Xixi no banho para economizar água

Não é o Heródoto, é o mascoteA SOS Mata Atlântica lança campanha bem humorada para chamar atenção para o desperdício de água. “Xixi no Banho”, com direito a mascote de carinha engraçada, quer convencer o cidadão a diminuir o número de vezes em que dá a descarga no banheiro. Mario Mantovani, diretor da ONG, diz que a prática gera economia de 12 litros de água por dia, 4 mil 380 por ano.

Depois de entrevistar Mantovi, nosso colega Heródoto Barbeiro deu sinais de que vai aderir a campanha: Ouça entrevista e a adesão do Heródoto

Ibirapuera e Faria Lima sem fio

Postes

Desaparecer com a fiação elétrica pode se transformar em avanço tão significativo para a paisagem urbana como o foi a Lei Cidade Limpa. Um passeio pela avenida Paulista comprova esta sensação de bem estar gerada pelo sumiço dos fios que se transformam em impressionantes emaranhados entre um poste e outro. Acordo entre a prefeitura de São Paulo e a Eletropaulo permitirá o enterramento da fiação na avenida Faria Lima e no Parque do Ibirapuera, a partir do 2º semestre deste ano.

A Oscar Freire passou por processo semelhante com prefeitura e comerciantes dividindo os custos do projeto. Desta vez, parte da dívida de mais de R$ 400 mi da prefeitura com a empresa de energia elétrica será usada na iniciativa. De acordo com o diretor executivo da Eletropaulo Roberto Di Nardo, o investimento também vai trazes eficiência energética para escolas públicas do município e túneis da cidade.

Ouça na entrevista com Roberto Di Nardo, Eletropaulo, como serão os projetos

Vereadores teriam recebido, ilegalmente, R$ 3,1 mi, diz MP

O Ministério Público do Estado de São Paulo explica a representação formalizada contra 29 vereadores paulistanos que receberam mais de R$ 3 milhões da AIB (Associação Imobiliária Brasileira) que, de acordo com o órgão, não teria autorização para doação às campanhas eleitorais:

O Ministério Público do Estado de São Paulo, por seu Promotor de Justiça Eleitoral da 1ª Zona da Capital, ingressou nesta segunda-feira (11) com Representações para o fim de revisão da prestação de contas de 28 vereadores eleitos para a Câmara Municipal de São Paulo nas eleições de 2008. Todas as representações estão fundamentadas no recebimento direto pelos candidatos eleitos de doações feitas por uma única entidade que, segundo entende o Ministério Público, encontra-se impedida de ofertar doação em dinheiro ou estimável em dinheiro, nos termos da legislação eleitoral (arts. 24, inc. VI e 81, § 2º, da Lei nº. 9504, de 30 de setembro de 1997).

Esse primeiro grupo de representações ofertadas com o objetivo de impedir o abuso do poder econômico nas campanhas eleitorais considerou apenas a doação direta aos candidatos – qualquer que tenha sido o valor da doação – e por uma única entidade.

As doações irregulares correspondem, individualmente, no mínimo a 1,05% do total arrecadado pelo candidato, alcançando o limite de até 62,78% do total arrecadado por outro candidato.

Do total das contas examinadas e agora impugnadas, sete delas correspondem a montante de doação não superior a 10% do total arrecadado pelos candidatos; outras três não ultrapassam 20% do total arrecadado; dez são ainda inferiores a 30% da arrecadação das campanhas; outras duas são inferiores a 40%; outras quatro abaixo de 50% e duas ultrapassam 50% da arrecadação.

O menor valor doado foi de R$ 10 mil e o maior, de R$ 270 mil. Foram observadas ainda duas doações de R$ 30 mil; três de R$ 40 mil; quatro de R$ 50 mil; oito de R$ 100 mil; uma de R$ 130 mil; uma de R$ 145 mil; uma de R$ 150 mil; uma de R$ 180 mil; quatro de R$ 200 mil; e uma de R$ 240 mil.

Isso significa que um único grupo de interesses alocou, apenas em relação aos vereadores eleitos para a Capital, mais de R$ 3,1 milhões.

Como essa entidade declarou ao Ministério Público Eleitoral que fez doações diretas aos candidatos a vereadores no total de R$ 4,9 milhões, tem-se que quase dois terços de suas doações produziram os efeitos desejados.

