Mundo Corporativo: Carlos Busch convida você a entender o protagonismo do consumidor para ir além das expectativas

“… a gente precisa ser cada dia melhor que a gente mesmo e não melhor que um terceiro”

Carlos Busch

Vivemos épocas em que a única forma de interagir com uma marca era pela caixa postal; a inovação tecnológica deu liberdade às pessoas se comunicarem pelos canais que considerarem mais apropriados. Essas transformações também deram aos indivíduos o poder de escolha e a capacidade de comandar a evolução dos negócios, exigindo respostas do mercado. Uma pressão a mais sobre gestores e executivos que se veem ameaçados neste cenário e precisam reagir sendo protagonistas de suas carreiras e buscando ir além das expectativas.

A ideia que abre este texto é defendida por Carlos Busch, executivo, referência em evolução mercadológica, que atua há mais de vinte anos em multinacionais e ocupa, atualmente, vice-presidente na Sales Force Latin America. No programa Mundo Corporativo, o autor do livro “Muito além das expectativas” (editora Gente) chamou atenção para a necessidade de as empresas entenderem que o consumidor hoje tem muito mais informação e isso lhe confere poder:

“As empresas que entenderem que gerar informação gera relevância, gera empatia junto ao consumidor, são as empresas que vão estar mais próximas a criar um engajamento e, obviamente conseguir, ter as melhores transações comerciais com ele”.

Muitas empresas ainda mantém como parâmetro o mercado que atuam e seus concorrentes —  é o conceito do benchmark que sempre imperou na mente dos executivos. Para Carlos, esse viés do passado que ainda pauta a forma de agir de empresários e executivos, impede que se enxergue o poder do indivíduo:

“Quem conseguir converter a sua visão muito mais para o cliente tem chance de protagonizar muito mais e não vender 1.8 carros para cada dez pessoas que entrarem na loja, mas vender três, quatro, cinco …”

A referência de Carlos é de uma das histórias que conta no livro, na qual o vendedor de carros comemora o fato de alcançar um índice de conversão de vendas maior do que os concorrentes, quando seu objetivo deveria ser ampliar os resultados comparando com o seu próprio desempenho:

“… de nada adianta eu ser o melhor baseado que eu não sou o ótimo Muitos dizem que a minha oportunidade e a tua margem ou a tua margem é minha oportunidade. Nesse mercado de competição quem entender como entregar a melhor experiência para o cliente, dado que ele é o  protagonista , poderá chegar ao cenário de dez pessoas entrarem numa loja e comprarem dez carros. Por que não, né?”

Um dos caminhos para que essa mudança de comportamento ocorra é o método dos 5 Ps, que representam os cinco principais pilares responsáveis pelo protagonismo em sua jornada, segundo Carlos:

  • Propósito – descubra o seu e guie suas ações;
  • Pioneirismo – tenha uma mente inquieta e aja sem se preocupar em alinhar a sua conduta com a da maioria;
  • Pense e faça – tenha a liberdade de buscar algo diferente, ainda que não esteja pronto
  • Performance – desafie-se a todo momento a ser melhor e diferenciado
  • Pessoas – cerque-se de pessoas capazes de enriquecer suas ações e de o ajudar a forjar melhores caminhos.

Assista ao vídeo completo da entrevista de Carlos Buscah, no programa Mundo Corporativo:

Colaboraram com este capítulo do Mundo Corporativo: Priscila Gubiotti, Bruno Teixeira, Renato Barcelos e Rafael Furugen. 

Conte Sua História de São Paulo: no caminho do saber

Sonária Souza

Ouvinte da CBN

Foto de Pixabay no Pexels

Sou professora de Atendimento Educacional Especializado, trabalho na EMEF Benedito Calixto, unidade escolar na zona leste de São Paulo. A pandemia de Covid – 19 trouxe muitos desafios, e grandes oportunidades de aprendizagens.

No ensino da prefeitura, faz parte do currículo do 9º ano, apresentar no fim do ano o TCA — Trabalho de Conclusão Autoral. Mas com a pandemia como fazer?

