Tenho uma história do rádio para contar. Aliás, a história não é minha. É, sim, da minha mãe. Minha mãe Ruth que faleceu em 2018 com 93 anos bem vividos. Uma pessoa de muita personalidade e corajosa.
Dona Ruth nasceu em 1924, e, creio que essa história foi por volta de1950. Ela era a pessoa da família que saía para resolver todos os problemas de seus parentes. Então, era normal sair de Osasco — na época apenas um bairro de São Paulo — para o centro da cidade. Às vezes dava entrada em uma documentação e a solução seria no mesmo dia só que bem mais tarde. Então, o que fazer?
Enquanto esperava na cidade, minha mãe assistia aos programas de rádio que na época tinha auditório. Ela sempre gostou muito disso, creio que se fosse jovem, hoje em dia, não perderia um show.
Bem, mas voltando lá atrás. Coincidiu que estava num auditório e adivinha? O cantor a se apresentar seria Nelson Gonçalves. Ela adorava a voz dele, adorava suas músicas. Quando foi anunciado e Nelson Gonçalves apareceu no palco foi a maior decepção de sua vida. Como poderia alguém tão baixo, tão magro nem tão bonito ter uma voz tão maravilhosa!
Enfim, esse era o encanto do rádio naquela época. Você podia imaginar o seu ideal para voz que ouvia.
Valdicilia C. Tozzi de Lucena e sua mãe, Dona Ruth, são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história da nossa cidade e envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br
O abraço da vitória em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA
Greg,
Você e eu sabemos que o domingo foi estranho. E estamos cientes de que o próximo talvez seja ainda mais. As coisas que vêm acontecendo na política assustam e preocupam. Não estão do jeito que a gente gostaria. Acompanho de perto suas preocupações. Justificáveis, diante do País que você sonha viver: igualitário, justo e generoso — como você.
A despeito dos acontecimentos e dos sentimentos que afloram, hoje também era um dia de remexer na nossa memória afetiva. Retomar as emoções que vivenciamos há 17 anos, quando você e o Lo eram guris de calça curta e cabelo comprido. Mal sabiam ainda o que levava o pai a sofrer desesperadamente diante da televisão que transmitia um jogo de futebol. Entraram no quarto, onde eu assistia ao despedaçar do meu time na Segunda Divisão, para entender meus lamentos. Logo se uniram a mim, me abraçaram e assim ficamos até o instante final quando vencemos o que ficou conhecido por “Batalha dos Aflitos”. O pai chorou e vocês, constrangidos com a cena, foram solidários.
Foi lá que vocês foram forjados gremistas, mesmo que você tenha vestido uma camisa tricolor ainda nos tempos em que dormia em um berço, quando fomos campeões brasileiros, em 1996, o ano que você nasceu. Foi lá que você entendeu que aquele time tinha uma importância para o seu pai que se sobrepunha à razão. E nunca mais me deixou só nesse sofrimento.
Comemoramos títulos, vibramos com os gols, reclamamos dos jogos mal jogados e dos reveses nas nossas jornadas esportivas. Nos divertimos na final do Mundial e curtimos juntos a alegria dos torcedores pelas grandes vias e locais turísticos de Abu Dhabi. Ano passado, foi você quem me confortou na inevitável caminhada à Série B. E me ensinou que, independentemente da competição que estivéssemos disputando, seguiríamos vibrando com gols e lamentando as derrotas. Ou seja, nada nos faria deixar de ser gremista.
Neste ano, foi você quem esteve ao meu lado partida após partida. Ajudou-me a suportar o futebol enfadonho, encontrou consolo nos pontos perdidos fora de casa e na sequência de empates que nos impedia de acelerar a ascensão. Foi você quem me fez mais feliz a cada gol que comemorou comigo.
Neste domingo, não seria diferente. Sem ser indiferente a importância e a gravidade do que acontece no Brasil, lá estava você sentado comigo diante da televisão para assistirmos ao Grêmio contra o mesmo adversário e no mesmo estádio de 2005. As circunstâncias eram outras, é claro. Não era vida ou morte. Não havia arquibancada lotada. Nem o oponente tinha mais qualquer chance de se manter na competição. Mas a memória estava fervilhante e a ansiedade era enorme. Confirmar a passagem à Série A com duas rodadas de antecedência era o mínimo que merecíamos depois desta temporada ingrata de 2022.
