Bolsa-creche é proposta para resolver falta de vaga, em SP

Ação na justiça; reclamação na mídia; protesto no Conselho Tutelar. Tem-se tentado de tudo para garantir vaga nas creches municipais, em São Paulo. Agora é a vez do vereador Arselino Tatto (PT) que apresentou projeto de lei prevendo a criação de uma bolsa-creche às famílias que não conseguem lugar nos estabelecimentos mantidos pela prefeitura. A proposta é que a administração municipal pague benefício de 1/2 salário mínimo às mães até abrir vaga na região pretendida.

Do ponto de vista econômico, se aprovado na Câmara Municipal, os vereadores terão de decidir de onde sairia a verba para manter o programa. Supondo que existam em torno de 60 mil crianças sem creche e cada família receberia por ano R$ 2.790,00, seriam necessários R$ 167 milhões.

Uma possibilidade em estudo dentro da Secretaria Municipal de Educação seria a vinculação do tema ao Programa de Renda Mínima. A família para estar capacitada a receber a ajuda financeira teria de ter filhos cadastrados mas ainda não contemplados com uma vaga em creche. O benefício seria cortado a medida que a vaga surgisse.

Para o Secretário Municipal de Educação Alexandre Schneider a proposta do bolsa-creche pode ser interessante, mas teria de ser mais bem apurada, e para ser implantada necessitaria de critérios rígidos para a seleção do público atendido – já que há o risco de se criar uma falsa corrida ao cadastro municipal – e se definir melhor de onde sairiam os recursos para atender a demanda.

Foto-ouvinte: o Monte Mooca

Monte da Mooca

Você não encontrará este monte em guia de atrações turística nem em livros de geografia, mas ele existe no início da rua da Mooca, próximo da avenida do Estado, de acordo com o ouvinte-internauta Anderson Fernandes. “A cada dia a montanha de entulho aumenta, quisera meu salário seguisse o mesmo ritmo”, ironiza.

Agora o outro lado

“Com relação à foto enviada pelo ouvinte-internauta Anderson Fernandes nessa terça-feira (10), que mostra um ponto viciado de entulho na Rua da Mooca, próximo a Avenida do Estado, informamos que a Subprefeitura da Sé monitora frequentemente a região fazendo o recolhimento diário dos materiais depositados irregularmente no local. As equipes de limpeza já foram acionadas para realizar nova limpeza no lugar ainda nesta tarde.
Atenciosamente,
Secretaria das Subprefeituras”

Baltazar, do Centro-Oeste do Brasil para São Paulo

Por Adamo Bazani

(continuação da terça-feira, 03/02)

Baltazar é empresário em Mauá

Anos 70, época da Ditadura Militar. As ordens austeras, que influenciavam na liberdade do povo e da imprensa, vinham de Brasília. O Distrito Federal, que na época de Juscelino Kubitschek de Oliveira era considerado a imagem da esperança e do “novo amanhã”, se tornou na imagem do Poder Irrestrito. “A situação do Centro-Oeste estava ruim demais. Mas eu sabia que essa era a oportunidade de crescer, porque pior não ficaria. O essencial era ligar essa região ao Sudeste, onde estava o dinheiro da Nação”.

Depois de comprar mais empresas em Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso e Distrito Federal, Baltazar quis penetrar mesmo no coração do Centro-Oeste justamente para fazer essa ligação que considerava essencial.

Era 1973, o presidente, Emílio Garrastazu Médici. Duas estradas tinham sido concluídas. Uma em Brasília e outra, a BR 040, que fazia parte do Plano Nacional de Viação. A rodovia liga Brasília ao Rio de Janeiro, passando pelos estados de Goiás e Minas Gerais. Logo após sua inauguração, o grupo da Viação Itapemirim assumiu as operações em boa parte da rodovia.

Baltazar, no entanto, percebeu que as estradas serviam apenas alguns municípios do Centro-Oeste e de Minas Gerais: “O miolo mesmo tinha sido deixado de lado”.

Ele visitou cidades mineiras, goianas e do entorno do Distrito Federal como Cocos, Montes Calros, Januária, Barreiras, Dianópolis, Arinos, João Pinheiro, Montalvana, Pirapora Calheiros, e constatou uma situação deplorável no transporte. “Simplesmente não havia estrada, eram caminhos de chão batido e as pessoas se locomoviam com animais ou no máximo, com Toyotas Bandeirantes que aguentavam a terra e iam apinhados de gente. Então pensei, essa é prá mim”.

