As imagens que fazem parte deste álbum foram enviadas pelo colaborador do Blog do Milton Jung, ouvinte-internauta e diretor fotográfico Luis Fernando Gallo. Se você tiver alguma foto da Parada Gay deste ano mande para milton@cbn.com.br e conte como foi a festa através da sua máquina de fotografia (ou celular)
Autor: miltonjung
Avalanche Tricolor: O esquema não é tudo, a vitória é
Fluminense 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Maracanã
Foi a campo finalmente o esquema 4-4-2. Talvez tenha sido imaginação minha ou problema no áudio da televisão, mas juro que ouvi ecoar nas arquibancadas do Maracanã o grito da torcida tricolor (o gaúcho, é lógico): “1, 2, 3 o 4-4-2 é no Rei”. Se não foi isso, foi algo parecido.
Minha incapacidade de enxergar os tais posicionamentos, já confessada nove dias atrás, quando escrevi a última “Avalanche”, só me permitiu identificar que o time jogava de maneira diferente quando ouvi o locutor do PPV anunciar que o Atlético Mineiro de Celso Roth fazia o primeiro gol contra o Náutico e assumia a liderança do Campeonato Brasileiro naquele momento.
Foi ali que lembrei que Roth formava o Grêmio com um tal de 5-3-2 que por algum motivo era odiado pela crônica esportiva e por torcedores. Corri para ver como o ex-técnico gremista havia montado o seu Atlético. Não é que o Galo dava show no Mineirão jogando em um 4-4-2.
Fiquei sem entender. Lá com esse posicionamento o Galo já fazia 3 a 0 no Náutico e no Maracanã, Grêmio e Fluminense empatavam. Qual a diferença ? Simples, os gols. Aqueles mesmos que Parreira, por coincidência no comando do nosso adversário de hoje, um dia disse que era apenas um detalhe.
Seja qual for o esquema se não resultar em gols, o futebol perde a graça. E eu ainda sou dos torcedores que vou a campo para me divertir. Com a vitória do meu time, é claro. Que esta venha no meio da semana quando estaremos em campo pelo que realmente nos interessa: o tri da Libertadores.
Pra falar de amor
Por Maria Lucia Solla
Olá,
Pra falar de amor precisa ter coragem, porque amor é coisa séria, entremeada de muita bobagem.
Amor é feito de tudo, principalmente de cor, de alegria e de muito bom humor.
Amor é leve mas tido por pesado; é livre, corre solto, e sofre se acorrentado
Não importa. Se eu disser que sei de amor, estou mentindo; num dia disserto, no outro penso: será que enlouqueci? De certo!
Pensando no amor, suspiro, me viro, busco palavras e quase piro!
Faz três dias que me afino, buscando o termo certo, mas não encontro nem um por perto.
As letras brincam comigo; me espreitam e riem de mim, fugindo, se escondendo, quando eu acho que tô podendo.
Me dá as costas não é, palavra danada. Se me irrito, me calo e não digo mais nada. Você vai ver, eu paro de escrever.
Dito isso, penso: que doida esta situação! Eu querendo escrever e as palavras se pondo a correr.
Se vão então as palavras, aos saltos, aos centos e eu correndo atrás delas, tentando salvar aos menos os seus acentos.
Pensa que vão em procissão, cabeça baixa balbuciando uma oração?
Que é isso, que nada! Saem correndo de mão dada, rindo e pulando, em bando, uma alegre gurizada!
Então me faço menina pra surpreendê-las na esquina.
Não há estratégia que vingue, se a gente se põe muito sério. Amor quer flor, quer cor, mas aceita também um leve impropério.
Peço a Deus e a Nossa Senhora que me mostrem o rumo do amor e ouço claramente a resposta ao meu clamor:
E amor tem rumo certo? Amor é livre, é solto. Deixa teu coração escancarado de tão aberto que você vai encontrar, de certo!
Ainda teimando, palavras eu tento ajustar. O sujeito vai aqui, e um verbo não pode faltar. E o resultado e que minha mente também teima e continua a falhar.
E ouço ainda de longe a voz de um anjo que insiste. E amor tem regras, menina? Só se você quiser perdê-lo ali, na próxima esquina.