A partida se fez fácil mesmo com o futebol difícil que jogamos. Quis o destino que a revelação do ano se sobressaísse aos seus: Bitello fez dois gols e renovou a esperança de que em 2023 vai brilhar no meio de campo gremista. Lucas Leiva, o volante cabeludo da “Batalha dos Aflitos”, que voltou da Europa para fazer parte desta campanha, agora jogando mais à frente, também marcou o seu para tornar ainda mais completa essa sua história com o Grêmio.
Foi o segundo gol, o de Lucas Leiva, que me fez acreditar que nada mais nos impediria de subir. Foi a cena dele abraçado, em comemoração, a Geromel —- ninguém mais merecia esse retorno do que nosso capitão —- e a Diego Souza —- minha reverência a nosso goleador —, três ‘veteranos’, que me fez cair em emoção.
O desejo era de virar criança mais uma vez, correr para abraçar o pai e ser abraçado por ele. O pai não está mais entre nós. Contive-me! Ou quase! Os olhos marejaram, a lágrima escapou e escorregou pelo rosto, sem que eu conseguisse esconder a vergonha daquele sentimento. Você, cúmplice, me poupou. Compartilhou sua alegria. E foi parceiro como sempre!
Ao seu lado, estamos de volta à Série A! E por ter sido ao seu lado, essa caminhada foi bem menos árdua do que poderia ter sido diante da conjuntura que enfrentamos — no futebol e no País.
“Essencial é trazer a visão do cliente para dentro. Essa visão de cliente é o que desempata os dilemas e as discussões e o que alinha os interesses de uma discussão que muitas vezes é interna e não está sendo endereçada na perspectiva do paciente”.
Dr José Marcelo de Oliveira, Hospital Oswaldo Cruz
O corpo clínico que oferece qualidade no atendimento e a cultura aberta para que o conhecimento seja compartilhado e a inovação se expresse. São dois dos elementos que permitiram que o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, chegasse aos 125 anos de fundação, a despeito de ter enfrentado duas grandes guerras mundiais e duas pandemias de alta periculosidade —- a última bem conhecida de todos nós, a da Covid-19. Essa é a opinião do Dr José Marcelo de Oliveira que assumiu o cargo de diretor-presidente da instituição, em junho do ano passado.
Em entrevista ao Mundo Corporativo, Jota, como costuma ser chamado pelos colegas, explica que a cultura aberta se realiza a partir de ferramentas colaborativas que permitem a coleta de ideias de qualquer um dos 3.500 profissionais e cerca de 4 mil médicos diante de temas ou desafios que surgem na instituição. Os colaboradores oferecem soluções que são analisadas pelos gestores e classificadas pelo próprio grupo, que participou da elaboração das propostas, e selecionará aquelas que serão implementadas na prática
“A gente usa essas ferramentas no nosso dia a dia para manter, mesmo com essa tradição dos 125 anos, esse time conectado”
Uma dessas soluções surgiu na pandemia, quando no auge da demanda de respiradores criou-se uma forma de ampliar o número desses equipamentos, que foram inicialmente construídos em impressoras 3D até que se chegasse a versão final do produto. Foram desenvolvidos mais de 300 desses respiradores no hospital e o código que permitia sua construção foi aberto e compartilhado a todas as instituições, grupos ou pessoas interessadas em levar a ideia à frente.
A cultura da qualidade e segurança para o paciente também é fomentada na instituição e precisa ter o engajamento dos diversos grupos de profissionais que atuam dentro do hospital, não apenas do corpo clínico, destaca José Marcelo de Oliveira:
“Todos os membros dessa organização são profissionais de saúde, mesmo sendo da área financeira, da área de TI, de suprimento, etc e tal. Porque isso coloca uma postura de serviço. Porque o nosso modelo é um serviço de alta complexidade em função da vida das pessoas”.
