Nossa colega na mesa de Paulo Coelho

 

Paulo Coelho em Istambul

Amigos se reuniram com Paulo Coelho em Istambul, na Turquia, e compartilharam ideias e pensamentos, há alguns dias. Durante o encontro, o escultor Spinosa, além de colocar a conversa em dia, apresentou a Coelho o trabalho da nossa colega de blog Maria Lucia Solla. O livro De Bem Com a Vida Mesmo Que Doa aparece sobre a mesa do escritor brasileiro. Que faça muito bom proveito da sensibilidade da Maria Lucia, a qual você acompanha aqui no Blog, todos os domingos.

Meu filho, o rádio e o futebol

 

Por Milton Ferretti Jung

Meu filho, o Christian, também tem um Blog, como o Mílton, mas, se o deste é quase que totalmente dedicado às coisas de São Paulo, tirante o espaço chamado Avalanche Tricolor, invariavelmente postado após jogos do seu Grêmio (nosso, aliás), e este que escrevo todas as quintas-feiras, o do caçula dos irmãos Jung trata de um objeto de sua paixão. Basta que eu diga o nome do blog para que fique claro aos pacientes leitores que me concedem sua atenção qual o principal assunto abordado nele: MacFuca. Sugiro a quem gosta de carros antigos,especialmente os da marca Volkswagen, que tiveram sua época no Brasil e no mundo, que dêem uma olhadinha no MacFuca.

Toda regra tem a sua exceção,diz um adágio mais velho do que eu. O MacFuca não fugiu dela. Às vezes, além de falar em fucas, no seu e nos alheios, escreve sobre o seu pai. Afinal, se existem pais corujas, há filhos que também são. Quem se der ao trabalho de ler o desta semana vai encontrar uma história que começa com um crachá, no qual se vê uma foto de um jovem de 18 anos (os narradores de futebol diriam que se trata de um garoto) que chegava ao seu segundo emprego. Saíra de uma pequena rádio e buscava espaço em outra que, embora ainda sem ter completado um ano, já podia ser considerada grande, uma vez que pertencia a uma empresa importante no Sul: a Companhia Jornalística Caldas Jr. e, de certa forma, herdava a tradição desta: a Rádio Guaíba.

A história só começou pela imagem do crachá, para ilustrar o texto do Christian. Mais abaixo, está uma foto de um rádio que pertencera ao avô paterno do…meu filho. Os leitores, sempre sagazes, já descobriram, é claro, quem era o jovem da fotografia. Quanto ao rádio, tinha Wells como marca. Quem o olhasse por detrás, veria que possuía uma entrada para toca-discos. Nesta, resolvi introduzir um fone e descobri que podia o usar como se fosse um microfone. Daí a passar a narrar as partidas de futebol-de-mesa dos meus amigos, em minha casa, foi um pulinho.

Fazia, sem me dar conta, minha primeira experiência “radiofônica”, muito distante ainda do teste que acabei realizando, com sucesso, na Rádio Canoas, em 1954. Quatro anos depois,estreava na Guaíba. Nesta, fui locutor comercial, radioator, apresentador de notícias e narrador de futebol.

Em 1964,o então chefe do Departamento de Notícias me escolheu para apresentar a síntese informativa mais importante da Emissora – o Correspondente Renner – que esteve presente na programação da Guaíba desde a sua inauguração. Como escrevi na quinta-feira anterior, já com outros patrocinadores a partir de 1999, o ciclo foi interrompido e só retomado, para minha alegria, nessa segunda-feira, 2 de maio, conforme anunciei que seria, aqui neste meu espaço.

Choveram e-mails e torpedos de ouvintes que se confessavam saudosos do Correspondente e, a modéstia que, desta vez, se dane, deste locutor que, neste momento, não lhes fala, mas escreve, tomado por insopitável prazer.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Preservando a galinha dos ovos de ouro

 

Por Carlos Magno Gibrail

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É o que os ambientalistas e os cientistas esperam que a Câmara Federal faça hoje, se efetivamente ocorrer a votação do novo Código Florestal.

Depois do alerta de São Pedro, quando vimos a natureza esbravejar nas encostas fluminenses, matando a população que se instalou inadvertidamente em suas áreas, parece que o comunista Aldo Rebelo, cedeu. Falou segunda à imprensa, em alterar o substitutivo aprovado em 2010.

