De consciência

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De consciência” na voz da autora

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Olá,

Sou fã de carteirinha da tela mental. Aquela que vem no pacote básico do ser humano; branca como as telas de cinema, para que a gente projete o que quiser e produza a própria história. Cenário, iluminação, personagens, flashbacks, incursões no futuro, trilha sonora, efeitos especiais… a obra é nossa.

A tela mental é indispensável, por exemplo, na manutenção e treinamento da memória. Nosso cérebro armazena a informação mais facilmente se vier acompanhada ou for enriquecida com imagem: externa ou interna, vista ou criada por você. Visualização e compreensão turbinam a memorização.

Ela também é preciosa no aprendizado de idiomas. Você projeta a imagem do que ouve, associa som e imagem, e… ponto para você.

Nela podemos projetar anseios, e as imagens dão uma ideia do que seria o teu sonho transformado em realidade. O termômetro é bom; você vai perceber que enquanto pensa e assiste à projeção do teu pensamento, todos os teus corpos reagem. Fica mais fácil perceber quando se está sabotando ou envenenando através de pensamentos ou atitudes doentes. Por outro lado também vai ficando cada vez mais fácil sentir e perceber a leveza e a dança dos corpos quando se imagina algo que é bem vindo. Dá para começar a separar o joio do trigo.

Mas o que eu quero, mesmo, é convidar você a acionar a tua tela mental e comigo projetar a Vida como um jogo em 3 dimensões; um tabuleiro com pequenas depressões – quadrados vazios, como caixinhas sem tampas – a serem preenchidas. Você vai vivendo, pensando, falando, ouvindo, olhando numa e noutra direção, e escolhe que caixinha preencher, como e com o quê; desenhando assim a Vida. O tempo do jogo varia de jogador para jogador, e nunca se sabe quando vai mudar de fase e nem quando vai soar o apito final. Ao longo do jogo aparecem coringas que geralmente piscam e saracoteiam feito bagres ensaboados, e se a gente vacila, fica a ver navios.

Veja um tabuleiro não estático. Ele desliza normalmente para a esquerda, deixando à mostra um pouco do passado recente – para que se possa rever as últimas intervenções – o hoje sendo construído – desenhado, elaborado, destruído, rabiscado, ignorado – e parte do amanhã sonhado. Mas tudo pode acontecer. Tudo é possível enquanto se está jogando. Tempo é Vida.

Diferentemente dos jogos em que destreza manual e agilidade mental são predicados fundamentais, no jogo da Vida o trunfo é a consciência ampliada e afiada. Consciência da Essência e do Caminho. Capacidade de estar acordado, de ver, perceber e sentir, com todas as células de todos os corpos, a Vida que se oferece, se entrega aberta, receptiva à tua intervenção. Convidando eternamente para que você Viva.

Imagine, projete, modifique o sonho, retoque a cena e tente não perder os coringas.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de Comunicação e Expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung provocando imagens na nossa mente.

Conte Sua História de SP: A geladeira do seu Cândido

 

Por Miriam  Srosenfeld
Ouvinte-internauta

Ouça “A geladeira do seu Cândido” com sonorização do Cláudio Antônio

Estava fragilizada naquela terceira semana de novembro de 2009. Teve o apagão, um tratamento de canal, falta de água no condomínio e sem geladeira. Meu marido comprara uma nova. Mandei a velha embora e a nova não chegou. A moça da loja disse que estava em falta no estoque. Iria demorar.

Dois dias já sem geladeira e muito calor. Assim que saí de casa recebi o panfleto de três religiosos: “Por que se pode confiar na Biblía”.  Li até o fim e me inspirei. Lembrei do trabalho de alunos sobre um rapaz que montara sua casa com objetos do lixo. Com fé, logo pensei: quero encontrar uma geladeira no lixo
Comprei umas lâmpadas e ao sair da loja de material de construção me preparei para atravessar a Praça 14 Bis a caminho de casa. 

 – “Vamo, vamo dona! Pode ir.  Ó, o farol tá aberto!”

Ouvi o conselho. Atravessei meia praça e olhei para trás pra agradecer a atenção.