A crise sanitária que se iniciou em 2020 obrigou a aceleração de outras tantas soluções. Mais do que isso, exigiu adaptação e agilidade no aprendizado diante de uma situação nova para a comunidade médica. O setor que avalia as tecnologias em saúde e busca o conhecimento que vem sendo trabalhado em todo o mundo passou a estruturar dados para que as tomadas de decisão fossem em curto prazo e no dia a dia da pandemia.
A saúde mental dos profissionais também foi impactada, o que levou o hospital Oswaldo Cruz a criar programas de cuidadores mentais, que passaram por treinamento para que os colaboradores de qualquer grupo de trabalho se capacitassem a fazer um diagnóstico e a ajudar o colaborador que emitisse algum sinal de sofrimento.
Para José Marcelo de Oliveira, os avanços tecnológicos virão no sentido de colaborar com a gestão da jornada do paciente, a partir de plataformas que facilitarão o acesso para agendamento e consulta de resultados de exames até o monitoramento de sintomas em um quadro pós-operatório — neste caso, melhorando a relação custo-benefício do lado da sustentabilidade:
“Antecipar o cuidado quer dizer que você vai gastar menos, o paciente vai ficar menos tempo internado, vai sair com menos intervenção e com menos sequela, eventualmente. E vai estar pleno para sua vida no convívio das doenças crônicas. O futuro da medicina será cuidar de doenças crônicas”.
Assista à entrevista completa com o Dr José Marcelo de Oliveira, diretor-presidente do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ao Mundo Corporativo, em que também falou de como a instituição está implantando medidas pautadas pela diretrizes ESG:
O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.
O rádio capela “Philco Grand Cathedral´´ foi manufaturado antes de outubro de 1936. Tem 11 válvulas e 15 bandas, três delas em ondas curtas. Foi comprado por meu pai no início dos anos 1940 para que pudesse ouvir as notícias da guerra. Oitenta anos de vida e ainda funciona.
Esse rádio nos acompanhou por décadas. Enquanto para meu pai interessavam as notícias de guerra e para meu irmão mais velho as partidas de futebol transmitidas aos domingos, para mim e minha mãe o que nos mantinha coladas ao aparelho eram outras transmissões: a escolinha da dona Olinda, criação do incrível Nhô Totico, um gênio; o teatro aos sábados e domingos do Manuel Durães e Edith Morais; a primeira novela radiofônica a que ouvi foi “O Direito de Nascer” que se prolongou por meses.
Quando chegou a televisão, eu já tinha quinze anos mas nunca abandonei a escuta do rádio. Os aparelhos, hoje, já não tem o mesmo charme, pequenos, portáteis, com pilhas, sem pilhas, mas sou fidelíssima a sua escuta até hoje.
Tenho um rádio na cozinha e outro na minha cabeceira que deixo ligado a noite toda para acompanhar minhas insônias. Durmo e acordo ouvindo a mesma estação.
Sei que posso visualizar os jornalistas das novas emissoras mas prefiro imaginá-los através de suas vozes como fazia com o velho rádio ou como faço com os personagens dos livros que leio. O velho Philco está com meu irmão que mora nos Estados Unidos. Uma preciosa relíquia da família no meio de tantas outras.
Cláudia Signorini é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antônio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outras histórias visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
“A tendência da sustentabilidade é irreversível, não apenas na moda. Devemos ter essa ideia no radar. Não quer dizer colocar todas as fichas nisso, tampouco virar as costas para ela”
Cecília Russo
Dos setores que mais perderam durante a pandemia, está o da moda. Segundo a McKinsey, a queda nas vendas, em Março de 2020, logo após o início da crise sanitária, foi de 81%, quando comparado ao ano anterior. Em 2021, também em Março, a queda estava em 49%, E, em Janeiro deste ano, as perdas estavam próximas de 20%. Apesar disso, há sinais positivos no horizonte.
No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo trouxeram dados de pesquisa da Globo, publicada no portal Gente, da Globosat, de que a intenção de compras de roupas aparece em 1o lugar, à frente de smartphones, outros eletrônicos e perfumes. Ou seja, recuperação à vista. O importante é que as marcas entendam quais os caminhos a serem trilhados diante das experiências e expectativas dos consumidores. Que saibam interpretar as tendências:
“Vale sempre lembrar que quando falamos de tendência, estamos falando de um segmento pequeno da população que puxa esses comportamentos, não podemos generalizar, está longe de ser uma demanda plena e de massa”.
