Mundo Corporativo: “o ciclo de olhar para a carreira nunca vai ter fim mas sempre vai ter um começo”, diz Gustavo Leme, especialista em RH

Gustavo Leme e Mílton Jung em entrevista no Mundo Corporativo

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O ambiente organizacional carece de uma cultura onde as pessoas tenham opinião, onde a construção seja feita com as pessoas e não para as pessoas; esse ambiente onde as pessoas podem contribuir, na medida que entendem a direção da empresa, as educa a terem opinião”

— Gustavo Leme, direto de RH

Fomos educados para não perguntar e não expressar nossas dúvidas, e isso nos coloca na contramão  das necessidades corporativas. É preciso criar espaços na empresa nos quais a aprendizagem seja incentivada, em que se desenvolva um repertório mais rico e não-linear. É o que pensa Gustavo Mançanares Leme, diretor de Gente, Gestão e Cultura do Grupo Pasquini, que atua no setor de moda. Ele é  autor do livro “O acaso não existe – ou você constrói a carreira dos seus sonhos ou alguém vai te contratar para construir a dele”.  

Em entrevista ao Mundo Corporativo, Gustavo explica que os profissionais têm de se dedicar a construir uma plataforma de carreira em lugar de um plano de carreira, que costuma ser mais comum. O plano, segundo ele, remete a um caminho mais linear, com variáveis mais conhecidas. A plataforma é onde o ecossistema se conecta com diferentes fontes, é o caminho de vida e de profissão em diferentes variáveis. 

“O que a gente mais precisa é gente que lê cenário e propõe soluções, muitas vezes não convencionais, que sejam artistas. É isso que eu sinto: faltam dentro do mercado corporativo pessoas que tragam soluções e para as pessoas trazerem solução têm de ter um conhecimento muito mais generalista, na minha visão, do que um conhecimento especialista”

A arte, para Gustavo, está conectada com a realização, por isso ele sugere que os profissionais se conectem con a arte deles, podendo escolher onde vão trabalhar, o que ocorre em 70% a 80% dos casos.  O executivo se diz surpreendido com as novas gerações porque muitos ainda entram no mercado de trabalho com o conceito de terceirizar à empresa a decisão da sua vida, talvez porque tenhamos sido educado por pais que viveram essa realidade. Gustavo explica que se o tempo comum de longevidade de uma empresa era de 40, 50 anos, atualmente está reduzido a 18 anos.

“Se a média é essa, a gente não consegue ficar na mesma empresa …. isso vai fazer que a gente mude de emprego ou porque o mercado quer ou porque essa geração está querendo fazer o que faz sentido para ela: então, temos menos tempo de empresa, dinamismo de mercado e busca de propósito.”

Perguntado por um dos ouvintes do Mundo Corporativo sobre quando se deve começar a pensar no plano de carreira (ou na plataforma de carreira) e o período em que este projeto deva ser reavaliado, Gustavo respondeu:

“Esse ciclo de você olhar para a carreira nunca vai ter fim mas sempre vai ter um começo, e esses começos não podem esperar, esse ciclo de “ah virou o ano eu vou emagrecer, vou voltar a fazer exercício” não cabe com carreira: ela é dinâmica. Nós somos donos da própria carreira. E eu acredito mesmo que o acaso não existe”

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O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, aos domingos, 10 da noite em horário alternativo e pode ser ouvido a qualquer momento em podcast. O programa é gravado às quartas-feira, 11 da manhã, com participação dos ouvintes pelo e-mail milton@cbn.com.br. Colaboram com o Mundo Corporativo Juliana Prado, Bruno Teixeira, Débora Gonlçaves e Rafael Furugen.

Avalanche Tricolor: entre saudades e injustiças, mais um empate

Grêmio 3×3 Santos

Brasileiro —-Arena Grêmio

Pepê volta a marcar, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Diego Souza marcou seu gol. O Grêmio tomou os seus. Tantos quantos eram suficientes para alcançar o décimo-sétimo empate no Campeonato Brasileiro e a sétima partida sem vitória. De tantos jogos empatados, podemos até separá-los por categorias: o merecido, o conquistado, o enjoado , o irritante …. o de hoje está na categoria do injustiçado.

Pela primeira vez neste ano vi a bola ser tocada de pé em pé desde o primeiro minuto de jogo. Bola que era passada na mesma velocidade com que nossos jogadores se deslocavam para recebê-la.