Que é isso? Insisto. palavra é palavra e eu sou gente! Sou o máximo da criação, penso toda imponente.
E é aí que apanho, levo um tombo tamanho que me deixa tonta, sem conseguir pensar, e é só então que consigo do amor começar a falar.
Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, escreve no Blog do Milton Jung.
Hoje é dia da Parada Gay
Neste domingo, milhares de pessoas seguem para a avenida Paulista para comemorar a diversidade e gritar contra a homofobia, temas que se destacam em meio as cores que marcam a Parada do Orgulho LGBT. Mas é em 28 de junho que se realiza o Dia Internacional do Orgulho Gay, data na qual, no ano de 1969, se iniciou uma série de manifestações contra a violência policial no bar Stonewall Inn que reunia gays em Nova Iorque. O movimento ficou conhecido como Rebelião de Stonewall.
No ano passado, o Grupo Nuances em parceria com a rádio Ipanema FM, ambos do Rio Grande do Sul, levaram ao ar campanha bem humorada e atrevida, batizada “Encha o peito também de orgulho”, que provocou uma diversidade de reações.
Conte Sua História de São Paulo: Dos velhinhos
Por César Cruz
Ouvinte-internauta do CBN SP
Ouça o texto “A história dos velhinhos” de César Cruz
Como são gostosas as histórias que os velhinhos contam!
Quando eu era menino lembro de ouvir meu pai dizer a cada vez que perdíamos um ancião da família: “Que pena, mais um velhinho que parte levando suas histórias!”. Uma grande pena mesmo!
Meu tio Milton, irmão mais velho do meu pai, contava causos sensacionais passados na meninice deles. Tais histórias envolviam tios e parentes que eu e meus primos nem havíamos conhecido! Era sempre uma delícia ouvir relatos de uma época tão diferente da nossa, e de imaginar nossos pais ainda crianças, aprontando as mais diversas safadezas em uma cidade tão diferente da que conhecemos hoje, com poucos carros, outros hábitos de vida… Tão ingênua!
Minha mãe também era dona de histórias ótimas. Eu gostava de uma em especial. Nela, papai e mamãe ainda namorados, no final dos anos 50, foram certa tarde ao cinema e depois a uma lanchonete no centro da cidade comer um hot dog, programa típico de casaizinhos jovens da época.
Pouco antes de irem embora, já à noitinha, minha mãe, que era linda – e as fotos não desmentem -, levantou-se e desfilou em direção ao banheiro. Na outra extremidade do estabelecimento havia um grupo de 4 sujeitos mal-encarados rindo e bebendo. Quando ela passou toda graciosa em sua saia e blusa, um deles curvou-se para trás na banqueta e segurou-a pela cintura: “oi chuchuzinho, vem comigo, vem…”. Minha mãe, temperamento forte que sempre teve, não titubeou, desceu-lhe um sonoro tapa na cara.
Meu pai que terminava seu cachorro-quente na outra ponta da lanchonete ouviu o bafafá e quando se virou viu parte da cena. Tomado por uma ira explosiva, característica de sua personalidade, não contornou o balcão em formato de “U” duplo, preferiu ir saltando-o olimpicamente, pisando alternadamente nas banquetas fixas e nas mesas, para desespero dos casais de namorados que, assustados, tiravam da frente suas garrafas de Grapete e Coca-caçula e seus pratos com misto-quente! Em segundos estava cara a cara com os sujeitos!
Deste momento em diante, minha mãe dizia que sua vista havia escurecido e que ela não conseguiu ver mais nada. Apenas alguns flashes teriam ficado tatuados em sua lembrança. Neles via homens sendo arremessados pelo ar e se estatelando sob pilhas de copos e pratos, como nos filmes de saloon.
Em certa parte do relato, Dona Diva passava a falar baixinho e a espiar por cima do ombro, como se houvesse o perigo de alguém, 50 anos depois, ouvi-la. Confidenciava que, na escuridão do seu pânico, pode escutar os sons dos murros, os gritos abafados de dor na voz dos homens e os ruídos secos de maxilares e ossos sendo quebrados… Terminava dizendo que não esqueceria aqueles sons ainda que vivesse 100 anos, e que desde aquele dia, passou a morrer de medo a cada vez que meu pai ficava nervoso: “ninguém segura ele, Cesar… ninguém!”.
