Conte Sua História de SP: Ao lado da cidade grande

 

João Augusto Barbosa O personagem do Conte Sua História de São Paulo é João Augusto Barbosa que nasceu em Itapevi, interior do Estado, morou em Osasco, região metropolitana, mas tem todas as lembranças marcadas pela cidade de São Paulo. Aos 65 anos, ele gravou depoimento ao Museu da Pessoa no qual descreveu alguns dos bons e interessantes momentos que viveu por aqui.

No Conte Sua História de São Paulo, ele diz que guarda com carinho os primeiros namoros nos anos de 1960, uma época de revolução cultural e de costumes.

Ouça a história de João Augusto Barbosa, sonorizada por Cláudio Antônio e editada pelo Julio César

Conte você, também, mais um capítulo da nossa cidade. Envie um texto ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa. O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às10 e meia da manhã, no CBN SP.

De quadrilha

 

Por Maria Lucia Solla

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O que é que corrompe o bicho homem, o que é que faz ele roubar, trapacear, enganar, maquinar, tramar na penumbra, no sussurro, no barraco, no palácio, em pequena, em grande quadrilha? É o dinheiro, é o poder? Não, meu caro, dinheiro e poder só facilitam a passagem para que a personalidade doente, egoísta, mimada, desvirtuada, abra as asas sobre a alma. Roubo, trapaça, engano e formação de quadrilha são cartadas ilegais no jogo desta sociedade, mas entra governo sai governo, o enredo é o mesmo dentro e fora dele, acima, abaixo e dos lados. Não entendo como a corja é tratada com deferência dentro e fora do cargo, antes do delito, durante o próprio e depois dele. O cargo que investe o cidadão sempre mereceu a deferência devida à sua importância, à sua nobreza. Hoje nobreza só entra em cena na qualidade do tecido de ternos e gravatas, saias e casaquinhos que seguem o modelo ditatorial da moda; e de todo o resto, muito muitíssimo! já que quando a farra acaba, se leva tudo embora amoitado, na mala da ilegalidade, da impunidade, da iniquidade.

O político é montado e transformado num manequim, para agradar o maior número possível de eleitores que vai se espelhar no modelo, como cantor de pagode ou artista de novela. A corja se candidata e nós a elegemos, torcendo e defendendo o seu partido na batida de torcida de time de futebol. A camisa é amada a despeito de quem está dentro dela. Corta-se e penteia-se o cabelo como manda o marqueteiro de plantão, e Botox não pode faltar porque ruga é sinal de preocupação, e poder não pode dar mostra de humanidade e muito menos de tangibiidade. Alguém acredita que veste o rei, e nós acreditamos que vemos as suas vestes.

A sensação de impotência que me traz a realidade política e social, podre, descontrolada, violenta, egoísta, comprometida com o escuso, armada de diploma ou de tresoitão, é desesperadora, tal goteira no teto do quarto, bem em cima da cama, mirada no travesseiro e que pingasse toda noite, a noite inteira, no meio da minha cara.

A parte do povo que ainda não forma quadrilha se atropela, se machuca, cada um defendendo o quê? O seu.

Há muito tem sido cobrado de mim maior interesse pela política, com direito a discurso partidário e tudo, mas como pode vir a ser maior algo que nunca existiu? A política é o retrato de um povo; a nossa reza pela cartilha do inculto contra o culto, do pobre contra o rico, e vice-versa, e isso eu confesso não adianta, não me interessa.

Choro por ti, povo brasileiro, choro por mim, impotente, incapaz de qualquer coisa que possa fazer de ti e de mim, dos teus netos e dos meus, cidadãos respeitados e amparados pela sociedade. Seguramente não estarei aqui, mas espero, do fundo do meu coração – e nisso eu sou boa – que um dia possam ver o outro como companheiro de vida; não como inimigo a espreitar no beco, na virada da esquina, dentro de casa.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de línguas e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: Por amor

 

São Paulo 3 x 1 Grêmio
Brasileiro – Morumbi (SP)

Morumbi

Por ser casado com uma ex-repórter de esportes e eu ser muito ligado ao futebol – ao Grêmio, para ser honesto -, era de se imaginar que os estádios fossem lugares comuns à família. Porém, desde que ela trocou de pauta e passou a ser repórter de geral – como chamamos os jornalistas que cobrem uma variedade de temas, da política à polícia, da moda à educação – nunca mais fez questão de passar próximo de um campo. Nem assistir aos jogos na TV tem vontade.