Foi assim no primeiro minuto de partida quando desperdiçamos o primeiro lance de gol. Foi assim especialmente no início do segundo tempo quando ampliamos o placar com mais dois gols de videogame. É como a gurizada se refere a esses lances em que a precisão do passe e do movimento é tal que só pode ter sido projetada em computador. Ledo engano. Lances assim são frutos da genialidade, só possível se protagonizados por seres humanos, craques humanos.

Que saudade que eu estava de assistir ao Grêmio jogando bonito. De Jean Pyerre passando no espaço infinito. De Pepê aproveitando-se da velocidade para surpreender o adversário. De Diego Souza concluindo a gol —- ops, sejamos justos com nosso goleador, ele tem entregue o que prometeu e chegou hoje a marca de 12 gols no Brasileiro e 27 na temporada. É a mais grata surpresa de 2020, um ano que ainda não acabou.

Fazia tempo que o Grêmio não jogava bem. E, por isso, o empate desta quarta-feira à tarde já mereceria seu registro na categoria dos injustos. Infelizmente, outros elementos surgiram para que essa sensação se expressasse em indignação. A marcação de dois pênaltis —- um em que Matheus Henrique foi forçado por trás e o outro em que a regra do pênalti foi esquecida pelo árbitro e seus amigos do VAR (copio a seguir o texto para quem tiver dúvidas) — e a falta de avaliação no lance do primeiro gol do adversário foram revoltantes, no factual e no contexto.

Sim, no jogo determinaram o resultado e no campeonato se somaram a uma série de decisões sem critério que tiveram seu ápice naquela partida que perdemos para você-sabe-quem, após um pênalti não sinalizado contra nós e outro, polêmico, marcado para eles. Uma sequência de erros e incoerências que não será suficiente para encobrir a queda de rendimento de um time acostumado a lutar pela vitória e pelos primeiros lugares em todas as competições das quais participa. Digo isso para você — caro e raro leitor —- não pensar que sou incapaz de observar nossas fraquezas nesta temporada. 

Tenho saudades daquele tempo —- não muito distante —- em que éramos suficientes para driblar o adversário e a incompetência da arbitragem, e conquistarmos os títulos almejados. Hoje, sequer conseguimos superar nossos próprios problemas. Que essa saudade se desfaça quando março e a decisão da Copa do Brasil chegarem.

Festa de Lira é uma metáfora do Brasil

Reprodução Twitter

Covidão Parlamentar, Covidfesta ou o Regabofe dos Desmascarados. Deem o nome que quiserem para o evento que comemorou, na madrugada de terça, em Brasília, a vitória de Arthur Lira para a presidência da Câmara dos Deputados —- deputado-réu por peculato e lavagem de dinheiro e investigado por sonegação fiscal —-, promovida na casa do empresário Marcelo Perboni, acusado de fraude tributária por ter se apropriado indevidamente de R$ 3,8 milhões. Com mais de 300 convidados, amigos e inimigos políticos rebolando no mesmo palco, ao som de forró (a música não tem culpa de nada), e desfilando sorrisos sem máscara, todos foram protagonista de uma festa que se transformou em metáfora do Brasil. Para onde você olhar, vamos enxergar um pouquinho do que é o país em que vivemos.

Com quase 227 mil mortos por Covid-19, parcela dessas pessoas vítima, direta ou indireta, do descaso com a doença; do desrespeito a regras sanitárias; de gente que nega a pandemia. Uma gente que não usa máscara e está pouco se lixando para as aglomerações —- lá estavam os 300, representando os brasileiros que assim agem.

Eram 300, coincidência, os picaretas que Lula, em 1993, acusou existirem no Congresso Nacional. O mesmo Lula que agora é defendido com unhas e dentes pelo líder do Governo Bolsonaro, Ricardo Barros —- como ouvimos, ontem, no Jornal da CBN. Sim, o líder de Bolsonaro fala como advogado de defesa de Lula. Vá entender !?! Eu entendo. Acho que você, também. Estão todos na mesma festa.

A festa ainda nos remete a ideia de que caiu a máscara do Governo Bolsonaro e seus defensores, que chafurdaram no lodo político — e comemoraram  — ao negociar emendas parlamentares, abertamente, para comprar aquilo que o ex-governador Antonio Britto chamou de “seguro-mandato” — em entrevista também no Jornal da CBN. Diga-se: negociação que não é privilégio deste governo; é da “velha política” que pauta este governo.