Cecília Russo
Uma das tendências é a moda circular: um produto que vem de fontes renováveis ou recicladas, que também seja reciclado de alguma forma após o consumo, fechando esse ciclo de 360 graus. Essa tem sido pauta de muitas marcas. Segundo dados americanos, 60% dos executivos de moda planejam investir ou já investiram em economia circular. O consumidor mais jovem gosta da ideia: 40% da geração Z — hoje com menos de 25 anos — e 30% dos Millennials já compraram em sites ou aplicativos de roupas usadas
“Pensar em economia circular ainda é para uma parcela pequena da população. Pessoas que já estão abastecidas de roupa e hoje passam a questionar o impacto que tal consumo pode gerar ao planeta. De toda forma, aqui no Brasil, vemos algumas iniciativas interessantes”
Jaime Troiano
Das marcas que estão aproveitando essa jornada, aqui no Brasil, Jaime e Cecília destacam o trabalho realizado pelo “Enjoei” e pela “Repassa”, comprada pela Renner, em 2021:
“A empresa faz a curadoria das peças, recicla, precifica, vende e entrega. Firmou, inclusive, uma parceria com a Levis que dá desconto quando o cliente recicla suas roupas usadas na plataforma da Repassa”.
Jaime Troiano
Mesmo que as iniciativas ainda sejam incipientes, diante do enorme volume de roupas produzidas e vendidas no modelo tradicional, essa tendência é importante porque pode impactar um segmento que é responsável por 4% das emissões de carbono mundiais.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com Jaime Troiano e Cecília Russo que vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h50 da manhã.
Thiago Santos comemora gol em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA
“É ruim contra ruim” disse o filósofo esportivo das redes sociais, Casimiro, há algumas rodadas, após assistir ao time de coração dele perder para o meu time de coração. Do seu jeito, eloquente e hiperbólico, que conquistou o Brasil — e meus guris aqui em casa —- definiu bem a “Maior Série B de Todos os Tempos” — foi esse o título que o pessoal do marketing batizou a competição que reúne seis ex-campeões brasileiros e põe em jogo quatro vagas de acesso à primeira divisão. Esqueceu de combinar com os times.
Dentre a criatividade dos publicitários e a fala crua do comentarista, fico com esse último. É a realidade de um campeonato em que ver seu time jogar fora de casa tem se transformando em um martírio. Com a exceção de praxe que toda regra nos impõe, os clubes de melhor desempenho não têm muito mais do que 50% de aproveitamento como visitante. Uma performance mediana, sinônimo de medíocre. Por isso, garantir os três pontos em casa faz diferença na competição.
O Grêmio perdeu dois pontos hoje à tarde, depois de um primeiro tempo em que jogou melhor e desperdiçou seus ataques. Foi punido com um gol nos acréscimos, no único lance em que o adversário impôs perigo. No segundo tempo, foi um deus-nos-acuda: o Grêmio subia de maneira desorganizada, tomava decisões erradas e sequer conseguia desperdiçar gols, pois não era capaz de proporcionar perigo dentro da área adversária.
No raro momento em que fizemos uma jogada de linha de fundo, Guilherme, que entrou no intervalo e não precisou de cinco minutos com a bola nos pés para ser vaiado pelo torcedor, fez um cruzamento preciso para Thiago Santos concluir de cabeça. Nosso volante, outro que havia entrado no intervalo para desespero de parcela da torcida, que até hoje o vê como símbolo do rebaixamento (em tempo: há gente muito mais culpada pelo que aconteceu com o Grêmio), estava predestinado a marcar. Momentos antes havia concluído para as redes, em um gol anulado devido a um impedimento na origem da jogada. E não teve mais uma chance, naquele que poderia ter sido o gol da virada, porque Diego Souza se precipitou sobre ele na conclusão de um lance de área, nos acréscimos.