Maurício Antonio Ribeiro Lopes, Promotor de Justiça Eleitoral da 1ª Zona da Capital

MP oferece representação contra 29 vereadores

O Ministério Público Eleitoral ofereceu representação contra 29 vereadores de São Paulo suspeitos de irregularidades na prestação de contas, durante a campanha eleitoral do ano passado. Eles terão oportunidade agora de explicar as dúvidas que surgiram durante a investigação na 1ª zona eleitoral da capital. A representação ocorre por infração a legislação eleitoral no que se refere a prestação de contas. Eles teriam recebido doações de empresas e instituições que não estavam autorizadas a realizá-las.

Nesta segunda-feira, o MP também denunciou o vereador Arselino Tatto (PT) por crime eleitoral.

Estes são os vereadores contra os quais foi oferecida representação para o fim de revisão da prestação de contas:

Abou Anni (PV), Adilson Amadeu (PTB), Antonio Carlos Rodrigues (PR), Antonio Goulart (PMDB), Adolfo Quintas (PSDB), Arselino Tatto (PT), Floriano Pesaro (PSDB), Carlos Alberto Bezerra Jr. (PSDB), Carlos Apolinario (DEMOCRATAS), Claudinho (PSDB), Dalton Silvano (PSDB), Domingos Dissei (DEMOCRATAS), Eliseu Gabriel (PSB), Gilson Barreto (PSDB), Ítalo Cardoso (PT),Jooji Hato (PMDB), José Américo (PT), José Police Neto (PSDB), Juliana Cardoso (PT), Mara Gabrilli (PSDB), Marta Costa (DEMOCRATAS), Natalini (PSDB), Noemi Nonato (PSB), Paulo Frange (PTB), Quito Formiga (PR), Ricardo Teixeira (PSDB), Toninho Paiva (PR), Ushitaro Kamia (DEMOCRATAS) e Wadih Mutran (PP).

Ainda há investigação das contas de 18 vereadores e do prefeito Gilberto Kassab.

*No decorrer do dia, o MP confirmou mais um nome na lista dos representados, Antonio Goulart (PMDB), subindo para 29 o total de vereadores. Esta nota foi atualizada em 12.05 (9h00)

Foto-ouvinte 1: Sentido inverso

(Des)aviso de trânsito II

Quem alerta é o motorista de táxi, Nelson Ferreira. A placa indicativa está no lugar certo, mas colocada no sentido oposto da Avenida Senador Teotônio Vilela, próximo do no. 3.200, extremo sul de São Paulo: “Quem vai ao bairro e precisar das informações nela contida, só vai ver as costas da placa, e isso já tem uns dois meses”.

Trólebus, moderno e secular

A primeira experiência com transporte de passageiro em veículo elétrico no mundo ocorreu em abril de 1882. Foi abril, também, o mês que marcou a estreia do trólebus no Brasil, mas em época bem mais recente, 1949. Na primeira reportagem da série sobre os “60 anos do trólebus”, o jornalista e busólogo Adamo Bazani, nos apresentou imagens que mexeram com a memória dos ouvintes-internautas.

A maioria chamou atenção para os benefícios que este modelo de veículo traz para o ambiente urbano. Iêda de Oliveira alertou, porém, que é preciso ampliar o prazo de concessão para o operador do sistema, executar manutenção adequada e considerar a conta do custo da saúde nas políticas de transporte. Ronaldo, que se identificou apenas com o primeiro nome, sentiu tristeza com a imagem que mostra o sucateamento de um trólebus.

Lembranças de viagens nestes veículos também foram registradas nos comentários do post. Olga Pereira ia para a casa da irmã no “Margarida Maria”. Aproveita para reproduzir uma piada feita na época quando foi lançado o Romiseta, pelo fabricante brasileiro Romi: “O Romiseta passou perto do trólebus e perguntou: não tem vergonha ? Com todo esse tamanho ainda usa suspensórios ?”

Com tantas coisas para nos contar, Adamo volta no tempo e lembra que Werner von Siemens, da Cia Siemens & Halske, experimentou na cidade de alemã de Halensee, uma carruagem equipada com motores elétricos. O rústico veículo era alimentado de energia por uma rede aérea de fios. Chamado de Contaktwagen ou Elektromote, a carruagem é considerada a ancestral do trólebus.

