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Foto de Tomas, amigo do blog que passou 15 dias na China
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Foto de Tomas, amigo do blog que passou 15 dias na China
Espera, angústia e alívio marcaram os dias em Porto Alegre. Na sala de espera do Hospital Mãe de Deus aguardei durante horas notícias sobre o estado de saúde de meu pai. Um dia antes havia desfilado meu orgulho ao lado dele, como você pôde (pode) ler neste blog. Homem de 71 anos que nunca apreciou muito seguir a risca as recomendações médicas agora terá de permanecer amarrado as regras até o momento certo para a cirurgia que pretende liberar o tráfego de sangue em veias e artérias.
Ainda bem que tive a oportunidade de estar ao lado dele quando precisou, e me foi oferecida a chance de continuar com ele.
Por Maria Lúcia Solla
Olá,
Gosto das palavras.
Mais precisamente, sou fascinada por elas! Admiro, respeito e gosto de brincar com elas. São femininas as palavras. Dão a impressão de fragilidade e de se deixarem subjugar, quando na verdade exercitam misteriosa liberdade. Como são flexíveis, fazem o que querem de si mesmas. Vestem-se, transformam-se, maquiam-se e surgem como adjetivos, substantivos, advérbios ou verbos que se conjugam de acordo com os tempos. Impressionam. Surpreendem. Assustam! Fogem de nossas bocas e nos deixam boquiabertos e sem nem uma, quando mais precisamos delas. Fazem chorar, mas também fazem rir. Ofendem, mas só se as reconhecemos como ofensa. Se tentarem me ofender em polonês, por exemplo, e eu não puder atrelar emoção às palavras ditas, uma vez que não as reconheço, sou capaz de sorrir de volta, e com isso desarmar o atacante.
Penso que esta seja uma boa chave para o segredo do bem viver: palavras só têm poder quando as investimos do dito cujo, em ritual solitário ou coletivo. Só quando embarcamos no seu significado e levamos conosco a bagagem de emoções. Uma palavra pode ser mortal, admito, mas é a única arma que podemos enfrentar sem medo de morrer porque temos o poder de desarmá-la. O projétil da palavra não vem dela mesma; é disparado pela emoção. A nossa.
Palavras podem dar esperança ou matá-la, desmentindo o dito que é sempre a última que morre. Gente, isso é poder demais, não é? Vivemos reféns delas. Você, eu, todo mundo! Reféns de uma arma municiada por nós mesmos.
Já sabemos que o tal segredo do pensamento positivo é puro placebo e não tem efeito se cada um dos nossos pensamentos não vier acoplado a um sentimento correspondente. Posso passar anos repetindo que tenho sucesso profissional, que tenho toneladas de tudo o que preciso para viver bem, que sou amada e tenho saúde, mas se realmente não me sentir assim, estou perdendo tempo. Sou feliz, sou feliz, repetido milhares de vezes, terá o mesmo efeito de uni duni te.
A gente sofre com o som de algumas palavras, vibra com o som de outras, e vai pondo tudo em malas e carregando vida afora. Vai arrastando essa bagagem, suando, chorando de dor em tudo o que é canto do corpo e da alma. Faz bolhas nos pés e nas mãos, do peso delas. E não solta! Não larga, não deixa ir. E palavra aprisionada é como mulher; se rebela, espezinha, despreza, faz o diabo.
E se a gente só carregar aquelas que nos fizeram felizes?
Não, meu caro, nem essas. Palavra não aceita meio termo. É como mulher; é tudo ou nada. Se algumas ficam, ficamos todas, diriam aquelas que nos fizeram chorar; aquelas que sapatearam sobre nosso ego.
O bom é soltar, não aprisionar nenhuma. É considerá-las com o respeito que merecem, quando se apresentam, sermos tocados por elas e deixá-las ir. É aceitar cada imagem que trazem, com uma tela em branco, para que cada uma possa desenhar-se livremente em todo seu esplendor.
Pense nisso, e até a semana que vem.
Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro De bem com a vida mesmo que doa, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano
Airton Ferreira da Silva, o Pavilhão, zagueiro como poucos que tiveram na história do futebol brasileiro, chegou acompanhado por amigos e apoiado em uma bengala. Tive o atrevimento de apertar-lhe a mão e dirigir-lhe um sincero muito prazer. O rosto está envelhecido, sinal de uma doença que não perdoa nem os merecedores da imortalidade.
Iúra, que um dia chorou emocionado ao me ver, menino, entristecido por uma derrota qualquer, também estava lá. Muito mais gordo do que na época em que era conhecido como o Passarinho, mas com o mesmo sorriso. Tarciso também sorria e foi saudado pela torcida assim que perceberam a presença dele. Apesar da idade, ainda conserva muito do Flecha Negra que conquistou o título mundial de 1983.
China, que na função de capitão ergueu o troféu de um dos muitos títulos que comemorei, está bem mais largo do que na época em que dominava o meio campo gremista. Anchieta, o capitão dos Andes, elegante como seu futebol, desce as escadas de cabelos grisalhos. Mazaropi passa correndo, o jogo estava para começar, incentivando aqueles que o aplaudiam.
O desfile de ídolos na noite desta quarta-feira no Olímpico Monumental foi intenso, assim como meu orgulho de ver que parte da história deste clube reverenciava a presença de meu parceiro de torcida. Após muitos anos, nós dois não conseguimos lembrar quando foi a última vez, voltei ao estádio ao lado de meu pai, aquele que me levou para comemorar o primeiro título de campeão, em 1977.