No final da história, o jovem Aloísio, atleta praticante de judô e boxe, deixara os 4 maus-elementos moídos no chão em meio aos escombros.
Partiram correndo a tempo de pegar o bonde andando.
Minha mãe, assim como o meu tio Milton, já se foram. Partiram levando com eles todas aquelas apaixonantes histórias… Irrecuperáveis, por mais que nós, os filhos, tentemos reproduzi-las.
Eu, infelizmente, não tenho mais avós nem pais vivos. Transformei-me precocemente em um órfão de causos sensacionais como estes… Arrependo-me tanto por não ter gravado os meus velhos contando alguns deles!
O autor de hoje foi César Cruz. A sonorização é de Cláudio Antonio. Você também participa enviando seu texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br.
Foto-ouvinte: Sem crédito no mercado
Já imaginou pagar para ir ao banheiro no avião ?
Encerra-se mais uma semana em que as notícias sobre a queda do Airbus 330 da Air France dominam o noticiário no Brasil. Os jornais franceses já diminuem o espaço destinado ao acidente, segundo informou a correspondente da BBC Brasil em Paris. Enquanto isso, passageiros começam a discutir novidade a ser implantada pela Gol Linhas Aéreas, no País: pagar para comer. Assim como ocorre com empresas estrangeiras que fazem voos econômicos, na Europa e Estados Unidos, os passageiros Gol terão a opção de cardápios mais elaborados se aceitarem pagar o valor proposto durante a viagem.
Armando Italo, nosso comandante para assuntos aéreos, disposto a relaxar neste meio de feriado, decidiu colaborar com a discussão e nos enviou o vídeo a seguir no qual a cobrança pelos serviços prestados a bordo é alvo de muita ironia.
A homofobia nas escolas
Por Cláudio Fonseca
Professor e vereador do PPS-SP
Pesquisa recente elaborada pela Secretaria de Educação do Distrito Federal, em parceria com a Ritla – Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana, revela um perigoso e trágico sintoma da nossa sociedade: cresce, dentro das salas de aulas, uma onda homofóbica. Os responsáveis pelo estudo acreditam que esse comportamento também se espalha por todo o país, pois pesquisas e estudos já comprovaram essa tendência enraizada na nossa sociedade.
Intitulada “Revelando Tramas, Descobrindo Segredos: Violência e Convivência nas Escolas”, a pesquisa indica que os homossexuais são o grupo que sofre mais discriminação dentro do seio escolar: em Brasília, base do último estudo, 63,1% dos entrevistados alegam já ter visto pessoas que são (ou são tidas como) homossexuais sofrerem preconceito. Foram ouvidos 10 mil estudantes e 1.500 professores.
Outros dados também mostram um grave avanço do preconceito e da discriminação sexual: mais da metade dos professores ouvidos afirmaram ter presenciado cenas de discriminação contra homossexuais nas escolas. Já 44% dos meninos e 15% das meninas afirmaram que não gostariam de ter colegas homossexuais.
São números que chocam e entristecem aqueles que lutam pela igualdade e a diversidade cultural e sexual. É preciso repensar nosso papel de educadores frente aos fatos apresentados pela pesquisa. O preconceito à escolha sexual produz efeitos extremamente preocupantes aos alunos discriminados: baixo rendimento escolar, desinteresse, abandono, depressão e, em muitos casos, à morte.
Na última década, o Brasil amadureceu na discussão da diversidade sexual. O tema passou a ser discutido abertamente em diversos segmentos da sociedade civil organizada, com a seriedade e o respeito que o assunto merece. Muitas conquistas já são visíveis, consolidadas, como a própria Parada do Orgulho Gay, que a cidade de São Paulo promove há alguns anos.
Portanto, já passou da hora de dar a questão da diversidade sexual dentro das escolas uma atenção especial por parte de toda a sociedade: pais, educadores, governantes e os próprios alunos devem participar do debate, entender onde nasce o preconceito e combate-lo de todas as formas. O preconceito a todas as formas de manifestação cultural e racial já produziu cenas lamentáveis, danos irreparáveis para os povos de todo o planeta.



