Conte Sua História de São Paulo: as amoras das Perdizes viravam potes de geleia

 

Por Michael Roubicek
Ouvinte da CBN

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte da CBN Michael Roubicek:

 

 

Eu passei minha infância toda no bairro de Perdizes, zona oeste de São Paulo. O nome do bairro vem da existência de uma granja que vendia perdizes e galinhas no Largo Padre Péricles, no início do século 20. Os costuma dizer: “vou lá nas perdizes….”. Era um bairro bem diferente do que é hoje — não era periferia, mas era muito tranquilo.

 

Nós vivíamos ali na rua Ministro Godoy – pertinho do que viria ser a PUC de São Paulo. Lembro quando o prédio novo da universidade foi construído. Lá no fim da da década de 1960. Os tratores abriram um buraco no muro que dava para a rua e, meu irmão e eu, entrávamos para colher quilos de amoras das árvores que lá existiam. Amoras que minha mãe transformava em vidros e mais vidros de geléia.

 

Nós vivíamos na rua. O programa era voltar da escola, almoçar, fazer a lição de casa e correr para a rua encontrar os amigos da vizinhança. Jogávamos taco e futebol a tarde inteira. Os gols eram os portões das casas opostas, de cada lado da rua. De vez em quando tínhamos que interromper o jogo porque passava um carro — fato raro na época.

 

Às vezes, a bola descia a ladeira da Rua Caiubi e tínhamos que buscá-la lá embaixo, no mato em volta do córrego. Nem o córrego nem o mato existem mais, pois se transformaram no que é hoje a Avenida Sumaré.

 

De vez em quando, meu irmão e eu, mais a turminha da rua, dávamos voltas por locais mais distantes, sempre a pé. Um dia, decidimos por uma grande aventura: ir até o Canal 4, antiga Rede Tupi, lá na antena, no Sumaré, que dava para ver de casa.

 

Conseguimos chegar até lá, mas nos perdemos na volta e ficamos rodando pelas ruas. Fomos perguntando para as pessoas e já no início da noite chegamos de volta. E lá estavam todos os pais na calçada, mortos de preocupação com os meninos que desapareceram. Nessa noite fomos pra cama sem jantar, de castigo. Pelo menos escapamos das palmadas.

 

Michael Roubicek é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade: escreva para milton@cbn.com.br.

Um comentário sobre “Conte Sua História de São Paulo: as amoras das Perdizes viravam potes de geleia

  1. Michael, tive um episodio parecido com o seu em relação ao “passeio”, só não acabou tão bem, pois levei umas boas chineladas e um dos meus amigos uma surra daquelas.
    Saudade dos sucos feitos com amora do quintal, imagino a saudade que não tem das geleias de sua mãe.
    Abraço

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