Mundo Corporativo: Maurício Salton fala de como harmonizar o vinho de qualidade com as práticas ESG

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“A gente evita trabalhar com aquelas soluções de curtíssimo prazo que eventualmente não são sustentáveis. Então, basicamente a gente olha para medidas que são corretas mas que elas fundamentam uma mudança, que elas são estruturantes”

Maurício Salton, Família Salton

A história começa na Itália, onde nasceu Antonio Domenico Salton, mas foi escrita no Brasil, quando os filhos decidiram profissionalizar a produção de vinho que o patriarca havia iniciado de maneira informal —- como era comum entre os imigrantes que trocaram a terra natal pela terra brasilis. Desde 1910, a Família Salton expandiu seus negócios, em especial no sul do país, e mais de um século depois é considerada uma das principais vinícolas brasileiras.

Por si só, a longevidade alcançada pelo grupo nos remeteria a ideia de sustentabilidade que marca as pautas da série especial do Mundo Corporativo ESG, que chega ao seu nono episódio. A Salton, porém, foi parar no centro da nossa conversa porque, além de ser centenária, decidiu ser pioneira no setor vitivinícola ao elaborar o Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa, em parceria com a Universidade de Caxias do Sul (UCS), divulgado recentemente. Para Maurício Salton, diretor-presidente da empresa, a iniciativa está em sintonia com a preocupação do grupo com a governança ambiental, social e corporativa:

“A gente tem dentro da nossa estrutura de empresa propósitos bem definidos nesse aspecto, que conversa muito com o ESG. Nós elencamos  esse trabalho como um trabalho protagonista para essa estratégia”.

As quatro unidades da Salton foram escrutinadas pelos pesquisadores: duas delas no Rio Grande do Sul  — Bento Gonçalves e Santana do Livramento — e duas em São Paulo — em Jarinu e na capital. No inventário, foram considerados nesta primeira etapa do projeto emissões de atividades agrícolas, processos industriais, gerações de resíduos e compra de energia elétrica. A vinícola identificou a emissão de 950,54 toneladas de CO²; em contrapartida, devido as práticas implantadas, foram removidas 15.786,91 de toneladas de CO². Ou seja, ao puxar o traço, o resultado foi positivo em 14.836,38 toneladas.

“Esse primeiro escopo de trabalho acabou sendo bastante representativo para a empresa. Trouxe já alguma luz de melhorias que a gente poderia executar, e a gente tem feito isso. Ele traz essa visão então preliminar dessa trajetória da empresa que no nosso entendimento é uma trajetória de médio e longo prazo” 

Dos projetos que a Salton pretende desenvolver, a partir do levantamento realizado, Maurício destacou o que tem como conceito a economia circular, transformando parte dos resíduos que a empresa gera em um composto que substituirá a lenha e oferecerá potencial calorífico às caldeiras das unidades fabris. 

Em outra ação em parceria com universidades, agora com a Federal de Santa Maria, a Salton fez um mapeamento ambiental do Bioma Pampa, onde se tem a Campanha Gaúcha, área fronteiriça com o Uruguai, que atualmente é a segunda maior produtora de uvas do Brasil, atrás apenas da Serra Gaúcha. Com esse projeto, foi possível desenvolver técnicas sustentáveis no manejo vitícola, ajudando a preservar a área e não criando atividades que pudessem competir ou prejudicar o bioma:

“Na nossa propriedade em Santana do Livramento, fizemos uma ação para entender algumas vegetações, algumas culturas que a gente poderia utilizar nos nossos vinhedos para que a gente mantivesse esse equilíbrio. Isso foi muito interessante porque a gente também teve uma redução de utilização de herbicidas” 

A vitivicultura é a cultura que menor impacto ambiental gera no Bioma Pampa, segundo informa a própria Salton. Nos estudos desenvolvidos com as universidades conclui-se que os vinhedos mantém o equilíbrio natural do Bioma Pampa por se tornam sumidouros de carbono, ou seja, absorvem CO2 da atmosfera e contribuem diretamente para preservação da fauna e flora local, evitando impactos no efeito estufa.

“Um negócio hoje precisa ter um equilíbrio muito forte. A gente não pode priorizar elementos que são voltados especialmente para a questão econômica, deixando outras frações que são importantes para o crescimento da empresa e para uma sustentação do negócio no que diz respeito à nossa postura no aspecto social, no aspecto ambiental, no aspecto de governança.”

Assista à entrevista completa com Maurício Salton, diretor-presidente da Família Salton, ao Mundo Corporativo ESG:

Colaboram com o programa Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

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