De minha parte, a falta de conforto e insegurança me transformaram em torcedor de pay-per-view. Desde que cheguei em São Paulo, em 1991, raras foram as vezes em que fui ao campo. Com pouco esforço de memória sou capaz de lembrar das partidas de futebol que acompanhei na arquibancada como torcedor – a época em que narrei jogos pela Rede TV! não conta, pois era pago para ir ao estádio. A primeira foi a final de um Copa São Paulo de futebol júnior, na qual Dener, que morreu precocemente, jogou de maneira tão brilhante que o aplaudi mesmo tendo sido responsável pela vitória arrasadora da Portuguesa sobre meu time de coração.

Assim, quando comentei que havia recebido dois convites para assistir ao jogo da noite de sábado, em um camarote do Morumbi, foi uma gratificante surpresa ouvi-la dizer que me faria companhia, se este fosse meu desejo. Sem titubear nem esconder meu prazer, aceitei a proposta.

Até momentos antes do horário marcado para seguirmos ao estádio, confesso, tive dúvidas se a disposição dela persistiria. O recuo seria razoável e compreensível. Esse sábado prometia temperatura baixa e era a sua folga na redação, fatores que combinam com ficar debaixo das cobertas, ler um bom livro, assistir a um filme divertido de locadora, beber vinho ou, simplesmente, dormir.

Devidamente paramentada, boné de lã, casaco elegante fazendo par com as botas de couro e o cabelo realçado pelo brilho dos cremes que costuma usar, lá estava ela, , na hora marcada, a minha espera. Havia ainda os brincos e o colar que me chamavam atenção no rosto levemente maquiado. Singelamente maquiado.

De mãos dadas e abordo de um táxi seguimos para o Morumbi, estádio que fica a poucos minutos de casa. Nem mesmo o fato de o motorista ter pensado que eu era são-paulino, me tirou o humor: “esse é jogo bom de ver porque é jogo de uma torcida só e o São Paulo é lider”- disse ele sem perceber meu sorriso amarelo no retrovisor.

A bola começou a ser tocada de pé em pé – na maior parte das vezes para o pé errado – e nós sentados um do lado do outro em uma confortável cadeira vermelha (por que se importar com a cor?). O frio aumentava a medida que a noite avançava e isto a fez mais próxima de mim. Encostou a cabeça no meu ombro, pegou minha mão com mais força ainda. Nos separávamos apenas para um gole de bebida ou saborear os petiscos oferecidos. Tudo muito rápido e devidamente compensado com um beijo, uma bochecha sorridente, um carinho.

As coisas aconteciam no gramado, jogadores tropeçavam na qualidade, sacrificavam o bom-senso com suas escolhas e, de vez em quando, conseguiam um drible decente, um passe interessante e um chute em gol. Um gol, dois gols, três gols. Chegaram a marcar quatro gols. Dois do lado de cá do campo, dois do lado de lá. A maioria tive de conferir na tela da TV, pois enxergar o jogo dos camarotes não é tarefa tão bem definida assim.

Nada do que ocorria lá dentro, de bom e de ruim, a fez mudar de postura. Foi, aliás, nos piores momentos que se fez mais presente. Cúmplice do meu sofrimento, usava de subterfúgios para desviar minha atenção, me fazer sentir melhor. Dava sinais de que estava preocupada com os meus sentimentos futebolísticos, dado o desenrolar da partida. Tentou disfarçar com a leitura de faz-de-conta de uma revista de variedades.

Mal sabia ela que nada daquilo que ocorria lá adiante me incomodava. A falta de talento à disposição do técnico, a insistência dele em escalar jogadores fora de posição, a defesa incapaz de impedir o assédio adversário, o passe desleixado do suposto craque e a ineficiência dos atacantes (ou do atacante) não eram suficientemente importantes diante daquele momento que eu vivia.

