Diário de uma passageira (brava e desrespeitada)
Por Eliana Aleixo
Ouvinte-internauta do CBN São Paulo
“Estou brava. E muito brava. Descrevo cena que acredito ser a mesma para a maioria dos paulistanos de classe média-baixa. Sendo nós, então, desta dita classe, temos um carro simples usado pelo marido para trabalhar; como tanto maridos. E assim o restante da família depende do transporte público. Nos levantamos umas duas horas antes de chegar ao nosso destino. Nos preparamos, saímos de nossas casas e aguardamos … aguardamos … aguardamos … e aguardamos, mais ainda. Aguardamos no primeiro dia dessa semana pelo menos 20 minutos. Aguardamos no segundo, também, os 20 minutos. E, hoje, para nosso
espanto, aguardamos, também, das 5h45 da manhã até às 6h20 sem aparecer um ônibus da linha Metrô-Penha.
Já por três dias consecutivos estamos nesse ritmo e minha filha já está constrangida de tanta advertência verbal que leva na entrada da escola pelo atraso que não é nosso. Há! Só pra complementar: hoje ela nem foi a escola, pois ela tem a “opção” de ir ou não. E quem trabalha ? Não estou aqui tentando levantar nenhuma bandeira, mas eu acho complicado cobrar cidadania quando você não tem o mínino, neste caso respeito ao imposto que pagamos. Não estamos aqui de graça, pagamos.
Acredito que todo cidadão deva ter consciência de suas atitudes, exercer sua cidadania, zelar pela sua cidade, seu bairro, mas tudo na vida é uma troca. Você não pode cobrar de outros o comportamento que você não tem. Você só vai ter respeito e educação se você tiver respeito e educação pelos outros.
Este descaso com o transporte público é uma falta de respeito com quem
trabalha e tem compromissos, horários e metas. Gostaria de deixar meu pedido ao nossos competentes administradores dos nossos impostos (obrigatoriamente impostos): Um pouquinho de respeito…por favor?