Avalanche Tricolor: Diego, O Grande!

Grêmio 3×1 Guarani

Brasileiro B – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

lDiego comemora o terceiro gol, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

“Aos 36 anos …”. É sempre assim que se iniciam as frases para enaltecer o maior goleador da Arena, como se a idade o definisse. Não é culpa de quem escreve. Somos assim mesmo. Não gostamos de sermos chamados de velhos — aplicamos botox, tomamos vitamínicos, tiramos as bolsas embaixo dos olhos e recolocamos fios de cabelo. Não aceitamos o passar dos anos.

Diego Souza não é grande pela idade que tem. O é pela forma como se reinventou no futebol. Em sua primeira passagem no Grêmio, jogava no meio de campo, mais avançado pela direita, o que já era metamorfose em relação a seus primeiros momentos de glória na carreira, quando fazia a função de volante, lá no Fluminense — um dos muitos times pelos quais passou e deixou marcas importantes —, quando foi convocado para a seleção brasileira sub-20.

Quando foi embora do Imortal, disse a um motorista de táxi, amigo de um grande amigo meu, que por ele teria ficado. E esperava um dia voltar. Foi Renato quem o trouxe de volta, em 2020, e propôs ao atacante, restringir sua área de atuação para ampliar seu potencial. Na mosca. Ou melhor, no alvo. 28 vezes no alvo. No ano seguinte, com todas as dificuldades sofridas pelo Grêmio marcou 24 vezes.

Os gols de cabeça, o ótimo posicionamento dentro da área e a sensibilidade para atalhar o caminho e chegar antes na bola não foram suficientes para superar a pecha de velho que lhe impuseram, a ponto de ter sido dispensado ao fim da temporada. Era preciso renovar, diziam os críticos, esquecendo-se de que a juventude não se mede pelo tempo de vida, e, sim, pelo espírito daquele que sabe se reinventar, inovar. 

Os deuses do futebol, que nos castigaram com um sarcasmo incompreensível no ano passado, decidiram então nos dar uma chance. E na dificuldade de se encontrar alguém capaz de substituir o centroavante que havia sido dispensado, foram buscá-lo de volta. E Ele aceitou!

Do Campeonato Gaúcho foi o melhor atacante. E foi autor do gol mais bonito. Foi Diego mais uma vez, sempre que conseguiu estar em campo. Neste Brasileiro, voltou apenas hoje, na terceira rodada, e em 60 minutos marcou os três gols — o três primeiros gols do Grêmio na competição — que nos deram a primeira vitória e o colocaram no topo da tabela de goleadores, mais um vez. Fez um com os pés, quando era marcado de cima pelo zagueiro, fez um de cabeça à distância —- que mais parecia um chute pela força e precisão — e fechou o placar subindo bem mais alto do que todos os seus marcadores.

E ainda há quem ache que Diego é grande porque tem 36 anos.

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