Após um reunião online com a delegacia regional de ensino, nossa gestora, Cíntia, ficou entusiasmada com a ideia de realizar o TCA remoto: fazer um Diário de Bordo. Os professores abraçaram a proposta mesmo com dúvidas se daria certo fazer o trabalho de conclusão pelo Meet no Google Classroom. Começamos a planejar, compartilhar ideias e o trabalho foi ganhando forma, emoção, participação, inspiração…

Nos reuníamos com os alunos pelo Meet todas as quartas feiras das 10 ao meio-dia, abordávamos temas que traria repertório para a produção dos Diários de Bordo. Cada aluno trazia suas reflexões, havia momentos de escuta e escolhiam uma palavra-chave para representar aquele dia, e todos falávamos bem alto juntos. 

Organizamos as audições para apresentação previa dos trabalhos. Os alunos se mobilizaram para ter acesso a internet, contavam com doações de celulares, iam atrás de informações, contavam com parcerias dos colegas para elaboração e apresentação, tudo de forma remota.

As audições online foram espetaculares, cada aluno apresentava de acordo com suas habilidades e especificidades. Houve respeito, comprometimento, empatia, harmonia entre a equipe de docentes e alunos. Os professores faziam observações para contribuir com os trabalhos apresentados. 

Nos dias primeiro, dois e três de dezembro tivemos as apresentações do TCA definitivas, e cada trabalho foi simplesmente maravilhoso! Aprendi muito, conheci os alunos de modo amplo e particular. Nós professores tínhamos uma sintonia mágica, compartilhamos ideias, dávamos suporte um para o outro.

Gratidão por ter participado deste trabalho, com professores incríveis como: Alberto, Filomena, Igor, Jaqueline, Márcia, Maria Sandra, MarInez, Paulo, Rúbia, Tatiane. 

2020 ficará marcado para sempre na vida dos alunos e professores. Parabéns EMEF Benedito Calixto, Escola das oportunidades!

Descobri qualidades nos meus colegas antes não percebidas, pois no cotidiano escolar não tínhamos oportunidades de nos reunirmos com frequência para dialogar, e a tecnologia nos permitiu conhecer melhor os alunos, suas famílias, o grupo de professores e funcionários.

Gratidão a todos por estarmos juntos na caminhada do saber.

Sonária Souza é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: forjados pelas batalhas e aflições, não desistiremos jamais

Grêmio 2×2 Flamengo

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Ferreirinha em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Se é de batalhas e aflições que queremos escrever essa jornada de 2021, o capítulo desta noite foi escrito a contento. Diante do mais caro time do futebol brasileiro, de uma crise técnica poucas vezes vista e de um silêncio retumbante na nossa Arena – pela punição imposta à torcida que assistiu a alguns alucinados invadirem o campo rodadas atrás -, sofremos dois gols já no segundo tempo e vimos o rigor do árbitro punir com expulsão um dos nossos atacantes. A derrota seria inevitável e desistir de lutar a única opção, não estivéssemos falando de um clube que já nos propiciou alguns dos mais impossíveis resultados da história do futebol.

Como se algo estranho ao campo da bola transcendesse a razão, o passe que foi inseguro durante quase todo jogo chegou preciso ao pé de Ferreirinha – que já havia recebido todo tipo de bola, mas sem conseguir finalizar de forma correta. Nosso ponteiro esquerdo, que em toda a partida arriscava dribles sem sucesso, livrou-se de três marcadores e deu o presente que Borja, recém-entrado no time, mais esperava. Nosso centroavante com um carrinho empurrou a linha do VAR para longe e a bola para as redes. 

As possibilidades de levar ao menos um ponto deste jogo ainda eram pouco consideradas pelos críticos quando mais uma vez o sobrenatural protagonizou. Ferreirinha, incansável. Ferreirinha, insistente. Ferreirinha, que há algumas partidas vem tentando sem sucesso marcar gols após desconsertar seus adversários, desta vez cortou uma, duas vezes e colocou a bola fora do alcance do goleiro, estufando as redes e empatando a partida.

