A Copa no Brasil e as minhas copas

 

Por Milton Ferretti Jung

A Copa do Mundo de 2014, como se sabe, deu origem a uma polêmica provocada pela nossa Presidente. Até Sarney se manifestou contrário à medida provisória 527, editada por Dona Dilma e aprovada pela Câmara dos Deputados, que permite ao governo manter em segredo os orçamentos feitos por órgãos da União, estados e municípios não só para as obras do Mundial, mas também, dos Jogos Olímpicos de 2016. Têm razão o Presidente do Senado e Roberto Gurgel, procurador-geral da República. Este último entende que despesas públicas não devem ser assunto sigiloso. É evidente que, num País como o nosso, qualque medida que dê margem a falcatruas – e a 527 dá – deixa todo o mundo, mesmo os mais distraídos, com a pulga atrás das orelha. Espera-se que o Senado vete o artigo da MP que trata do sigilo.

Por falar em Copa do Mundo, lembro-me da primeira que foi disputada no Brasil, em 1950, época em que, imagino, não se metia a mão no dinheiro público com a volúpia vista nos dias de hoje. Tinha 15 anos e minha lembrança daquele episódio é muito vaga. Afinal, naquele tempo a cobertura da mídia (ainda nem sequer se conhecia essa palavra) não era como a que se faz hoje. Só não esqueço é que, enquanto Brasil e Uruguai jogavam no Maracanã, estádio inaugurado em 16 de junho de 50 para permitir que o Brasil sediasse a mais importante competição disputada por seleções de futebol, eu assistia a um filme, não me perguntem qual e que amigo me fazia companhia no Cine Eldorado. Apesar de gostar de participar de peladas nos terrenos baldios da minha zona, em Porto Alegre, e de torcer para o Grêmio, minha relação com o futebol jogado nos estádios era muito distante. Ainda tenho na cabeça, entretanto, que a película foi bruscamente interrompida e uma voz irrompeu nos alto-falantes com a triste notícia da derrota brasileira na partida decisiva, contra o Uruguai. Confesso lisamente que não me abalei com a informação. Saí do cinema com a mesma cara com a qual havia entrado.

Comecei a dar mais atenção à seleção brasileiras em 1954. Então estava iniciando carreira no rádio. Comecei na Canoas que, apesar do nome, tinha estúdio em Porto Alegre. O Brasil não saiu campeão novamente na Suíça. Quatro anos depois me transferi para a Rádio Guaíba, onde ainda estou. Por esta ouvi todos os jogos do Brasil, na Copa da Suécia, em 58, como profissional radiofônico. Mendes Ribeiro narrou-os. Até ali, eu havia narrado somente uma partida de futebol: Cruzeiro e Renner, no Estádio da Montanha, mas isso antes de ir para a Guaíba. Festejei com colegas de trabalho o título conquistado por nossa seleção, desfilando no carro de um deles,meu saudoso amigo Pedro Carneio Pereira, morto num trágico acidente no Autódromo de Tarumã, em 1973, em que seu carro se chocou com o de outro competidor e os dois veículos pegaram fogo. Minha primeira Copa como narrador foi a da Alemanha. Nesta, o Brasil também não venceu. Estive de passagem na Argentina, pois relatei apenas uma partida. Na do México, em 1986, acompanhei a seleção brasileira em sua estada na bela Guadalajara. Era o narrador titular da Guaíba e não precisei ir para a Cidade do México, na final, porque o Brasil havia caído antes dela.

A do México foi a minha última Copa do Mundo na condição de narrador. Nas demais, fui apenas torcedor. Serei, na de 2014, se Deus quiser, o que fui na de 2010. Nesta, mais torci para que meu filho,o responsável por este blog,fizesse um bom trabalho jornalístico, ele que esteve lá a serviço do Portal Terra, do que mesmo pela nossa seleção. Os métodos de Dunga e algumas de suas escolhas não me agradaram. Agrada-me ainda menos a medida provisória de Dona Dilma, capaz de beneficiar os que se interessam por Copa do Mundo apenas pelos lucros ilegais que ,provavelmente, a competição lhes poderá render. Ah, por favor, se Mano Menezes for o técnico do Brasil na próxima Copa, mesmo preferindo que ele fosse realizada em outro país, vou torcer para que tenha sucesso. Sou-lhe grato pelo que fez pelo Grêmio.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quartas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele).

Tragédia anunciada, assimilada e dissimulada

 

Por Carlos Magno Gibrail

Estádio do Corinthians

A COPA 14 fez com que em dias recentes, Dilma (Presidenta), Orlando Silva (Ministro) e Kassab (Prefeito) tivessem falsas falas, além das simulações habituais ao poder.

