O difícil e inútil dilema entre permanecer e mudar

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Foto Pixabay

Na escolha entre permanecer ou mudar, em geral, eu prefiro as mudanças. Já mudei várias vezes de casa. Mudei de cidade, de país e de projetos.  Mas confesso que colocar as coisas numa caixa e mudar de destino, muitas vezes, parece mais fácil do que vasculhar e alterar aquilo que guardamos dentro de nós, tão bem armazenado... que dá até medo de mexer!

O medo de mudar pode estar associado às incertezas diante de situações desconhecidas, como a ideia de perda de controle ou de previsibilidade, e à crença de haver pouca habilidade para enfrentar os desafios e superar as adversidades.

A tendência de manter os pensamentos ou ações de maneira mais inflexível, possibilita uma impressão de segurança, de domínio de uma situação, mas, por outro lado, pode perpetuar comportamentos e condições bastante disfuncionais e mesmo prejudiciais.

Mudanças pressupõem transformações. Parecem bem-vindas ou mais fáceis quando planejamos e desejamos que ocorram.  Causam estranheza quando surgem de maneira inesperada, demandando que a nossa capacidade de adaptação ou de resiliência entre em ação. Um exemplo disso é a pandemia de COVID-19: impôs alterações para a vida cotidiana, com aulas a distância, trabalho em casa, compras on-line e encontros virtuais. 

Desejamos que o mundo mude. Desejamos que as pessoas mudem. Mas, na impossibilidade de mudarmos os outros, podemos começar modificando uma atitude, um hábito, um sentimento ou uma ideia.

A gente pode até não querer, mas a vida vai exigir deslocamento…

Quando a gente aprende a andar, engatinhar perde a função. Precisamos ficar em pé, nos equilibrar e dar passos. Exige mais esforço? Sim, mas permite ir mais longe, alcançar o que parecia distante.

E depois? Depois a gente vai se apropriando e acredita que não muda mais. E o que acontece? Como disse Luis Fernando Verissimo:

“Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas”. 

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

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