Avalanche Tricolor: o Tetra é nosso, os guris do Grêmio!

Grêmio 1×1 Inter

Gaúcho — Arena Grêmio

Ferreirinha comemora o gol do título em foto de Lucas Uebel/Grêmio GBPA

Havia um guri no gol, de sorriso largo e braços ainda maiores, que conhece o Gre-Nal como a palma de sua luva —- Brenno fez sua estreia no Grêmio em um clássico, e até hoje não perdeu nenhum. Havia um guri na zaga em lugar de Kannemann: Ruan, que segue a passos largos o futebol maduro de seu companheiro de área, Geromel. Outro guri ocupou a lateral para substituir Rafinha, expulso ainda no primeiro tempo. E Vanderson cumpriu sua função com a seriedade de um veterano e a velocidade de guri que é.

No meio de campo, havia um guri, Matheus Henrique, que sustentado por um craque, Maicon, e um leão de volante, Thiago Santos, pode soltar seu talento com a bola no pé, distribuir o jogo e aparecer dentro da área para impor perigo ao adversário. Foi ele quem soube escapar da marcação na intermediária gremista, deixar seu adversário estatelado no chão e avançar à fronteira inimiga no início da jogada  do gol do título, ainda no primeiro tempo da partida.

No ataque não faltavam guris. Havia Léo Pereira, desde o início, e Ricardinho e Pepê (sim, não esqueça que o nosso atacante que ruma agora à Europa tem apenas 24 anos), que entraram no segundo tempo para dar desespero nos marcadores. 

Havia o maior de todos os guris: o gigante de 1,71 metro de altura, Aldemir dos Santos Ferreira, o Ferreirinha. Com 23 anos, nosso ponta esquerda encanta o torcedor e enlouquece o sofredor.

Foi ele quem recebeu a bola final daquela jogada iniciada por Matheus e distribuída por Diego Souza —- o goleador que aos 35 anos bota a bola na rede e dança como se fosse um menino. Foram dele, Ferreirinha, os dribles que o deixaram na cara da goleira, as gingas que desnortearam seus marcadores, a bola roubada na defesa e a vibração pelo desarme para a lateral, que tiraram o adversário do sério.

Já disse e repito, Ferreirinha é o futebol jogado com prazer:

“Raro atacante que dribla sem vergonha. Que irrita o marcador com seu talento. Que joga pra frente, em direção ao gol. E invariavelmente consegue chegar ao seu destino”. 

Havia guri no gol, na defesa, no meio de campo e no ataque. Havia guri se desdobrando para salvar nossos vacilos, endiabrando o zagueiro, desarmando o atacante e dominando o jogo com talento e muita garra. Havia Brenno, Vanderson, Ruan, Matheus Henrique, Léo Pereira, Ricardinho, Pepê e Ferreirinha. 

E em cada um desses guris, havia um pouco de mim. Do meu prazer de ser gremista. Das lágrimas que derramei no vestiário do Olímpico no passado. Do choro de alegria naquela vitória de 1977. Da felicidade de uma conquista comemorada. Do quadragésimo título estadual, do tetra Gaúcho, de sete anos sem perder um clássico em casa e de um domínio que —- guris que hoje vestem a camisa do Grêmio não têm ideia — eu nunca havia assistido na época em que eu era realmente um guri lá no Sul.

Obrigado, Grêmio e sua gurizada por me darem a alegria de comemorar mais um título ao lado dos meus guris, aqui em São Paulo.

4 comentários sobre “Avalanche Tricolor: o Tetra é nosso, os guris do Grêmio!

  1. Milton, antes de ler sua crônica, lembrava exatamente dos anos 1970, quando me apaixonei pelo Colorado e praticamente tinha dois clube para torcer. Meu Santos e o Inter.
    Quanta disputa e quanta saudade daquele time. O título de 1977, realmente, foi um engasgo de Campeão na garganta tricolor e com muita justiça. Foi o 1 X 0 mais disputado que já vi. Com mestre Tele no comando, foi demais. Acredito que aquele título foi uma espécie de abre alas e o Tricolor nunca mais cedeu ao Colorado. Clássico muito importante. Neste clássico vence o mais valente. E hoje não foi diferente! Quanta força e campo! Parabéns!

  2. Milton nesse dia de Glória relembrar 1977 é o máximo. Também sou daqueles tempos difíceis para o nosso tricolor que enfrentava uma supremacia grande do nosso eterno rival mas que naquele ano formou um time igualmente fantástico e inesquecível. Saudações Tricolores!

  3. Essa mistura de experiência e juventude pode dar bons frutos. Começando pelo nosso treinador, jovem e já muito vitorioso, Tiago Nunes. Como ele mesmo disse, ninguém pode substituir Renato, mas está dando sequência ao ciclo vitorioso e isso é o mais importante. Pepê, jogador que conheci de perto aqui em Foz do Iguaçu agora vai brilhar na Europa depois de ajudar muito o nosso Tricolor. Que momento vive o Grêmio! A saída da Libertadores fez bem, está dando a chance de buscar um título inédito da Sul-Americana. E que time está sendo montado, com a chegada de outro guri ainda, Douglas Costa. Nossos pais, onde quer que estejam, estariam orgulhosos do time que nos fizeram torcer.

    Abraços, Milton!

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