Os matemáticos e pragmáticos seguem céticos às nossas chances de escaparmos da Inominável a quatro rodadas do fim do campeonato. Passarão os dias falando de percentuais, projeções e possibilidade de queda. Da impossível tarefa de construir no fechamento da temporada o que não fomos competentes de fazer ao longo de todo ano. Tomados pela lógica, se esquecerão que fomos forjados nas batalhas e nas aflições. E delas nos alimentaremos para persistirmos até o fim lutando pela presença na elite do futebol brasileiro. 

Sua Marca: os vencedores do Marcas Mais

Nubank foi uma das marcas que se destacaram nesta ediçao do Marcas Mais

“Marcas não resistem a produto ruim”

Cecília Russo

Lembrar uma marca nem sempre significa confiar nesta marca. Por isso, se você quer saber realmente o impacto que uma marca tem na vida das pessoas é preciso medir o envolvimento delas com os produtos, serviços e empresas. E um dos termômetros capazes de aferir a temperatura com precisão é o método desenvolvido pela TroianoBranding, há 26 anos, que serve de base para o estudo Marcas Mais. Na sétima edição, realizada com o jornal O Estado de São Paulo, chegou-se ao resultado após análise de cerca de 13 mil entrevistas, cobrindo 31 categorias de negócio, em todo o Brasil. 

Jaime Troiano, nosso parceiro do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, explica que o Marcas Mais é uma metodologia mais abrangente do que os estudos habituais de “top of mind”, que medem essencialmente a notoriedade das marcas ou sua presença mental nos consumidores. E são muito mais influenciados e dependentes dos esforços de comunicação. Ainda que considere também medidas de notoriedade, o estudo da TroianoBranding vai muito além delas e fornece uma avaliação mais abrangente sobre o envolvimento das marcas com o seu mercado. 

Com base nas respostas obtidas, os entrevistados são distribuídos em cinco patamares de uma pirâmide que tem na sua base, aqueles que “desconhecem a marca”, seguido dos que “conhecem e rejeitam”. Na sequência, estão as pessoas que conhecem, não rejeitam mas que veem nela apenas mais uma marca no mercado. No patamar acima estão os consumidores que identificam a marca como sendo uma das que prefere, mas não a única. No topo dessa pirâmide, encontram-se os clientes que dizem ser aquela a marca com a qual se relacionam e querem se manter envolvidos durante muito tempo.

Leia, também, o artigo “Olimpíada das Marcas”, de Jaime Troiano

Com base nas marcas que aparecem em destaque no estudo, Cecília Russo diz que é possível identificar uma consistência bastante grande nos resultados na comparação com as demais edições. Por exemplo, Porto Seguro (cia de seguros), Vivo (telecomunicação), Honda (automóvel) e Magazine Luiza (varejo) se mantém no topo de suas categorias ao longo de todo o estudo. 

“O que mantém essas marcas nesse posto de liderança é um conjunto de atividades que elas fazem. Parte delas relacionadas a marca e branding. Mas é importante a gente saber que não é só marca e branding que levam essas empresas ao topo. Éa entrega que essas marcas fazem com seus respectivos produtos e serviços”.

Cecília Russo

Algumas mudanças em relação aos estudos anteriores que foram registrados no Marcas Mais deste ano se deram na categoria companhia aérea com a Gol retomando a liderança; e o Nubank que, após dois anos ameaçando o líder, superou o banco Itau. 

“No Marcas Mais não existe azarão. Não existem surpresas. E pra nós isso faz muito sentido. As marcas que estão nas três primeiras posições são aquelas que, visivelmente, fazem um bom trabalho em branding. Tem que ralam mesmo. Tem que comunicar. Tem que ter consistência e mostra a que veio”.