O empresário entrou em contato com o Ministério dos Transportes várias vezes. Teve ajuda do advogado e amigo João Pimenta da Veiga para chegar a altos escalões. A proposta era operar nas cidades que não eram servidas pelas rodovias e chegar a Brasília pelo interior de Minas e pelo coração do Centro-Oeste. Os primeiros contatos com o então DNER – Departamento Nacional de Estradas e Rodagem – forma decepcionantes.

Primeiro acharam que era loucura passar por ônibus naquelas cidades que não tinham sequer estradas. Baltazar disse que havia também a pressão das empresas de ônibus que iam do Sudeste à Brasília, mesmo que os itinerários fossem completamente diferentes. Mas quando a população das cidades desprezadas pelo poder, perto da Capital do Poder, soube que poderia ter as primeiras linhas de ônibus interestaduais, se alvoroçou. Foram mapas, projetos, assinaturas de moradores, fotos, tudo apresentado para o Departamento. A ideia eram duas linhas que ligariam Brasília a Montes Claros por caminhos diferentes, praticamente sem trafegar pelas recém-inauguradas rodovias. Os vários pedidos foram indeferidos. O projeto já estava sendo engavetado, quando, um passageiro que sempre ia de Arinos, em Minhas Gerais, até o Distrito Federal bateu um papo com Baltazar.

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Cidade Inlcusiva: Preconceito infantil

Bullying é expressão inglesa reproduzida no Brasil, sem tradução, para caracterizar o abuso moral e mesmo físico cometido geralmente entre crianças e jovens. O alvo costuma ser meninos e meninas que por qualquer motivo não se encaixam no esteriotipo dos demais alunos: é mais baixo, mais alto, mais gordo, mais magro, mais cabeludo, mais tímido e mesmo mais inteligente. Seja lá qual for o motivo, estas crianças são vítimas de preconceito.

Imagine, então, se um desses jovens tem alguma deficiência. É cadeirante, usa muleta, é anão, ou manca, apenas para citar algumas das dificuldades que podem enfrentar. De acordo com o comentarista do quadro Cidade Inclusiva, Cid Torquato, o nível de agressão é ainda maior contra a pessoa com deficiência.

Para coibir esta ação, as escolas estaduais receberão um manual contra o bullying que deverá ser usado por diretores, coordenadores pedagógicos e professores das escolas. A intenção é capacitar estes profissionais contra o problema.

Fica a expectativa de que o manual não sirva apenas para preencher a prateleira dos professores e passe a ser exercitado por toda a comunidade escolar, com a convocação dos pais para que discutam também este crime cometido contra crianças (e por crianças).

Nossa São Paulo apresenta plano de metas para cidade

No fim de março se encerra o prazo para a prefeitura de São Paulo apresentar o Plano de Metas para os próximos quatro anos. É a primeira vez que a lei, aprovada em 2008, terá de ser cumprida por uma administração municipal. Os secretários de Governo Clóvis Carvalho e de Planejamento Manoelito Pereira estão construindo o plano em seus gabinetes, a partir de dados transmitidos pelas secretarias municipais. A prefeitura ainda não se pronuncia sobre o tema, mas amanhã, terça,  terá a oportunidade de conhecer a expectativa de entidades civis em relação ao plano que desenvolve.

O Movimento Nossa São Paulo elaborou documento com sugestões de metas de referência para todos os indicadores do Observatório Cidadão, um banco de dados virtual mantido pela organização.

Conheça alguma das metas que serão propostas:

Acervo das bibliotecas infanto-juvenis per capita (número de livros disponíveis em acervos de bibliotecas infanto-juvenis por habitante na faixa etária de 7 a 14 anos). Hoje, em 9 subprefeituras o indicador é zero. A que apresenta melhor resultado é a da Sé, com 13,37. A Unesco recomenda, no mínimo, 2 livros per capita em cada distrito.

Cinemas: a subprefeitura da Sé concentra 20,61% do total de salas de cinema da cidade. Como meta de referência, o Movimento Nossa São Paulo propõe pelo menos 1 cinema por distrito.

