Juventude 1 (1) x (4) 1 Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi, Caxias do Sul (RS)
O Grêmio está na final do Campeonato Gaúcho. Para muitos, não fez mais do que a obrigação. Eu comemoro. Especialmente diante das circunstâncias. Estar fora da decisão seria um desastre logo no início da temporada. O time está em reconstrução. Busca nova identidade. Testa jogadores recém-chegados. Investe em talentos muito jovens. E tenta superar carências que ainda existem no elenco.
O trabalho realizado por Luis Castro, a quem foi entregue a responsabilidade de refazer o Grêmio, corria riscos caso caíssemos diante do Juventude. E tudo o que o treinador português necessita, consideradas as condições, é tempo, paciência e equilíbrio para promover as mudanças.
A classificação, da forma como veio, ainda não oferece a tranquilidade desejada. Foram dois empates. O primeiro, em casa, quando não conseguimos sustentar a vantagem e fomos incapazes de superar um adversário que terminou com um jogador a menos. O segundo, saindo atrás no placar e escapando, no primeiro tempo e no início da etapa final, de sofrer mais gols. O time tem fragilidades evidentes e carece de definições em algumas posições.
O resultado, ainda assim, pode ser transformador. Oferece ao técnico e aos seus comandados um sinal de confiança. Mostra que a luta insistente e a resiliência diante dos reveses podem ser recompensadas. A coragem de alguns jogadores se sobressaiu.
Na partida desta noite, em Caxias do Sul, houve momentos de superação. Caso de Viery, zagueiro de apenas 21 anos. Em um lance estabanado na área, cometeu pênalti que deixou o Grêmio em desvantagem. Não se abateu. Avançou ao ataque e, sem medo de errar, acertou um chute de virada, de fora da área, para marcar o gol de empate.
Houve lances de revelação. Gabriel Mec, com apenas 17 anos, soltou o talento e deu novo ritmo ao ataque gremista, atuando como um meio-campista mais avançado. Com dribles, finalizações e valentia para enfrentar marcação dura, assumiu protagonismo — como lhe pediu o treinador pouco depois de sua entrada no segundo tempo, recado revelado pela repórter da transmissão do canal Premier. O guri ainda teve personalidade para converter um dos pênaltis na série decisiva.
Houve instantes de confirmação. Weverton, goleiro recém-empossado, sobressaiu-se. Defendeu a primeira cobrança e impôs pressão imediata ao adversário. A bola no travessão, na segunda penalidade, carrega a marca do temor que um goleiro multicampeão costuma provocar.
Houve cenas que só os atentos perceberam. Quando Luis Castro escolhia os batedores, o volante Noriega, posicionado logo atrás, pediu para cobrar. Ao ouvir a confirmação do técnico, respirou fundo, soltou o ar, relaxou os ombros — ritual de quem se prepara para decidir. E decidiu, convertendo a segunda cobrança.
O Grêmio precisará de coragem para atravessar essa longa reconstrução. Mostrou, ao menos nesta noite, que está disposto a merecer a confiança de seus torcedores — inclusive dos que ainda observam com desconfiança.
