
Ali está, todos atentos ao Casa Verde,
Estampado na “testa” daquele monstro de madeira e ferro
Que logo surge, como um dragão, expelindo fogo,
Entre os trilhos e suas “patas” barulhentas
Agora em direção ao aconchego do lar,
Embalados pela sonoridade – e habilidades – do cobrador:
Plim, plim, plim, um pra Light, dois pra mim…
Plim, plim, plim, um pra Light, dois pra mim…
Plim, plim, plim…

 

Pedro Vitorino é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte mais um capitulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br.

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