Avalanche Tricolor: respeito é bom e eu gosto

 

Corinthians 0x0 Grêmio
Brasileiro — Arena Itaquera

 

Gremio x Corinthians

Everton em mais uma arrancada, em foto de LUCASUEBEL/GREMIOSFBPA

 

O Grêmio e Corinthians mais importante da minha vida foi em 2001. Fomos campeões da Copa do Brasil. E antes que você pense que exagero, levando em consideração que as duas equipes já se enfrentaram em outras grandes decisões, preciso lembrar que na partida final, disputada no estádio do Morumbi, apresentava-me ao público na versão narrador de futebol.

 

Sim, já narrei jogos de futebol —- e de tênis, também —- em uma experiência que vivenciei na Rede TV!, nos anos de 2000 e 2001. Foi uma oportunidade incrível, proporcionada pelo colega e amigo Juca Kfouri — agradeço a ele até hoje essa chance, lamento apenas não ter sido capaz de retribuir tudo que ele merece. Juca me convidou para transmitir partidas de futebol, na época em que a emissora estava começando.

 

O convite foi resultado de conversas que já havíamos tido sobre modelos de transmissão de jogos pela TV, das quais meu pai também chegou a participar. Acreditávamos na ideia de que o narrador deveria ter uma interferência menor no espetáculo já bastante valorizado pela qualidade tecnológica à disposição e a quantidade de imagens disponíveis. Podemos falar sobre isso em outra oportunidade se assim você pedir, caro e raro leitor desta Avalanche.

 

Vamos ao que interessa —- ao menos ao que me interessa agora: imagine que desde pequeno assistia a meu pai narrar jogos no rádio e na TV; arriscava alguns gritos de gol ao lado da mesa de botão, no quarto de casa; e de repente passo a ter a chance de narrar partidas, ao vivo, pela TV, como gente grande. Era um sonho de criança se realizando.

 

Para esse sonho ficar ainda mais maravilhoso, depois de narrar partidas pela Champions League e Campeonato Paulista — além de uma final de Grande Slam, no Torneio de Wimbledon —-, a Rede TV! teve o direito de transmitir a Copa do Brasil de 2001. E exatamente naquele ano, a equipe, então treinada por Tite, chegou à final contra o Corinthians.

 

O primeiro jogo foi em Porto Alegre e empatamos em 2 a 2. A disputa do título seria em São Paulo, diante da torcida adversária que lotava o Morumbi e tendo o adversário como favorito —- era o que diziam os críticos da crônica esportiva. Escalado para narrar o jogo, tive de controlar a ansiedade e a torcida pelo Grêmio, em respeito ao telespectador.

 

Aos poucos, porém, o Grêmio dominou a partida. Terminou o primeiro tempo na frente e quando mal se iniciava o segundo já ampliava a vantagem. Fechou a conquista do título com um 3×1 que calou o estádio e levou este locutor ao delírio —- possível de se identificar no grito desafinado de alguns gols gremistas.

 

Aquele foi sem dúvida o Grêmio x Corinthians mais importante da vida —- não bastasse ter sido a última partida de futebol que narrei.

 

Independentemente dos fatos relacionados à minha carreira —- de profissional e de torcedor —-, a verdade é que os dois times já protagonizaram momentos memoráveis no futebol brasileiro. Com vitórias de um lado, vitórias de outro e muitos empates, semelhantes ao desta noite, em Itaquera.

 

Tenho a impressão de que existe entre os dois times um respeito mútuo que os faz comemorar quando saem de campo sem serem derrotados, estejam jogando em casa ou não. Respeito, aliás, foi a palavra usada por um dos jogadores corintianos ouvidos pela TV ao fim da partida. Revelou que o importante era não ter tomado gol e conseguido somar ao menos um ponto contra um adversário do tamanho do Grêmio.

 

Sempre bom saber o quanto nossas conquistas e nossa dimensão são respeitadas pelos adversários.

 

Melhor se conseguíssemos transformar esse excesso de respeito deles em vitórias para nós, mas sair de Itaquera com um ponto ganho não é ruim, não — mesmo com a insistência de alguns em lembrar que já estamos na quarta rodada e ainda não vencemos um só jogo neste Campeonato Brasileiro. A esses — entre os quais alguns dos nossos torcedores que se expressam nas redes sociais —, quero apenas fazer um pedido: respeitem a nossa história, parem de fazer projeções desesperadas e se lembrem que até um mês atrás muitos de vocês estavam apostando que estaríamos fora da Libertadores.

