De moda e competência

Por Maria Lucia Solla

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Olá,

Às oito e cinquenta da manhã, num calor de rachar mamona, deixo o carro com um manobrista já estressado, na entrada da casa de festas. Entro, beijo minha cunhada, culpada pelo fato de eu estar ali, e escolho uma mesa de passarela. Fui para ver, e quero ver bem. Olho em volta e… Ninguém de cabelo azul.

Piercing? Não vejo, mas vejo, circulando animados, homens e mulheres que vivem de e para a moda. Elos de uma corrente que aciona bilhões de seja qual for a moeda corrente.

Moda realça, disfarça, afasta, seduz, levanta; mas pode derrubar. Moda  é riqueza nacional. Aquilo que cobiçamos na vitrine é apenas o pico da montanha de profissionais de quem nunca ouvimos falar. Gente que faz a moda viajar, do planeta dos gênios de cabelos azuis até o seu guarda-roupas e o meu, indiferente ao poder de compra de cada um. Jeans, camiseta e vestido de alcinha cabem em todos os bolsos. Moda é cultura. É arte. Retrata o nosso viver.

Voltando ao evento, mesmo ótimo, o café da manhã não supera a delícia de palestra da Consultora de moda Aissa Basile, que tem conexão entre olhos e coração. Depois, para arrematar, vem um desfile  recheado de beleza, harmonia, competência, consciência e bom gosto. Me faz feliz ver coisas tão especiais, logo ali, na minha cidade. No meu país.

Quem abre cada segmento do desfile, e volta no encerramento, é o ator Rodrigo Lombardi, o Raji da novela. Ouço gritos de “lindo!” Acredita? Másculo na medida certa e bem-humorado, é um moço bom que tem cara de bom moço.

Muito obrigada, Ana Laura.

E você, tem alguém para agradecer hoje?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça “De moda e competência” na voz da autora. A música é Sophisticated Lady, Billie Holiday

Maria Lucia Solla é terapeuta e autora do livro “De Bem Com a Vida Mesmo Que Doa”, publicado pela Libratrês. Aos domingos, desfila suas ideiais na passarela que se transformou este blog

Conte Sua História: O prédio que ficou

Prédio do Instituto Pasteur (São Paulo), em foto de Gabriel Tavares (Flickr)

Um dos poucos prédios antigos preservados na avenida Paulista, o Instituto Pasteur, mexe com a memória do ouvinte-internauta João Pinheiro Rocha, autor de mais um capítulo da nossa cidade.

Ouça o depoimento de João Pinheiro Rocha para o programa Conte Sua História de São Paulo

Envie seu texto ou arquivo de áudio para o programa Conte Sua História de São Paulo, que vai ao ar aos sábados, no CBN SP, para o e-mail contesuahistoria@cbn.com.br

Foto-ouvinte: Carros velhos nem sempre anônimos

Kombi HeródotoEm São Paulo, existem 2 milhões de carros circulando irregularmente e em condições precárias. fato lembrado nesta semana pelo secretário municipal do Verde e Meio Ambiente Eduardo Jorge. A informação faz parte da justificativa da prefeitura para explicar porque apenas os carros fabricados a partir de 2003 estão obrigados a fazer a inspeção veicular ambiental. A maioria dos ilegais é mais antiga e, portanto, não passaria pelos centros de análise de poluentes na capital.

Chama atenção, também, para a necessidade de que se desenvolva estrutura de fiscalização capaz de identificar estes veículos que são um risco a vida e a saúde da população.

Há cacarecos que ao rodarem pelas vias de São Paulo escancaram a falta de controle à frota na capital. Poderiam, quem sabe, se transformar em peça de museu como ocorre com esta kombi, totalmente desmontada, que expõe suas vísceras, compondo instalação no terceiro andar do Tate Modern Gallery, em Londres, na Inglaterra.

Foi o ouvinte-internauta Antonio Athayde quem descobriu esta “obra de arte” na galeria britânica e lembrou não dos carros velhos e anônimos que andam em São Paulo: “ Veja na foto anexa o valor insuspeitado que tem a Kombi de nosso amigo Heródoto Barbeiro!”

