Eu já sei!

Dra. Nina Ferreira

@ninaferreira.psiquiatra

Imagem de @anapaula_feriani por Pixabay

Nossa mente é uma estrutura interessante. Gosta muito de pensar, falar, falar, falar … Volta para o passado, vai para o futuro, pula para fora da gente, vem para dentro e fica ruminando, elocubrando, criando hipóteses e ideias.

Ela também parece muito dona de si:  “Fulano não gosta de mim”; “Que absurdo o que aquela pessoa fez”; “Tenho certeza de que não vou conseguir”; “Não tenho sorte na vida”; “A humanidade está perdida”. Veja só como acredita que já sabe muitas coisas, várias “verdades”.

Então, nós pegamos nossa mente “muito sábia” e saímos por aí. Já adivinhamos o que as pessoas pensam sobre nós e quais são as intenções escondidas delas. Também prevemos nosso futuro e concluímos que há coisas que nem vale a pena tentar, porque não darão certo mesmo. E conhecemos várias regras sobre a vida, a sociedade, a política, a economia, o comportamento humano…

Não temos mais o que aprender. Não precisamos observar o que está acontecendo para entender, de fato, quais informações devemos considerar ao formar nossas ideias e opiniões. Bloqueamos conceitos novos acontecimentos diferentes do que esperávamos, simplesmente porque nossa mente já sabe tudo. Afinal, por que gastar tempo e energia com isso?

É uma questão de economia. É isso que o cérebro faz. Ele quer trabalhar o mínimo possível, então deixa nossa mente bem rígida e fechada: “Não precisamos de mais nada. Já sabemos.” Percebeu a armadilha?

Caímos nesse buraco do isolamento, da ignorância, da pequenez. Embora possamos  expandir conhecimentos, estratégias, planos e possibilidade, não o fazemos. Preferimos  “sentar na nossa verdade” e permanecer ali, restritos.

E se trocássemos o “Eu já sei!” pelo “Me fale mais…”? E se trocássemos o buraco pela abertura, pela curiosidade e pela expansão?

Pense comigo: para que ficar preso se é possível voar?

Dra. Nina Ferreira (@ninaferreira.psiquiatra) é psiquiatra, psicoterapeuta e sócia fundadora da LuxVia Health Center. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Deixe um comentário