 

Às vezes, tenho a impressão de que a turma não aprende a lição. Respeitem, apenas respeitem. 

Conte Sua História de São Paulo: a camisa de futebol que me salvou a viagem

 

Por Neide Brum Duarte
Ouvinte da CBN

 

 

Eu moro em Bom Jesus dos Perdões, São Paulo, uma cidade pequena e distante da capital mais ou menos 70km. Eu vou à capital com certa frequência. E há mais de 10 anos, em uma dessas idas, eu levava um amigo para uma audiência no Fórum da Barra Funda, na zona Oeste. Íamos, esse meu amigo, duas filhas dele, eu e meu filho mais novo que morava na capital para estudar. Meu filho Guilherme é corintiano fanático — a segunda pele dele é (agora é um pouquinho menos) a camisa do Corinthians.

 

Bem, fomos com tempo para chegarmos ao fórum antes da audiência. Mas logo na chegada a São Paulo, meu carro que era novo teve uma pane na rodovia Fernão Dias. Fiquei apavorada, liguei o pisca alerta e desci do carro para colocar o triângulo. Meu filho desceu e meu amigo também para pedir que os carros desviassem. Foi horrível. O que fazer??? Telefonei para a seguradora que se prontificou a mandar um guincho e um táxi, ficamos à espera e as coisas nesse caso demoram um século.

 

De repente, eu vejo uns homens vindo em nossa direção. Fiquei com medo pois aquele lugar é bem feio. Os homens se aproximaram, uns fizeram uma espécie de muro na rodovia parando o trânsito e outros tiraram o carro, no braço, e o puseram no acostamento. Acredita????

 

Depois de feito isso, eu comecei a chorar de emocionada e fui humildemente agradecer a um deles que me pareceu o líder: — Muito obrigada, nem sei como lhe agradecer. Ele me respondeu: — Senhora, não me agradeça; nós não viemos por sua causa, nem a vimos, nós viemos por aquela camisa!!!Acredita???

 

A camisa do Corinthians salvou o meu dia em São Paulo.

 

Neide Brum Duarte é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capítulo da nossa cidade: escreva para milton@cbn.com.br

Avalanche Tricolor: Luan voltou!

 

Corinthians 0x0 Grêmio
Brasileiro – Arena Corinthians SP/SP

 

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Bom te ver em campo 

 

Imagino que muitos de nós queríamos sentir o gosto da vitória, nesta noite, em São Paulo. Seria a confirmação de que o time começa a retomar o rumo, uma pressão maior sobre o adversário direto ao título e a manutenção da vice-liderança. 

 

Mas vou lhe dizer uma coisa, caro e raro leitor desta Avalanche, com toda a minha sinceridade. Independentemente do placar final da partida de hoje – e o empate está de bom tamanho, tudo levado em consideração -, eu tinha um só desejo e esse se realizou no momento em que o time entrou em campo. Ver Luan de volta. E Luan voltou.

 

A perna ainda está presa e o ritmo não é o mesmo de quando sofreu a lesão e teve de ficar afastado do Grêmio. Mas se vê claramente que ao tocar na bola, Luan modifica a forma de o time jogar.  Ela chega certa no pé do companheiro, faz um traçado diferente, driblando a burocracia e permitindo mais agilidade no ataque. Os espaços aparecem e os jogadores se aproximam. Tira a carga das costas – ou dos pés – de Arthur que tem com quem dividir o domínio da bola e pode se movimentar com mais liberdade em campo.
 

 

Para quem tem a Libertadores como obsessão e a final da Copa está a apenas dois jogos, ter o time reformatado é fundamental. E Luan é quem põe o Grêmio no eixo como mostram as estatísticas: o aproveitamento chega a 79% quando ele está jogando. Vai ficar melhor ainda até a semana que vem quando teremos pela frente a primeira decisão da semifinal.