Como se sabe, dentre as modificações propostas, a ocupação de encostas está contida nas prerrogativas a serem introduzidas no novo Código Florestal.

Agora, Rebelo informou, especificamente, que os 30 metros de mata ciliar preservada nas margens dos rios, com largura de 10ms ou menos, serão mantidos.

Resta saber se o mesmo tratamento será dado às reservas legais que hoje significam 80% na Amazônia, 35% no Cerrado e 20% na Mata Atlântica.

A questão da anistia aos criminosos ambientais também foi aprovada em julho na comissão especial. É um dos pontos mais polêmicos.

A tramitação prevê votação na Câmara para hoje, antes de ir ao Senado novamente, que deve proceder em sequência antes de ir à presidenta Dilma para sanção ou veto parcial. A previsão é que depois de votado pelos deputados, senadores e presidenta deverão executar rapidamente a análise e voto, pois está havendo entendimento prévio.

Entretanto, há uma discordância em relação a data de hoje escolhida para votação, pois a SBPC – Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência e a ABC – Academia Brasileira de Ciências pedem mais dois anos, até que estudos estejam terminados focando cientificamente os impactos do novo Código.

Reunidos, Marco Maia (Presidente da Câmara), Afonso Florence (Min. Desenvolvimento Agrário), Izabella Teixeira (Min. Meio Ambiente), Luiz Sérgio (Min. Relações Institucionais), Wagner Rossi (Min. Agricultura) e os líderes das bancadas não chegaram a um consenso sobre o alongamento ou não do prazo para votação na Câmara.

Evidencia-se a pressa dos ruralistas na rápida votação, antevendo que a reflexão maior levará complicações às suas pretensões. É incongruente, mas imediatista, que justamente os ruralistas não defendam o meio ambiente em que vivem e produzem. Estão dispostos a matar a galinha dos ovos de ouro.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

A foto deste post é do álbum digital Flickr de Olhar Jornalístico

Foto-ouvinte: Ataque “antiaéreo”

 

Carro anti-helicoptero

“Um dia derrubo um”. O recado escrito em adesivo, acima da imagem de um helicóptero, chamou atenção do ouvinte-internauta Claudinei Martinez. Assim como eu, ele também não entende o motivo para tal ameaça. Talvez seja inveja dos felizardos que podem se deslocar com rapidez sobre a cidade congestionada; ou um morador muitas vezes incomodado com o barulho desta que é a segunda maior frota do mundo e a maior em número de viagens locais. Por um ou por outro, sugiro que os repórteres da CBN passem bem longe do cidadão do Gol amarelo.

EUA usam violência como política contra o terrorismo

 

A morte de Osama Bin Laden levou americanos às ruas, com bandeiras, buzinas, gritos de vitória, banho em fontes públicas e cartazes que destacavam o resultado da ação com o placar de um jogo de futebol: “Obama 1 x 0 Osama”. Uma festa marcada pela vingança ao assassinato de cerca de 3 mil pessoas no 11 de Setembro de 2001 e milhares de outros em uma série de batalhas e confrontos promovidos sob o título de Guerra ao Terror.

Os Estados Unidos não costumam ser felizes nestas tentativas. Tendem a aumentar o ódio e o pensamento anti-imperialista que movem estes alucinados em todo o mundo. Foi esta política, incentivada pela família Bush, a mãe de todos os homens-bomba que explodiram – e os muitos outros que ainda serão detonados, lamentavelmente.

Obama, prêmio de Nobel da Paz, comemorou a morte do inimigo com um grito de justiça. “Uma justiça medieval, a do dente por dente e olho por olho”, disse logo cedo o professor Arthur Bernardes, de Relações Internacionais da PUC do Rio de janeiro.

O presidente americano após as declarações iniciais na qual assumiu o papel de vingador tentou ficar mais próximo da imagem que construiu para a opinião pública, a de um humanista. E, através do esforço de sua assessoria na Casa Branca, tentou mostrar que não tinha dado licença para matar. Teria sido a reação violenta e o uso de escudos humanos (com mulheres) de Osama que levaram a necessidade de abater a presa.