O resultado final só não foi lamentado porque a combinação da rodada conspirou a favor, com o empate entre os outros dois times que buscam à classificação —- um deles, o de Casimiro —, em jogo, aliás, que não se encerrou devido a violência de torcedores e a invasão de campo. Cenas de entristecer e desmerecer o título que os marqueteiros deram ao Brasileiro B.
A três rodadas do fim do Campeonato, o Grêmio está mais próximo do acesso. Nem tanto pelo que tem feito nessas últimas partidas. Muito mais pelo que seus adversários deixam de fazer. A preocupar, o fato de dois desses jogos serem fora de casa e o Grêmio terá de mudar a rotina da B fazendo ao menos três pontos no estádio adversário —- um deles o do Náutico, no Recife, domingo que vem, o mesmo cenário da Batalha dos Aflitos. Aflitos? Sim, aflitos é como estamos nós torcedores nesses momentos finais de uma disputa que, como diz o filósofo Casimiro, “é ruim contra ruim”.
Sou nascido e criado na Penha nos idos de 1960. O primeiro aparelho de televisão da família só veio quando eu tinha 10 anos. Logo, minha infância era ilustrada pelo rádio e pelas imagens que ele me fazia tecer na mente. O som das músicas que meus pais ouviam, embalavam meus sonhos de menino pobre na distante periferia da cidade de São Paulo.
Aos seis anos, por causa da Copa de 1970, eu descobri o futebol e nos anos seguintes as transmissões esportivas, foi uma festa! Quantas vezes não nos emocionamos com os gritos de gol de Fiori Giglioti, Oscar Ulisses, Dualcei Camargo, Waldir Amaral, Osmar Santos .… Também Cantamos com Chico, Caetano, Gil , Elis , Paulinho da Viola …
Comecei a ouvir a Rádio Nacional que anos depois viraria a Rádio Globo. Tinha a portentosa voz de Pedro Luís, que preenchia todos os espaços da sala. Achava o máximo ouvir as ondas curtas, que sintonizava o futebol do Paraná, do Rio Grande do Sul e de tantos outros lugares .
Um dia ganhei um rádio de pilha de seu Bene, o meu pai . Aí era um desfile de comunicadores quando voltava da escola: música, informação, notícia e, claro, muito esporte bretão aos fins de semana.
Cresci filho do rádio, quando já adulto e com alguns anos de profissão, veio a CBN Primeiras Notícias e Jornal da CBN. Como trabalhava o dia todo, só conseguia ouvir de novo na volta pra casa, mas eram vocês da emissora que como até hoje fazem me punham a par do que acontece no Brasil e no mundo. Sempre foram nossa janela para o mundo.
O rádio fez-se um de meus melhores amigos, e é como conhecêssemos cada um de vocês que estão sempre em nossos lares, nossos computadores, no rádio do carro: o Milton, a Cássia, o Paschoal, o Sardenberg, os meninos do Hora de Expediente, o PVC o Atala, o Rusty, a Andrea, a Natuza, o Lauro são nossa família estendida, com quem conversamos quando estão no ar, com quem nos preocupamos em saber se estão bem de saúde, quando voltam das férias, porque não estão no ar do dia de hoje. Aconteceu alguma coisa?
Somos sim uma grande família, nós os ouvintes somos gratos por vocês existirem e encherem nossas vidas de carinho e atenção. O rádio faz parte da gente, atentos ouvintes.
Viva o rádio, viva todos os profissionais que não medem esforços no microfone, na redação, nas externas, nas análises para nos nutrir com as notícias nossas de cada dia. Muito obrigado ao rádio e a vocês que fazem o rádio para nós!
Ismael Oliveira é personagem do Conte Sua História de São Paulo, especial 100 anos de rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio. A partir de outubro, voltamos a nossa programação normal. Então, aproveite e escreva agora mais um capitulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br
“A gente precisa, na nossa cabeça, determinar as prioridades. Aquilo que te faz bem. A gente precisa aprender a ter um autoconhecimento e saber, realmente, olhar para dentro de você”
Ligia Buonamici, empresária
Entre os sonhos e as realizações existe um oceano —- parafraseando aqui dito italiano que busca revelar a distância que separa ações de intenções. Para a empresária Ligia Buonamici, CEO da Liz Lingerie, isso não era um problema, mesmo que, no início, a ideia fosse construir uma escola de línguas. O ramo da educação foi deixado de lado, mesmo após a busca de especialização nos Estados Unidos, quando decidiu morar em Fortaleza com um namorado. Lá a oportunidade que surgiu foi em uma fábrica de lingerie — setor que a conquistou e no qual atua há mais de 30 anos.
