Saudade do Prestes Maia

Por Carolina Dall’Oli

“Todo dia, quando venho trabalhar, passo em frente ao edifício ocupado pelo MSTC (Movimento dos Sem Teto do Centro), na avenida Prestes Maia. Pra falar a verdade, tem dias que nem me dou conta da presença do prédio. Outras vezes, olho pra ele e me indigno – e, de certa forma, me frustro também, por saber que a realidade mata ao menos uma esperança por dia. Mas tem horas que simplesmente me pego imaginando como estão os moradores, querendo saber se a Dona Inara melhorou, se o bebê da Graça era menino ou menina, se o seu Donato arrumou conseguiu voltar pro Ceará…

Hoje, porém, o Prestes Maia estava diferente. Ao passar por lá, vi os caminhões de mudança estacionados na porta e o povo carregando móveis velhos, trouxas de roupa, brinquedos quebrados, sacos de comida. As 468 famílias que viviam ali estão de saída porque foram incluídas em diferentes programas habitacionais, cada uma de acordo com sua renda. As mais “ricas” ficarão em imóveis da região central. As outras vão pra mais longe. Mas, ao que tudo indica, todas vão deixar de ser chamadas de sem-teto.

A reivindicação inicial do MSTC era de que o edifício fosse desapropriado, reformado e abrigasse ali mesmo as famílias, que já formavam uma comunidade, com regras de organização e laços de amizade. Mas ao perceberem que isso seria esperar demais de um governo PSDB/PFL (ah, esqueci, agora eles são DEMOCRATAS), o movimento concluiu que o atendimento era a melhor saída possível.

Incluir os sem-teto em programas habitacionais foi o jeito que o governo arrumou de fazer a coisa certa pelo motivo errado. Afinal, o atendimento às famílias do MSTC não veio como parte de uma Política Pública de Habitação. Aconteceu simplesmente porque era preciso expulsar os pobres e deixar livre o caminho para o pessoal do mercado imobiliário, que tem olhado cada vez com mais carinho para os imóveis da região. E como a geografia do edifício não permitia que a Polícia invadisse o lugar sem que o despejo acabasse em morte, o governo teve que arrumar uma maneira de fazer os sem-teto saírem de lá “sem conflito”. Enfim… mas quem quer saber?

O fato é que eu não vou mais ver os sem-teto quando for trabalhar. Nem eu nem os milhares de paulistanos que passam diariamente por ali. E, daqui uns anos, quando o prédio der lugar a um edifício classe média ou algo que o valha, ninguém mais vai lembrar que ali, bem no meio da cidade, havia um edifício ocupado por mais de dois mil sem-teto. Talvez nem mesmo os ex-moradores queiram se lembrar. E talvez esqueçam também que o movimento de que fizeram parte lutava por uma Política Pública de Habitação, e não pela casa própria.

Mas isso também não importa. O que importa é ficarmos todos com a sensação de que está tudo bem: temos a Lei Cidade Limpa, podemos freqüentar um Centro “revitalizado”, com prédios bem cuidados, monumentos iluminados, teatro, orquestra, polícia, Virada Cultural. Sem conviver com a sujeira, com a pobreza, com a desigualdade, com a violência, com a fome. E, ao final, por não termos mais essas coisas ao alcance dos nossos olhos, talvez a gente comece a pensar que nada disso existe de verdade.”

Carolina Dall’Oli escreveu com Débora Mismettio o livro-reportagem A Céu Aberto, que fala dos movimentos populares em defesa da moradia tendo como palco principal a ocupação de um dos prédios da Avenida Prestes Maia

Sexo no ar

“Relaxa e goza” foi a sugestão da ministra do Turismo Marta Suplicy aos passageiros que têm enfrentado transtornos para viajar de avião no Brasil. A afirmação feita em um momento de “inspiração” da ex-prefeita de São Paulo teve de ser seguida por um pedido de desculpas oficial, através de nota.

Para amenizar a gafe, a ministra deve ter sacado de algum dicionário de autoria desconhecida no País para chegar a seguinte explicação: “relaxa e goza” significa “viajar vale a pena”.

Prefeitura não tem prazo para entrega de uniforme, em SP

O inverno está chegando, a temperatura caiu bastante e alguns alunos da rede municipal de ensino ainda não receberam os uniformes de verão. E não há prazo para entrega, também, das roupas para encarar o inverno. Em mais uma cartada, na tentativa de resolver este problema, a Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos entrou com recurso no Tribunal de Justiça do Estado para que a cidade possa levar à frente licitação para a distribuição de uniformes a 900 mil alunos.

A previsão era que o contrato fosse assinado em 23 de maio, mas uma das empresas que concorriam na licitação obteve liminar na justiça suspendendo o resultado. A prefeitura aguarda o julgamento do recurso para que os quase 1,8 milhão de uniformes sejam entregues. Segundo o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, a prefeitura teria economizado 40% em relação aos valores pagos nos anos anteriores – leia-se, no Governo Marta.

