Avalanche Tricolor: no limite do desespero

São Raimundo 1 (1) x (4) 1 Grêmio
Copa do Brasil – Canarinho, Boa Vista, RR

Volpi, o protagonista. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A partida era contra o vice-campeão estadual de Roraima. O estádio acanhado, de gramado irregular, tinha espaço para cerca de 5 mil torcedores — lembrava mais um campo de várzea do que um palco para um gigante do futebol brasileiro. Em campo, o desequilíbrio era evidente no papel: qualquer jogador gremista que pisou no gramado ganha, ao fim de um ano, mais do que toda a folha salarial do adversário. Mas isso não bastou para dar ao Grêmio superioridade enquanto a bola rolava.

O time produziu pouco no ataque, sofreu com a falta de entrosamento e saiu atrás no placar, castigado por um contra-ataque no segundo tempo. Por muito pouco, não voltou para Porto Alegre com um vexame na bagagem, após cruzar quase 10 mil quilômetros de distância. Uma eliminação precoce na primeira rodada da Copa do Brasil seria um golpe duro para a autoestima do torcedor e para as expectativas na temporada de 2025.

Foi só nos acréscimos, aos 47 do segundo tempo, já com um jogador a menos depois da expulsão de Edmilson, que o Grêmio conseguiu acertar o gol. E a bola entrou. Cristian Oliveira, o uruguaio recém-chegado, matou no peito após a sobra de um escanteio, bateu firme e colocou no ângulo, sem chances para o goleiro. Mesmo considerando as diferenças técnicas, financeiras e estruturais entre os dois times, arrisco dizer que a mística da imortalidade se insinuava ali.

Mas a classificação ainda exigiria mais um teste para os nervos. O novo regulamento da Copa do Brasil determina que, nas fases iniciais, um empate leva a decisão para os pênaltis. Foi quando, enfim, a superioridade gremista apareceu.

Braithwaite, Jemerson e Arezo converteram com segurança. O São Raimundo desperdiçou a primeira cobrança chutando para fora. Depois, Thiago Volpi brilhou: defendeu a terceira batida e assumiu a responsabilidade na última cobrança. Bateu com categoria, definiu a classificação e evitou um fiasco.

Diante do que se desenhava ao longo da partida, a se comemorar o fato de o Grêmio não ter desistido em nenhum momento. Teve jogadores com frieza para converter os pênaltis e um goleiro que não apenas defendeu, mas decidiu. Foi mais sofrido do que deveria, mas o alívio final lembrou que, no futebol, por vezes, a glória nasce no limite do desespero. “É a Copa do Brasil”, disse Volpi com um sorriso no rosto.

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