A presidenta para defender a MP aprovada na Câmara, que dificulta a fiscalização e aumenta os gastos, disse para toda a mídia, em tom solene e incisivo, que os críticos não estavam entendendo. A virtualidade ou o simulacro que Dilma optou deixa no chinelo o pessoal do Matrix e consagra o sociólogo e filósofo francês Jean Baudrillard, cuja imaginação ponderou a que grau a dissimulação humana pode atingir.

O ministro Orlando Silva informou que irá tirar da internet os dados necessários para acompanhamento das obras. Como se sabe vários estádios iniciaram a execução sem todos os projetos necessários e boa parte sem o projeto definitivo com todos os detalhamentos técnicos.

Neste caso posso informar que essa gente do futebol e da política não conseguiria nem abrir uma loja em qualquer um dos shoppings centers brasileiros, pois as exigências técnicas estão dentro de normas que não estão sujeitas a acertos. E todos os projetos precisam ser apresentados e aprovados.

O prefeito Kassab enviou à Câmara Municipal de São Paulo projeto de lei – a ser votado nesta quarta-feira- que dá ao Corinthians o direito de abater o ISS e o IPTU por dez anos até o valor de R$ 420 milhões e insiste que isso não é dinheiro público.

Depois do episódio dos R$ 20 milhões do Palocci e do segredo eterno do Sarney, esta dissimulação ainda é pior, pois vem de fora, é a FIFA no comando, casada com a CBF e o COL Comitê Local, na mão de Teixeira e sua filha, cujos resultados serão depositados em conta pessoal dele próprio, Ricardo Teixeira.

A FIFA, portanto, dominará o operacional, o administrativo e o financeiro. O social também, pois ela escolherá os convidados e determinará até os preços que irá pagar pela cortesia, que segundo informações veiculadas chegam a 1/5 do valor real.

A submissão às ordens coercitivas da FIFA remonta ao Império Romano, quando o Senado controlava tudo, e seus membros acumulavam poder e fortuna. Cada vez mais se entende porque a FIFA atrai dirigentes que não querem mais sair.

Depois de assistir à impressionante reação por parte da mídia informativa e também dos mais respeitados colunistas e âncoras nacionais, com críticas severas à atitude de Dilma, de Orlando Silva e de Kassab e nada se modificar, é apostar nas marcas globais.

Na medida em que as marcas é que fazem os países, e não mais os países que fazem as marcas, resta esperar que o Marketing das corporações patrocinadoras potenciais e reais possam colocar um novo rumo nesta situação. Enquanto na Câmara, Romário apela para Jesus Cristo intervir e pede para Ricardo Teixeira, aniversariante, presenteie a todos com a sua saída de Presidente do COL.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Foto-ouvinte: Sem sentido

 

Rabiscos na placa de trânsito

Foto e recado enviados pelo ouvinte-internauta Rinaldo Carvalho, do Recife:

Como podemos fazer um apelo as autoridades para melhorar as placas na entrada de Recife? No trecho da saída do TIP, sentido Recife, todas estão péssimas, pichadas, velhas e com o mato crescendo na frente, está de fazer vergonha. O asfalto também da entrada e saída do TIP é só buracos, esse trecho já é esquisito, escuro e com buracos. É só assaltos. Como uma cidade dessa vai receber turistas para uma Copa?

Greve dos coveiros

 

greve dos coveiros

Foi de causar inveja no prefeito Odorico Paraguaçu. Os coveiros de São Paulo anunciaram greve em todos os cemitérios da cidade. Com a impossibilidade de evitarem mortes entre os cidadãos paulistanos, a saída foi eles próprios ocuparem as covas impedindo enterros e alogando os velórios. A prefeitura diz que está tudo normal, ao menos não recebeu nenhuma reclamação dos clientes até o momento.

O autor da foto do protesto no cemitério de Vila Formosa é o colega Juliano Dip, da CBN.

A webcidadania em Jundiaí

 

Reproduzo texto sobre o sucesso da Webcidadania de Jundiai, interior de São Paulo, enviado pelo Henrique Parra Parra, do Voto Consciente da cidade. E acrescento o vídeo institucional da campanha.

Desde Abril, centenas de cidadãos jundiaienses estão usando as redes sociais para construir campanhas de webcidadania e mobilizações que resgatem sua capacidade de influenciar políticas públicas. Misturando swarmings em flashmobs, twittaços e manifestações espontâneas com campanhas descentralizadas em busca de adesões e construção pública de relevância, o ciberativismo invadiu escolas e passa a integrar o dia a dia dos atores políticos locais.