Cecília Russo

Para medir a influência da pandemia, o estudo foi entender quais as marcas que trouxeram iniciativas e produtos que facilitaram a vida das pessoas, neste um ano de restrições e mudanças de comportamento: Nubank, iFood, Nestlé, Magazine Luiza e Natura, foram as cinco que se destacaram. Algumas são digitais, e isso explica muito do seu crescimento. Mas existem marcas – a despeito de todas terem operações no comércio eletrônico  – que são essencialmente ‘high touch’. 

“É a coisa do envolvimento do toque, da presença, do acolhimento. Elas representam afeto ou cuidado, cada uma seu modo, que são dois ingredientes, se eu posso dizer assim, muitíssimos valiosos durante esse período tão difícil que nós estamos vivendo”. 

Jaime Troiano

Ouça o Sua Marca Vai Ser um Sucesso e entenda o que tem sido essencial para as marcas garantirem o envolvimento dos consumidores:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Avalanche Tricolor: um passinho de cada vez!

Chapecoense 1×3 Grêmio

Brasileiro – Arena Condá, Chapecó/SC

Lucas Silva e Thiago Santos em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Tinha no teatro compromisso inadiável e um espetáculo imperdível e emocionante, nesse sábado à noite. No palco do Sérgio Cardoso, aqui em São Paulo, dois casais de bailarinos propiciavam o encontro do passinho e da surdez; e não queria que nada me tirasse atenção daquele momento mágico em que um casal de bailarinos que ouve se unia a um que não ouve, em uma comunicação ritmada pela música — que pela genialidade dos seus criadores era transmitida a todos nós que estávamos na plateia. Eles conseguiram fazer o público ter a sensação do som da surdez em uma apresentação musical. Para nós que ouvimos, o silêncio é um luxo; aos que não ouvem, é o desafio do cotidiano. 

O passinho é dança nascida nas favelas cariocas que mistura breaking, frevo, samba e capoeira. Um desafio corporal que deixa a gente, os leigos, embasbacados: como alguém consegue movimentar os pés e o corpo com tanta agilidade e de forma sincronizada com a música? Imagine, então, fazê-lo sem ouvir, apenas sentindo a vibração do palco e o toque no corpo. Incrível!

Para os desentendidos, o passinho é aquela dança que jogadores de futebol desajeitados esboçam no anúncio do Campeonato Brasileiro, na tela do SporTV. Todos, mesmo os que ensaiam algum gingado, estão muito aquém da arte dos dançarinos. Convenhamos, o negócio deles não é dançar, é nos fazer feliz com outra arte proporcionada pelos pés: o futebol.

Abri mão de assistir ao jogo do Grêmio em troca do prazer único que o teatro, o primeiro desde o início da pandemia, me proporcionaria. Não pense que era desdém ou desconfiança com o nosso desempenho. O caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche sabe que minha crença é ilimitada. Foi uma escolha apenas. Mesmo porque, pelo Grêmio nada mais eu poderia fazer. Em campo, cabe apenas aos nossos jogadores dar solução para os problemas que criaram ao longo da temporada. É o que têm tentado nesses últimos jogos, mesmo aqueles em que não conseguiram vencer (exceção ao contra o América de Minas). Ontem engatamos duas vitórias seguidas, algo inédito nas nossas bandas, em 2021, e com destaque para nossos volantes que abriram o caminho para a vitória: Lucas Silva com chutes que começam a encontrar as redes; e Thiago Santos em uma sequência inesperada de dribles dentro da área e em direção ao gol.

A situação que nos encontramos não dá tempo de comemoração, e o próximo desafio se torna ainda mais difícil porque é contra um dos líderes do campeonato. Depois ainda teremos confronto direto com times que tentam escapar desesperadamente do risco do rebaixamento, e o virtual campeão do Brasileiro. São cinco jogos para fazer o que não realizamos em 33 rodadas. Temos condições de fazer; estamos demonstrando capacidade de reação; e alguns dos nossos jogadores se redescobrindo em campo. Seguimos acreditando. Seguimos em frente. Um passinho de cada vez!

Conte Sua História de São Paulo: “tenho a cor negra no sangue que a pele não mostra”

Rodrigo G. Tomaz

Ouvinte da CBN

foto do autor

Amarelo, preto, vermelho, branco. 

