Avalanche Tricolor: Comemora, Vanderlei!

Corinthians 0x0 Grêmio

Brasileiro — Arena Corinthians, SP/SP

Renato e o antirracismo em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

O segundo tempo já estava avançado quando em um contragolpe a defesa do Grêmio cortou mal a bola que caiu nos pés do adversário. Recuada, chegou livre para o chute a gol. Em situação normal de pressão e temperatura, era bater, estufar a rede e correr para o abraço. Havia, porém, uma pedra no meio do caminho. Uma rocha com a dimensão de Vanderlei, que saltou de braços abertos e com uma só mão despachou a bola para escanteio. A vibração com punhos cerrados do nosso goleiro dizia muito sobre o que acabávamos de assistir. 

Aos 36 anos, tendo chegado sob o olhar desconfiado do torcedor, depois de deixar seu clube anterior porque apresentava dificuldades técnicas para se adaptar a estratégia do técnico — diziam que não sabia jogar com a bola nos pés —, Vanderlei logo se tornou titular, no lugar do criticado Paulo Victor, que apesar de ter tido bons momentos com a camisa do Grêmio, revelou-se inseguro, especialmente na segunda parte da temporada passada.

Vanderlei, mesmo tendo ganhado o direito de vestir a camisa número 1, ainda não conquistou o coração do torcedor. Já fez uma sequência de bons jogos desde que chegou à Arena, mas sempre que tomamos um gol, aparece alguém disposto a puxar a lupa, chamar o VAR e fazer contorcionismo para encontrar a falha do novo goleiro. Até mesmo quando o gol é de pênalti há buchicho na arquibancada (que agora é apenas virtual).

Com 1,95 e cara sempre séria, ainda está longe de se igualar a alguns dos grandes nomes que passaram pelo gol gremista nestes anos — para a maioria de nós a imagem de Marcelo Grohe e seus milagres é muito presente. No memorial que mantenho na parede de casa, a camisa autografada por Danrlei está ao lado da de Geromel. Sem falar em Victor, Leão, Mazaropi e, sim, o lendário Eurico Lara — todos merecedores do nosso mais alto respeito. 

Nem se pode exigir essa paixão por Vanderlei. É muito cedo. Por enquanto, ganhou apenas o Campeonato Gaúcho e está sendo testado a cada partida do Brasileiro, da Copa do Brasil e da Libertadores. Uma defesa com a importância desta que fez, nesta noite em São Paulo, sinaliza que está na hora de começarmos a nos convencermos de que estamos nas mãos de um grande goleiro.

Foi ele quem garantiu mais um empate neste campeonato e mais um empate contra este adversário —- é o quarto em dois anos, sem gols. E se hoje não houve gols, Vanderlei tem total responsabilidade no resultado ao fazer aquela defesa magistral.

Tê-lo como destaque nesta partida atípica do Campeonato Brasileiro — na qual o adversário teve dois jogadores expulsos, um deles ainda no primeiro tempo —- também diz muito do que foi o Grêmio nesta noite. Haverá de ser melhor na quinta-feira, creio.

Em tempo: a camisa tricolor trouxe no peito a mensagem antirrascismo que o Grêmio tem propalado ao longo do tempo: somos azuis, pretos e brancos, em meio ao desenho do rosto de negros ilustres que vestiram nossas cores; enquanto Renato estampou uma camisa amarela com a frase “vidas negras importam”. Que o recado seja entendido por todos nós!

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