E o Pacaembu

“CBF voltou a sinalizar para autoridades de São Paulo, desta vez com mais ênfase, que a Fifa deverá rejeitar o estádio do Morumbi para a Copa de 2014. O plano de reforma apresentado pelo São Paulo FC é considerado insuficiente. A alternativa da prefeitura é construir um estádio na zona norte da cidade.”

A nota publicada no Painel da Folha de São Paulo gera novo complicador para o debate em torno da manutenção do estádio do Pacaembu. Se a capital paulista tiver de bancar mais este equipamento esportivo, mais moderno, a necessidade de conceder o Pacaembu será eminente. A proposta está em debate, vários setores tem sido ouvido, mas não há um acordo. Se a concessão ocorrer o movimento será em direção ao Corinthians que demonstrou interesse pelo diretor de marketing Luís Paulo Rosenberg. Nem todos no clube gostam da ideia. Seja como for, dois estádios municipais é muita coisa para um cidade só, mesmo que esta seja a maior cidade do País.


Leia outras reportagens sobre o estádio do Pacaembu publicadas no Blog do Milton Jung

Canto da Cátia: Sinal fechado

onibus 6

Chuva e direção perigosa costumam resultar em acidente de trânsito. No início da manhã, acabou em acidente de três ônibus na capital paulista, registrado em foto pela repórter Cátia Toffoletto, na Avenida Vereador José Diniz, em Santo Amaro, zona sul. Dezenove pessoas teriam ficado feridas devido ao choque que ocorreu logo após o sinal fechar.

Corregedoria da Câmara de SP está invicta

Adote um Vereador Nunca perderam um jogo em Casa em seis anos. Este é o desempenho dos vereadores de São Paulo que, desde 2003, jamais puniram um só colega da Casa por qualquer tipo de irregularidade que tenha sido cometida e levada a Corregedoria. O caso mais recente é o do vereador Kamia (DEM) que “esqueceu” de declarar a propriedade de uma enorme casa na zona norte da capital paulista, seu reduto eleitoral. O “pagode”- expressão usada pelo promotor eleitoral que levou o caso à Justiça – custa quase R$ 2 milhões, segundo levantamento feito pelo Ministério Público, mesmo assim na declaração de bens entregue a justiça eleitoral constavam apenas um apartamento e três veículos, que somavam R$ 198,7 mil. A denúncia do Ministério Público Eleitoral por falsidade ideológica no caso do imóvel não constrangeu os colegas dele que o inocentaram por unanimidade.

Para entender melhor os motivos que levaram os vereadores a absolver Kamia sugiro que encaminhe aos integrandes da Corregedoria da Câmara Municipal um e-mail ou ligue para o gabinete deles:

Wadih Mutran (PP), presidente que não vota
(0xx11) 3396-4349
(0xx11) 3396-3950
wadihm@camara.sp.gov.br

Milton Leite (DEM), relator do caso
(0xx11) 3396-4237
(0xx11) 3396-3986
miltonleite@camara.sp.gov.br

Alfredinho (PT)
(0xx11) 3396-4290
vereadoralfredinho@camara.sp.gov.br

Claudinho (PSDB)
(0xx11) 3396-4255
(0xx11) 3396-3988
vereadorclaudinho@uol.com.br

Ítalo Cardoso (PT)
(0xx11) 3396-4063
(0xx11) 3396-3954
italocardoso@camara.sp.gov.br

Ricardo Teixeira (PSDB)
(0xx11) 3396-4261
(0xx11) 3396-3953
ricardoteixeira@camara.sp.gov.br

Quito Formiga (PR)
(0xx11) 3396-4292
(0xx11) 3105-2243
quitoformiga@uol.com.br

Escrevo-lhe estas singelas linhas …

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O professor Sérgio Mendes, autor da carta eletrônica acima reproduzida, passa a acompanhar, desde agora, o trabalho de Marta Costa (DEM), na campanha Adote um Vereador, que assim já monitora 81% dos 55 parlamentares da Câmara Municipal, alguns dos quais com mais de um “padrinho”. O material que Mendes levantar sobre a vereadora estará no Blog Adotei a Vereadora Marta Costa.

Como o e-mail enviado à vereadora retornou com uma mensagem informando que não foi possível receber a cartinha do padrinho, divulgo aqui no Blog para torná-la pública. Se alguém próximo da parlamentar tiver interesse, por favor repasse a ela o endereço do blog assinado pelo Sérgio. Ele ficará muito feliz em obter uma resposta.

