Conte Sua História de São Paulo: a Atlântida não encontrei

Alceu Sebastião Costa

Ouvinte da CBN

 
Saí à procura da Atlântida.

Conheci lugares, pessoas, o mundo,

Rios, lagos, lagoas, fui a fundo,


Perscrutei rochas e fendas, grutas escuras,

Subi ao cume de montes de todas as alturas,

Trilhei caminhos áridos e pedregosos.

Adentrei densas florestas, pisei solos enganosos,

Atravessei desertos sob o sol escaldante,

À noite, namorei a lua e estrelas cintilantes,

Vaguei pelos campos, tapetes de relvas macias,

Enfrentei o furor das tormentas, chuvas e ventanias,

Descansei à sombra de árvores frondosas,

Ouvindo o canto das aves, aspirando flores cheirosas,

Montei de potros ariscos a dóceis camelos,

Bebi das fontes mais puras, de suas águas fiz meus espelhos,

Mergulhei nas profundezas dos mares,

Vasculhei arrecifes, grotas, submersos patamares,

Fitei embevecido os cardumes coloridos,

Fugi de tubarões famintos, acariciei os golfinhos atrevidos,

Pés descalços e esfolados, as feras nos calcanhares,

Nas névoas dos pantanais divisei estranhas imagens,

Figuras horripilantes, a bíblica Torre de Babel,

Eu querendo encontrar a Atlântida, eles alcançar o céu.

Foi aí que acordei, o corpo molhado de suor,

Não conseguia falar, sufoco não havia pior,

Depois da heróica viagem, faltava-me a coragem.

Então me pus a rezar e tudo voltou ao seu lugar.

Pela janela aberta entrou uma borboleta amarela,

Devagar transformou-se numa linda donzela.

Sorridente, tomou minhas mãos e beijou o meu rosto,

Abrasado de desejo, num repente veio o desgosto.

Era uma bruxa disfarçada, feliz com sua maldade,

Que logo desapareceu, desfazendo-se na claridade, 

Isto já não foi um sonho, apenas retrato fiel da realidade.


A Atlântida não encontrei, não dei trela à ansiedade.

Assumi o meu verdadeiro papel no seio da Sociedade.

Nada foi em vão, juntei experiência e maturidade,

Acasalando afinidades, apaixonei-me pela simpática Cidade,

À magnifica São Paulo, acolhedora e solidária, jurei fidelidade.

Hoje, no aconchego dessa mãe protetora, só risos e alegria,

Posto que, neste 25 de janeiro, ela aniversaria.

Ó, minha querida São Paulo, saúdo os seus 467 anosCom os versos e rimas de minha singela poesia.

Alceu Sebastião Costa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Ouça esta e outras poesias de Alceu, sobre a cidade, no meu blog miltonjung.com.br. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br e se inscreva no posta do Conte Sua História de São Paulo

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