A obra que vemos é de Joseph Beuys (1921 – 1986), batizada The Pack e datada de 1969

Imposto menor na troca de caminhão velho para combater poluição, sugere deputado de São Paulo

Amplio a discussão sobre a poluição veicular, em São Paulo, puxando para este post comentário deixado no blog pelo deputado estadual Donisete Braga (PT -SP), que organizou na quarta-feira seminário sobre o tema, na Assembléia Legislativa:

Prezado Milton

Tenho informações que o jeitinho brasileiro está sendo aplicado por quem teve o veículo reprovado na inspeção da Capital. Em vez de regularizá-lo, o proprietário do veículo está licenciando-o em outras cidades da Região Metropolitana, mas continua circulando na Capital. Falta consciência ambiental.

No Seminário que realizamos nesta semana, houve um jogo de empurra-empurra entre a ANP, a Petrobrás e os fabricantes de veículos, no caso representados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA). Ninguém quis assumir a responsabilidade pelo não cumprimento da resolução do CONAMA.

Não cabe agora buscar bodes expiatórios. O mais importante é trabalharmos para reduzir os níveis da poluição veicular.

Muitas sugestões surgiram no seminário. Minha assessoria técnica está estudando como transformar as sugestões em propostas de lei.

No caso, aqui de São Paulo, o governo do Estado poderia contribuir em muito para reduzir a poluição veicular. A começar pelo incentivo da renovação de frota de caminhões.

Hoje, no Brasil, a idade média da frota de caminhões e de 17 anos. Dos 1,4 milhão de caminhões que circulam no país, 480 mil têm mais de 20 anos.

O governo do Estado poderia incentivar a redução da frota com três medidas: 1) Isenção de ICMS na troca de veículos antigos; 2) IPVA progressivo e 3) incentivo a veículos novos em pedágios de rodovias estaduais.

Outra medida será estender a inspeção veicular para todo o Estado de São Paulo e para veículos mais antigos. Hoje, a inspeção é feita somente na Capital para veículos fabricados a partir de 2002, ou seja veículos praticamente novos.

Donisete Braga

MP quer mais rigidez no controle à poluição veicular

Os índices de poluição usados para avaliar os carros que passam pela inspeção veicular ambiental são da década de 90. Com isso, o programa desenvolvido na cidade de São Paulo não seria eficiente para combater os problemas ambientais provocados pela maior frota de veículos do país. A opinião é do promotor do meio ambiente do Ministério Público de São Paulo José Eduaardo Lutti que promoveu audiência pública para discutir o tema, nesta semana.

Para Lutti, a partir do próximo ano, a prefeitura tem de exigir índices atuais, compatíveis com a qualidade dos motores produzidos, para impedir que os carros continuem a provocar os altos índices de poluição registrados nos últimos anos na capital paulista. Além disso, o Ministério Público pretende forçar o Governo do Estado a aderir ao programa, implantando o serviço de inspeção veicular em todo o Estado.

Um dos motivos que mais causaram indignação nos participantes da audiência pública foi o critério usado pela prefeitura para definir a frota de veículos obrigada a passar pela inspeção, apenas os fabricados a partir de 2003. No entanto, Lutti concorda com a justificativa da administração municipal.

Na conversa de hoje, o promotor José Eduardo Lutti também explicou a ação civil pública exigindo que a Petrobrás distribuida o diesel S-50, menos poluente, em todo o Estado de São Paulo.

Ouça a entrevista com o promotor José Eduardo Lutti, do Ministério Público de São Paulo

Foto-ouvinte: Quem vai multar ?

Quem vai multar ?

Ironia do ouvinte-internauta Daniel Aveiro que acompanha a discussão sobre a multa que não é lavrada contra os carros com licença diplomática, os “Placa Azul”. Este carrinho aí, estacionado de maneira irregular, foi flagrado na rua Vergueiro, zona sul de São Paulo. “O que é mais difícil de multar, o Placa Azul ou o sem-placa da foto ?”, pergunta em mensagem enviada ao blog.