A paixão que o sacrifício dela me despertou fez superficiais o futebol jogado pelo meu time e o resultado final. Seu gesto e presença ratificaram compromisso que assumimos há pouco mais de 17 anos – não que estes fossem necessários para tal, afinal tantas outros coisas muito mais legais vivemos juntos até aqui. Mas, com certeza, a presença dela ao meu lado era a melhor das sensações que eu poderia ter em um jogo de futebol em uma fria noite paulistana, véspera do Dia dos Namorados.

Corte o cabelo e faça sua cabeça

 

Por Dora Estevam

Mudanças à vista!

Mulher quando põe na cabeça que vai mexer no cabelo ninguém segura. Nem os namorados! Não é pra menos, são tantas as variedades de cortes, cores e estilos que se torna impossível fugir das tentações.

As campeãs em mudanças são as celebridades. Como elas mudam; parece tão fácil !

Tem uns modelos que são super fofos. Eu, por exemplo, gosto muito das tranças, usei muito quando era garota. Elas são tão joviais e sensuais, dependendo do momento e do estilo.

Quem não se lembra das trancinhas da Britney Spers no clip Baby One More Time

O diretor Nigel Dick jura que nem havia pensado no cabelo da cantiora e quando ela apareceu, achou uma gracinha. E ficou mesmo, ainda mais com os lacinhos em rosa. Foi o primeiro vídeo dela, em 1998, e a ideia era ter a escola como cenário. Tudo combinando: tranças, colégio … o resultado você já sabe (se não, confira no vídeo).

As últimas mudanças mais comentadas em Hollywood são das celebs Blake Lively e Scarlett Johansson. Do loiro foram para o vermelho strawberry. As coloristas que fizeram as mudanças aconselham a quem quiser o cabelo cereja para que não exagerem, faça aos poucos.

Vale lembrar que estas moças famosas mudam em função dos filmes; na vida real a coisa funciona diferente. Não vá sair colorindo ou cortando os cabelos só porque achou bonito, dependendo do que você fizer o estrago será razoável, além de aguentar amigos e parentes falando sobre o desagradável estrago.

O nosso corte de cabelo muda muito e, na maioria das vezes, a gente nem percebe. Só quando olha as fotos, aí, sim, a surpresa; e as diferenças são apreciadas. Separei algumas fotos de cabelos que marcaram época e foram muito imitados. Você vai se lembrar e pode até ser que já tenha usado um deles.

Nos anos 80, a moda que marcou muito foi a dos cabelos enormes, quanto maior era volume mais bonito. Madonna e Witney Houston usaram. Nos 90, da androginia, as mulheres optaram pelos cortes mais curtos, bem curtos, popularizados pelas tops e atrizes Linda Evangelista, Winona Ryder e Demi More. E, em torno de 2007, Victoria Beckham e Rihanna revolucionaram com os fios assimétricos.

Há vários motivos para uma pessoa mudar o cabelo: mudança de trabalho, casamento, namoro, idade, cidade, conquistas, status social, entre infinitos propósitos. O legal é saber que existem muitos profissionais no mercado que podem te ajudar (não vai sair feito criança picotando a franja, por exemplo). Além de vídeos que estão na internet, os quais mostram mudanças e esninam a fazer os cortes, como usar tinturas e apliques, mesmo nos casos mais difíceis.

Veja esta moça o que fez com o próprio cabelo. Ela estava cansada de esperar pelos fios mais longos e optou por uma peruca. É uma boa ideia para enfrentar a ansiedade. Ficou interessante e criativo.

Natural ou sintético, o importante é fazer uma boa escolha para não chorar mais tarde. Agora,se algo der errado não se esqueça que cabelo é igual grama, crescem depois do corte.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Vida e voz de Sung-bong Choi, o garoto inseto

 

Fui apresentado a história deste menino coreano pelos meus filhos que vivem vasculhando a internet. Depois de assistir ao vídeo procurei algumas indicações na rede e descubro que desde o início da semana o rapaz de 22 anos se transformou em novo fenômeno com sua vida e sua voz. Sung-bong Choi diz ter vivido como um “inseto” durante 10 anos, tempo no qual deve ter perdido o direito de expressar sua emoção pelo que percebemos nas imagens mas que não lhe tirou a esperança. Ele se revelou durante o Coreia Tem Talento, uma versão do programa de televisão Ídolos.

