Por Maria Lucia Solla
Foi instalada mais uma reforma ortográfica na língua portuguesa; envolvendo, desta vez, os países lusófonos, ou seja, os que têm a língua portuguesa como língua materna. O acordo foi assinado em Lisboa, em dezembro de 1990, portanto, há dezoito anos, e entrou em vigor agora, no dia primeiro de janeiro de 2009.
As letras K, W e Y, depois de um exílio forçado, voltam a fazer parte do nosso alfabeto, reconhecida e legalmente. Katias, Oswaldos e Suelys podem soletrar seus nomes sem susto. Por outro lado, palavras de respeito tiveram que tirar o chapéu, como vôo, por exemplo. A elegância tradicional do trema, já começa a deixar saudade, mas da pedrinha no sapato que é o hífen, não vou nem falar por enquanto. Vou tentar entender melhor.
Tenho ouvido discursos inflamados sobre esta reforma, mas é melhor não gastar energia com isso porque ela já foi sacramentada. Sofremos de uma dificuldade incrível de aceitar mudança, mas lembre-se que esta é a nona mudança na ortografia. Já escrevemos pharmacia e sciencia, e a Terra continuou girando. Com dificuldade, é verdade, mas gira ainda.
Se você quiser usar a língua formal, atualize-se, porque as regras começaram a vigorar em primeiro dejaneiro deste ano. Agora, se o seu negócio não é escrever, relaxe e curta a sua tribo. Há uma língua, mas diversas linguagens, em todos os idiomas. Ainda vale dizer tá ligadu, demorô, sujô, dá linha na pipa e tamu juntu. Se conseguir que o outro entenda você, tá no lucro. Garanto.
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.
Ouça De língua e linguagem na voz da autora
Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Todo domingo descreve seus sentimentos aqui no blog em bom português.