O conhecimento e o gosto por língua estrangeira não foram em vão. Na fábrica de lingerie, Ligia era responsável, entre outras atividades, a apresentar as coleções para comitivas de americanos, além de ter contato com negociadores de outros países — ela domina com fluência cinco línguas. Em seguida migrou para a área de desenvolvimento de produtos, o que a obrigou a retornar à sala de aula:
“Eu me apaixonei (pelo setor) e tive que estudar tudo de novo. Eu me aprofundei bastante em todos os assuntos que envolviam desde o desenvolvimento do produto até a entrega desse produto na mão da consumidora. Foi aí que me encantei pelo marketing, pelo comercial”
A escolha por uma empresa de médio porte, na época, foi consciente. Segundo Ligia, havia o desejo de buscar desafios intelectuais e, ao mesmo tempo, crescer rapidamente. Empresas desse tamanho, de acordo com a empresária, tendem a oferecer essas possibilidades:
“Eu poderia no momento criar o meu negócio ou ir para uma multinacional. Às vezes, em um negócio pequeno, sem muito capital, você acaba tendo uma realização, sim, mas uma um desafio intelectual menor — e isso era uma questão muito forte para mim. Em uma multinacional, você tem esse desafio intelectual, mas geralmente os planos de carreiras são mais alongados”.
O tema do conhecimento aparece em vários momentos da nossa conversa no Mundo Corporativo. Ao ser convidada para dar sugestões aos profissionais que pensam em se desenvolver na carreira e estarem preparados para os diversos desafios que surgem, Ligia lembra da imagem que mantém em um quadro na sua empresa, onde estão três copinhos: o do conhecimento, o das atitudes e o dos valores. É preciso mantê-los cheios o tempo todo.
O conhecimento precisa ser atualizado a todo instante. Para ela, um bom sinal de que esse “copinho” está se esvaziando é quando passamos a repetir com muita frequência a expressão “no meu tempo”. Cuidado! Por mais que a maturidade seja uma referência importante, é preciso estar sintonizado com os tempos atuais.
As atitudes devem ser lapidadas a todo momento. E Ligia usa sua própria experiência para mostrar que é possível fazer mudanças. Disse que era uma pessoa muito agressiva e intensa no trabalho e, atualmente, consegue ouvir mais, considerar os feedbacks e ser mais permeável. Uma transformação que a fez crescer como ser humano.
Os valores são intrínsecos. E quando fala em valores, se refere a responsabilidade, honestidade e ética. Para Ligia, esses são mais difíceis de serem moldados porque estão no seu âmago.
“Preste atenção nos copinhos. Faça a análise dos seus copinhos, diariamente ou semanalmente. E procure sempre fazer o que você gosta, o que você ama. Porque levantar todo o dia, passar horas fazendo alguma coisa que não te traze um prazer, uma emoção, não é a melhor forma de você viver a sua vida”.
Assista à entrevista completa com Ligia Buonamici, CEO da Liz Lingerie, onde também falamos da importância de se investir em diversidade, da projeção que as mulheres estão conquistando no mercado de trabalho, do desfio de se sobreviver à intensa transformação digital, além de um alerta para que se tenha uma vida mais saudável no ambiente de trabalho:
O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.