Mundo Corporativo: A Geração Y bate à porta

 

A chegada de jovens que nasceram na era digital ao mercado de trabalho impõe uma série de desafios para eles, seus chefes e as empresas. A Geração Y tem ritmo e conceitos diferentes e o Mundo Corporativo precisa se ajustar a este momento. Na entrevista com o consultor de empresas Sidnei Oliveira, falamos como esta turma pode explorar da melhor maneira possível seu talento e suas diferenças. A conversa também é interessante para você que está bem estabelecido na função que ocupa há alguns anos e precisa ficar atento para não ser atropelado por esta garotada que tem idade para ser seu filho.

Sidnei Oliveira também é autor do livro “Geração Y – Ser potencial ou ser talento”:

O Mundo Corportivo vai ao ar, ao vivo, na internet, toda quarta-feira, às 11 da manhã, e você pode fazer perguntas pelo Twitter @jornaldacbn ou pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN

Moradores de rua ajudam na segurança de pedestres

 

Morador de rua ajuda em travessia

Os moradores de rua são invisíveis para a maioria dos cidadãos que vivem em São Paulo. Costumam não ter cara nem história; quando percebidos, é pelo estorvo que provocam ocupando praças e calçadas. Com a chegada do frio alguns ganham destaque no noticiário, principalmente quando morrem. A prefeitura calcula que cerca de 13 mil pessoas vivam nessas condições, número considerado bem abaixo da realidade por entidades assistenciais.

Para alguns privilegiados pela sorte e oportunidade, a situação melhorou um pouco nesta semana, graças a programa público que pretende mudar o comportamento do paulistano em relação a faixa de pedestres. Aliás, estas são tão invisíveis quanto os sem-teto, não apenas porque a prefeitura deixa a desejar na manutenção da pintura, mas, também, porque os motoristas não têm o hábito de parar e permitir a travessia das pessoas – uma das causas dos 7.007 atropelamentos e 630 mortes que ocorreram no trânsito da capital, em 2010.

Conheça esta história, acessando o meu Blog Adote São Paulo, no site da revista Época SP

Adote um Vereador se encontra neste sábado

 

Como todo segundo sábado do mês, faça chuva ou faça sol, tenha frio ou ciclone extratropical, o Adote um Vereador de São Paulo se encontra no bar do Pátio do Colégio, centro da capital paulista. A pauta é livre, os assuntos surgem no bate-papo de acordo com os interesses de cada um. Gente das antigas e uma turma de recém-chegados trocam ideias e experiências. Você está convidado para aparecer por lá, amanhã, 11.06, das 14 às 16 horas e conhecer um pouco mais sobre esta rede que se comprometeu a acompanhar o trabalho dos vereadores da capital ( e tem feito isso de maneira incisiva).

Consulado gremista promove churrasco em São Paulo

 

A preliminar de Grêmio e São Paulo será em uma churrascaria paulistana, neste sábado, quando o projeto da Arena Tricolor será apresentado em encontro promovido pelo consulado gremista e uma camisa oficial e autografada será sorteada.

Antes que seja tarde, uma explicação, caro e raro leitor deste blog, provavelmente torcedor de algum outro clube. O Grêmio mantém nas principais cidades do mundo – e em algumas sem relevância, também – consulados formados por apaixonados e abnegados. Grupo de torcedores, com direito a eleição e cargo, que passam a ser representantes no local onde se estabeleceram.

Foram os consulados fundamentais para a construção do Olímpico Monumental, pois mobilizaram os torcedores na campanha de arrecadação de tijolos, que eram levados de caminhão para Porto Alegre.