O tal conselheiro, o dono da voz, era um carroceiro. Tinha um objeto muito grande em sua carroça. Um grandíssimo paralelepípedo branco, meio pintadinho de onça. Seria miragem?!  Meu pedido teria sido atendido?

– O que o Senhor tem aí ?

– Uma geladeira, respondeu.
– O que vai fazer com ela?
– Vender. Ela funciona. Fui buscar lá em cima, no número 2.000  da 9 de Julho.  A dona disse que tá boa.
– Quanto vale?
– Cinquenta, disse ele.
– Vende pra mim? Eu pago em dinheiro.

O homem acariciou a barba escura com alguns fios brancos que contrastavam em sua fisionomia. Então, perguntou:

– Onde fica?
– Moro na Rua Silvia. O senhor consegue levar?
– Lá em cima! Eu “num güento”.
– Eu ajudo o senhor. Fico atrás da carroça para poder empurrar. Vamos!?, insisti.

Parecia estar concordando. Deu uma paradinha e disse:

– Tem um moço que me pediu pra comprar. Vou levar pra ele. É logo ali.
– Tá bem. Cadê o moço? …. Vamos lá. Eu empurro.

Repliquei, tentando persuadi-lo a encarar as ladeiras com a carga. Pois não é que lá fomos nós ?

Atravessamos a 14 Bis, subimos a Rua Rocha e depois a Itapeva. Ladeira acima. Ele na frente, puxando; eu atrás, empurrando. Ele, exibindo alguns músculos e sua fragilidade ao mesmo tempo. Eu, com minha juba clara solta e o par de calças pantalonas, as mais coloridas que tenho. Ocupávamos uma pista dos carros, mesmo assim ninguém buzinou. Algumas paradinhas foram necessárias no trajeto. A carroça estava muito pesada.

Durante o percurso descobri que o nome dele é Cândido. Percebi que nunca tinha prestado atenção nessa pessoa que convive com a gente aqui no Bixiga; na importância do seu trabalho. Carroceiros são importantes. Levam aquilo que rejeitamos e, freqüentemente, eles encontram utilidade para tal. Aliviam o problema dos entulhos na cidade.

A geladeira funcionou muito bem. Resolveu meu problema. Quanto ao seu Cândido, continua por aqui. Encontrei-o na semana passada e percebi que já não se lembrava de mim. Tive que refrescar sua memória.
Quando lembrou, me contou de outras geladeiras que recolheu depois daquela. Disse que uma delas veio com um frango congelado, imerso numa imensa pedra de gelo. Parece que fez um banquete com o frango e vendeu a geladeira para o ferro velho.

Meio esquecido, otimista, simpático, bem humorado e trabalhador. Assim é Seu Cândido, um carroceiro do pedaço. Se precisar dele, fale com o jornaleiro da Praça 14 Bis. Ele dá o recado ao nosso personagem.

Acompanhe e participe da nova fase do Conte Sua História de São Paulo. Grave suas lembranças da cidade no Museu da Pessoa. Para agendar seu depoimento ligue para 2144-7150 ou entre no site http://www.museudapessoa.net. E anote na sua agenda, a partir desta segunda-feira até o dia 25 de janeiro, você ouve o Conte Sua História de São Paulo em homenagem aos 456 anos, da nossa cidade, que vai ao ar logo após às 10 e meia da manhã.

Secretário sugere síndico de lixo em São Paulo

 

Com a lei do lixo com hora certa, a prefeitura de São Paulo pretende que os moradores cumpram uma outra regra para reduzir o risco de enchentes: só colocar lixo na rua duas horas antes do caminhão fazer a coleta. Muitos ouvintes-internautas tem enviado e-mail perguntando como cumprir a lei se eles trabalham durante todo o dia e a coleta é feita, por exemplo, à tarde. Outra situação descrita: há ruas em que a coleta é de madrugada e para que a regra seja seguida o lixo teria que ser depositado após a meia-noite. Convenhamos, não muito seguro.

Fiz esta pergunta ao secretário municipal de Serviços (e de Transportes, também), Alexandre de Moraes, que sugeriu uma espécie de condomínio do lixo:

Ouça a ideia do secretário Alexandre de Moraes

Não tem mais como escapar de pedágio na Castello

 

Para chegar a capital paulista pela rodovia Castello Branco não tem mais como escapar do pedágio. Ou não terá mais, a partir de domingo quando será inagurada a nova praça de cobrança no único trecho em que ainda era possível sair, por exemplo, de Barueri e chegar a São Paulo sem precisar botar a mão no bolso.