“Se vogliamo che tutto rimanga come è, bisogna che tutto cambi.” Giuseppe Tomasi di Lampedusa
“É preciso que as coisas mudem para que elas permaneçam.” Assim respondeu a Rainha Elizabeth II, quando o jornalista perguntou a respeito dos seus 70 anos de reinado. Era uma referência à frase original, que pertence à obra de Giuseppe Tomasi di Lampedusa e está impressa no livro ‘Il Gattopardo (O Leopardo)’, publicado em 1958, sobre a decadência da aristocracia siciliana durante o Risorgimento. Ganhou fama e as telas de cinema cinco anos depois, em filme assinado por Luchino Visconti e com Alain Delon no papel de Tancredi – descrito como arruinado e simpático oportunista ‘Príncipe de Falconeri’. Perante a possibilidade de mudança, a aristocracia resolve pactuar com a burguesia para a sobrevivência de ambas, e Tancredi anuncia ao tio, Don Fabrizio Corbera, Príncipe de Salina, que se unirá aos revoltosos e ,na tentativa de convertê-lo, imortaliza o ensinamento:
“Se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude.”
A frase me veio à mente quando da morte da Rainha Elizabeth II que, aos 96 anos de vida e 70 de reinado, manteve-se respeitada e a mais atual que as regras da monarquia permitiam. A Rainha foi capaz de sobreviver, nessas sete décadas que manteve a coroa, com sua imagem icônica, dentre outros fatores, por ter sabido se adaptar ao tempo, ter mudado para que tudo permanecesse igual.
Inspiro-me na lição de Lampedusa e na rigidez de padrões que pauta o reinado, para convidar você a pensar sobre a necessidade de adaptação da prática protocolar nos tempos atuais, destacando não apenas os papeis de Mestre de Cerimônias e cerimonialista – com os quais tenho intimidade profissional -, mas refletindo, também, sobre até que ponto a liturgia do cargo das autoridades deve se moldar às novas realidades.
Passamos, necessariamente, por uma atualização na forma de executar os eventos, devido ao momento pandêmico. Regime de exceção, é lógico. Foram praticamente dois anos de desespero pelas faltas de trabalho e contato interpessoal. Tempo que nos desafiou a continuar. A transmissão via internet foi o que possibilitou a realização de uma demanda de eventos e, de lá pra cá, a modalidade foi incorporada tornando-os híbridos e ampliando a participação do público.
Mesmo na minha área de atuação, a de Cerimonial Público, as transmissões online se fizeram presentes e os canais das redes sociais entraram nos endereços dos, até então, “imexíveis” convites oficiais do Governo. Foi um aprendizado à força, com acontecimentos senão constrangedores, por vezes engraçados – mas isso fica para outra conversa. Fiquemos com os protocolos!
A rigidez dos padrões têm cedido à nova dinâmica do cotidiano. A rapidez da evolução tecnológica nos empurra para isso. Um dos questionamentos é quanto à interminável lista do “Prestigiam”, que costuma abrir os eventos ou os “Vocativos” das autoridades. Talvez o espaço para a leitura dessa lista de nomes e cargos pudesse ser ocupado por citações mais genéricas, focando no discurso, no conteúdo da fala.
Precisamos entender que o vocativo, mesmo que pareça entediante em determinados momentos, dignifica o evento, que tem sua importância expressa pela presença dos representantes de outros poderes, instituições e da sociedade civil. Não é, portanto, tão somente uma leitura de nomes e cargos. Ainda assim, temos percebido que parcela das pessoas gosta de algo mais informal e com menos pronomes de tratamento. Preferindo um “papo reto” – como se diz na gíria.
Há quem defenda que se substitua o formato tradicional das cerimônias, inclusive as públicas, por cenários e roteiros que lembrem programas de televisão, com a ideia de descontrair o ambiente. Nos cerimoniais e, em especial, no cerimonial público, essa liberalidade pode gerar conflitos ou revelar a insensibilidade dos organizadores. Ao transformar o protocolar em programa de auditório corre-se o risco de se desprestigiar os demais poderes que participam do evento. E como você sabe, todo mundo quer “aparecer na foto”. Dar destaque e seguir a precedência é a forma com que se construiu uma sociedade, que levou tempo para se organizar.
Isso não significa que mudanças não devam ser realizadas, nem que tenham deixado de acontecer, especialmente do ponto de vista tecnológico. Os equipamentos estão muito mais avançados. Microfones têm cápsulas mais sensíveis, amplificadores mais potentes, dando voz até mesmo a quem não tem um padrão adequado para se pronunciar. Os registros e transmissões de fotos e vídeos são imediatos, feitos em celulares e não dando chance de se editar os erros.