Os depoimentos de americanos que desfilaram nas televisões nessa segunda-feira, muitos falando com o Grau Zero ao fundo, ponto antes ocupado pelas Torres Gêmeas, são emocionantes. Tristes muitas vezes, pois conviver há dez anos com a injustiça dos ataques covardes dos terroristas deixou marcas profundas na alma e coração daquele povo. Fica-se sensibilizado diante da dor e a tendência é apoiar medidas drásticas e assassinas contra Osama e qualquer outra pessoa suspeita de fazer parte do mesmo ideal.

Mesmo diante de tudo isso, ainda sou favorável a comportamentos civilizados como melhor arma contra os que promovem o terror. Atacar com violência os violentos me parece, às vezes, apenas fazer o jogo destes e reforçar o discurso doente que os incentiva.

Por isso, não me surpreendo ao encontrar em texto de Walter Maeirovitch, no Blog Sem Fronteira, a análise que mais se aproxima a minha ideia sobre o tema:

“… a incivilidade não é a regra no Ocidente que tanto incomodava o terrorista. O respeito à pessoa humana é a regra e entre nós existem, com jurisdição internacional, as cortes de direitos humanos”

Para dizer e escrever isso, porém, é preciso coragem diante da pressão popular e, algumas vezes, da própria opinião dos mais próximos.

Conte Sua História: Agente da cidadania

 

Claudio Vieira

Uma incrível enchente no caminho do emprego e a solidariedade de paulistanos que jamais havia conhecido foram duas das experiências vividas por Cláudio Almir Vieira já nos seus primeiros momentos na capital paulista. Ele foi o personagem do Conte Sua História de São Paulo.

Nascido em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, chegou em São Paulo, em 1990 e se transformou em um agente da cidadania. Hoje, é casado tem uma filha, mora na região do Morumbi e participa de associações de bairro e da rede Adote um Vereador.

Ouça o depoimento de Cláudio Vieira, gravado pelo Museu da Pessoa e sonorizado pelo Cláudio Antonio

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no programa CBN SP. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade agendando um depoimento ou enviando um texto para o site do Museu da Pessoa.

O poder do lixo

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Homens vivem do lixo

A melhor resposta para o crônico problema do lixo, seria tirá-lo das ruas com autoridade ,planejamento e determinação. No caso do centro deveria realizar , com urgência, a coleta domiciliar aos sabádos, domingos e feriados . Reafirmo que o maior problema da limpeza urbana na região central está na coleta e não na varrição. Todos os domingos ,uma multidão de homens ultra – pobres são vistos no centro com mãos e cabeças enfiados em sacos pretos rasgados ,em busca de restos de comida. No dia seguinte o cenário é de horror -, inclusive o Palácio Anhangabaú e a Suprefeitura da Sé amanhecem ilhados pelo lixo, o que daria um importante documentário de ecologia urbana – de projeção internacional . Onde o humano se mistura com o além sujeira e a incompetência de gestores públicos que não encontram formas eficientes que resolvam o problema do lixo domiciliar do centro da cidade mais rica do Brasil.

Não podemos esquecer dos mais de 10 mil moradores de rua que vivem largados pelo centro. Uma questão humana que deveria levar a prefeitura à uma profunda reflexão de prioridades… Entre outras medidas , uma assistência de resultados à população de rua, como pensar e colocar em prática um projeto diferenciado de limpeza na região central , pricipalmente com atenção especial à coleta e à reciclagem,geradora de renda para milhares de pessoas. O que poderíamos chamar de gestão solidária do lixo.

Não confundir com a ‘ limpeza’ de agentes municipais , que consiste em acordar todas as manhãs os mendigos de forma – muitas vezes – não apropriada , como se fosse a solução para “a cidade ideal “(…)

Estamos falando da limpeza das empresas concessionárias, que precisam sim de recursos que permitam a modernização dos serviços de limpeza na cidade . Recursos que deveriam ser destinados sem as costumeiras pressões e interferêcias políticas do é” dando que se recebe”. Afinal , nenhuma empreteira deveria ser ou aceitar a ser ‘extensão’ de partidos politicos ou ter o poder de ditar regras na administração pública , o que ocorre com frequência na limpeza e transportes em São Paulo. O poder conferido às duas empresas de coleta do lixo domiciliar na cidade de São Paulo chega a ser perigoso. Insisto : é indecoroso e predatório ao município.

A administração municipal precisará de muita coragem para disciplinar o serviço de coleta em São Paulo.