 

Jogamos melhor do que o adversário, ficamos mais com a bola no pé, demonstramos uma consistência impressionante na defesa e provocamos os lances de maior perigo no ataque. Não foi suficiente para vencer. Mas neste treino de luxo que o Grêmio fez para Libertadores, repito o que disse no início desta Avalanche, o mais importante era ver Luan em campo. E Luan voltou.

Avalanche Tricolor: orgulho, humildade e sabedoria ajudarão a encarar as prioridades

 

 

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Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Edilson em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioOficial

 

 

Estouravam foguetes e gritavam a vitória quando eu estava chegando à zona norte de São Paulo. Era lá que encontraria um dos meus filhos que, horas antes, havia conquistado bom resultado no cenário do esporte eletrônico – ainda bem, pois assim tive motivos para comemorar neste fim de semana. A distância entre minha casa e o local em que o time dele vive rendeu mais do que os 45 minutos do segundo tempo, o que me dividiu a atenção neste fim de tarde de domingo: parte do jogo na TV, outra no rádio – aliás, que saudades me deu de Pedro Carneiro Pereira, Armindo Antonio Ranzolin e, claro, das narrações que ouvia do pai na Guaíba de Porto Alegre.

 

A comemoração da torcida adversária, que ecoava no início da noite, às margens da Rodovia Dutra, sinalizava a importância que esta dava ao jogo e o respeito que tem pelo Grêmio. Respeito que construímos até aqui com o futebol qualificado e intenso imposto a cada partida, mas que não apareceu com a mesma eficiência neste domingo.

 

As maiores chances de levarmos vantagem no placar surgiram no primeiro tempo, mas, curiosamente, a maior de todas veio exatamente no segundo, quando desperdiçamos pênalti. E se sequer fomos capazes de empatar com um pênalti a nosso favor, que o resultado sirva de ensinamento para as próximas partidas. Tenho certeza que será, pois temos um grupo maduro para absorver derrotas, aprender com elas e dar a volta por cima.

 

Primeiro de tudo, tirar da cabeça esta história de final atencipada. Nada se decidiu hoje à tarde, por mais que a vitória caísse muito bem para encararmos a maratona de competições que temos pela frente. Só de Brasileiro são mais 28 rodadas e 84 pontos a serem disputados. Acreditar que o campeonato lá no fim do ano será o mesmo desta primeira parte e não considerar os tropeços naturais que ocorrem no meio do caminho, é esquecer as temporadas passadas disputadas em pontos corridos.

 

Segundo, nada que ocorreu neste domingo deve ou pode impactar nossos objetivos. Nesta semana temos Copa do Brasil e logo ali vamos disputar a Libertadores, e sabemos bem que esta é a nossa prioridade. Portanto, cabeça erguida, orgulho com o que fizemos até agora, humildade para identificar as fraquezas e sabedoria para melhorarmos a cada jogo. Renato haverá de saber fazer tudo isso.

Avalanche Tricolor: o prazer de narrar o Grêmio campeão da Copa do Brasil

 

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Faz muito tempo. E tantas coisas mudaram por aqui.

 

Em 2001, quando vencemos a Copa do Brasil, tive um dos maiores prazeres da minha vida. Além de assistir ao Grêmio campeão – e isso me dá prazer mesmo em disputa de cuspe à distância – fui premiado com o direito de transmitir a final contra o Corinthians, no estádio do Morumbi.

 

Naquela época, fazia experiência como narrador de futebol na Rede TV! a convite de Juca Kfouri que acreditava como eu haver espaço para uma transmissão mais sóbria e menos intrusiva na vida do telespectador. Éramos poucos a acreditar no resultado daquela iniciativa. Mas a levamos em frente.

 

Tudo se iniciou com os jogos da Champions League, aos quais a emissora tinha direito de transmitir na televisão aberta. Na sequência, por acordo com a TV Globo, passamos a apresentar, também, as partidas do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil.

 

Por uma rica coincidência, naquele mesmo ano, o Grêmio, treinado por Tite, em sua primeira experiência na elite do futebol brasileiro, foi surpreendendo um adversário atrás do outro. Os tropeços nas primeiras partidas eram superados com vitórias contundentes em casa, no jogo de volta. Foi assim com Vila Nova e Santa Cruz.