Essas transformações moldam gerações. Vamos lembrar das belas e potentes vozes que marcaram o início da ‘Era do Rádio’. Naquela época, os cantores se apresentavam ao vivo, ao lado das orquestras e dentro de estúdios. Os microfones e equipamentos não eram tão modernos e sensíveis como os de hoje. Se o cantor ou cantora não tivesse uma voz potente, ninguém os escutaria – a carreira acabava ali mesmo. Os locutores, da mesma forma. Todos com a conhecida “Voz de Peito”.
Voltemos a nos inspirar na Rainha para refletir sobre o cerimonial dos novos tempos. O que teria mudado em seus 70 anos de coroa para que permanecesse uma liderança? É certo que da missa não se sabe um terço, mas é bem provável que o “discurso”. Sim, o discurso se adaptou ao tempo dos smartphones. O conteúdo também, ao tratar de questões mais relevantes para o desenvolvimento das nações. A imagem da Rainha se transformou: sempre alinhada, moderna ao estilo de uma senhora, sem ficar com a imagem do ranço da corte, mas da elegância que ela nos ensina. Se manteve mulher nesse mundo onde sabemos que elas ainda têm muito para lutar. Ainda mais nessas terras Tupiniquins.
Por falar em Brasil, não devemos esquecer de nossas peculiaridades. Ao mesmo tempo em que assistimos aos eventos em formato de arena, com telões digitais ao centro, aproximando-nos de personalidades mundiais em tempo real, até mesmo com o uso de holografia, metaverso e as mais avançadas tecnologias, ainda fazemos inaugurações de trechos asfálticos, trevos de acesso e portais de cidades com tribunas emprestadas de câmaras de vereadores, em palcos de madeira ou aboletados na caçamba de caminhões, com dezenas de autoridades amontoadas e se equilibrando para aparecer na primeira página da próxima edição do jornal local.
Do Palácio de Buckingham às praças de Sucupira, de tudo ainda temos um pouco.
Christian Jung é publicitário, locutor e mestre de cerimônia. Este texto foi publicado originalmente no site Coletiva.net
Diego comemora mais um gol, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA
O Grêmio pode garantir passagem à Série A daqui uma semana, jogando diante da torcida, foi o que disseram os jornalistas esportivos durante a jornada desta tarde de sábado. Vai depender da combinação de resultados dos demais jogos e, claro, de uma vitória em casa na próxima rodada.
Não me esforcei a entender essa matemática porque precisa tirar pontos daqui, colocar outros ali e somar onde é possível chegar. Perda de tempo, agora. A ascensão está próxima quase que por inércia. Mesmo que a campanha seja de altos e baixos, de vitórias, de algumas derrotas e de muitos empates, os adversários colaboram em seus tropeços. Se não der domingo que vem, dará na sequência. Temos três rodadas para alguma coisa dar certo. Talvez até consigamos subir enfrentando o Náutico, no Recife — o que, convenhamos, não seria uma novidade.
Hoje, foi mais do mesmo. Um time de contradições. Quando esteve melhor, não conseguiu transformar a performance em gol. Quando o desempenho piorou, marcou. Contou com a presença dentro da área de Diego Souza, o atacante que ainda tem torcedor com coragem de reclamar. Subiu mais alto e de cabeça concluiu para as redes. Como sempre.
No segundo tempo, o técnico decidiu “fechar a casinha” — no meu tempo chamavam isso de retranca. E foi aí mesmo que a “casinha” se abriu. Escalou nove jogadores da intermediária para trás: um goleiro, dois zagueiros, três laterais e três volantes. Com tal congestionamento não é de se surpreender que uma bola haveria de resvalar na mão de alguém. Pênalti visto pelo olho eletrônico. E cobrado no meio do gol. Gol! Como sempre.
De diferente mesmo só o fato de ter sido o primeiro ponto conquistado fora de casa sob o comando do novo-velho treinador — até aqui, longe da Arena, só havia somado derrotas. A despeito de tudo isso, voltaremos à Primeira Divisão, como sempre!