A inexistência de máscaras também é simbólica quando se percebe que a turma Anti-Lavajista circula no parlamento e no noticiário falando descaradamente contra o combate à corrupção. Um pessoal que diante dos descalabros e falcatruas, cochicha nos gabinetes e planeja conchavos para se proteger. E fala grosso contra quem investiga —- ouça a entrevista de ontem. Registre-se, motivos não faltam para reclamações de abusos e erros cometidos durante os processos, mas nada que esteja a altura do roubo coletivo que o Brasil foi vítima nos últimos anos. 

(Não acredita no que eu disse no parágrafo acima? Leia o livro A Organização, de Malu Gaspar. É muito rico).

No balanço das cadeiras, com rebolados sem jeito nem constrangimento, a festa de Lira, por fim, teve cenas de hipocrisia explícita. O celebrado havia encerrado, horas antes, seu discurso da vitória no parlamento, de máscara — porque em público — e chamando a atenção do Brasil para o momento mais devastador da nossa história provocado pelo vírus da Covid-19 e alertando: “temos que vacinar, vacinar, vacinar o nosso povo”.

O momento é realmente devastador — na política, inclusive.

Ansiedade: a antecipação exagerada pelo futuro nos rouba o momento presente.

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Foto: Pixabay

Na sociedade contemporânea, aprendemos a viver correndo com falta de tempo, estresse, agitação e quase nos vangloriamos ao dizer: “sou muito ansioso!”. Será que a ansiedade pode ser uma aliada para atingirmos nossos objetivos ou será que serve apenas para nos causar sofrimento? A ansiedade é uma resposta adaptativa que o nosso organismo apresenta diante de ameaças ou perigos reais, como forma de proteção. 

Ao nos depararmos com situações que oferecem riscos, o sistema nervoso simpático entra em ação e produz reações para podermos, por exemplo, fugir e sobreviver. Imagine-se diante de um animal selvagem com potencial de ataque. Numa condição como essa, algumas substâncias são liberada — cortisol e adrenalina, por exemplo — aumentando os batimentos cardíacos, a contração muscular e a frequência respiratória. 

A ansiedade, de certo modo, também nos permite criar estratégias para resolvermos problemas ou enfrentarmos situações desafiadoras. Isso acontece, apenas para ilustrar, quando estudamos para uma prova ou nos preparamos para uma entrevista de emprego. Nesses casos, percebemos os efeitos motivadores da ansiedade.

Entretanto, nem sempre a ansiedade é essa força que nos impulsiona ou nos auxilia a superar desafios. Em alguns casos, pode se tornar um problema, muitas vezes de saúde mental, como nos transtornos de ansiedade.

 

Os transtornos de ansiedade são os transtornos psiquiátricos mais prevalentes na população, atingindo aproximadamente 28% dos adultos ao longo da vida.

Esses transtornos são caracterizados por preocupação excessiva, persistente e incontrolável, inquietação, irritabilidade, tensão muscular e insônia; geram sofrimento intenso e grande impacto na funcionalidade, isto é, na capacidade de realizar as atividades cotidianas como estudar, trabalhar ou se relacionar socialmente.

 A preocupação excessiva e os medos, especialmente para situações que não oferecem risco potencial, geram pensamentos catastróficos e desencadeiam as reações físicas que são extremamente desagradáveis, como taquicardia, sudorese e tontura.

Diante disso, é muito comum o comportamento que chamamos em psicologia de esquiva: o afastamento do que nos causa a ansiedade. Como num círculo vicioso, quanto mais nos afastamos, mais reforçamos a ideia de que, possivelmente, não somos aptos a lidar com aquela condição, e isso aumenta a percepção de ameaça, potencializando os sintomas da ansiedade. 

Se por um lado a ansiedade nos protege, em excesso nos aprisiona pela preocupação excessiva, pelos pensamentos catastróficos e pela percepção de impotência diante das incertezas da vida. A dificuldade em tolerar o que não podemos controlar nos torna menos confiantes, e isso impacta diretamente a nossa capacidade de ser produtivo ou atingir objetivos.

Em decorrência da pandemia, diversos estudos têm apontado um aumento dos transtornos de ansiedade em todo o mundo. Dentre os principais fatores que contribuem para esse aumento estão o medo do adoecimento, as incertezas sociais e financeiras e o isolamento social. 

 Algumas medidas podem ser adotadas para reduzir os níveis de ansiedade: lidar com os pensamentos como hipóteses e não como fatos; realizar atividades prazerosas e relaxantes, como atividade física e meditação; praticar a atenção plena.

 A atenção plena ou mindfulness é caracterizada pela manutenção da atenção na experiência presente. Significa sair do piloto automático e realizar as atividades mantendo o foco, a consciência no que se realiza aqui e agora.

Nossas preocupações em geral nos levam para o futuro. Perdemos muito tempo e energia elaborando estratégias e resolvendo problemas que ainda não existem. Talvez, inclusive, nunca venham a existir. E se existirem? Não tem preparo prévio para enfrentarmos as durezas da vida. Um dia por vez. Uma atividade por vez. A antecipação exagerada pelo futuro nos rouba o momento presente. É só por hoje.

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

“Bolsonaro está comprando um ‘seguro-mandato'”, analisa Antônio Britto

Plenário da Câmara durante sessão remota. Foto: Najara Araujo/Câmara dos Deputados)

Preocupação. Essa foi a palavra que permeou a fala e a voz de Antônio Britto a entrevista que fizemos nesta manhã, no Jornal da CBN, quando discutimos a disputa pelas presidências da Câmara e do Senado, e a influência explícita do Governo Federal nas escolhas que cabem ao parlamento. Britto é jornalista antes de ter sido político. E o foi por jornalista que é. Você haverá de lembrar, que ele foi secretário de imprensa no Governo Tancredo Neves e o porta-voz da convalescência do presidente, que morreu em 21 de abril de 1985 sem jamais ter governado. Logo depois se iniciou a carreira política de Britto que filiado ao PMDB foi deputado federal duas vezes, ministro da Previdência e governador do Rio Grande do Sul. Hoje, dedica-se a analisar o cenário brasileiro, o que justificou seu convite nesta segunda-feira, 1º de fevereiro, em que Câmara e Senado elegerão seus presidentes.

Motivos para preocupação não faltam. 

Começa por assistir na discussão de governo, partidos e políticos o interesse próprio em detrimento do público. Dois dos assuntos que mais importam aos brasileiros —- combate à Covid-19 e a preservação de empregos — estão fora do debate. Discute-se apenas a necessidade de o Presidente da República se preservar de um processo de impeachment. Não por acaso, o que mais ouvimos os candidatos responderem é se engavetam ou desengavetam os pedidos de impedimento que já chegaram ao Congresso.

“O que temos é uma tentativa aparentemente vitoriosa de Bolsonaro estar comprando um seguro mandato, um seguro contra o impeachment, e o Brasil vai ter de pagar o preço por isso a partir das exigências que o Centrão vai fazer e já estão aí postas ….”

Se o instinto  de sobrevivência do presidente o leva a negar absolutamente todo seu discurso de campanha —- que iludiu uma quantidade enorme de brasileiros “cansados da velha política” (e isso sou eu quem está escrevendo, e não o entrevistado dizendo) —-, o dos parlamentares promove essa corrida por cargos e verbas. O ex-governador lembra que no próximo ano os políticos que aí estão têm uma eleição parlamentar pela frente e dentre os 513 deputados e os 81 senadores que  hoje vivem na planície não mais de 30 encontram espaço para se destacar diante da opinião pública,

“Tudo isso transforma o Congresso em um mercado”

Como disse, a lista de preocupações só faz aumentar. 

As últimas 24 horas explicitaram outro lado perverso do sistema partidário brasileiro, destacado também na conversa com Britto. Primeiro exemplo: ser presidente da Câmara é o maior cargo que o DEM conquistou no país, mas isso não o impediu de trair sua principal liderança no parlamento, no caso o deputado federal Rodrigo Maia, presidente da Câmara até as próximas horas. Segundo exemplo: no Senado, o mesmo acontece com o MDB que lançou a candidata Simone Tebet e, imediatamente, lhe deu as costas.