Calouríadas para combater o trote violento

Veteranos pisoteando calouros que estavam deitados de bruço no chão de areia foi a última cena que assistimos com destaque no noticiário envolvendo trote violento em universidade. O ‘rito de passagem’ que chegou ao Brasil nos hábitos de portugueses, em 1831, ano em que um estudante foi assassinado, tem proporcionado desagradáveis exemplos no decorrer da história. Apesar de algumas iniciativas que tentam imputar gestos de cidadania ao trote, a recepção violenta aos recém-chegados ainda ocorre de maneira chocante.

A Secretaria Municipal de Esporte de São Paulo pretende combater o trote violento com gincanas físicas e esportivas. Uma Calouríada, na qual os calouros sejam motivados a integrarem equipes, organizadas por veteranos, logo que  realizarem a inscrição na faculdade. Reitores das mais importantes universidades paulistanas estiveram em conversa com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o secretário Walter Feldmann (PSDB) discutindo a possibilidade de realização do evento esportivo já no segundo semestre deste ano, quando novas turmas estarão chegando as faculdades.

O projeto de Feldmann é canalizar a extemporaneidade e irreverência juvenil, que muitas vezes se concretiza na violência do trote, para a competição esportiva. Resultados alcançados pela cidade durante a realização das Viradas Esportiva e Cultural, quando se teve baixo registro nos índices de violência, motivam o secretário a acreditar que a medida amenizará o clima de guerra que existe hoje.

Há menos de um mês, o CBN São Paulo entrevistou o vice-Reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Pedro Ronzelli, que analisou  a ocorrência de agressões entre jovens universitários. Na conversa, disse que o Mackenzie havia tentado mobilizar as associações atléticas para impedir o trote violento, mas que não tinham encontrado apoio nas entidades.

Citei o fracasso dessa experiência ao secretário de esportes que manteve, mesmo assim, sua convicção no projeto. A diferença para ele é que, agora, haverá a participação do poder público e o envolvimento de várias universidades.

Leia e ouça o que disse o vice-Reitor do Mackenzie, Pedro Ronzelli

Leia artigo publicado pelo colega de blog Carlos Magno Gibrail, semana passada.

Leia texto do ouvinte-internauta Ricardo Gomes Fo. publicado no blog

Puc anuncia apoio a torneio de calouros (publicada em 12h22 de 06/03)

Ouça a entrevista do pró-Reitor da PUC, Hélio Roberto Deliberador, ao CBN SP, nesta sexta-feira

Avalanche Tricolor: Meu time do coração tem alma

Única coisa boa no jogo de hoje é que descobri como assistir às partidas do Grêmio pela internet

Grêmio 1 x 1 Ypiranga
Gaúcho 0- Olímpico

Foi no café da manhã que um dos que dividiam mesa comigo fez a pergunta que escuto desde que cheguei em São Paulo, em 1991. Daquelas que somente a turma que desconhece as características do futebol gaúcho costuma fazer.

“E aqui em São Paulo, você torce para quem ?”.

No Brasil, as primeiras transmissões do futebol pela Rádio Nacional levavam a todo o Brasil as emoções dos jogos disputados no Rio de Janeiro e depois em São Paulo. Era mais fácil, em algumas cidades distantes, saber mais sobre os clubes cariocas e paulistas do que dos times locais. 

Este fenômeno criou um tipo de torcedor curioso, de dois corações. Gente que ia ao estádio, gostava do clube citadino, e até vibrava com a vitória sobre os adversários. Era a oportunidade para tirar uma da cara do vizinho. Mas ao ser perguntado, tascava: “Eu sou Flamengo, mas aqui torço pelo Xanxerê”; “Sou Corinthians e torço para Xaxim”. Os estádios pelo interior do Brasil quando recebiam um dos grandes do centro do País tinham mais torcedores destes times do que daqueles.