 

Os resultados mais importantes, porém, vieram nas etapas finais, ao superar o Fluminense (uma vitória e um empate), o São Paulo (ao vencer em casa e no Morumbi  – com um incrível 4×3) e o Coritiba (quando vencemos as duas).

 

Apesar dos bons jogos e resultados, não havia tido oportunidade ainda de narrar uma só partida do meu Grêmio, pois enquanto nós avançávamos de um lado da tabela, o Corinthians avançava do outro e, por motivos óbvios, a televisão privilegiava os jogos do time paulista. Isso me levava a narrar os jogos deles e, de revesgueio, assistir aos do Grêmio.

 

A televisão me deu a chance de narrar a partida final, no Morumbi, depois de já termos empatado em dois a dois no Olímpico. A festa havia sido preparada para os paulistas. E a casa estava cheia. Naquele estádio, além de um pequeno grupo de torcedores concentrado na arquibancada, onde eu não conseguia enxergar da cabine de transmissão, apenas eu acreditava na possibilidade do título.

 

Perdão, naquele estádio havia um outro grupo que acreditava como ninguém na vitória. Era o time do Grêmio comandado por Tite, o técnico que se atreveu a pedir para que seus jogadores driblassem e se divertissem em campo, apesar da forte pressão que o adversário iria impor no estádio lotado.

 

E o Grêmio driblou, se divertiu, fez três gols e comemorou o título da Copa do Brasil.

 

Lá no alto, em uma cabine muito maior do que a minha capacidade de narrador merecia, assistia àquele espetáculo e narrei para todo o Brasil cada momento da nossa conquista. Foi difícil controlar a emoção pois ali estava quem só havia feito aquilo em menino e nas partidas de botão lá no Menino Deus, em Porto Alegre.

 

Em jogos de verdade, até então, me satisfazia em ouvir a voz de meu pai, Milton Ferretti Jung, nas jornadas esportivas da Rádio e TV Guaíba. E foi para ele que gritei o último gol gremista, marcado por Marcelinho Paraíba, após jogada que lembra muito o toque de bola do nosso time atual. Verdade que foi um mal e desafinado grito de Gol-gol-gol, mas era o que podia fazer naquele momento em que fui tomado pela alegria de comemorar o título que se confirmava em campo.

 

Como disse, faz muito tempo. E tantas coisas mudaram até aqui.

 

Aquele foi meu último jogo como narrador esportivo, pois tinha ciência de que a experiência seria passageira. Meu rumo era o jornalismo, onde já navegava com mais segurança e personalidade. Passei por outras redações e persisti no microfone da rádio CBN.

 

De lembrança, além daquelas guardadas na memória e o vídeo do jogo que narrei, tinha até pouco tempo uma medalha oferecida aos campeões da Copa do Brasil de 2001, que havia sido perdida no gramado. Como não encontraram o seu dono, entregaram para mim algumas semanas depois. Infelizmente, quando tive a casa invadida por bandidos, assim como toda minha coleção de camisas do Grêmio, foi-se a medalha, também.

 

Minha família cresceu. Os meninos que eram pequenos na época, hoje tomam seu próprio rumo, apesar de estarem todos em casa. São gremistas como eu, clube que eles adotaram, mesmo nascidos em São Paulo, após ver o pai sofrer na Batalha dos Aflitos.

 

Meu pai já não narra mais. Em contrapartida se agarra na imagem de Padre Reus em sinal de sua fé no Grêmio, diante da televisão, em Porto Alegre. Eu estou mais experiente. Calejado pela vida e pelo futebol.

 

A nos aproximar daquele ano de 2001, o nosso desejo alucinante de conquistarmos mais uma vez um grande título, porque eu, o pai e os meninos, todos nós #QueremosACopa

Avalanche Tricolor: espírito Olímpico volta no Dia dos Pais

 

Grêmio 3×0 Corinthians
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Sou gremista porque meu pai decidiu assim. Nasci sem cor nem clube, como nascem todos os bebês. E no momento em que meu destino teria que começar a ser traçado foi ele quem me ensinou, nos moldes da época, o caminho a seguir.

 

Foi meu pai quem me levou pela mão ao estádio Olímpico que ficava logo ali, quase na esquina de casa. A primeira vez, pelo que me lembro, foi para ver Pelé em campo. E daquela lembrança tenho a caminhada pelo “beco”, como chamamos as ruas de terra e cercadas por casas pobres, para cortar caminho.