O CBN SP na última vez que tentou ouvir a vereadora para que explicasse como doou para a própria campanha mais do que o total dos bens declarado à Justiça não teve sucesso, pois a mensagem que nos foi passada pela assessoria de imprensa dela é que Marta Costa não podia ficar à disposição dos jornalistas pois tem muito trabalho a realizar. O que, logicamente, respeitamos.

Para quem estiver interessado em mais informações da vereadora pode também ligar para o gabinete dela (3396-4303), mandar um fax (3396-3964) ou um e-mail (martacosta@camara.sp.gov.br)..

Secretaria não tem comissão “formal” para analisar livros, diz secretário

“Inadequado” foi a expressão usada pelo secretário estadual da Educação Paulo Renato de Souza ao se referir aos livros “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol” e “Poesia do Dia” distribuídos nas escolas públicas. Em ambos, foram encontrados textos que faziam referência a sexo, drogas e violência de maneira inapropriada para crianças de oito e nove anos. O último caso, denunciado por este blog, nessa quarta 27.05, está ligado a dois poemas de Joca Reiners Terron (leia mais aqui).

Na entrevista ao CBN SP não ficou muito claro o critério e a formação da comissão  que escolheu 818 títulos para serem usados pelos professores em sala de aula. Paulo Renato disse que não existe uma comissão formalizada, mas há, sim, um grupo de professores sob responsabilidade do programa Ler e Escrever que, a partir de lista enviada pelas editoras, faz a seleção.

O secretário disse que foi solicitada uma revisão nos livros que integram o programa e  na quarta-feira da semana que vem todos estes livros serão apresentados aos jornalistas: “vou chamar toda a imprensa para examinar cada um dos títulos”.

Ouça a entrevista do secretário da Educação Paulo Renato de Souza para Tânia Morales

Trote será discutido na Câmara Municipal

Estudantes universitários e do 3o. ano do ensino médio se reúnem na Câmara Municipal de São Paulo para discutir formas de acabar com o trote violento aos calouros que se repete todos os anos colocando em risco a vida de jovens. O encontro é promovido pelo vereador Gabriel Chalitta (PSDB) que desenvolve trabalho voltado ao combate ao bullying, prática que se caracteriza sempre que uma pessoa ou um grupo age com o objetivo de intimidar ou agredir pessoas na maioria das vezes incapazes de se defender.

Chalitta diz que não haveria sentido o vereador elaborar projeto de lei para tentar acabar com esta atitude que marca o início do ano letivo em várias universidades brasileiras: “cabe a nós promover este debate e tentar criar uma comissão de trabalho que discuta medidas eficazes para mudar esta situação”.

A  Tania Morales conversou, hoje, com o presidente do G20 que reúne as associações atléticas acadêmicas de São Paulo, Guilherme Ruggiero. Ele participará do encontro na Câmara Municipal e entende que será oportunidade de dividir experiências sobre trotes solidários e sociais que tem sido realizados em várias faculdades.

Ouça a entrevista com Guilherme Ruggiero

Leia aqui outros posts e artigos sobre bullying e trote universitário publicados no Blog do Milton Jung:

 Calouríadas para combater o trote violento

 Trote: Origem e Destino, por Carlos Magno Gibrail

Trote universitário: quando perdemos nossos filhos, por Ricardo Gomes

Trote violento reproduz o que jovens fazem na escola

Esse cara eu escolhi para ser meu irmão

Por Abigail Costa

Na sexta-feira, por conta da morte de Zé Rodrix, foi marcada uma entrevista com Ronnie Von. O momento era de tristeza, claro. Mas existia uma ternura nas palavras do Ronnie falando do amigo que o ambiente ganhou leveza.

Chamou-me atenção uma frase dele se referindo ao cantor-compositor-instrumentista-arranjador-publicitário-autor:
– Esse cara, eu escolhi para ser meu irmão!

Caramba! Que forte isso.

Desfrutar da companhia de alguém por décadas, alguém escolhido a dedo;, e em quase 50  anos de amizade, falar isso com a mais pura admiração. Não pela fama, pelas composições ou pelos prêmios conquistados. Falar pela gratidão da amizade. E olhe que a referência aqui são dois homens, senhores de 60 e alguns anos.

