Expressividade: valorize suas rugas

 

 

Lá vai mais um trecho do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”, escrito para o livro “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), organizado pela fonoaudióloga Leny Kyrillos, em 2005. É minha homenagem a fonoaudiologia e em referência ao Dia Mundial da Voz, comemorado em 16 de abril:

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Foto: Pixabay

 

 

CUIDADO COM O BOTOX!
 

 

O primeiro-ministro da Itália Sílvio Berlusconi desapareceu por quase duas semanas, provocando reações das mais diversas na plateia. Ao retomar suas aparições públicas o rosto apresentava menos rugas, as bolsas sob os olhos suavizadas e as orelhas diminuídas, resultados de intervenções cirúrgicas que, além de bisturi, cortes e recortes, contaram com a colaboração do botox, eleito pelas altas personalidades produto preferencial para o rejuvenescimento. Um dos médicos do dirigente italiano justificou que, hoje em dia, a cirurgia plástica se tornou compulsória para o sucesso do político.

 

 

Deve ser esta mesma lógica “política” que move presidentes, senadores, deputados e prefeitos brasileiros —- prefeitas, também. Todos levados a arroubos de vaidade que despertam no ser humano o sacrifício de enfrentar a dor em mesas de cirurgia.

 

 

Fenômeno, aliás, que chama atenção de entidades internacionais que atuam no setor devido ao crescimento acachapante de operações realizadas no Brasil. Explicação que, talvez, se possa encontrar na análise sociológica de Gilberto freire que, no clássico Casa Grande & Senzala, enxerga a sensualidade como um dos traços que formam o povo que vive aqui embaixo da linha do equador.

 

 

Não me queira mal. Assim como não quero mal às cirurgias plásticas. Sei dos inúmeros benefícios que  as atuais técnicas oferecem ao homem. Não apenas por vaidade — mas, também, por esta —-, as operações têm ajudado na auto-estima, dão confiança e chegam a mudar a vida de pessoas infelizes com sua aparência, formas e deformações. Cada um cuide de suas rugas e eleitores como bem entender, mas leve em consideração o alerta dos especialistas para os excessos que vêm sendo cometidos nos últimos tempos.

 

 

É tanto botox para cá, lipo para lá e pelancas acolá que tem gente perdendo, além da noção do ridículo, a expressão. Marcas naturais do rosto dão vida à mensagem que se pretende transmitir. O comportamento facial é revelador de sentimentos. A testa franze com intensidade em meio a preocupação e a bochecha ganha covas de sorriso, complementando a informação. Há quem defenda a tese de que rostos expressivos são considerados mais confiantes e agradáveis. portanto, na incessante busca pela fonte de juventude, não se afogue nas técnicas cirúrgicas sob risco de perder a expressividade.

 

 

O preço? A credibilidade.

 

 

Os textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressividade”, publicados até agora, você tem acesso, na ordem decrescente, clicando aqui

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