A Viaoeste, concessionária responsável pela rodovia, se esforça para convencer os motoristas de que a maioria não vai pagar mais para rodar na Castello, pois haverá mudanças nos valores cobrados nas diferentes praças de pedágio. Os maiores prejudicados serão aqueles motoristas que deixam a região de Barueri e faziam um retorno de aproximadamente 6 quilômetros para não usar as faixas pedagiadas – sim, o neologismo passou a ser usado quando a concessionária criou as pistas marginais na Castello.

Há outra situação complicada: o motorista que sai da região de Alphaville ou Tamboré, onde há condomínios residenciais e comerciais, para chegar ao Rodoanel será obrigado a pagar os R$ 2,80 do pedágio da Castello, apesar de usar apenas alguns poucos quilômetros da pissta, e depois vai pagar mais R$ 1,50 para sair do Rodoanel em qualquer outra rodovia que acessar.

Ouça as explicações do presidente da Viaoeste José Brás Ciofi, na entrevista ao CBN SP

Pra se pensar

“Se a pessoa que não tem carro é obrigada a pagar um pedágio (com nome de tarifa de ônibus) para chegar de um ponto a outro, não vejo justificativa de não cobrar nada das pessoas que tem carro”
(De André Pasquilini, nos comentários deste post)

A caçamba da discórdia

 

Na caçamba

Estadão e prefeitura discutem há dois dias sobre infração de trânsito gravíssima cometida por Gilberto Kassab (DEM) ao andar, ao lado do Secretário Municipal dos Transportes (e dos Serviços), Alexandre de Moraes, sobre a caçamba de uma picape, em visita no Jardim Pantanal, zona leste de São Paulo. A assessoria do prefeito inventou até uma “autorização especial” que Kassab teria recebido da autoridade de trânsito (no caso, Moraes) para se comportar daquela maneira.

Gilberto Travesso do blog Notinhas de São Miguel, contra-atacou e reproduziu foto na qual repórteres fotográficos e cinegrafistas andavam sobre a caçamba de outra picape para registrar imagens de Kassab na mesma visita.

Faz de conta que o assunto é importante. O fato é que nos dois casos, se houve alguma irregularidade de trânsito, a multa vai para a Defesa Civil, proprietária das picapes usadas pelas equipes do prefeito e dos jornalistas.

Ouvintes começam a gravar depoimentos para a CBN

 

CBN SP
Em menos de uma semana, dez ouvintes-internautas já marcaram a data e hora para gravar sua participação na nova fase do Conte Sua História de São Paulo. Os depoimentos serão registrados em áudio e vídeo na sede do Museu da Pessoa, instituição especializada em resgatar e armazenar a memória do cidadão brasileiro.

Em lugar dos textos enviados por e-mail e interpretados por mim aos sábados, nesta etapa o Conte Sua História de São Paulo publicará as experiências dos moradores na capital paulista contadas por eles próprios. Além disso, o material passará a fazer parte do acervo do Museu da Pessoa, com possibilidade de acesso pela internet.

Na semana em homenagem aos 456 anos de São Paulo, que começa nessa segunda-feira (18.01), você terá oportunidade de ouvir alguns depoimentos que integram a memória digital do Museu. Foram selecionadas histórias de infância, lembranças de família, casos curiosos e inusitados que nos oferecerão um olhar sobre a diversidade da capital.

Para agendar sua entrevista, você deve ligar para 011 2144-7150, ou entrar no site do Museu da Pessoa.

Leia mais sobre o Conte Sua História de São Paulo especial e a programação da CBN no aniversário da cidade.

Árvore caída, árvore derrubada

 

Árvore que cai

Aqui, uma árvore despencou sobre o carro do ouvinte-internauta Welton Pereira, após ter estacionado na rua Edson, no bairro do Campo Belo, zona sul de São Paulo. A dúvida dele é quem vai pagar pelo prejuízo provocado pelo incidente.