Também na Alemanha, em 1901, surgiu oficialmente o primeiro trólebus conhecido no mundo. É o que você verá na primeira imagem do slideshow a seguir. Acesse a apresentação, amplie a imagem (embaixo à direita) para depois clicar em “mostrar informações” (alto à direita) e embarque em mais esta viagem no tempo:

Da moto para a ambulância

Motos na Radial

A cobertura jornalística é prova do que vou escrever agora: o caminho que motoboy costuma percorrer com maior rapidez é da moto para a ambulância da SAMU. Morrem cinco por dia na capital paulista, se calcularmos aqueles que não resistem ao acidente após chegarem ao hospital. Fora os demais que ficam mutilados e impotentes para trabalhar devido as sequelas.

Marcelo Veronez percorreu este mesmo caminho, mas de maneira inusitada. Atento a violência do trânsito, cansado de perder amigos a todo momento e sensibilizado ao tentar ajudar um paciente que precisava de doação de órgão, ele abandonou a profissão, prestou concurso na prefeitura e virou motorista de ambulância.

A história deste ex-motoboy não para por aqui. Criativo, passou a escrever, compor e falar sobre a vida desta turma de jovens que roda em alta velocidade entre os carros. Conversei com Marcelo Veronez no CBN SP e ele contou alguma de suas façanhas:

Ouça a entrevista com Marcelo Veronez, no CBN SP

Ouça o Rap do Motoboy

Santiago e o trânsito

Por Fernando Gallo

– Como anda o trânsito por aqui? Muito caótico? – perguntei ao motorista do táxi que me levava do aeroporto de Santiago para o albergue onde ficaria hospedado.

– Não. Pra te falar a verdade, o trânsito melhorou muito de uns dois anos para cá – devolveu ele.

A mente paulistana começa a trabalhar, buscar registros, fazer indagações. Não, eu não me lembrava de nenhum lugar no mundo onde o trânsito pudesse ter melhorado nos últimos dois anos. Talvez eu estivesse enganado.

– Como é? – indaguei, não porque não tivesse certeza de ter ouvido corretamente, mas porque ficara subitamente quase incrédulo.

– Pois é, melhorou muito de uns dois anos pra cá – confirmou.

E por quê?

A palavra-chave para entender o que aconteceu é Transantiago, o nome do projeto que tenta melhorar o transporte publico na capital chilena desde 10 de fevereiro de 2007.

De mirabolante a idéia nada tem, mas é uma verdadeira revolução se olharmos para a gestão do trânsito e do transporte público na América Latina, com as honrosas exceções de Curitiba e Bogotá, nas quais, aliás, o Transantiago se baseia.

O que se fez foi reorganizar o transporte público. Acabar com linhas distintas que faziam o mesmo trajeto, diminuir o número de ônibus que cruzavam longos trechos da cidade, aumentar o numero de linhas que correm percursos menores, integrar melhor os ônibus com o metrô, aumentar o numero de corredores exclusivos, implementar um bilhete magnético nos moldes do Bilhete Único paulistano. Tanto no caso do metrô quanto no dos ônibus, nos horários de pico há composições e carros que não param em todas as estações, o que dá celeridade ao processo. Ademais, outro objetivo do Transantiago é reduzir o número de ônibus em circulação na cidade de 7.000 para 4.600, de modo a diminuir a poluição do ar e a sonora.

Uma das diferenças – talvez a principal – entre a implementação em Santiago e em Curitiba e Bogotá consiste em que nestas duas ela foi feita em etapas, enquanto na primeira realizou-se de uma só vez.

Mas o resultado foi catastrófico. O sistema de cobrança eletrônica funcionava mal e havia poucos ônibus, o que provocou uma corrida ao metrô que, já operando no limite, saturou. A vida do usuário, claro, foi um suplício durante um par de meses.

Isso custou caro, muito caro, para a presidente Michelle Bachelet. Sim, porque os assuntos do município de Santiago, em última instância, são de responsabilidade do presidente, que é quem escolhe o intendente (o correspondente ao nosso prefeito). De fevereiro a março o apoio ao governo Bachelet caiu de 55% para 42%. (Choveram críticas também a Ricardo Lagos, presidente anterior, em cuja gestão o sistema foi desenhado). Até hoje os danos estão lá, e o custo político do início do Transantiago ainda é grande. É considerado por muitos o maior desastre do atual governo.

Do jeito que estava não podia ficar. Então deram jeito nas maquininhas, compraram ônibus novos – brasileiros – e arrumaram as barbeiragens que tinham feito. Alguns meses depois, boa parte dos problemas estava resolvida.