Boa parte dessa mobilização tem como pano de fundo um concurso de webcidadania lançado por organizações sociais da cidade e que, investindo em uma plataforma de crowdsourcing para questões públicas, pretende construir um novo modelo de governança em que os cidadãos comuns decidam e influenciem as políticas públicas.

Trata-se do Concurso Cidadonos (www.cidadonos.org.br), que é promovido pelo Movimento Voto Consciente Jundiaí, conta com o apoio do Cidade Democrática, Rede Social Jundiaí e SENAC, e premiará neste ano as melhores ideias e propostas para transformar Jundiaí na cidade dos sonhos de seus moradores. Serão doze questões premiadas por tipo de propositor – cidadão, ONG, parlamentar e gestor público – com quatro categorias temáticas: Meio Ambiente, Educação, Juventude e Cultura.

Em pouco mais de dois meses, já são 2.169 jundiaienses participando do concurso através do portal de inovação aberta para questões públicas Cidade Democrática. São quase 900 ideias apresentadas para melhorar a cidade e 15 mil atividades – entre apoios, perguntas, respostas e comentários – formando uma grande rede em busca de transformações sociais.

Serão mais dois meses de mobilizações e, no dia 16 de Agosto, haverá a premiação das 12 questões mais relevantes. Elas farão parte de uma Agenda Cidadã que, no segundo semestre, será apresentada a todos os agentes políticos com alguma capacidade de realização (Governo, Terceiro Setor e Iniciativa Privada) para a construção de metas de implementação. Políticas Públicas, Ações de ONGs e Projetos de Responsabilidade Social serão construídos a partir dessa inteligência coletiva e olhando para as ideias mais relevantes.

Em Dezembro, no Fórum da Cidade, cada ator publicará suas metas para 2012, em um ciclo de dois anos que desenha um novo tipo de Orçamento Participativo, desta vez partindo da sociedade – não do governo – e investindo na intersetorialidade como forma de resolver os problemas e construir transformações da realidade social.

Foto-ouvinte: Caçamba para pedestre

 

República da caçamba

Uma questão de prioridade: a caçamba fica sobre a calçada da rua Joaquim Floriano para não incomodar o trânsito. Quanto aos pedestres, ora bolas ! Estes que se virem saltando buracos e barreiras urbanas. A foto feita pelo ouvinte-internauta Adriano Santos já faz parte do álbum digital do Blog do Mílton Jung, no Flickr. Se houver interesse da fiscalização, a caçamba estava estacionada diante do número 300 da rua no itaim.

O CNE deve ser um órgão de Estado!?

 

Por Nelson Valente

O CNE – Conselho Nacional de Educação deve ser um órgão de Estado. Por exemplo, quando o CNE vota um parecer de credenciamento da abertura de uma faculdade, o documento vem do MEC, já analisado pelas secretarias.

No CNE, é discutido e preparados o parecer e enviados para homologação. Chegando ao gabinete do ministro, pensa que vai mesmo ao ministro para análise e homologação? Não vai não!

O mesmo parecer é mandado de volta para a análise das secretarias, que já haviam recebido antes o processo, e depois o encaminham para a secretaria jurídica.

O MEC ouve a burocracia, que não é qualificada para isso como são os conselheiros, para só então homologar ou enterrar, pelo silêncio, o parecer.
Qualquer parecer do CNE morre num escaninho da burocracia, se assim se desejar. Nesse sentido, o CNE é refém da burocracia do MEC, que se manifesta duas vezes sobre cada assunto avaliado pelo CNE, antes de ir ao CNE e depois de voltar do CNE. Isto faz sentido? Claro que não, e claro que sim.

Claro que não, se pensarmos na existência legal de um verdadeiro CNE. Claro que sim, se pensarmos no predomínio burocrático sobre o estratégico e na incompreensível dificuldade que todo ministro tem com órgãos eventualmente autônomos em seus ministérios.

É claro que uma das ambições que o CNE abriga é a de ter um Estatuto aprovado por decreto presidencial, que regulamentasse a lei que o cria. Muitos conselhos da órbita federal têm seu estatuto aprovado por decreto do Presidente da República, e certamente não seria demais pedir que o CNE tivesse seu estatuto também desta forma.