Lembro de Santa Catarina, onde via pessoas andando nas ruas com a camisa dos times do Rio e São Paulo. Só mais recentemente, os times do estado ganharam alguma projeção entre os locais. No norte e nordeste a situação não foi diferente. 

Não sei bem o motivo – talvez a distância, o tradicionalismo ou a força do rádio regional -, mas no Rio Grande do Sul os times locais, leia-se da capital, mexiam mais com as emoções dos torcedores do que os clubes que faziam sucesso na Rádio Nacional. As camisas tricolor e encarnada sempre estiveram mais presentes nas ruas de Porto Alegre desde que me conheço por gente. Isto, com certeza, explica a forte rivalidade que existe entre os dois grandes clubes gaúchos.

Imaginar que ao deixar o Rio Grande do Sul eu iria ser conquistado por outra paixão futebolística nunca me pareceu sensato. No entanto, é bastante comum que as pessoas não aceitem minha primeira resposta.

“Aqui em São Paulo, eu torço para o Grêmio”. 

Aqui em São Paulo, no Rio, no Amazonas, nas bandas das conchichinas. Onde eu estiver, torcerei, única e exclusivamente, pelo Grêmio. Prá início de conversa porque não teria coração suficiente para sofrer por dois times de futebol. Basta-me o Imortal Tricolor que na busca da imortalidade já me levou a sentir o peito bater forte nos mais difíceis e incríveis momentos do futebol mundial, assim como nos instantes de maior dramacidade e tristeza.

Portanto, o tropeço no clássico, o engano do técnico, o passe errado do craque, o chute torto do atacante, o vacilo do defensor e a torcida irritada – cenas que assisti centenas de vezes – tiro de letra.

Jamais aceitarei, porém, um time sem alma, porque eu torço para o Grêmio.

Sec. da Educação nega falta de vagas em escolas do ensino infantil

A dificuldade de famílias para colocar seus filhos nas escolas e creches municipais, destaque na edição desta quinta-feira do CBN São Paulo (leia e ouça as reportagens aqui mesmo no blog), levou a Secretaria Municipal da Educação a enviar nota ao programa na qual nega a falta de vagas na rede de ensino da capital paulista.

Reproduzo na íntegra o recado encaminhado ao programa pela Secretaria:

Caro Milton Jung,

Recebemos várias ligações ontem de pessoas que ouviram a reportagem e entenderam que crianças do ensino fundamental estariam sem vagas. A título de esclarecimento, gostaria de lhe informar que não há falta de vagas neste caso. No Ensino Fundamental, que atende crianças de 7 a 14 anos, as crianças e jovens são matriculados sempre, numa escola municipal ou estadual. Há casos isolados de matrículas feitas após o prazo que se referem, na maioria, à transferências de outros Estados, municípios ou mesmo casos de pais que querem escolher a escola dos filhos (por exemplo, transferi-los do Estado para o município). E mesmo nestes casos estão garantidas as vagas.

As crianças que estão em fase de matrícula (5 mil para as creches e  5 mil para as EMEIs) serão matriculadas nos próximos dias. Nesta fase os pais interessados são procurados, o interesse na vaga é confirmado, os documentos são pedidos e a matrícula é feita. O tempo de duração desse processo é curto. É importante lembrar que a rede recebe crianças o ano todo em creches e que a obrigatoriedade do ensino, onde os pais devem necessariamente cadastrar seus filhos, ocorre somente no ensino fundamental.

Creches e EMEIs compõem a chamada Educação Infantil. No primeiro tipo de unidade ficam as crianças menores, de 0 a 3 anos. Nas EMEIs estão as crianças de 4 a 6 anos.

Por último, gostaríamos de esclarecer à senhora Fabiana Camargo Bezerra, que reclamou no Conselho Tutelar do Jabaquara sobre a falta de vagas, que seu filho Kevin está matriculado desde o dia 18 de fevereiro na EMEF Nelson Pimentel Queiroz. A Diretoria Regional de Santo Amaro vem tentando há dias contato com a família, sem sucesso.