Sua foto o que diz? 

Meu pai foi negrinho engraxate, minha avó preta empregada, a mãe dela escrava, e Zé Índio meu vô.

Tenho cor clara pra quem olha, mas melanina não define quem sou.

Sou ítalo africano brasileiro americano. 

Sou cidadão do mundo, tenho um pouco de tudo.

Já fui menino de rua, do mato, da loja, da escola, agora da Califórnia. 

Tenho uma história mulata que minha aparência sonega. 

Sou o mesmo que eles, aqueles julgados por fora. 

Injustiça que mata. 

Mas foi mais fácil pra mim. 

Subir os vidros do carro, esconder os pertences, sentir o medo no olhar. 

Já estive dos dois lados, se assustar e ser julgado, mas qualquer roupa me muda de patamar.

Posso ser rico, ser pobre, bem vestido ou rasgado. 

Sou apenas o que decido ser.

Tenho a cor negra no sangue, que a pele não mostra.

Mas a vida é injusta, e foi mais fácil pra mim.

Sou igual mas diferente. E é bem mais fácil pra mim.

Eu nunca fui presidente, atleta de elite, ou guitarrista dos bons. Não fui artista famoso, escritor respeitado, ou então pensador. 

Por que eu seria superior? 

Eu sou melhor em quê? 

Se tem um vírus que mata, bota o lenço na cara. 

No espelho o que vê?

A cor do pano te muda?

Você se sente mais forte, mais esperto, mais nobre? 

A cor muda você? 

Se tapamos o rosto, se olhamos no olho, não somos todos iguais?

Você se acha distinto, mas é melhor em quê? 

Rodrigo Tomaz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: diversidade gera inovação, diz Emerson Feliciano, consultor de carreiras

“Se o seu modelo de pensamento não estiver programado para o sucesso profissional, não importa o que você faca, você não vai gerar o resultado que você espera”

Poucos, muito poucos, são os negros que sentam nas cadeiras reservadas aos conselheiros das 500 maiores empresas brasileiras. Nem 5% delas, diz pesquisa do Instituo Ethos. E se você circular por suas sedes, perceberá que o mesmo acontece com os cargos de executivos (4,7%) e gerentes (1,3%). Foi com esses números que Emerson Feliciano iniciou sua entrevista no programa Mundo Corporativo. Mesmo com a ressalva de que prefere as histórias aos números, o consultor recorreu às estatísticas para dar noção do grande caminho que se tem para equilibrar a balança étnico racial no ambiente empresarial.

Ele próprio encontrou barreiras na sua trajetória profissional, o que somado ao racismo estrutural e a falta de oportunidade que atinge mulheres e homens negros, o levou a se dedicar no treinamento e mentoria de carreiras. Emerson criou o curso Mentoria P&D – Profissional e Diferenciado e trabalha com o objetivo de permitir que profissionais de diversos níveis dentro da empresa alcancem mais rapidamente seus objetivos de promoção.

“Quando a gente fala do negro, o modelo de pensamento não é voltado para o sucesso. Porque quando ele decide fazer uma faculdade, uma pós-graduação, a primeira palavra de cancelamento vem de casa: o que você vai fazer com isso? Isso é muita para você? Na sua família ninguém fez faculdade”.

A falta de referências também é apontada como uma barreira mental que os negros enfrentam no cenário corporativo. Emerson diz que basta fazer o “teste do pescoço”: levante o pescoço e olhe ao seu entorno, veja quantos negros são líderes dentro das empresas, quantos são os que dão aula na universidade, quantos são os militares que ocupam os postos mais altos …

“Claro, se a gente for olhar para trás,  quanto a gente pensa neste racismo estrutural e racismo institucional, vemos que pouco o negro ocupou os lugares de “poder” dentro da sociedade. Isso é uma marca que a gente precisa aos poucos quebrar e eu, dentro do mundo corporativo, converso com os meus colegas diretores para que a gente vá quebrando cada vez mais esse racismo”.