 

Pode ter me levado antes ao estádio, mas a memória me trai. Sei, porém, que depois daquele jogo, levou-me duas, três, quatro, um centena de vezes, até que eu soubesse percorrer aquele caminho sozinho.

 

Meu pai me forjou gremista, sentindo o frio das cadeiras cativas no arco de cima do estádio Olímpico e visitando os corredores internos daquele monumento construído para abrigar nosso time de coração. Tive o privilégio de ver jogos ao lado dele na cabine de transmissão da rádio Guaíba. As arquibancadas lotadas causavam arrepios e minha emoção muitas vezes se transformou em lágrimas, tanto pela vitória quanto pela derrota.

 

Hoje, ao ver a Arena do Grêmio tomada por mais de 50mil torcedores, em um domingo especial no qual se comemora o Dia dos Pais, percebi que o espírito do Estádio Olímpico estava de volta. A torcida cantou e vaiou. Atreveu-se a pedir olé quando o placar estava decidido. O caldeirão esquentou.

 

Mesmo distante, tinha a impressão de que estava lá, sentado em um das cadeiras ao lado do pai, no velho Estádio Olímpico – que ganhou este nome por abrigar a Universíada – os Jogos Olímpicos Universitários, em 1963.

 

O número de torcedores presentes jamais havia sido registrado em partidas disputadas na Arena. E se estavam lá é porque sabiam que o time poderia responder a altura. Torciam para que isso acontecesse. E aconteceu.

 

Um time que começou a partida com postura diferente das últimas, semelhante a que nos deu vitórias importantes neste campeonato. Que não se importou com as ausência de dois de seus maiores talentos, Luan e Wallace, que ajudam o Brasil a ser melhor nos Jogos Olímpicos.

 

O resultado foi que nossos atacantes, Pedro Rocha, Everton e Miller, fizeram o que esperamos deles: gols. Nossos defensores, com destaque para Geromel, o Incrível, e Marcelo Grohe, cumpriram com méritos suas funções. E, mesmo com uma partida a menos, estamos de novo na disputa da liderança.

 

No Dia dos Pais, o espírito do Estádio Olímpico esteve de volta. E eu pude lembrar mais um vez como o pai foi importante na minha formação.

Avalanche Tricolor: foi bom, meu amigo!

 

Corinthians 0x0 Grêmio
Brasileiro – Arena Corinthians

 

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Roger em foto de arquivo (LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA)

 

Foi oxo mas foi bom, meu amigo!

 

Foi bom porque vimos o Grêmio marcando alto e pelo alto, quase sem nenhuma falha. Nossos atacantes não se furtaram de impedir que o adversário saísse jogando com tranquilidade ao pressionar a saída de bola. Enquanto a turma que ficava na nossa área foi testada o jogo todo com cruzamentos e bolas lançadas por cima. E, amigo, digo sem pestanejar: nossa turma lá de trás passou no teste.

 

Foi bom, também, porque, ao contrário do que um dos jogadores deles disse ao fim da partida, não fomos (ou viemos) a São Paulo na retranca. É curioso, meu amigo, como ainda tem quem entenda ser retranqueiro o time que marca bem e no campo todo. O Grêmio marcou bem e no campo todo. E não foi retranqueiro. Foi eficiente.

 

Foi bom, ainda, porque vimos Roger investir em nova escalação com dois jogadores que atuam mais avançados: Bobô e Bolaños. Tinha ainda Luan, Giuliano e depois Everton (sem contar Henrique Almeida), que também gostam de jogar próximo da área do adversário. E, saiba amigo, mesmo com esta gente toda acostumada ao ataque, Roger conseguiu dar consistência na marcação, graças a intensa movimentação e dedicação deles.

 

Eu sei, amigo, que poderia ter sido melhor: se aumentasse a precisão do passe, especialmente quando nos aproximamos da área adversária; se Luan atuasse à altura do futebol que lhe é peculiar; se nossos atacantes acertassem o pé no chute final.

