Conte Sua História de SP 467: o direito de ser dançarina

Cida Serafim

Ouvinte da CBN

Estou com 33 anos. E recuperei o direito de dizer que sou dançarina contemporânea. Eu explico. Atuei nos palcos por dez anos. Nos últimos quatro, não dançava mais nem praticava qualquer atividade física. Depressão, lesões, autocrítica exacerbada e a certeza de que a arte aqui estava fadada ao desmonte.

Eu não tinha forças para qualquer luta coletiva ou mesmo segurança para expor o que eu acreditava ser minha expressão. Minha voz estava muda. Dores simbólicas e concretas me assombravam há muito tempo. Ao entrar 2020, após quatro anos trabalhando com produção de eventos e sofrer uma estafa gigantesca, decidi que só trabalharia no ramo de alimentação: restaurantes, cafés. Tinha alguma experiência e bastante jogo de cintura. Era o plano perfeito. Mas lá no fundo uma tristeza gigante me consumia.

Com a pandemia e o isolamento, tive um crise de dores na coluna que me deixou na cama. Um mês isolada e quase imóvel; tempo que levei para reunir forças e pedir ajuda. Um WhatsApp aqui. Uma ligação ali. E numa dessas um amigo me indicou o trabalho de um fisioterapeuta que fazia teleatendimento com artistas do corpo. Teleatendimento em fisio?  Sim!

Semana a semana, ideias equivocadas sobre o corpo, reabilitação, dores crônicas e lesões persistentes foram desconstruídas. Perdi os 10 quilos que acumulei no isolamento. Ganhei confiança. Tomei coragem. Gravei vídeos no Instagram. Retomei contato com as parceiras de dança. E meu corpo respondeu tão bem aos estímulos, ao apoio e a generosidade de Leandro Fukusawa, o fisioterapeuta, que decidi voltar à dança.

De modo quase inexplicável, a vida mostrou meios e caminhos para que isso fosse possível. Hoje, tiro do papel e do campo das ideias, um projeto que vai justamente olhar para essa história de superação através do movimento.

Nunca imaginei que a tecnologia abriria a porta para minha reabilitação, que eu voltaria a dançar e contaria essa história para não ter dúvida de que mesmo em meio ao caos e à falta de esperança, a vida ainda pulsa. E dança. 

Cida Serafim é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo

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