A mudança de mentalidade é um dos cinco pilares com os quais Emerson Feliciano trabalha no desenvolvimento de profissionais e na preparação para a ascensão nas empresas. Vamos a eles:

  1. Mudança de mentalidade
  2. Propósito (por que e por quem você está fazendo aquilo?)
  3. Habilidades comportamentais
  4. Preparação
  5. Ação

“O conhecimento é estático, é como uma moeda de ouro lá no fundo do oceano. Você sabe que está lá, mas no fundo do oceano não vale nada. Você precisa de ação para fazer esse seu conhecimento se destacar”.

Para as empresas, o recado de Emerson é quanto ao potencial que está sendo desperdiçado a medida que se mantém os padrões anteriores e se impede a diversidade étnico-racial. A começar por mudar seus indicadores de lucro pelos indicadores de desempenho: satisfação do cliente, imagem da empresa e diversidade, por exemplo. O instituo McKinsey mostrou em pesquisa realizada em 12 países de que as empresas que investem na diversidade lucram 36% a mais:

“… porque quando você coloca essas pessoas que vêm de culturas diferentes para pensar juntas, cara, isso gera uma inovação que as empresas ainda não conseguiram entender o poder desse ativo. Quando conseguirem certamente a gente vai vai investir muito mais na diversidade.

Assista à entrevista completa com o consultor Emerson Feliciano, no Mundo Corporativo:

Colaboraram com este capítulo do Mundo Corporativo, Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Avalanche Tricolor: pelo direito à ilusão

Grêmio 3×0 Bragantino

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Kannemann em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Comentaristas de futebol são craques (ou deveriam ser) em enxergar aquilo que poucos de nós conseguimos ver em campo – a movimentação estratégica, o ocupar de espaços, a aproximação por bloco, a marcação alta, e todo esse cabedal de conceitos que os técnicos tentam levar dos treinos para o vestiário e do vestiário para o campo de bola. Os torcedores, por sua vez, veem coisas que a razão não explica, que só enxergamos porque assistimos ao jogo através dos olhos do coração

Hoje, alguns minutos de partida foram suficientes para a turma da análise técnica entender que o Grêmio jogava diferente, com velocidade, agilidade e troca de passe; jogava de forma incisiva, pra frente, pressionando e chutando a gol. O quarteto Campaz, Jonatha Robert, Diego Souza e Ferreirinha encantava os críticos pela movimentação, pelos dribles, por um futebol alegre que contrastava com a pressão psicológica e a tensão que cada um dos nossos jogadores tem carregado desde que nos metemos nesse atoleiro da tabela de classificação.

Diego parecia ter reencontrado companheiros que andavam afastados da área. Coube a ele marcar o primeiro gol de pênalti. De rebote do pênalti. Porque na cobrança, preferiu o centro do gol e viu o goleiro adversário defender a bola parcialmente. Completou, então, de cabeça para as redes. O que, convenhamos, já sinalizava uma mudança de astral. Nesses tempos difíceis que vivenciamos, a possibilidade de a bola ir para outro destino, era gigantesca.

Tivemos, também, Lucas Silva que marcou o seu gol, ao chegar forte na área e receber livre a bola que havia sido traçada entre os marcadores por Campaz e passada com precisão por Ferreirinha. E fechamos a goleada com um chute impressionante de Jonatha Robert, lá de fora da área, em uma bola que, cheia de remelexo, encontrou as redes.

Como disse, se aos comentaristas cabe a análise fria e lógica, a nós torcedores é reservado o direito à paixão. Com ela aflorando no peito, trago aqui aquele que considero o personagem do jogo, o craque da bola, o merecedor do Motoradio – que deveria ser revivido apenas para premiá-lo uma vez na vida. Falo de Walter Kannemann, um monstro, que personifica a alma de nossa imortalidade a cada bola que disputa, a despeito das dores no quadril que o perseguem há algumas temporadas. Foi ele o autor dos dois lances que selaram a nossa sorte na partida desta noite e – por que não sonhar – podem escrever um novo fim para nossa história.

