Avalanche Tricolor: só pode ser coisa dos deuses do futebol

Grêmio 1×1 America de Cali

Libertadores — Arena Grêmio

A festa do gol em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foi sofrido, não foi? Não que nunca seja. Sempre é. 

Sofremos menos porque a bola não entrou ou por algum risco na classificação —- que não havia até porque uma das duas vagas já era nossa. 

Sofremos mais porque o futebol não encaixou como gostaríamos. Quer dizer …, até se ajeitou naqueles primeiros minutos do segundo tempo, depois da conversa de Renato no vestiário e as primeira mudanças do meio para a frente. Em pouco tempo vimos um time mais móvel, toque de bola mais veloz e chegada na área do adversário —- a ponto de termos provocado um pênalti a nosso favor,

Dali pra frente, foi aquilo que você viu. Erramos o quinto pênalti em oito até então cobrados na temporada. Tomamos o contra-ataque e, em uma bola na qual o atacante adversário sequer pulou, nosso zagueiro desviou para as redes. Santa infelicidade de Kannemann que já havia tomado um amarelo no primeiro tempo, fez um gol contra e levou o segundo  amarelo já nos acréscimos, sendo expulso de campo e suspenso da próxima partida das oitavas-de-final.

Nada mais funcionava e quanto mais velocidade se tentava dar ao jogo, mais rapidamente cometíamos erros. Até mesmo Pepê, sempre uma saída de escape quando a coisa está feia, era incapaz de reter a bola em seus pés. Chegou a tropeçar nela —- coisa rara desde que assumiu a titularidade do time. 

Renato esbravejava, bufava, sentava e levantava irritado com o que via. Olhava para o céu como se pedisse uma ajuda dos deuses do futebol. Olhava como se perguntasse: o que eu fiz para merecer isso? Mudou quem tinha para mudar e parecia que nada daria certo nesta noite de quinta-feira.

Nas redes sociais a corneta tocava alto. Para muitos dos corneteiros os réus tinham sido julgados e considerados culpados, sem direito de defesa. Sem refletirmos pelo passado que nos trouxe até aqui. 

Só faltava o co-irmão vencer o jogo lá fora, a gente ficar em segundo no grupo e no sorteio pegar um daqueles adversários encrenqueiros! Fecha tudo! Bota todos para fora! Começa tudo de novo! Derrube-se a estátua na esplanada da Arena. Quem contratou esses pernas de pau? Impeachment já!

A bola, o adversário e o árbitro conspiravam contra. O anti-jogo, coisa da Libertadores, como costumam dizer, reinava no gramado. O risco de perdemos mais jogadores para a próxima etapa só aumentava com os nervos a flor da pele. 

Foi então que uma luz se fez. Sei lá de onde. Só pode ser coisa do divino que veio para inocentar os pecadores. Não bastasse nos dar de mãos beijadas o primeiro lugar no grupo com a derrota do adversário direto pela liderança na outra partida, ainda nos ofereceu a benção de mais um pênalti com quase dez minutos de acréscimo. Tinha de ser um pênalti.

Diego Souza ajeitou a bola, correu, parou, dançou, balançou e nosso coração paralisou. Quando bateu em gol, o goleiro adversário já estava caído de joelhos. E de joelhos ficamos nós, agradecendo aos deuses pela justiça que se faz a história de Renato e deste time que não anda em boa fase, mas que mesmo assim termina em primeiro lugar em seu grupo.

Os deuses decidiram nos dar mais uma chance. Saibamos aproveitá-la! Renato saberá!

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