Para se ter uma idéia, exatamente um ano após o início do Transantiago, o jornal El Mercúrio, o principal diário chileno, publicou uma comparação entre o que acontecia um dia antes do sistema ser implantado e o que acontecia um ano depois. O tempo de espera por ônibus, que na média era de mais de 30 minutos, tinha caído para de 4 a 8. O número de pontos de ônibus subira de 3.100 para 8.200. O número de trens do metrô saltara de 666 para 751 (confesso que não sei se novas estações de metrô foram abertas, mas desconfio seriamente de que não). Um utilíssimo site (www.transantiagoinforma.cl) fornece ao usuário todas as informações de que ele necessita, como rotas (por menos tempo ou menos baldeações), paradas, horários, freqüência, etc.

Claro, nada é perfeito. Principalmente nos horários de pico o metrô ainda anda a full. Mas nada que assuste um bom paulistano.

E não é de surpreender que o trânsito esteja melhor. Com um sistema de transporte público de qualidade, muitas pessoas agora deixam o carro na garagem.

Ou seja: ao contrário do que se costuma propagandear por aí, o metrô é bom, mas não é a solução para todos os problemas do transporte público. Muita coisa pode ser feita apenas repensando-o, reorganizando-o, racionalizando-o. O caso de Santiago é muito emblemático. Convido os gestores do trânsito/transporte público do Brasil a darem um pulinho em Santiago para ver como funciona.

Fernando Gallo é jornalista da CBN e publicou este texto no Blog Miradouro

“1º. de Abril” é censurado e causa expulsão na USP

É proibido brincar na USP. E a pena aos atrevidos, a exclusão.

Foi o que aconteceu com o físico Everton Zanella e sua participação na rede social Stoa, espaço virtual criado pela Coordenadoria de Tecnologia da Informação da USP, “para promover oportunidades de discussão e debate”. O ex-aluno de 28 anos acreditou  na proposta e imaginou que bom humor e liberdade de expressão fossem marcas da internet.

No dia 1º de abril postou a notícia com o título “Governo avalia planos de privatização da USP em reunião com reitora”. Usou de recurso comum inclusive em grandes veículos de comunicação para marcar o Dia da Mentira. A reitoria da USP ameaçou processar o pessoal do CTI, responsável pelo Stoa. Exigiu pedido de desculpas, o que foi feito. Pelo próprio Everton (leia aqui).

Alguns dias depois, um post publicado no blog de Everton, no Stoa, em 2008, foi base de reportagem do UOL Educação. Ele havia promovido, na época,  um bolão virtual para premiar quem acertasse a data de início da greve na universidade. “É uma forma de criticar mantendo o humor”, disse à repórter Simone Harnik.

A conta de Everton foi excluída do Stoa, do qual era um dos principais colaboradores, e todo o material postado por ele, apagado.

Deletado mas não esquecido. O serviço chegou ficar fora do ar sob a justificativa de estar “em manutenção” quando o correto teria sido dizer “em avaliação”. O acesso já é possível, o entusiasmo não é o mesmo pelo que se percebe nos comentários gerados a partir da expulsão de Everton Zanella.

Tom, como se identifica na rede, era um dos incentivadores do Stoa e dos mais atuantes. Foi quem desenvolveu o wikisite do Adote um Vereador. E com sua experiência em sites colaborativos nos ajudou a dar base para o projeto que congrega informações na internet.

Conheci o trabalho e o entusiasmo dele antes de ser apresentado pessoalmente. Aliás, isto ocorreu apenas em janeiro, durante minha palestra na Campus Party 2009, na qual Everton explicou o funcionamento do wikisite.

De todo o episódio, faço uma ressalva ao comportamento dele: desnecessário o pedido de desculpas. O fez em respeito aos organizadores do Stoa, mas não precisava.

Ao brincar com o Dia da Mentira ou ironizar a intranquilidade que havia dentro da USP, estava no seu direito. Verdade que se expôs como todos que arriscam ao assumirem atitudes publicamente. Poderia ter sido criticado pelos demais participantes, teria de se justificar, contrapor ou concordar, talvez.
O episódio é um exemplo de que se os softwares que permitem a criação de espaços como o Stoa são livres e de códigos abertos, as mentes ainda não o são.

Em tempo 1: provocado por pergunta de ouvinte-internauta enviada ao CBN SP, explico que Everton é ex-aluno da USP e, portanto, não foi expulso da universidade, mas do Stoa, serviço aberto a comunidade uspiana que inclui aqueles que lá se formaram. 

Em tempo 2: acesse a reportagem “Rede Stoa não atende ideia de plataforma virtual livre”  publicada no Jornal do Campus e sugerida pelo ouvinte-internauta Renato Rostá