Conte Sua História de SP: trabalhei na fábrica de chocolates da Joaquim Floriano

Marta Alves

Ouvinte da CBN

Imagem: divulgação

Tenho 64 anos, nasci em Canaã, zona da Mata Mineira. Com seis anos, mudamos para São Paulo —- o que naquela época correspondia a ir para outro planeta.

Lá em casa, vivíamos muito humildemente. Éramos uma família, com seis irmão, sendo eu a mais velha. Morávamos na zona sul de São Paulo, no bairro de Pedreira, região de Santo Amaro. 

Minha mãe trabalhava de doméstica no Itaim Bibi, na rua Bandeira Paulista, esquina com a Tabapuã, na casa de dona Amélia. Como ela arrumou um outro emprego e pediu demissão, dona Amélia perguntou se não tinha uma filha que pudesse ficar no seu lugar só pra fazer as tarefas mais leves e ajudar com as crianças. Doce ilusão!

Eu estava com 12 anos e havia terminado o primário, então minha mãe, acreditando que fazia um bem para mim, permitiu que eu fosse trabalhar por lá. Como era muito longe de casa,  ficou acertado que eu dormiria no emprego e fosse pra casa só aos sábados, retornando na segunda-feira. As semanas eram infinitamente grandes. Devo dizer que sofri bastante naquela época, sem contar pra minha mãe as humilhações pelas quais eu passava. 

Quase um ano se foi, até que um dia, minha mãe, que continuava trabalhando em outra casa, também no Itaim, viu uma placa em uma imensa fábrica branca, na Joaquim Floriano: “precisa-se de menores” …. sim, naqueles anos era permitido.

Imediatamente, minha mãe foi até a portaria buscar informações. Em uma semana, fiz minha malinha na casa da Bandeira Paulista, dei tchau para a Dona Amélia, voltei para o bairro de Pedreira, onde morava minha família, e comecei no meu primeiro emprego com carteira assinada.

Imagine. A fábrica era da Kopenhagen. Sim, uma fábrica de chocolates. Dá pra imaginar o encanamento de um grupo de jovens e adolescentes adentrando aquele mundo no qual para todo lado que se olhava havia chocolate. 

O curioso é que a empresa tinha como regra que não poderíamos levar nada lá de dentro. Mas lá dentro, não era proibido comer as guloseimas. Claro que eles sabiam que depois de poucos dias convivendo com aquela esbórnia de delícias logo estaríamos saturados.

Foram poucos, mas foram inesquecíveis e doces aqueles meses de 1971.

Marta Alves é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outras histórias  visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

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