Por Carlos Magno Gibrail

A importância do varejo nacional não está na atual participação do PIB. Com aproximadamente 16% não chega perto de outros países equivalentes. Todos apresentam dados acima de 25% do PIB, desde a Alemanha com 25% até o Reino Unido com 32%.
A relevância aparece se considerarmos a recente evolução desta participação. A partir de 2004, diferentemente do que ocorria antes, o setor de varejo tem tido um comportamento acima do desempenho do PIB brasileiro, sendo responsável por melhorar o resultado geral da economia. Através do aumento do consumo interno das famílias, impulsionado pela melhoria da renda, do emprego, pela expansão do crédito e o forte crescimento do Índice de Confiança do Consumidor, o varejo teve um crescimento expressivo a cada ano. No período de 2006 a 2008 a expansão média ficou em torno de 8% em termos reais ao ano, o que a colocou dentre as maiores no mundo.
E mesmo no período mais recente seu comportamento tem sido diferenciado. No primeiro quadrimestre de 2009 o varejo cresceu 2,5%, pelos dados do IBGE, sendo um dos poucos países no mundo, ao lado de Austrália, Índia e China, com resultado positivo. É relevante porque os Estados Unidos com 28% de participação no PIB, decresceu 9,1% e na Zona do Euro houve queda de 1,2%.
A formalização do varejo nacional certamente contribuiu para o aumento dos empregos apresentando o melhor desempenho do mercado. Ao lado deste crescimento observa-se uma transformação na organização estrutural no setor que tende a continuar.
E, desta vez, também pelos ventos de fora. Em New York, na convenção anual da NRF National Retail Federation, que começou domingo, as palavras de ordem são de otimismo e sustentabilidade para o varejo 2010.
É por isso que as estimativas tornam-se significativas para este setor que cresce em importância dentro da economia nacional. Vejamos algumas pela ótica de profissionais dos vários setores da área de varejo:
“Em um cenário altamente favorável para a economia brasileira, estamos prevendo um crescimento em nossas vendas na ordem de 30 %, parte pelas profundas mudanças que estamos empreendendo no negócio e parte ( cerca de 10 % ) pelo cenário altamente favorável do Brasil no mundo, e mesmo pelo razoável otimismo do consumidor brasileiro verificado em pesquisas recentes” – Marcelo Abrão da YACHTSMAN.
“Tenho observado que as lojas no Brasil estão ficando com mais identidade, e penso que neste ano muitas empresas estão se programando para necessidade vital das marcas, lembrando que é uma necessidade do mercado. Ahhh eu não sou muito amigo desta palavra tendência. Depois de décadas da abertura da importação de produtos, o nosso mercado está mais atento aos concorrentes internacionais, com isso mais competitivo, ai a necessidade de mudança. Acredito que o Collor conseguiu fazer este bom projeto… risos internacionais. Com esta abertura e mais a globalização e a necessidade de ser único neste mercado tão competitivo, acontece à conscientização e mais profissionalismo. Eu acredito que de 2010 pra frente nosso pais vai ficar mais atento nessa área, estamos sendo observados pelo mundo. Para este ano e muitos próximos, eu a Marton+Marton estamos focando a sustentabilidade na criação de projetos de varejo. Com esta atitude conseguimos fazer projetos mais inteligentes e com flexibilidade de reformas, além de economizar com energia durante o ano”. J.Marton MARTON E MARTON ARQUITETURA.
“Como o varejo está a cada dia que passa se comoditizando mais, uma vez que oferecer em todas as lojas as mesmas coisas é muito mais cômodo para o varejista, os vencedores nos próximos anos serão aqueles capazes de conseguir algum tipo de diferenciação. Nós estamos ainda no processo de diferenciar lojas. Com o acirramento da concorrência teremos que diferenciar cada dia mais o sortimento. Poucos varejistas perceberam que estamos abertos para o mundo e o sortimento pode ser feito utilizando-se o que de melhor existe no exterior, além dos bons fornecedores locais. Acho que essas ações serão complementadas pela diferenciação através da segmentação por estilo de vida. Apesar de esse conceito ter aparecido no início dos anos 80, só nos últimos anos começou-se a falar dele no Brasil e ele vai dar muito que falar… O varejista de qualquer ramo de atividade que não prestar atenção nesse modelo de segmentação estará perdendo oportunidades extraordinárias de atrair e manter clientes. Estou em New York assistindo a NRF. Existem mais de 900 brasileiros inscritos. Hoje foi o primeiro dia de palestras. Ainda os americanos e europeus estão sob o impacto da recessão e da crise. Pela primeira vez, em 11 anos, ouvi falar que o Brasil é um país que deverá atrair investimentos estrangeiros no varejo”. Nelson Barrizzelli AGC INTERNATIONAL.
“Acho que haverá um aumento expressivo do consumo consciente, com consumidores cada vez mais valorizando o custo beneficio dos produtos. A consequente adaptação das marcas já consolidadas a estes novos consumidores devera acontecer no conjunto marca / qualidade e preço. As marcas que não o fizerem, verão seus concorrentes fazer….” Nelson Dalcanale BARBARA STRAUSS.
“Os índices de varejo do natal de 2009 apontaram um crescimento de 11% das vendas de varejo nos shoppings.
Nossa perspectiva de crescimento em vendas para 2010 é bastante positiva. Os empreendimentos que administramos apresentaram uma valorização de metro quadrado que animou os empreendedores a investir em revitalizações e novos projetos.
Os consumidores estão confiantes, com acesso a credito o que facilita o investimento principalmente a novos lançamentos de tecnologia.
O efeito Copa do Mundo, também reflete positivamente no varejo, impulsionando o consumo”. Marcia Saad BROOKFIELD.
Para a minha previsão começo por endossar todas acima e acrescentar que a tão esperada explosão da internet possa ocorrer neste ano. Quanto ao atendimento acredito que será a munição extra para a diferenciação, onde se acentuará de vez o customizado e o auto-serviço. De outro lado o varejo que vende produtos iguais deve começar a usar a poderosa munição do atendimento diferenciado, com entrega, instalação e manutenção especializada e automática.
Através do Prof. Barrizzelli temos a identificação do primeiro indício de mudança, pois 900 patrícios na NRF onde a delegação brasileira já era a maior com 150 participantes, aliada ao fator inédito e positivo da imagem brasileira, sugere as melhores expectativas para o varejo de nosso país. Quem sabe estejamos nos aproximando do sonho do consumidor ser realmente o rei deste mercado?
Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escrveve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras, sem medo de pré-ver.