Um passo importante neste sentido seria os canditatos às eleiçoes municipais não aceitarem recursos financeiros de construtoras a que são ligadas as concessionárias do serviço de limpeza pública (…)

Leia, também: “Condomínios de luxo mantém lixão doméstico, em São Paulo”

Avalanche Tricolor: Uma questão de obrigação

 

Inter 1 x 1 Grêmio
Gaúcho – Porto Alegre


Ser mais do que sempre foi é obrigação de qualquer jogador que veste a camisa do Grêmio. Isto transformou em gigantes atletas de passagem apagada em outros campos.

Suar e sangrar em busca de cada bola, na dividida com o adversário e no carrinho que rasga a grama também são compromissos que assumem.

Assim como lutar desesperadamente pelas pequenas conquistas que surgem a cada minuto de jogo; não admitir que a jogada esteja perdida enquanto o músculo aguentar o esforço; nem jamais aceitar a derrota mesmo que esta tenha sido decretada.

Jogar futebol de verdade, talento para superar a adversidade e categoria para se livrar do marcador impertinente, lógico, agregam valor e diferenciam os atletas. Por isso não é demais que o torcedor exija ao menos alguns capacitados a assumir este papel. E um pouco de organização tática, evidentemente.

É o que sempre esperamos quando o Grêmio está em campo mesmo quando a injustiça nos é imposta como aquela “cama de gato” no primeiro tempo do Gre-Nal que resultou em enorme prejuízo (vai ver o juiz imaginou que fosse uma homenagem a ele próprio). E não pense que eu estava satisfeito como o que havíamos feito até então.

O Grêmio foi ao Beira Rio com a certeza de que fosse qual fosse o resultado o Campeonato Gaúcho não seria perdido nesta tarde de domingo. Apenas tínhamos a oportunidade de tomar um atalho para o título, dispensando o desgaste de mais duas decisões em um mês que será tomado por elas, haja vista o compromisso que temos nesta quarta-feira pela Libertadores.

A única obrigação era estarmos a altura da expectativa de nossa torcida.

Muitos deixaram a desejar, a maioria esteve aquém de sua capacidade, e o time não fez a partida que todos nós gostaríamos. Deve-se levar em consideração, contudo, a sequência de incidentes que tirou jogadores importantes antes e durante o jogo. E o fato de que mesmo assim, terminamos empatados com um adversário empurrado por sua torcida, jogando em casa e com a obrigação de vencer.

Sem tempo para lamentar pênaltis mal cobrados, nosso olhar se volta agora para a busca de mais uma façanha sulamericana. Para chegarmos a tal, é preciso que todos assumam suas obrigações, atendam ao compromisso assumido e sejam no Grêmio mais, muito mais, do que sempre foram.

Quem mandou ser um Imortal ?

De pares

 


Por Maria Lucia Solla

Ouça “De pares” na voz e sonorizado pela autora

Segregar, discriminar, não adianta! porque a força da vida aproxima os opostos. Do seu jeito. Os opostos e os nem tão opostos assim. Uma coisa que seja, em você, que se oponha ao seu par em mim, pode te arrebatar, sem que haja neste planeta explicação. É Física! O planeta precisa de equilíbrio para continuar a ser.

Bizarro e perfeito dividem o palco; água e fogo, nascimento e morte se acotovelam. Casamento, divórcio, assassinato e salvamento; descarte e resgate. Interessante ver. Pobre e rico dividem sonho de ter para ser; e é assim mesmo: o ser não vive sem o ter, até que o ter se rende, inevitavelmente, ao ser. O querer e o estar-nem-aí convivem numa boa, na mesma sala.

Vaidade e insegurança são assim; não se desgrudam por nada. Nada é suficiente, porque nada não vive sem tudo. Desespero campeia na desgraça e na ânsia da pirraça. Dor e prazer, não preciso nem dizer! Dar finca o pé até que chegue o receber, e não tem ir-se-embora sem ficar, nem sem um dia chegar.

Imaginação e realidade se entrelaçam a ponto de perder a identidade. Se fizeram passar, tantas vezes, uma pela outra, que não sabem dizer: o viver, afinal, é filho de quem?

Certo e errado têm seus dias contados. Tão unidos, querendo ocupar o mesmo espaço, vão acabar se fundindo. E nesse dia, abriremos a porta para a responsabilidade, que não existe fora da consciência, e se fará luz no caminho para a verdadeira vida, quando vida e morte finalmente assumem sua atração e vivem e morrem, para sempre.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung