Avalanche Tricolor: o Grêmio renasce para o futebol

Grêmio 2×0 Náutico

Brasileiro B – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Geromel perfeito como sempre, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Há 17 anos, o Grêmio renascia para o futebol em uma partida que entrou para a história, enfrentando o mesmo adversário desta noite. Na época, foi protagonista de um feito inacreditável que ganhou nome e sobrenome: Batalha dos Aflitos. Daquele tempo, não apenas por coincidência, estavam, hoje, na Arena, Galatto, Anderson e Lucas Leiva. Mais do que eles, estava em campo o mesmo espírito aguerrido de um time que se notabilizou pelos resultados impossíveis, a ponto de ter conquistado o direito de usar “Imortal” como epíteto. E isso foi essencial para a vitória neste fim de sexta-feira que, guardadas as devidas dimensões, também nos fez renascer.

A sequência de partidas invictas e a presença constante nas últimas rodadas na zona de classificação não eram suficientes para o time conquistar a admiração e o engajamento dos torcedores. A qualidade do futebol jogado era sofrível. A bola, maltratada. A vergonha da queda estava na postura dos jogadores que pareciam entrar em campo arqueados. O constrangimento de estar na Segunda Divisão falava mais alto do que o desejo de deixá-la. 

Hoje, depois de um primeiro susto, que não durou muito mais do que três minutos, a postura do Grêmio foi outra. A marcação forte lá na frente sufocou o passe de bola adversário. A precisão das nossas jogadas era visível com a aproximação dos setores, o deslocamento mais rápido dos jogadores e a chegada frequente ao gol adversário. Uma entrega que não se via até então com tanta intensidade, por mais que alguns jogadores se esforçassem para oferecer isso ao torcedor.

Quando se aproximava o fim da primeira tempo, dirimindo qualquer temor de que o que assistíamos era apenas uma ilusão, abrimos o placar com um gol de Ferreirinha, que começa a voltar à equipe depois de longo período de lesão. No segundo tempo, mesmo que o ritmo tivesse diminuído, a ideia de jogo imposta por Roger se mantinha, com alguns jogadores se destacando acima da média, como Villasanti e Biel. Aos 34 da etapa final, após uma sequência de jogadas no ataque, Bruno Alves concluiu de cabeça e ampliou o placar para dois a zero.

Era, sem dúvida, um Grêmio diferente que assistíamos em campo. E o torcedor logo entendeu o recado, oferecendo em troca seu apoio e incentivo. Aplaudiu, cantou e vibrou como nunca nesta temporada. A alegria do futebol estava de volta, mesmo com algumas limitações e deficiências que precisam ser corrigidas. Roger sabe disso e tem se esforçado nesse sentindo, já prevendo o aproveitamento dos reforços que chegam — em especial Lucas Leiva, sim, nosso volante que iniciou sua jornada na Batalha. 

Agora já estamos há onze jogos invictos, seguimos na quarta posição mas já pedindo passagem para os poucos adversários que estão acima na tabela de classificação. O Grêmio ressurgiu para o futebol nesta noite sob o comando de Geromel que tem sido, sem dúvida, o principal jogador desta equipe, pela sua liderança e pela qualidade que desfila nos gramados. O que fez na Arena nesta sexta-feira foi coisa de outro mundo. Colocou os atacantes adversários no bolso, desarmou, deu chapéu, driblou, saiu para o ataque e ofereceu assistência aos seus colegas. Ninguém mais do que ele merecia ver o Grêmio redivivo para o futebol.

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