No primeiro lance, Kannemann impediu a investida adversária jogando-se de cabeça quase aos pés do atacante, sem temer pela vida. Caiu ao chão com a mão no rosto. E foi retribuído pela ousadia. A bola que tirou de peixinho chegou ao nosso ataque que só foi parado dentro da área com a sinalização do pênalti que abriu o placar. Da cobrança e do gol todos se lembrarão. Da festa dos nossos jogadores, também. A cena se repetirá nos programas de esporte, hoje e amanhã. Kannemann talvez sequer apareça nas imagens, mas o torcedor se viu representando mesmo foi na valentia de seu zagueiro. 

O segundo lance veio quase ao fim da partida, em uma escapadela do time adversário que encontrou nossa defesa desguarnecida – supostamente desguarnecida. Porque havia Kannemann para nos proteger. No momento em o atacante já havia encoberto Brenno e a bola parecia ter encontrado seu caminho em direção ao gol, Kannemann em um esforço descomunal esticou-se como pode, alcançou a bola com a canela e a despachou para longe, fazendo-a se chocar no travessão. 

Um desavisado nos dirá que foi um esforço desnecessário, pois o placar já estava resolvido. Ledo engano. Kannemann saltou naquela bola porque jamais se aceitou derrotado – e isso será essencial para nós que ainda sonhamos com a salvação. Em seu lance, acompanhando a raça e a determinação, havia a sorte, que fez a bola bater no travessão em vez de seguir o caminho do gol. Vítimas que temos sido do Inevitável da Silva – tema da Avalanche anterior -, isso não é pouca coisa, não. Kannemann foi gigante em um jogo em que nosso ataque brilhou. E nos deu o direito à ilusão.

Mau humor, distimia e a intolerância com o sofrimento humano

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

           

Foto de Daniel Reche no Pexels

Na década de 80, o ator Francisco Milani deu vida a um de seus personagens mais populares, o Seu Saraiva. Conhecido pela impaciência e irritabilidade, seu bordão era tolerância zero. Para os mais novos, Sherlock Holmes e Dr. House estão entre os personagens que também apresentam comportamentos caracterizados por rabugices e mau humor.

Na vida real, pessoas que apresentam mau humor constante, estão frequentemente irritadas, impacientes e reclamam de tudo, podem sofrer de um tipo de depressão persistente, a distimia.

Embora a distimia apresente uma forma mais branda de sintomas depressivos quando comparada ao transtorno depressivo maior, o humor deprimido e irritável na maior parte do dia, por quase todos os dias, repercute em comprometimentos importantes na vida da pessoa que sofre com esse transtorno, como dificuldades profissionais e nos relacionamentos.

Em geral, a distimia surge em fases precoces, como a infância e adolescência, dificultando a compreensão dos sintomas, uma vez que o mau humor crônico é interpretado – erroneamente – como manha, aborrecimentos típicos da adolescência ou características de personalidade. 

Frequentemente, pessoas distímicas têm uma visão mais negativa da vida e de si mesmas, o que ocasiona maior nível de desesperança e baixa autoestima, com ideias de inferioridade ou incompetência. A visão negativa sobre a vida, somada à baixa energia ou fadiga, que também são sintomas presentes nesse transtorno, dificultam o engajamento em atividades que poderiam promover uma melhora no humor, como atividades de lazer ou esportes.

Na atualidade, há uma cobrança social excessiva para que se esteja sempre com o humor positivo ou se considere apenas o que há de bom na vida, numa negação ingênua da realidade que, por vezes, tem facetas bem difíceis e tristes. Porém, do mesmo modo que as situações positivas não são permanentes, as negativas também não o são.

Se há uma dificuldade mais persistente em experimentar o prazer e a alegria em coisas cotidianas, para as quais a maioria das pessoas se sentiria bem ou feliz, isso pode ser um sinal de alerta para a necessidade de uma avaliação sobre a saúde mental.