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Conte Sua História de SP: Minha avó Olga

 

Denise Cristina Peixoto Subir em árvore para comer frutas, cantar e ouvir as histórias de Dona Olga, a avó que a criou na cidade, são algumas das muitas lembranças de Denise Cristina Peixoto, personagem do Conte Sua História de São Paulo. Ela nasceu em Araras, interior do Estado, e teve de morar com os avós quando perdeu a mão ainda recém-nascida.

Neste depoimento gravado pelo Museu da Pessoa, Denise fala da sabedoria da avó que foi capaz de superar muitas dificuldades sem perder a graça. “Raiva dói pra quem tem”, foi uma das lições que recebeu da avó.

Acompanhe o depoimento de Denise Cristina Peixoto, no Conte Sua História de São Paulo, sonorizado pelo Cláudio Antonio e editado pela Juliana Paiva.

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às dez e meia da manhã, no CBN SP. Você pode contar um capítulo da nossa cidade enviando um texto para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista com áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa.

Pesquisa revela fraude e violência na produção de aço

 

As imagens são de uma carvoaria clandestina em Nova Ipixuna, no Pará, onde se iniciou a pesquisa do Observatório Social, coordenada pelo jornalista Marques Casara, destacada na edição desta segunda-feira, do Jornal da CBN. É nesta região que, em 24 de maio, foram assassinados José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, que denunciavam a devastação da floresta para produzir carvão e madeira. O estudo denuncia uma série de irregularidades e o esquema de fraude que “limpa” o carvão que sustentará a indústria do aço no estado.

Ouça aqui a entrevista com Marques Casara ao Jornal da CBN

Avalanche Tricolor: O ídolo é um torcedor

 

Grêmio 1 x 1 Vasco
Brasileiro – Olímpico Monumental

Foi na transmissão do PFC, canal Pago-Pra-Ver, na tarde deste domingo, que ouvi a pergunta de uma promoção que me dará algum direito qualquer. Confesso não prestei bem atenção qual seria o prêmio, a qualidade do futebol apresentado pelo Grêmio não me permitiu (entenda como quiser esta afirmação).

Como dizia, foi assistindo ao jogo, narrado por meu ex-colega de Rádio Guaíba, José Aldo Pinheiro, que fui instigado a pensar sobre o assunto: “O que é preciso para ser um ídolo no futebol ?”

Meu filho menor, Lorenzo, que ultimamente tem se interessado em jogar bola no recreio da escola – ainda ontem pediu uma chuteira para quadra de salão -, de bate-pronto respondeu: “Tem de ser Messi”.

Ele tem razão em parte. Messi será idolatrado por onde passar, dado o talento que o argentino desenvolveu. São tantas as qualidades que apresenta em campo que criticá-lo é quase impossível, fenômeno que o faz um tipo raro no futebol mundial, um jogador que consegue extrapolar as barreiras de seu clube e o transforma em ídolo de várias torcidas e nações, ao mesmo tempo.

Os meus ídolos nunca foram assim excepcionais. Alguns sequer tinham tanta habilidade com a bola nos pés. Nem mesmo eram daqueles que apareciam no topo da tabela de goleadores. Tinham, porém, uma identificação com o clube construída por elementos subjetivos, difíceis de serem descritos.

Os jogadores que me fizeram chorar, sofrer e sorrir sempre vestiram a camisa do Imortal Tricolor, isto sem dúvida. Toda vez que estavam em campo corriam atrás da bola como eu correria alucinadamente; eram capazes de ver a alma rasgada pela sola da chuteira adversária pois sabiam que havia uma causa maior em jogo do que a simples vitória; o particípio passado do verbo derrotar não existia em sua gramática futebolística, não a aceitavam, não se consolovam.

Dos primeiros nomes que surgiram na memória, no momento em que a pergunta foi feita, estavam Loivo, Vítor Hugo e Iura. Apareceram, também, Dinho, Sandro Goiano e Danrley. Jardel e Galatto, foram contemplados. Alguns odiados pelo inimigo, o que os fazia ainda maior no meu coração. Outros renegados pelos adversários, o que apenas enaltecia meu sentimento.

Assim como eu teria mais jogadores para incluir nesta lista, você, caro e raro leitor deste blog, provavelmente tenha outros ídolos e seus motivos para colocá-los neste patamar. No meu caso, porém, se tiver que definir em apenas uma frase o que os levou a esta condição no meu coração, diria sem pestanejar: meus ídolos foram torcedores travestidos de jogador.

Quantos do atual elenco se encaixam neste perfil ? Deixo essa resposta para o momento em que não estiver mais sob o impacto do desempenho desta tarde, no Olímpico Monumental.