E não eram apenas meus ídolos que faziam questão de estender a mão para ele. Antes mesmo de cruzarmos o Pórtico dos Campeões, torcedores gritavam seu nome e acenavam. Já nas cadeiras cativas, a saudação acompanhada do grito de gol que marcou sua carreira (gol-gol-gol) sinalizava a lembrança ainda viva na memória daquela legião de gremistas.
Os místicos lamentavam a ausência dele no microfone da radio Guaíba: – Você era pé-quente ! O compositor gaudério o homenageou com um apelido que nos fez rir: – Este é o Frank Sinatra do rádio gaúcho. Havia os que se cutucavam e comentavam em voz baixa como se não quisessem incomodar. Mesmo destes não consegui esconder minha satisfação pela homenagem.
Há 30 anos, quando deixei a casa onde morava em direção ao estádio, de mãos dadas com ele, caminhávamos em busca de um título jamais comemorado por mim; nessa noite de quarta, fiz o caminho inverso, saí do estádio para a casa, com o braço sobre os ombros do meu pai na certeza de que, tendo acontecido o que tinha de acontecer dentro de campo, aquele era meu maior troféu.
Obrigado, Boca
É um privilégio decidir um título de Libertadores com um time que tem a história do Boca Juniors.
Em memória
A imortalidade não se perde em uma final de campeonato; se conquista com uma história de vida.
E para sair de férias
Muito obrigado aos amigos, leitores, ouvintes e internautas que me escrevem desde o fim da partida. Fico feliz de saber que enquanto assistiam ao jogo de alguma maneira lembraram deste jornalista. É muito mais do que eu poderia merecer.
Da casa, na Saldanha Marinho, dá para ouvir o grito de gol e assistir ao desfile de uma torcida que no ritmo do hino de seu clube do coração segue a pé a caminho do Olímpico. Morei ali por quase três décadas. Em 1977, repetindo mesmo trajeto e gesto que havia anos realizava, deixei a casa para trás de mãos dadas com meu pai em direção ao estádio. Não era um jogo qualquer como tantos outros que acompanhara nos meus 14 anos de vida. Era o jogo.
O Grêmio não vencia havia oito anos o Campeonato Gaúcho. Com Telê Santana no comando montara um time e tanto: Corbo, Eurico, Oberdan e Ladinho; Vitor Hugo, Tadeu e Iura; Tarciso, André Catimba e Éder. Havia sido o melhor da competição e só, só precisa de mais uma vitória.
No caminho para o estádio, ouve-se apenas uma expressão: É hoje, repetem os torcedores que se engajam na caravana.
É hoje, pai, que eu vou ser campeão ? É hoje, responde confiante.
O estádio lotado em azul, preto e branco. Das cadeiras cativas, como se fosse um presente, diante de mim, Iura passa para André que crava a bola na rede. É gol ! É gol do Grêmio.
Lembro como chorei, chorei muito. Era a primeira vez que via meu Grêmio ser campeão.
Daqui a pouco, deixo a mesma casa, na Saldanha Marinho. Como se estivesse de mãos dadas com meu pai, sigo para o Olímpico com a mesma confiança daquele menino. É hoje, é hoje que vamos construir mais um capítulo das façanhas do Imortal Tricolor.

Na cambalhota, André se machuca, sai de campo, mas já era campeão
Para matar a curiosidade o blog pede ajuda ao You Tube e reproduz o gol de André Catimba citado na crônica “É Hoje”
“É mais um motivo para a nossa motivação”
Kleber Santana, jogador do Santos, ao comentar a participação de Luxemburgo por tele-fone na partida contra o Juventude.
De Letra
(silêncio)(silêncio)(silêncio)
Hugo de Leon, ex-capitão gremista, ao responder a Juca Kfouri o que ele pensa sobre o técnico Leão
A CPI do Jogo Eletrônico entra, oficialmente, nas investigações sobre o envolvimento da Máfia dos Bingos com a Máfia dos Fiscais. Na sessão dessa terça-feira, os vereadores aprovaram a proposta do relator da comissão, vereador Adílson Amadeu (PTB), de “convidar” o Secretário Municipal das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, e o Subsecretário da Vila Mariana, Fábio Lepique para reunião extraordinária marcada para sexta-feira.
Adilson Amadeu já havia adiantado a proposta ao CBN São Paulo.
A CPI criada originalmente para verificar a sonegação de pagamento de ISS das casas de jogos decidiu investigar, também, o envolvimento de fiscais depois que este blog informou que pelo menos quatro agentes de duas subprefeituras (Vila Mariana e Pinheiros) estavam na lista telefônica do advogado Jamil Chokr, suspeito de pagar propina a autoridades para que os bingos fossem mantidos abertos.
Além de Matarazzo e Lepique – que já haviam participado da CPI para falar sobre a sonegação de impostos -, foram chamados três fiscais da subprefeitura de Vila Mariana.
(Mais informações sobre o tema role esta página para baixo)
Segue omissa e bloqueando qualquer tentativa de CPI dos Bingos.
A ministra do Turismo Marta Suplicy está em alta no aeroporto de Congonhas, O nome dela é repetido por boa parte dos viajantes toda a vez que as moças do sistema de som anunciam o atraso do vôo.
Aliás, está na hora de contratar uma fonoaudióloga para a turma do alto-falante. Não bastasse a dor de cabeça pela demora no embarque, os viajantes são torturados por algumas das mais irritantes vozes e entonações do espaço aéreo.