Reprovação no Ensino Médio: na subprefeitura de Pinheiros, 8,09% dos alunos matriculados em escolas públicas e privadas foram reprovados no ano de 2005 (o mais recente indicador disponível). É a taxa mais baixa de toda a cidade. Como meta de referência, o Movimento Nossa São Paulo propõe reduzir, em 5% ao ano, a repetência e a evasão, de forma a diminuir para 4 anos o tempo médio para conclusão desse nível (baseado no PNE 2001).

Uma das grandes reivindicações da sociedade é mais transparência nas informações relativas à superlotação escolar. A meta de referência é justamente a disponibilização do indicador.

Demanda de creche: na Móoca, melhor subprefeitura no quesito, 67,88% das solicitações de vagas em creche não eram atendidas. O dado é de 2008. A meta de referência proposta é zerar o déficit de creches até 2012 (baseado no PNE/2001)

“Zerar os zeros” da cidade, ou seja, suprimir a inexistência de equipamentos e serviços públicos (indicador igual a zero) nas subprefeituras e distritos da cidade.

Realizar levantamento para identificar, de forma detalhada, todos os produtos e subprodutos de origem Amazônica consumidos pela administração direta, indireta e autarquias. Exigir que as empresas que participarem de processos de licitação apresentem provas da legalidade da cadeia produtiva dos produtos de origem Amazônica, assegurando que os mesmos sejam advindos de processos legalmente autorizados pelos órgãos competentes e garantindo que seus fornecedores estão de acordo com as legislações ambiental e trabalhista vigentes no País. Somente adquirir produtos de origem Amazônica de propriedades ou produtores não incluídos na lista suja do trabalho escravo do Ministério do Trabalho e Emprego e na relação de áreas embargadas pelo IBAMA.

Ouça a entrevista do coordenador do Movimento Nossa São Paulo Oded Grajew

A entrega do documento será, nesta terça-feira, às 10 e meia, no Sesc Consolação, em São Paulo

Canto da Cátia: Prefeitura não tem prazo para zerar vagas na educação

A decisão da Justiça pedindo a abertura de 619 vagas em creches municipais no bairro da Penha, na zona leste da capital, não será suficiente para a prefeitura atender a reivindicação de mães e pais que moram nesta região da capital paulista. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) disse que o esforço da administração municipal tem sido enorme com a criação de cerca de 60 mil vagas em creches e 12 mil vagas em escolas de educação infantil.

A Cátia Toffoletto entrevistou o prefeito durante cerimônia de entrega de uniforme escolar em São Miguel Paulista, também na zona leste, insistiu para que ele falasse sobre prazos para “zerar”  esta carência que tem causado transtorno a famílias que moram na capital, mas Kassab fez o que pode para não se comprometer.

Na campanha eleitoral, ele assumiu o compromisso de que não haveria crianças sem creche até o fim do mandato dele, em 2012.

Ouça a entrevista de Gilberto Kassab (DEM) para a Cátia Toffoletto

Estudantes levam proposta ambiental para vereadores

Alunos do Colégio Dante Alighieri, no Jardim Paulista, entregam à Câmara Municipal de São Paulo documento com propostas na área ambiental que passam pela ampliação das ciclovias na cidade, incentivo ao uso de troleibus no transporte público, uso consciente de sacolas plásticas e instalação de sensores de luz nas repartições públicas para reduzir o consumo de energia. O material será recebido pelo vereador “adotado” Gabriel Chalita (PSDB-SP) que convidou cerca de 120 estudantes a conhecer o trabalho desenvolvido no legislativo municipal.

Para muitos dos alunos escolhidos para o encontro será a primeira vez que entrarão na sede da Câmara Municipal, por isso pede-se  aos vereadores que entendam a reivindicação destes jovens que tem o apoio de sete mil pessoas que assinaram a proposta elaborada por eles dentro da escola. Ver suas sugestões encampadas pelos parlamentares será, sem dúvida, um excelente incentivo à participação popular no Legislativo.

O trabalho é resultado de pesquisa que se iniciou no ano passado com alunos de 13 a 15 anos, no projeto Embaixadores do Clima.