Aqui em São Paulo, a equipe do consulado é formada por Fernando Leite, Maria Fernanda Martins Costa, Marzil Filho – Zizo, Katiene Gheller e Pedro Coutinho. Turma que está organizando churrascada para o meio-dia, desse sábado, na South’s Place, que fica quase em frente ao Shoping Morumbi, na av. Roque Petroni Junior, 850. O almoço terá preço promocional: R$ 30 mais bebida, por pessoa.

“Nossa intenção é aproveitar a oportunidade e integrar os membros de todos os Consulados da Região de São Paulo, nos conhecermos ao vivo, aqueles que ainda não se conhecem e, também, trocar ideias de ações que podemos fazer em conjunto aqui em São Paulo”, me escreveu Marzil.

Os gremistas que quiserem comprar ingresso para o jogo com o São Paulo podem contar com o Consulado. Para saber mais, envie e-mail para consuladogremiosp@gmail.com.

Não sei se poderei participar do almoço, pois neste sábado também tem a reunião mensal do Adote um Vereador, mas contém com meu espírito por lá e no Morumbi.

Erros de adição

 

Por Milton Ferretti Jung

Arrependo-me até hoje do trabalho que dei ao meu pai no tempo de estudante. Incomodei-o – e à minha mãe, por extensão – desde os primeiros momentos da minha carreira estudantil. Do jardim da infância tenho uma vaga lembrança, mas marcante, pelo jeito. E olhem, leitores, que setenta anos, mais ou menos, me separam dessa etapa.

Derrubei numa das mesinhas da escola o café que levara como merenda. E não quis mais saber de voltar, talvez envergonhado pelo que devo ter imaginado ter sido um grande desastre. Não freqüentei mais jardins da infância. Fiz os meus anos iniciais do primário num colégio dirigido por freiras franciscanas. Tive rápida passagem por um público, mas retornei ao das irmãs porque este me pareceu muito bagunçado. Acho que faltavam professores. Daí para a frente, estive em vários educandários: Roque Gonzales, Anchieta, fui internado no São Tiago,em Farroupílha (do qual fugi mais de uma vez) e, finalmente, no Colégio Nossa Senhora do Rosário, onde meus três filhos também acabaram estudando.

Seja lá como tenha sido, em todos os colégios que cursei minha matéria preferida sempre foi o português. Adorava fazer redações. Tinha prazer em lê-las, depois, diante da turma. Os professores, em geral, modéstia à parte, pareciam gostar das minhas leituras. Creio que já começava a me preparar, sem saber, para a carreira que acabei abraçando – a de locutor. Agradavam-me também tanto as lições quanto as provas de história, que permitiam dissertações orais e escritas. E escrever nunca foi meu problema. Em português, história e línguas – inglês,francês e espanhol (menos latim, que apenas os alunos do curso clássico eram obrigados a estudar), eu me dava bem. Nem sequer conseguia acompanhar com atenção as aulas dadas pelos professores dessas matérias. Quase todos os anos ficava em “segunda época” numa delas, especialmente nas provas de matemática. Acho que hoje já não existem exames orais. Nesses, os alunos, eram chamados ao púlpito e tiravam um papelzinho no qual havia um número, que correspondia ao que teriam de responder. Certa vez, um professor ,ao perceber que eu não sabia a questão que sorteara (?), chegou a me pedir que falasse sobre algo de matemática que eu soubesse. O diabo é que eu, não sabia absolutamente nada de matemática.

Pois não é que descubro agora, com espanto – não muito grande,é verdade – que o Ministério de Educação e Cultura, além de haver quebrado a cara com uma publicação polêmica sobre português, que nem convém lembrar, meteu os pés pelas mãos também na área da matemática. Como esta é uma ciência exata e não permite tergiversações de caráter ideológico, não sei que desculpa será usada para a nova gafe. É impossível explicar somas e subtrações, por exemplo, em que 9 menos 2 é igual a 5 e 8 mais 4 é igual a 11.

O festival de besteiras patrocinado pelo MEC provavelmente não derrubará um ministro, como aconteceu com Antônio Palocci. Para que alguém caia, como o da Casa Civil,é necessário mais do que simples erros de adição.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)