Enganam-se aqueles que se rotulam como pessimistas crônicos, que mencionam que preferem ver o lado negativo das coisas, porque assim não se decepcionam, ou ainda pensam que são pessoas difíceis e não há nada que possa ser feito. Há muito a ser feito. O diagnóstico correto e o tratamento adequado, geralmente com medicamentos e psicoterapia, apresentam bons resultados.

Na dramaturgia, o mau humor dos personagens nos diverte e até mesmo nos cativa. Na vida real, a cara amarrada e as reclamações constantes refletem uma vivência que está limitada, encapsulada aos aspectos negativos, como lentes desfocadas que impedem que se veja a vida em todas as suas nuances. Talvez aí esteja o nosso desafio: Seu Saraiva, ter tolerância zero, não com as pessoas, mas com a normalização do sofrimento humano.

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento assistindo ao canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: o Inevitável da Silva

América MG 3×1 Grêmio

Brasileiro – Estádio Independência, BH/MG

Lucas Silva em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A cena que abre o documentário Batalha dos Aflitos tem o diálogo de dois jogadores gremistas no vestiário. Um deles havia sido personagem de um gol irregular contra o Grêmio, que sacramentou o rebaixamento do tricolor, em 2004. Um gol de mão que – sem VAR nem vergonha – foi validado pelo árbitro da partida e causou revolta, que pouco serviu para mudar o nosso destino. Há coisas na vida inevitáveis. Por mais que nos esforcemos, astros, búzios, deuses, seja lá qual for a força extraordinária que nos cerca, agem para que o destino traçado se realize. 

Poderia ser o Sobrenatural de Almeida, que  Nelson Rodrigues criou para explicar os casos inexplicáveis que ocorriam contra o seu tricolor – o Fluminense. Seria criativo demais para um crônica de minha autoria e para o futebol do meu tricolor. Vejo em campo a atuação eficiente do Inevitável da Silva que grita alto e grita forte – usurpando o lugar-comum dos locutores de TV – nestes momentos de sofrência.

O craque mata a bola na canela. O meia-boca é protagonista de si mesmo. O jovem revelação surge mas o lance é fugaz. O goleiro com pinta de gigante, é pequeno diante da avalanche de chutes a gol. O músculo se esfacela, e o fôlego se extingue em uma frequência que impede recuperação e tira do embate todo e qualquer reforço. O técnico escala sem convicção e usa da mesma coerência na substituição. É inevitável.

Se dos seus não se pode esperar nada, imagine dos outros. O adversário acerta o passe com uma precisão que sequer ele acredita. O impedimento não se realiza por milímetros. O goleiro fecha o gol, mesmo que precise derrubar o atacante na área, porque sabe que o destino está a seu favor – ao menos, é inimigo do seu inimigo. É inevitável.

Como esperar que o árbitro identifique alguma infração contra você se o próprio é incapaz de sinalizar irregularidades que fazem parte do be-a-bá do futebol – como o lance desta noite em que o goleiro adversário dá dois toques na bola em cobrança de tiro de meta, de forma escandalosa, e sequer o auxiliar auxilia. Esperar que sinalize pênalti a favor – mesmo que o lance seja visto e revisto por todos os ângulos possíveis – é de uma ingenuidade atroz. Ah, o árbitro .. o juiz, o crucificado vitalício, nas palavras benditas de Nelson Rodrigues.

As reações em campo são as mesmas de sempre. As mãos vão para a cabeça em gestual que simboliza o inacreditável. Os palavrões surgem em gritos ensurdecedores. O tipão com jeito de vingador, parte para a violência. Chuta, peita, faz pose de herói. Leva amarelo, vermelho ou é flagrantemente ignorado. Nada do que faz muda a história. Só faz o nada. Um olha para o outro com indignação, com a certeza de que toda aquela encenação nos levará ao mesmo lugar que o futebol que jogamos: ao nada. É inevitável.

Ao Grêmio restam sete jogos. Hoje, ao fim da partida, ouvi alguém dizer na televisão que seriam necessários cinco vitórias para reescrever o nosso destino. Era isso ou o inevitável.

A mim, resta torcer! É inevitável!