Ouça a entrevista da coordenadora de Ciências da Natureza do Colégio Dante Alighieri ao CBN SP

Foto-ouvinte: Sem correção

Corregedoria irregular

A corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo existe para coibir atos ilegais dos vereadores e julgar irregularidades denunciadas contra parlamentares. E quando é a própria que comete abuso como neste flagra do ouvinte-internauta Maicon Marçal Catarino como é que fica ?

O pior é que se houvesse fiscalização e a CET tivesse multado o motorista quem pagaria a conta seríamos nós, contribuintes. Em tempo: o corregedor da Câmara é o vereador “adotado” Wadih Mutran (PP).

Chegou agora, pelo Flickr: “Alameda Joaquim Eugênio de Lima com Av. Paulista.
Aí o trânsito já não é bom, com um carro atrapalhando assim, piora 10 vezes mais”
, escreveu Thiago Albulquerque.

Em quem você votou para vereador ?

Adote um Vereador em Limeira

Artigo publicado no Jornal Limeira News, da cidade de Limeira, interior de São Paulo, a convite dos editores, sobre a campanha Adote um Vereador:

Cedo demais para fazer esta pergunta, afinal os eleitos mal-começaram a trabalhar após vencerem nas urnas há cerca de quatro meses. Não me surpreenderia, porém, se alguns de vocês se vissem obrigados a parar para pensar no nome ou partido do seu representante na Câmara Municipal ao ler o título deste artigo. Mesmo porque muitos sequer conseguiram eleger o escolhido e frustrados estão certos de que não adianta nada acompanhar o trabalho do Legislativo, afinal “eles são todos iguais”. Quando lembram da Câmara é para reclamar do capacete que mandaram você tirar, da água que lhe obrigaram a reusar, da dinheirama que gastam em cada um dos gabinetes.

Em Limeira, apenas 46 mil 676 eleitores conseguiram colocar na Câmara o candidato que escolheram (ou, simplesmente, votaram). É pouca coisa além de um terço do total de cidadãos capacitados para votar na eleição do ano passado. Assim, a maior parte da cidade tem a sensação errada de que não tem representante na Câmara. Tem sim. Todos os 14 vereadores tem o dever de representar os moradores da cidade e você como cidadão tem o direito de cobrar de cada um deles posturas éticas e coerentes, que atentem às necessidades do município.

Na apresentação do programa CBN São Paulo que vai ao ar na rádio CBN, na capital paulista, lancei a campanha Adote um Vereador na qual o cidadão é convidado a escolher um dos parlamentares eleitos da sua cidade. Seja por que votaram nele, seja por afinidade ideológica, seja pela área de atuação, seja por que não gostam dele, seja pelo motivo que for, logo que apresentei a ideia alguns ouvintes já fizeram sua seleção e passaram não apenas a acompanhar o trabalho que o “adotado” realiza como, também, a divulgar estas informações em blogs.

Desde o início do ano, um grupo de internautas criou um site colaborativo para a campanha que pode ser acessado no endereço  HYPERLINK “http://www.vereadores.wikia.com” http://www.vereadores.wikia.com. Nesse espaço, as informações sobre a campanha e os vereadores são reunidas e publicadas pelo próprio cidadão. Há uma lista de cidades com o nome dos vereadores a serem adotados. Limeira ainda não está por lá. Coloque sua cidade neste mapa.

No wikisite do Adote um Vereador você encontra uma relação de projetos que podem ajudá-lo a acompanhar o trabalho do legislador. No da ONG Voto Consciente se conhece a experiência da entidade na fiscalização dos vereadores de São Paulo e Jundiaí. No do Excelências há uma série de dados importantes sobre cada um dos parlamentares brasileiros. Apesar de não alcançar a Câmara de Limeira, é bastante útil para conhecer os critérios usados para avaliar o desempenho de cada um deles.

Experiência interessante foi desenvolvida por um professor em sala de aula ao explorar o projeto de maneira pedagógica. Debateu com os alunos a importância da participação da sociedade na política e levou um dos estudantes a assumir o compromisso de manter um blog para divulgar informações sobre o vereador adotado.