 

Mesmo assim, insisto, foi bom. Até porque você não tem ideia da quantidade de amigo corintiano que me cerca no trabalho, aqui em São Paulo. Um tropeço contra eles e a vontade que tenho é de sumir no dia seguinte. Porque você sabe, quando o assunto é futebol, os amigos não perdoam.

 

Portanto, digo e repito, meu amigo: foi oxo, mas foi bom!

Avalanche Tricolor: futebol campeão!

 

Corinthians 1×1 Grêmio
Brasileiro – Arena Corinthians

 

Orgulho de ver o Grêmio em campo (foto de Fabiani Dutra)

Orgulho de ver o Grêmio em campo (foto de Fabiani Dutra)

 

O intervalo de tempo entre o fim da partida e a escrita desta Avalanche me ofereceu a oportunidade de ratificar pensamento que foi sendo construído no decorrer do jogo na noite de ontem. Naquelas entrevistas feitas na beira do gramado quando os jogadores ainda tentam recuperar o ar e, imagino, a maioria sequer consegue fazer uma reflexão mais profunda sobre o que aconteceu em campo, ouvi de um dos nossos, se não me falha a memória foi o goleiro Tiago, a afirmação de que o empate teria tido sabor de derrota. Imagino que o pensamento se deva ao fato de, jogando na casa do adversário, termos saído na frente no placar para depois cedermos o empate. Justificável a frustração, pois os três pontos fariam uma tremenda diferença e nos ofereceriam uma vantagem incrível na disputa pelo título.

 

Obrigado a ir para cama logo após a partida, por motivos mais do que descritos nestas Avalanches, deitei com aquela frase na cabeça. Durante todo o jogo, minha sensação tinha sido bem diferente, mesmo após o gol de empate, tomado em bola cruzada na área e de cabeça – o que, aliás, não me surpreendeu em nada. Pela maneira madura e qualificada com que o Grêmio se apresentou, a estratégia ofensiva imposta durante toda a disputa, sem abrir mão da marcação forte e precisa, exercida mesmo nos minutos finais quando o cansaço já deveria ter tomado conta do time, além do talento demonstrado por alguns jogadores gremistas, assisti ao jogo com satisfação e orgulho.

 

Em nenhum momento senti o tal sabor de derrota até porque o empate, na casa do adversário, impediu que o líder se desgarrasse na ponta, manteve a mesma diferença de pontos e nos deixou vivo na disputa do título – sim, porque eu vejo o Grêmio com esta pretensão, independentemente dos desfalques e dificuldades que a dupla jornada – no Brasileiro e na Copa do Brasil – gera à equipe.

 

Durante toda a manhã de hoje, a reação que vi de torcedores adversários, em São Paulo, apenas confirmou meu pensamento. O Grêmio saiu de campo ainda mais respeitado do que entrou. Àqueles que apenas ouviam falar do nosso futebol e assistiam à arrancada em direção ao topo da tabela, tiveram a revelação do que nós, que acompanhamos o Grêmio onde o Grêmio estiver, já sabemos há algum tempo: o time montado por Roger é um time campeão, independentemente do que conquiste neste campeonato.

Avalanche Tricolor: muito prazer, Grêmio!

 

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Grêmio 3 x 1 Corinthians
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Sabe-se que a maior parte dos brasileiros ainda assiste apenas aos jogos que passam na televisão aberta, especialmente na TV Globo. Do restante sabem pelo resumo dos gols nos programas esportivos e algumas notas de rodapé (se é que a expressão ainda caiba em tempos de internet).

 

Exceção aos mais responsáveis e interessados, os cronistas também tendem a saber superficialmente o que acontece nos campos distantes do eixo Rio-SP, mesmo com a informação circulando em alta velocidade.

 

Quantas vezes tive de explicar o que estava acontecendo lá pelos lados da Arena e ressaltar o surgimento de nomes que estavam na base ou foram descobertos em clubes do interior. E sequer estou falando daqueles fatos que se escondem nos bastidores, pois destes também sei pouco.

 

Por isso, jogos como o de hoje, expostos nacionalmente, funcionam como uma espécie de cartão de visita, no qual apresentamos nossas credenciais. E essas foram apresentadas de forma fulminante com os cinco minutos mais bem jogados pelo Grêmio, nesta temporada.