“É uma deterioração do sistema partidário a um ponto quase inconcebível. Se você é lançado por seu partido isso não quer dizer nada mais do que poder ser traído por ele, por seu partido, minutos depois. É muito preocupante isso, porque revela a quase inutilidade da conquista dentro do seu próprio partido”

Se pouca coisa não houvesse para se preocupar, ainda temos na pauta política a retomada do “Impeachment Já” —  o tema que direita e esquerda sacam do bolso sempre que percebem a oportunidade de colocar um governo nas cordas. Alguns sabem se safar. Nem todos: Fernando Collor e Dilma Roussef que o digam. Bolsonaro, nascido e crescido na “velha política”, dá sinais de que sabe como se movimentar no ringue, com fintas adaptativas, apesar de ignóbil no exercício da função para o qual foi eleito pelos arautos da “nova política”. 

Para Antônio Britto, aí está outra deformação do sistema político do Brasil: “deu insatisfação, liga o botão do impeachment” —- confesso que temi pelo fim da frase, apesar de o entrevistado ter se formado a partir de uma cepa de políticos bem diferente daquela que contaminou o Palácio do Planalto.  

A insatisfação virou sinônimo de impeachment, o que Britto considera perigoso e ruim para o país e a Democracia. Uma desafio que não se restringe ao Brasil. É de toda humanidade que precisa encontrar formas políticas de fazer ajustes de sintonia diante de ruídos que surgem em alta frequência, impulsionados pela tecnologia e instantaneidade das relações: 

“Quatro anos hoje é mais do que uma eternidade. O que a gente tem é um ciclo do máximo de esperança no novembro de um ano e apenas quatro anos depois a situação política tem de ser ajeitada com uma nova eleição. É impossível que qualquer país, especialmente com as dificuldades do Brasil, passe quatro anos sem um ajuste de sintonia”.

Resumir nossas escolhas a “satisfação ou impeachment” não parece estar de acordo com o que se vive diante da partição social, das redes sociais e da tecnologia, diz Britto. O parlamentarismo tem melhores saídas. Mas o Brasil é presidencialista. E o presidencialismo terá de encontrar soluções contemporâneas para esse dilema.

A entrevista completa com o ex-governador Antônio Britto, você ouve aqui:

Avalanche Tricolor: já vai tarde!

Coritiba 1×1 Grêmio

Brasileiro – Estádio Couto Pereira, Curitiba/PR

Renato orienta o time na beira do campo, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Assistimos a mais do mesmo: empate cedido e pênalti perdido. Um roteiro que se repetiu com frequência na temporada 2020 que parece nunca mais ter fim. Não o roteiro, mas a temporada. Hoje é 31 de janeiro, o Estadual de 2021 já tinha de ter começado, o Brasileiro do ano passado ainda não se encerrou —- ainda faltam 15 pontos para serem disputados —  e a decisão da Copa do Brasil só em março, quando o verão estiver quase se despedindo. Um martírio por todos os aspectos que o ano nos propiciou. 

Sequer o réveillon que sempre é uma data para nos trazer esperança, mudanças de ares e outros quetais foi suficiente para renovar nossas expectativas. Ao contrário. Se lembrar, antes de o ano encerrar, de acordo com o calendário gregoriano, nós havíamos conquistado a vaga para a final da Copa do Brasil em dois jogos contra o time que era considerado o favorito ao título e líder do Brasileiro. Foi trocar a folhinha presa no imã da porta da geladeira …. meu Deus do céu!

O primeiro jogo até ganhamos. Foi sufoco, mas ganhamos. Em casa e depois de termos cedido o empate. Foi, aliás, a única vitória em sete partidas disputadas em janeiro. Perdemos duas — uma delas você-sabe-contra-quem —- e empatamos quatro. Tomamos dez gols, fizemos oito, metade deles saiu dos pés e da cabeça de Diego Souza, que, no último que marcou, se machucou e passou a incluir a lista de dez ausências para este domingo.

Depois de termos dominado a partida no primeiro tempo, sem conseguir ir além de um gol convertido, entregado no segundo tempo, provocado um pênalti contra e errado um a favor, a única alegria que encontrei no calendário foi lembrar que janeiro, graças a Deus, terminou. Já vai tarde!

Conte Sua História de SP: fiz amigos e poesia no Sarau da Val

Por Eder Rodrigues da Silva

Ouvinte da CBN

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Os amigos são tesouros que colhemos ao longo dos anos e os que estão conosco devemos cultivá-los como o bem mais precioso. Assim é que contarei agora, como se deu o fortalecimento de uma amizade durante a pandemia. 