A prefeitura, aliás, anuncia que economizou, também, na compra de leite em pó, conforme entrevista do prefeito publicada neste blog. Ou seja, sobra dinheiro no cofre público e faltam uniformes e leite para as crianças nas escolas.

Quando fala sobre o tema, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) diz que este é o ônus do bom administrador.

Presidente da Câmara quer a prefeitura, em SP

Deu na Renata Lo Prete (Painel/Folha) desta quarta:

“O presidente da Câmara paulistana, Antonio Carlos Rodrigues (PR), só pensa naquilo: ser o vice na chapa do PT para a prefeitura em 2008. Mas somente se a candidata for Marta Suplicy.”

Antonio Carlos Rodrigues, aliás, segue com seu projeto de mudar o nome do Viaduto do Chá agregando o nome de Octavio Frias de Oliveira, conforme informou este blog.

Revisão do Plano Diretor em São Paulo só no fim do ano

É o que pedem ao Ministério Público Estadual cinco entidades que criticam a falta de oportunidade para debater as mudanças propostas pela prefeitura de São Paulo. Para o Movimento Defenda São Paulo, o Instituto Pólis, a União dos Movimentos de Moradia, o Centro de Direitos Humanos Gaspar Garcia e a Casa da Cidade a revisão prevista pela prefeitura mexe em pontos que podem prejudicar o desenvolvimento urbano da capital.

Ouça o trecho da entrevista com o urbanista Kazuo Nakano, do Instituto Pólis, no CBN SP:

A prefeitura tinha até o ano passado para enviar à Câmara uma revisão do plano atual, aprovado em 2001, mas pediu uma prorrogação até o fim deste ano. A Câmara prorrogou o prazo só até 30 de junho. No entanto, as audiências obrigatórias estão suspensas devido decisão judicial.

A proposta apresentada pela prefeitura, que está disponível na internet (www,prefeitura.sp.gov.br) não agrada gente de dentro do próprio governo municipal.

Dilema na USP: “Coletiva ou sem coletiva, eis a questão !

Os estudantes da USP que invadiram a sede da reitoria há cerca de 40 dias desperdiçaram parte do tempo da assembléia realizada na noite de terça-feira para discutir qual deveria ser o formato da entrevista a ser convocada no dia seguinte.

Das propostas em votação estavam a realização de entrevista coletiva apenas com distribuição de comunicado ou com abertura de espaço para as perguntas de repórter. Havia, também, a possibilidade de convocarem entrevista mas apenas falarem se fosse ao vivo porque “senão vão colocar só 5 segundos da nossa palavra no ar”. A decisão final pouco interessa porque esqueceram os estudantes de discutir se ainda tem jornalista disposto a ouvir o que eles não tem a dizer.

Logo no início da ocupação, o âncora da CBN Roberto Nonato tentou entrevistar o responsável pelo serviço de imprensa da ocupação, o estudante Marcelo Dias. Ouça no que deu?

“Valentine’s Day é o cacete !”, diz Góis

Palavra de Alcelmo Góis, em O Globo de hoje:

“Lojas grã-finas de Ipanema e de shoppings como o Rio Sul resolveram anunciar suas promoções para o Dia dos Namorados, ontem, em… inglês! … Uma chegou ao exagerar de traduzir o nome da data para o idioma alienígena. “Valentine’s Day” é o cacete!”

Como escreveria Góis, deve ser horrível morar em uma cidade na qual os comerciantes não sabem escrever em português.

Táxis com tradução simultânea, no Rio

A falta de domínio em inglês e espanhol não será mais um obstáculo para 124 taxistas que vão transportar turistas durante o Pan. O serviço “O táxi que fala sua língua” vai oferecer uma espécie de tradução simultânea aos estrangeiros. Pelo programa, que já começou a funcionar em caráter experimental, o taxista, assim que um passageiro estrangeiro entrar em seu carro, liga para uma central de tradução formada por 64 alunos do curso de letras da Uerj. O estudante que atender traduz para o idioma desejado através do sistema viva voz. Orçado em R$ 600 mil, o projeto é uma iniciativa do Ministério do Turismo.

A informação é de O Globo

Prefeito faz greve de fome, na Grécia

O prefeito de Hellenikon, Christos Kortzidis, faz greve de fome para impedir que áreas públicas continuem sendo “privatizadas”, no litoral da Grécia. O político insiste na idéias de que o governo grego tem de parar a ocupação irregular da área que recebeu as competições de velas nos Jogos Olímpicos de 2004. Ele teme que o acesso livro do cidadão a orla marítima seja bloqueado devido a presença ostensiva da iniciativa privada.

Kortzidis fala a mesma língua de muitos brasileiros que gostariam de assistir na sua cidade à atuação de políticos para bloquear a invasão de calçadas, parques e outras áreas públicas.