 

Em alguns jogos neste ano já havia me chamado atenção o toque de bola mais refinado, provocado pela qualidade individual de alguns de nossos valores, em detrimento do chutão desesperado que marcou época. Em outros, percebia a trama no meio de campo e no ataque, em um esforço do técnico para dar lógica à movimentação do time. Nem sempre, porém, isso funcionava com a harmonia desejada, especialmente na finalização. Bolas bem passadas acabavam desperdiçadas.

 

A perda do título regional, a baixa autoestima do time e a necessidade de se desfazer do sonho de ver Felipão mais uma vez campeão pelo Grêmio, além das desavenças da cartolagem, criaram uma sensação de frustração. Algo tão forte que levou muitos a colocar sob suspeita o talento de Luan, Mamute, Wallace e do próprio goleiro Tiago, que fez hoje defesas incríveis. Confesso, uma desconfiança que me contaminou em muitos instantes.

 

Hoje, aqueles momentos relâmpagos de bom futebol se transformaram sob o comando do técnico Roger Machado. Tinha-se a impressão de que tudo conspirava a nosso favor (menos o árbitro, lógico!). A bola passava de pé em pé, ia para frente, voltava para trás, retornava pelas alas, encontrava alguém livre no meio e era entregue com açúcar e afeto a quem se apresentasse. Jogadores da defesa, dos lados, do meio, do meio para frente e do ataque deslizavam pelo campo em movimentos coordenados que surpreendiam a nós mesmos.

 

Com um futebol envolvente e arrasador do início da partida e com a marcação compacta e precisa do segundo tempo, o Grêmio e seus jovens se apresentaram, nesta noite, ao Brasil. Muita gente ficou embasbacada com o que assistiu. Com sagacidade, Xico Sá, em seu Twitter, chegou a colocar “Grêmio”e “futebol-arte” em uma mesma frase:

 

Twitter

 

Exageros e ironias à parte, sabemos que nesta noite tudo que poderia dar certo, deu certo. Até mesmo quando cometemos nossos erros. Se vamos repetir esse desempenho, só vendo para crer!

 

Agora, independentemente do que venha a acontecer na próxima rodada:

 

– Muito prazer, Grêmio!

 


A foto deste post é do perfil oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: é ganhar as duas e seja o que os deuses quiserem

 

Corinthians 1 x 0 Grêmio
Campeonato Brasileiro – Arena Corinthians (SP)

 

O domingo à noite começou no sábado. O desempenho dos adversários que jogaram no início desta antepenúltima rodada pautaria o tamanho do nosso desafio nestas partidas finais do Campeonato Brasileiro. E os placares apenas conspiraram contra nós. Tudo ficaria mais complicado na combinação de resultados, o que atormentava a espera pelo jogo. Ainda antes de a partida se iniciar fui a igreja. E fui porque é o que sempre faço aos domingos. Não peço pelo Grêmio, não. Já deixei claro nesta Avalanche que prefiro não misturar as coisas. Até porque se nossa história nos deu o direito à imortalidade, não seria eu a ocupar as intenções superiores com pedidos mundanos. Nas coisas do futebol costumo depositar minha confiança nos nossos e na mística de que somos capazes de renascer a qualquer instante, mesmo quando não somos mais acreditados por ninguém.

 

Nosso melhor momento na partida de hoje foi o início do segundo tempo com a bola trocando de pé em pé, movimentação rápida dos jogadores, descidas especialmente pela direita e alguns bons lances mal acabados. Insistimos com alguns erros, desperdiçamos todas as cobranças de falta e nos incomodamos com um árbitro pernóstico – mais um a cruzar nossa caminhada. Diante de tudo isso, perdemos três pontos e ficamos a três da vaga da Libertadores faltando apenas seis a serem disputados.

 

Quando Luis Felipe Scolari assumiu o Grêmio, o desafio era difícil pois precisava reconstruir um time desacreditado. Ao ajeitar as peças e alcançar resultados resgatou a confiança necessária. Trouxe o Grêmio de volta para a disputa, goleou quem tinha de golear e agora está pronto para alcançar mais uma de suas façanhas: ganhar as duas decisões que faltam e deixar que o destino faça o que for necessário para voltarmos à Copa Libertadores.

 

Seja o que os deuses (os do futebol) quiserem!