Ter alguém que se importe com você.

Ronnie lembrou as boas cobranças:
– E aí meu irmão, já fez o check-up, dizia Zé ?

Ouvi atentamente o amigo-irmão falando do outro por mais de uma hora.  Agradeci a entrevista e nos despedimos.

Levei a frase na cabeça: “escolhi esse cara para ser meu irmão”.

Enquanto pensava, contava: Quantas pessoas elegi como parente?  E quantas ainda se sustentam no poder? Não tive dificuldades em fechar a soma.

Colegas, companheiros, parceiros, esses entram e saem na vida da gente durante quase todo o tempo. Mas, “Os Caras” ? Esses são raros, poucos e bons.

Depois de puxar o traço, me dei conta de um resultado que me enche de orgulho. Eles não chegam a dois dígitos se pensarmos na quantidade. Mas em qualidade não tenho do que me queixar.

E você? Quantas pessoas fazem parte da sua família, por livre e espontânea vontade?

Abigail Costa é jornalista, escreve no Blog do Milton Jung às quintas-feiras e sabe o valor de uma amizade

Avalanche Tricolor: O velho Grêmio em campo. E na torcida

Teve de encarar até a chuva artificial

Caracas 1 x 1 Grêmio

Libertadores – Caracas, Venezuela


Invicto e a um passo da semi-final. Assim o Grêmio deixa a Venezuela, após enfrentar um adversário poderoso, capaz de desarmar mesmo os mais talentosos jogadores, de impedir a troca de passe veloz ou de eliminar a possibilidade de um drible mais habilidoso: o gramado.

O gramado do estádio Olímpico de Caracas deve ter sido usado para provas de hipismo poucos antes dos dois times entrarem em campo. A quantidade de buraco na grama não permitia que o toque de bola se completasse. Jogadas rasteiras acabavam no peito do companheiro. Ao quicar era impossível saber para que lado a bola iria correr, normalmente costumava seguir para o menos provável. A encrenca era tal que bastou o empate sair para o sistema de irrigação ligar “sozinho”, esfriar a reação do Imortal e encharcar o gramado.

Mesmo assim, e principalmente no segundo tempo, o Grêmio colocou a bola no chão, a cabeça no lugar e com calma chegou ao gol que nos põe em vantagem para a partida de volta que somente se realizará na segunda quinzena de julho. Tempo para Paulo Autuori moldar o time conforme sua visão de futebol.

Foi no segundo tempo, aliás, que o Grêmio esboçou um estilo de jogo que o novo técnico deve estar imaginando ser o ideal para nos levar ao tricampeonato da Libertadores. Ao trocar Jonas, nosso goleador, por Alex Mineiro, Autuori conseguiu fazer com que a bola voltasse a passar de pé em pé e o talento prevalecesse, apesar do gramado. Um futebol que quase lembra aquele que levou o Barcelona ao título da Copa dos Campeões.

A Coligay está de voltaOk, retire a última frase, foi apenas uma brincadeira de quem terminou o jogo feliz pelo resultado. Satisfeito por ver que o velho Grêmio, aquele que sai atrás e chega na frente; que não sabe ganhar jogo fácil, mas é capaz de driblar os buracos do campo; que joga fora de casa sempre dando a impressão de que as coisas não vão dar certo, mas elas acontecem; está de volta.

A propósito, quem também parece estar de volta, pelo menos foi o que li em uma faixa presa no alambrado, é a Coligay, a primeira torcida organizada assumidamente gay do Brasil. E com orgulho.

Poesia para crianças da rede pública fala em droga, sexo e estupro

Trechos extraídos de Poesia do Dia

As frases acima foram extraídas de duas poesias de Joca Reiners Terron, escritor, designer e editor,que estreou na literatura em 1998 e tem textos publicados no exterior, também. Terron é um dos nomes que surgiram nos últimos tempos no cenário literário brasileiro com muito destaque pela força e qualidade de seu discurso. Merece ser lido e estudado. O que professores da rede pública estadual de São Paulo estão em dúvida é se “Manual de Auto-ajuda de Supervilões” (do qual faz parte as duas primeiras frases) e “Perdido nas cidades” (as duas últimas) são apropriados para garotos e garotas de oito e nove anos da 3a. série, conforme propõe a Secretaria Estadual de Educação.