A presença da campanha na internet é, sem dúvida, fundamental para que se possa mostrar a dimensão deste movimento. Mas o avanço mais importante que constatei até aqui, apesar de o projeto ainda estar em seu estágio inicial, foi a abertura de diálogo entre cidadão e vereador. Alguns parlamentares tem atendido as reivindicações feitas através dos blogs ou que chegam em suas caixas de correio eletrônico. Não apenas respondem as perguntas como já abriram seus gabinetes para que o eleitor possa conhecer melhor o trabalho desenvolvido na Câmara. A visão crítica do cidadão tornará este diálogo mais produtivo, para que não se corra o risco de ser cooptado pelo  político.

É comum receber mensagens de várias partes do Brasil, de grupos organizados, eleitores interessados e veículos de comunicação querendo autorização para realizar a campanha Adote um Vereador na sua região. O projeto não tem direitos reservados. Todos nós, eleitores, cidadãos, temos o dever de fiscalizar a ação no parlamento. A participação política não se resume ao voto  a cada quatro ou dois anos. Dá-se no debate diário, na troca de informação, na busca pelo conhecimento. O “Adote” é para ser exercido de forma organizada ou não. Coletiva ou individualmente. É para lembrar a você que as nossas escolhas tem consequência e nossa omissão na democracia, também.

Em quem você votou para vereador ?

Milton Jung é jornalista da rádio CBN e mantém o Blog do Milton Jung

Avalanche Tricolor: Dar a vida

 Ronaldo Tcheco

Santa Cruz 3 x 2 Grêmio
Gaúcho – Santa Cruz/RS

Há quem dê ao Divino a autoria pelo belo roteiro que o futebol nos oferece a cada momento. Quando Ronaldo sobe mais alto e com a cabeça – a mesma que nunca foi muito boa, seja dentro da área ou fora do campo – marca o gol de empate no último minuto do clássico, o primeiro de seu re-retorno, tem quem diga que foi o dedo de Deus. Afinal, ele parecia estar morto para a bola, mas renasce. Está vivo.

Creio que Ele tenha muitas preocupações para ficar a escrever estas histórias. Mas, com toda a certeza, o futebol está sempre a nos oferecer bons momentos para serem contados. Foi assim com o Grêmio na Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro quando tínhamos todos os motivos para não lembrar daquela passagem. Foi assim nas duas vezes nas quais conquistamos o título nacional (1981 – 1996), quando precisamos sair atrás na decisão para a glória no jogo final.

Houve partidas memoráveis que nem mesmo a derrota diminuiu o orgulho de ser tricolor. Lembra a Guerra de La Plata ? Foi contra o Estudiantes, em 1983, quando se disse que os gremistas quase morreram em campo. E não era figura de linguagem.

Hoje, após mais uma derrota no Campeonato Gaúcho – ruim, mesmo que se esteja jogando com um misto frio -, dos poucos jogadores lúcidos dentro de campo, o capitão Tcheco conversou com os repórteres ainda no péssimo gramado do estádio dos Plátanos, em Santa Cruz do Sul: “O Grêmio chegou em um momento que, depois de tanta crítica, se a gente comprar um circo, o anão cresce”.

Por mais torto que possa parecer este meu pensamento, você que é Imortal Tricolor vai entender: o Grêmio chegou no momento certo para voltar a vencer. Perdeu seu principal volante machucado durante partida sem qualquer importância, antes mesmo da estréia na Libertadores; jogou fora o primeiro turno contra o “tradicional rival”; indignou sua torcida; aumentou a pressão sobre o técnico; empatou com o Ypiranga em casa; e perdeu o rumo em Santa Cruz.

É assim que tem de ser conosco. É assim que os Deuses do Futebol – sim, estes estão soltos por aí a nos pregar peças – nos forjam para as conquistas. E o fazem para nos capacitar a vitória na mais importante delas, a da Libertadores, a que nos levará ao topo da América para de lá chegar ao Mundo.

Para esta caminhada, Tcheco não deixou dúvidas: “Vamos dar a vida”.

Nos acréscimos:

Foi fenomenal ver Ronaldo marcar o gol nos acréscimos do clássico. Foi piada pronta ver que, pesado, o alambrado despencou. Foi sem graça, o pessoal ter reclamado da falta de sensibilidade do árbitro que aplicou a lei e puniu com cartão amarelo a comemoração quando o próprio atacante disse ter sido irresponsável.