Árvore que vai cair

Aqui, as duas árvores ainda estão em pé porque a foto foi feita antes do crime cometido. Elas estavam diante da agência do Banco do Brasil, na avenida Padre Antônio José dos Santos, em Cidade Monções, também na zona sul. O ouvinte-internauta Arthur Dalmaso conta que a da direita foi derrubada e a da esquerda terá o mesmo destino. E cadê a responsabilidade ambiental do banco, pergunta.

Empresas e prefeitura brigam pelo preço do lixo

 

O lixo na cidade vai dar muita dor de cabeça ainda para o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e para os moradores de São Paulo. Apesar do otimismo demonstrado pelo secretário de Serviços (e de Transporte, também) Alexandre de Moraes, o que ouvimos no CBN São Paulo, nesta quinta-feira, sinaliza que a queda de braço entre as empresas que fazem coleta e tratamento de lixo e a prefeitura ganhará nova dimensão com o debate sobre o reajuste do contrato assinado, em 2004. O gasto mensal da prefeitura está em torno de R$ 48 milhões com as duas empresas, Ecourbis e Loga.

Os presidentes das concessionárias, entrevistados no programa de hoje, alegam que as empresas estão tendo gastos maiores com novas exigências da prefeitura e o aumento na quantidade de lixo recolhido. Segundo o presidente da Ecourbis, Ricardo Acar, nos três últimos meses de 2009 foram recolhidos 10% a mais de lixo do que no mesmo período de 2008. Alexandre de Moraes nega que isto esteja ocorrendo.

Já o presidente da Loga, Luiz Gonzaga Alves Pereira, põe na conta até mesmo mudanças que serão necessárias para atender a lei que obriga as empresas a coletar o lixo com hora certa. Para ele, haverá necessidade de se realizar número maior de viagens na cidade. Pereira criticou, ainda, o fato de que grandes gereadores de lixo, que teriam de contratar empresas particulares, estão utilizando o sistema público encarecendo ainda mais a realização do serviço. O empresário cobrou mais fiscalização pela prefeitura.

Alexandre de Moraes, em meio ao debate, acusou as empresas de não estarem cumprindo com suas obrigações. Ao ser questionado sobre o serviço que não estaria sendo realizado devidamente, o secretário não foi muito claro na resposta. Disse que as concessionárias não estariam cumprindo com o horário de coleta (mas a lei entrou em vigor na semana passada) e não teriam avançado em serviços como a coleta seletiva (mas foi a própria prefeitura que para tornar mais barato o serviço mudou os prazos)

Ouça as três entrevistas e tire sua própria conclusão:

Ouça o que disse o secretário de Serviços Alexandre de Moraes1401

Ouça as explicações do presidente da Loga, Luiz Gonzaga Alves Pereira

Ouça as justificativas de Ricardo Acar, da Ecourbis

Terminar o dia em paz

 

Abigail Costa

Um dos prazeres em ser jornalista é conhecer gente. Todo o dia tem uma pessoa nova. A semana toda ouvindo histórias de encher os olhos de otimismo, outras que são a cara da dor de tanta amargura.

– Oi, prazer, como vai?

– Eu? indo né filha, a vida você sabe…

Começou por aí já sei que é melhor nem esticar a conversa. Dispenso o cafezinho e vamos direto ao assunto. É o tempo de ligar o microfone, duas ou três perguntas e fui.

Se já sei que não vou gostar do enredo pra que aceitar a dança?

Estou em fase de seleção. Quem oferece otimismo pra esse lado. Pessimismo, senhor? Lá atrás da fila, por favor.

Sabe que tem funcionado. A volta pra casa é mais leve. Isso acaba atraindo outros na mesma sintonia.

Tive o prazer de conhecer pais, mães, irmãos dos Mamonas Assassinas. Treze anos depois do acidente áereo, os filhos deixaram saudade, claro! Tristeza não.

Em nenhum momento ouvi:

Por quê? Justo com eles?

A lembrança é amorosa e você se pega quase que “enrolando” para o assunto render mais.

De volta pra casa penso que eles apesar do sofrimento pela perda, não se alimentaram do problema, não ficaram doentes.

Bom demais terminar o dia em paz.

Aprendizado que satisfaz a alma da gente.


Abigail Costa é jornalista e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung quando está em paz.