Avalanche Tricolor: a difícil missão de Vanderson

São Paulo 2×1 Grêmio

Brasileiro — Morumbi, São Paulo/SP

Vanderson em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Ver Vanderson jogar é um prazer, daqueles que duvidamos que vá durar muito tempo entre nós — assim como Ruan, que faz hora extra com a camisa do Grêmio, só no aguardo de ir embora para nova casa, no fim do ano. Nosso lateral direito —- por que não nasceu esquerdo? —- faz diferença em campo com passadas largas, dribles arriscados, e chegadas na linha de fundo e dentro da área. Sempre ouvi falar que era bom batedor de falta. Havia arriscado uma ou outra em partidas anteriores. Na noite desse sábado, mostrou até onde vai sua fama: no limite do travessão e do gol, com um misto de força e colocação raro no futebol brasileiro. 

Com apenas 20 anos, Vanderson desbancou Rafinha, que chegou com a pompa conquistada na Europa e as circunstâncias consolidadas na sequência de títulos que ganhou nos últimos dois anos, aqui no Brasil. Chegou a se duvidar que houvesse técnico com coragem de fazer essa escolha pelo jovem. Scolari, fez. Por que sabe que não tem mais tempo para inventar ou ceder a caprichos e forças políticas. Vanderson é a solução lá pelo lado direito. O problema é o resto.

Lá onde nasceu Vanderson, tem pouco mais de 236 mil moradores. Rondonópolis é cidade bem localizada no Mato Grosso. É por onde escoa boa parte da safra brasileira que desce pelas estradas em direção aos centros metropolitanos e aos portos. Foi por uma delas, que o garoto, ainda com 16 anos, deixou a cidade, onde jogava como meio de campo pelo União Rondonópolis, e seguiu para Americana, interior de São Paulo. Por curioso, se destacou em partida que o Rio Branco, clube que ainda detém parte de seus direitos, foi goleado. E o que chamou atenção dos olheiros gremistas foi o fato de saber unir talento e garra, pois mesmo diante dos gols adversários não desistia de lutar.

Torço por Vanderson e desejo que tenha mais sorte na carreira para deixar de ser apenas o sobrevivente entre os derrotados. Ele merece jogar com vencedores e terá a missão de contagiar o restante do grupo que se vê em situação crítica, após 14 jogos no Campeonato Brasileiro.

Em tempo e para que fique registrado: apesar dos pesares, olhei a tabela, fiz as contas, observei nossa história, ergui os olhos para a imagem de Nossa Senhora de Caravaggio, de quem Scolari é devoto, e conclui que, na primeira rodada do segundo turno estaremos fora da zona de “você-sabe-onde”. 

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