Trabalhei em uma empresa petroquímica por 18 anos. Conheci por lá Valdyce Ribeiro, uma  colega da área do faturamento. Há muitas razões para admirá-la: uma delas é o domínio de duas áreas aparentemente diversas: ciências contábeis e poesia. Enquanto trabalhava comigo, cursou a faculdade, se formou e foi ser professora da FMU. Isso foi lá pelos fins dos anos de 1980, início de 1990. 

A poesia foi um dos elos fortalecedores da nossa amizade. Valdyce publicou ao menos dez livros e estive em quase todos os lançamentos ao lado de ex-colegas da petroquímica. Sempre gostei de escrever, e foi graças a ela que meu lado poeta despertou. Lá na Zona Sul, ela  passou a reunir artistas, poetas e escritores ao criar o Sarau da Val. Morando distante, na zona noroeste de São Paulo e sem carro, não podia participar dos eventos à noite.

Em 2020, surgiu a pandemia e o distanciamento se impôs —- os encontros presenciais foram suspensos por algumas semana até a Val encontrar a melhor saída. Levou o evento para o Facebook. Se antes a distância geográfica me impedia de estar presente, agora a digital me colocava ao lado de todos. 

Do despertar poético que experimentei só tive benefícios. O sarau é diversificado, rico culturalmente. Declamam poemas, cantam, contam histórias, dançam, apresentam fotos, pinturas e trabalhos artísticos.  Tem adulto e tem criança —- um banquete cultural para todas as idades.   Amizades se fortalecem e se ampliam. Além da Val, que já conhecia, a cada poema que publico ganho um novo amigo.

E aqui deixo uma das poesias criadas nestes dias de reclusão:

ISOLAMENTO QUE NOS UNE 

Sentimento não se vê, 

Ele se manifesta em nossas ações. 

Amor, ódio, tristeza, alegria, 

Os bons nós pratiquemos, e os maus evitemos. 

Vírus não se vê também a olho nu, 

Ele se aloja nas pessoas. 

É preciso ter as precauções, 

Porque ele é mau e mortal. 

O que o vírus fez com nossos sentimentos, 

Os bons e esquecidos de alguns. 

Não podendo ver algumas pessoas, ausência = saudade, 

A dor da sua não presença. 

Vírus que não se vê, parece insignificante. 

Bons sentimentos que também não se viam. 

Pareciam enterrados, como uma erupção lenta, 

Ou como um míssil atômico que nos atingiu. 

Isolamento que nos une. 

Para uns nos une ainda mais. 

Para outros uma tentativa de fazer contato, 

De quem não sabíamos queridos, tão queridos. 

Não espere a tragédia para demonstrar que se importa com as pessoas. 

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Eder Rodrigues da Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie também o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça outros capítulos da nossa cidade aqui no meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: André Machado, da AsQ, explica como deixar líderes longe da empresa ajuda na criatividade

“… ele tem de ter uma gestão muito mais participativa, trazer os objetivos, discutir com a equipe, usar a tecnologia que está super a favor da gente para coletar as ideias” —- André Machado, AsQ

Profissionais com facilidade de adaptação, resilientes diante dos desafios que tendem a surgir com maior frequência e que saibam proteger sua vida pessoal para que não seja impactada pela profissional —- a medida que ambas passam a dividir o mesmo espaço com o sistema de home office. Essas são algumas das características de colaboradores que têm se destacado ao longo desta pandemia, na opinião de  André Machado, CEO da AsQ, em entrevista ao programa Mundo Corporativo da CBN.

Especializada em gestão de saúde privada, a AsQ foi lançada em agosto do ano passado, no auge da pandemia, após gestores e executivos perceberem a oportunidade de negócio que havia naquele momento crucial para operadoras de planos de saúde, empresas e seus beneficiários. Além de desenhar seus escritórios para a nova realidade e manter muitos funcionários trabalhando à distância, André conta que a partir da troca de experiências da equipe, criou-se um sistema que passou a ser chamado de “ócio criativo”:

“A gente criou uma tarde, uma manhã,  um turno do dia da semana, em que o gerente não está disponível para o trabalho, mas terá de fazer algo que estimule a oxigenação, a criatividade … ele não está disponível para a gente, para as pessoas da empresa”

Segundo André, a estratégia atende a dois aspectos: a formação de novos líderes, pois o gerente é obrigado a delegar autoridade a pessoas de sua equipe; e a busca de soluções que surgem a partir do instante em que o gestor é estimulado a desestressar.

