Palmeiras 1×0 Grêmio
Brasileiro – Allianz Parque, São Paulo SP

Levamos o gol aos três minutos. Três. Era como se o destino quisesse deixar tudo às claras desde o início. Nenhuma surpresa, nenhum suspense — apenas a exposição cruel da nossa fragilidade. O adversário nem precisou se esforçar tanto. Nós nos entregamos cedo demais, como quem esqueceu como se luta.
E, ainda assim, o que se viu depois foi um desastre controlado. A derrota por apenas 1 a 0, diante do que se desenhava, quase soou aceitável. E isso é lamentável. Porque quando passamos a tratar a derrota como alívio, é sinal de que algo se partiu por dentro — e nem ouvimos o estalo. Não fui forjado gremista para me sentir assim.
A noite teve cheiro de resignação. E ela pesa mais do que a própria derrota. Se arrasta, silenciosa, e ocupa os espaços antes preenchidos por fé, por brio, por teimosia. E, convenhamos, torcer pelo Grêmio sempre exigiu um pouco de teimosia. Uma dose de esperança irracional, dessas que desafiam a lógica mesmo nos momentos mais sombrios.
Preocupante é ver jovens como Riquelme, Igor, Alysson e Jardiel nesse campo minado. Eles carregam talento, energia, vontade — mas enfrentam um ambiente que, em vez de impulsioná-los, ameaça engoli-los. Um clube fragilizado pode afundar até o que tem de mais promissor. A história está cheia de promessas que não resistiram ao caos.
Mas talvez — talvez — seja justamente nesses nomes que more nossa esperança. Se não forem amparados agora, correm o risco de sucumbir. Mas se forem fortalecidos, protegidos e colocados no centro de um projeto real de reconstrução, podem representar não só o futuro, mas o presente do Grêmio. Talvez seja hora de parar de esperar que os veteranos resolvam o que já não sabem mais resolver — e apostar na coragem de começar de novo, de baixo, com quem ainda tem fome e futuro.
Aceitar as fraquezas não significa se conformar com elas. Reconhecer que estamos frágeis é o primeiro passo para reconstruir. E se há algo que não podemos perder, é a teimosia de acreditar. Porque teimar também é amar.