As poesias fazem parte do livro “Poesia do Dia”, organizado por Leandro Sarmatz e publicado pela Editora Ática, comprado e distribuido pelo Estado, no programa Ler e Escrever que tem como intenção “oferecer recursos para garantir as melhores condições de ensino às crianças que frequentam as primeiras séries do ensino da rede pública estadual”.

Há uma semana, o livro “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol”, publicado pela Via Lettera, foi recolhido pelo Governo do Estado depois que professores identificaram a presença de textos pornográficos (leia aqui). Antes deste fato, cartilhas com erros de geografia foram retiradas das escolas, após o Estado gastar dinheiro público com o material pedagógico.

No caso do “Dez na Área”, o governo admitiu o erro, disse que este teria sido de responsabilidade de uma comissão da Secretaria Estadual da Educação e prometeu verificar quem teria avaliado de maneira errada o material literário distribuído para crianças da rede pública.

Para ler os textos completos das poesias acesse aqui:

Manual de Ajuda de Supervilões

Perdidos nas cidades

Consumidores-autores, do Oiapoque ao Chuí

Por Carlos Magno Gibrail

Procura-se: Consum-AuthorsDe norte a sul, do Pará ao Rio Grande do Sul.

O sociólogo italiano Francesco Morace, do Future Concept Lab de Milão, que há uma semana apresentou sua tese e livro em São Paulo, certamente não se surpreendeu com fatos ocorridos em sequência.

Consumo Autoral é o titulo da pesquisa realizada por Francesco que, seguindo a linha dos que advertem que as marcas não mais pertencem às empresas e sim as pessoas que as consomem, decreta que vale a grife de quem compra, não de quem vende.

Nasce um novo consumidor – “Uma pessoa que não é passiva, que compreende as qualidades dos produtos, a estética, o design, e decide melhor por causa das tecnologias que permitem compartilhar conhecimento com outras pessoas”.

No dia seguinte ao evento do Consumo-Autoral, Sergio Abranches relatou que em Paragominas, Pará, presenciou uma cena inusitada. Autoridades locais e pecuaristas, tradicionais desmatadores, estavam tentando impedir a execução de uma licença legal para desmatamento, pois isto impediria a certificação da carne produzida na região. (ouça aqui). O autor da façanha era o cliente da carne que deixou de comprar até que se eliminasse o desmatamento.

Três dias depois, surge o movimento para mostrar a incidência dos impostos no país. Ou seja, se você paga imposto, pode ficar contente, pois hoje, quarta-feira, é o terceiro dia de trabalho do ano em que começa efetivamente a receber a sua remuneração. Até segunda-feira, 25.05, você trabalhou para os municípios, estado e federação. Sim, 40% do que você produz que equivale a 400 bilhões de reais considerando a renda da sociedade brasileira é para pagar impostos.

E o Dia da Liberdade de Impostos, idealizado e realizado por entidades representativas de contribuintes-autores, percorreu o Brasil. Ofertaram-se produtos que foram comprados sem os impostos, embora recolhidos.

O tão decantado tratamento ao consumidor, tipo agradar, encantar, surpreender, vai dar lugar efetivamente ao reinado do cliente. Não porque está sendo concedido pelas empresas ou pelo Estado, mas porque é o consumidor que está se apropriando das ofertas, dos produtos e serviços através da escolha pessoal. Ou autoral conforme preconiza o italiano Morace.

Às empresas é preciso preparação para esta nova classe de consumidores. A começar pelas livrarias. O “Consumo Autoral” que teve extensa reportagem na Folha de sábado passado, até hoje só é encontrado em uma loja de uma das cadeias de MEGA LIVRARIAS. Só o consumidor-autor focado em internet encontra para compra imediata. E, em nenhuma das 6 lojas visitadas havia vestígio da existência do livro e muito menos da reportagem de 66% de página no jornal de maior tiragem do país. Mais, numa das MEGAS ao perguntar para a segunda vendedora fui informado que não adiantava, pois toda a equipe estava no primeiro dia de trabalho.

Aos governos e políticos é necessária a visão do contribuinte-autor passando antes pela do eleitor-autor. Não dá para lidar com compradores-autores obrigados a comprar produtos sem saber o valor total dos impostos. Também não é possível aos eleitores-autores votar obrigatoriamente.  Afinal, estamos ou não numa democracia?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e às quartas traz sempre uma visão contemporânea ao Blog do Milton Jung