Além de equipes bem preparadas, o CEO da AsQ cita o fato de que a empresa está baseada na tecnologia, com pessoal dedicado a inovação e aberto a troca de informação com os parceiros de negócio. Uma das novidades que estão sendo trabalhadas, a partir do compartilhamento de conhecimento, é a de tecnologia vestível que propiciará uma experiência melhor para as pessoas, diz André.

“Tem pouquíssimas pessoas que querem voltar para o escritório e como eu presto serviço de saúde, tenho de trabalhar muito para dentro de casa, então eu mantenho o apoio ao colaborador para que ele tenha uma sustentação psicológica e de saúde para se manter nesta lógica do trabalho”.

Quanto ao papel dos líderes, André Machado identifica a necessidade deles encontrarem novas formas de administrar suas equipes:

“… o gestor tem de estar muito envolvido nisso, em querer servir; e esse trabalho à distancia, eu acho, deixou isso muito mais forte; ele tem de estar muito mais disposto a isso”

O Mundo Corporativo é gravado às quartas-feiras, 11 horas, e pode ser assistido ao vivo no canal da CBN no Youtube, no Facebook e no site cbn.com.br. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN, aos domingos, às dez da noite, em horário alternativo ou pode ser ouvido a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: de afazeres e entregas

Grêmio 2×4 Flamengo

Brasileiro – Arena Grêmio

Diego Souza, atacante do Grêmio, cabeceia a bola em direção ao gol e dois zagueiros do Flamengo assistem ao lance que se transformou no primeiro gol da partida
Diego Souza faz de cabeça em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Se é que existe alguém que passe neste blog com alguma frequência —- aqueles que costumo chamar de meus caros e raros leitores —-, deve ter percebido que o movimentei pouco nesta semana. De domingo até agora não mais de três postagens e uma delas graças a sempre pertinente participação da Simone Domingues, que nos ajuda a entender o que se passa na nossa mente e como tudo que está em  volta influencia nosso comportamento. 

Justifico-me: a semana está intensa e, não bastasse comandar quatro horas de Jornal da CBN com o volume de notícia gerada no mundo, assumi compromissos neste início de ano que têm me tomado boa parte do dia com estudos, planejamento, reuniões e aulas. São dois projetos distintos. Um voltado ao desenvolvimento de habilidades profissionais, com a imersão no conhecimento do marketing digital, e outro ligado a um desejo pessoal e fraterno que há muito alimentava, que é o de dominar a língua italiana — se não dominá-la, ao menos ter segurança para levar em frente outros projetos de vida relacionado ao país de meus ancestrais. 

Foi na Itália que meu bisavô por parte de pai nasceu. Consta que o primeiro Ferretti —- da minha linhagem —- a desembarcar lá pelo sul do país, tenha sido o biso Vitaliano, nascido em Ferrara, na região da Emília-Romanha. Dele veio um casamento com um sem-número de filhos. E dos filhos, um era minha avó Ione, mãe do meu pai. Boa parte da minha infância foi próxima dos Ferretti, especialmente de Caxias do Sul, na serra gaúcha. Isso não foi suficiente para que eu absorvesse o conhecimento da língua, o que teria sido uma tarefa bem mais simples pois sabemos que o cérebro da criança é muito mais poroso do que o de adulto, já endurecido por sabotadores internos, viéses inconscientes e excesso de preconceitos consigo mesmo. 

Divago entre uma agenda mais intensa do que se imagina para um início de ano, a desaceleração no ritmo de publicações e as relações familiares das quais tenho orgulho, porque foram esses motivos de minha falta de atenção com você que, por pouco e raro que é, merece minha dedicação e respeito. Nem sempre conseguirei entregar o que prometo, com a frequência que gostaria e qualidade que o leitor busca. Desatenção, cansaço, frustrações, escolhas nem sempre as mais certas, energia sendo sugada em outras frentes —- e você não tem ideia de que como esta pandemia também tem impactado esse meu comportamento — às vezes podem ser fatais no resultado que se busca. 

Dito isso, assumo aqui o compromisso que a despeito de a escassez de tempo e de energia para dar conta de todas às frentes de trabalho, vou continuar insistindo em dar o que tenho de melhor e oferecer, aos que confiam alguns minutos do seu dia a me ler neste espaço, o pouco do conhecimento que tive o privilegio de adquirir em vida e me permite escrever e pensar com alguma lógica e razão. 

Assumo esse compromisso com o desejo de ser retribuído com a sua confiança e leitura, assim como espero que o Grêmio de Portaluppi —- ops, olha aí outro de origem italiana que me apetece —- também esteja compromissado em entregar o que tiver de melhor nesta reta final de temporada. E o melhor que temos é a Copa do Brasil.

P.S: a coisa está tão intensa que este post foi salvo para ser publicado ontem à noite; descubro agora que por algum motivo ficou parado por aí. Nunca é tarde.

Com vacina e paciência, surge a esperança

Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Esperança: o “ato de esperar o que se deseja;

expectativa;

fé em conseguir o que se deseja”.

Dicionário Aurélio

Na terceira temporada da série The Crown, a mãe do príncipe Philip de Edimburgo, a princesa Alice de Battenberg, se muda para o Palácio de Buckingham e numa conversa com seu filho lhe faz a seguinte pergunta: “como está a sua fé?”. O príncipe responde que sua fé está dormente e, diante disso, a princesa diz que lhe dará um único conselho, como um presente que uma mãe dá para um filho e sugere: “encontre uma fé para você”

Longe dos registros palacianos ou de cenas de ficção, o momento presente talvez reforce a necessidade de tal conselho.  Encontre uma fé. Não falo da fé vinculada apenas com religiosidade. Falo da fé como sinônimo de esperança.

E não foi isso que experimentamos na última semana?

Depois de tantos meses de sofrimento imposto pela pandemia, um sentimento coletivo tomou conta de nós. O início da vacinação foi um alento. Um sopro de esperança de que num futuro próximo muitos leitos de hospitais serão desocupados, o número de mortes por COVID-19 será reduzida significativamente e a retomada da vida cotidiana com mais segurança, dentro de abraços apertados e de momentos festejados, se tornará novamente uma realidade possível.

Se por um lado esse sentimento de esperança foi coletivo, infelizmente algumas atitudes adotadas evidenciaram uma sobreposição de motivos individualistas para burlar as regras de vacinação. Com quantidade escassa de doses de vacina para a população brasileira, em diversas localidades do Brasil foram relatados casos de “fura-fila” — termo usado para pessoas que não estão no grupo prioritário do plano de imunização.

Quais os efeitos que uma pandemia pode ter sobre nós?

 Fiz essa mesma pergunta em 19 de março de 2020. Naquele momento, diante das dúvidas que surgiam com o início da pandemia, havia uma certa tendência a comportamentos de estocagem de produtos de higiene e de alimentos, como recurso ilusório de que isso garantiria a sobrevivência, numa busca frenética por salvar a si mesmo. Se há algo que aprendemos durante a pandemia – ou deveríamos ter aprendido — é que atitudes individualistas, seja estocar papel higiênico, não usar a máscara ou furar a fila da vacinação, amparadas no coro do “eu mereço”, trazem consequências desastrosas ao coletivo.

Todos desejamos e temos direito à vacina, à vida. Todos. 

A vacina nos renovou a esperança. Renovemos também a paciência. Paciência pela nossa vez. Esperança de que em breve alcançaremos o que tanto desejamos. 

No início da pandemia descobrimos que a ação de cada um afeta a todos, descobrimos que precisamos uns dos outros. Ainda precisamos. Será no respeito mútuo, na espera confiante, no uso das máscaras, nas medidas de distanciamento, no apoio que damos uns aos outros que conseguiremos vencer.

Ainda em The Crown, o Príncipe Philip menciona a coragem da princesa Alice para superar as torturas sofridas em sua vida. Ela diz: “eu não superei sozinha. Não teria conseguido. Eu tive ajuda a cada passo do caminho”. 

Não conseguiremos sozinhos. Como numa série, nessa temporada, a última coisa que precisamos é de manifestações egoístas. Falta pouco para o término… Mas, infelizmente, ainda temos alguns episódios pela frente. Com fé em um final feliz! 

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Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung