História de São Paulo encontrada no lixo

“Vamos ter enchentes este ano e por muitos outros anos … a população não deve aguardar a curto prazo resultados concretos contra as enchentes”

Era 1971 quando o prefeito da capital paulista Figueiredo Ferraz fez esta afirmação reproduzida pelo jornal Folha de São Paulo, no dia 29 de setembro. Sabias palavras de quem antevia o drama que a cidade enfrentaria para o resto de sua história – ou, pelo menos, até que algum prefeito tenha coragem de encarar esta situação e mudar o rumo que o desenvolvimento urbano tem adotado.

Sábia também foi a visão do gari Izídio de Oliveira Souza, de 44 anos, que encontrou esta edição em uma lixeira na Praça da Sé, em 15 de dezembro. O que chamou atenção dele foi a foto de um acidente envolvendo dois ônibus na estrada de São Miguel Paulista, com quatro mortos e 17 feridos. Ficou sensibilizado, também, com a notícia de que Gerson, com muita dor no joelho, quase jogou a força por imposição dos cartolas da época.

Na página 19, Izídio leu sobre a morte do romancissta e crítico pernambucano José Condé. O editoral fala sobre a paz: “Enquanto a ONU não se dispuser a cuidar desses dois aspectos da paz – o político e o econômico – dificilmente deixará de continuar a ser um fórum de debates mais ou menos acadêmicos, em que nas horas decisivas prevalecem de fato apenas os interesses das chamadas superpotências às quais se agrega agora a China”.

Devanir Amancio, da ONG Educa São Paulo, conta que o gari é cearense de Catréus, semi-analfabeto, homem falante, curioso e detalhista a ponto de ser capaz de identificar a importância histórica do achado no lixo. A visão apurada de Izídio de Oliveira Souza recuperou o exemplar da Folha agora doado à Biblioteca dos Garis.

Urbanista alerta para perigos com mudanças no Plano Diretor

A crise financeira internacional não é desculpa para que as diretrizes do Plano Diretor Estratégico da cidade de São Paulo sejam modificadas. A opinião é do professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP Nabil Bonduki que foi vereador pelo PT e liderou o debate sobre o PDE em 2002, na Câmara Municipal. Ele comentou a pressão que pode haver para beneficiar os investimentos do setor imobiliário na capital paulista prejudicando o planejamento urbano da cidade:

Prefeitura usa operação urbana contra a crise

O investimento na implantação de três operações urbanas na cidade de São Paulo será uma das formas usadas pela prefeitura, no segundo mandato de Gilberto Kassab, para combater os efeitos da crise econômica no município. A afirmação é do futuro secretário municipal de Desenvolvimento Urbano Miguel Bucalem que comentou a possibilidade de a administração municipal propor mudanças no plano diretor estratégico.

De acordo com reportagem publicada no jornal Valor, o prefeito Kassab estaria sugerindo mudanças no Plano Diretor para permitir mais investimentos imobiliários na capital. O setor teria se sentido prejudicado com as diretrizes do plano aprovado em 2002. Segundo dados da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio, a capital paulista era responsável por 80% dos lançamentos imobiliários na região metropolitana, índice que caiu para 50%.

Miguel Bucalem concedeu entrevista ainda na função de chefe da assessoria técnica da Secretaria Municipal de Planejamento e se mostrou muito cuidadoso ao dar opiniões sobre o tema. Ele não confirma a fuga de investimentos nem que haja estudos para tornar o Plano Diretor Estratégico mais próximo das demandas dos empreendedores do setor imobiliários. Fala apenas em implantação de três das operações urbanas já previstas em lei:

Portador de deficiência não quis esmola, quis trabalho!

Por Adamo Bazani

Marcus é fiscal de ônibus
Marcus é hoje fiscal de ônibus, em Santo André

O transporte público tem um fim social. Não apenas de levar pessoas pra lá e pra cá. Por isso ainda precisa desenvolver ações de inclusão. Por enquanto, boa parte das histórias envolvendo pessoas portadoras de necessidades especiais é construída pelo esforço individual e a consciência de algumas poucas empresas.

O fiscal de tráfego Marcus Moreira da Silva, de 36 anos, fosse se guiar por palavras negativas ou pelas barreiras físicas e financeiras não teria conquistado o emprego que lhe dá orgulho e condições de manter a família com três filhos, que é a maior recompensa dos desafios que ele nunca se negou a enfrentar.

Nascido no Estado do Ceará, com um ano de idade, devido a um procedimento médico errado na aplicação de uma vacina, Marcus teve os nervos inferiores afetados. Paralisia irreversível. De família muito pobre, já na escola encarou o preconceito. “Ninguém acreditava em mim. Até mesmo quando eu fazia o curso na escola Técnica Federal Agropecuária do Ceará, tinha gente que perguntava porque eu estudava, insinuando que, com minhas pernas não desenvolvidas, eu não teria futuro”

Marcus não desanimou. Mesmo com todas as limitações, andando literalmente com as mãos e se apoiando apenas nos joelhos, ele viu que a família estava necessitada financeiramente. Não teve dúvidas, partiu para São Paulo. “Pessoas que se diziam amigas minhas chegaram a falar com todas essas letras: o que esse aleijado vai fazer em São Paulo?” ” conta Marcos que diz que a pior deficiência não é a falta de perna ou braços, mas a de garra e vontade. E foi nesse espírito que, em 1994, Marcus veio para São Paulo. Ele prometeu aos parentes, quando se despediu, que nunca pediria esmola, só ajuda para trabalhar.

Marcus vendia balas na região central da capital paulista.

“Muita gente me desanimava e o que mais me desanimava não eram palavras negativas, mas o sentimento de compaixão errada que as pessoas demonstravam. Chegaram a me oferecer passagens de ônibus de volta, auxílio mensal sem trabalho, possibilidade de auxílio por invalidez, mas nunca quis isso. Minha cabeça é boa, não seriam as pernas que me atrapalhariam de ter uma vida que chamam de normal”.

Um dia, um jornalista de uma emissora de TV fazia reportagem na região e o entrevistou. O cearense não teve dúvida. Disse que queria trabalhar em um emprego fixo e que, mesmo com a paralisia, mudaria a situação da família dele. O repórter, tino jornalístico e humano, sentiu a força de vontade de Marcus e o apresentou para Marcos Mendonça, presidente da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura de São Paulo, na época. Mendonça ofereceu alguns pequenos trabalhos. Marcus, no mesmo ano, voltou para o Ceará para buscar a família. Mas ele ainda não estava satisfeito. Queria um emprego registrado como qualquer pessoa “normal”. Convenceu Mendonça a apresentá-lo à família Sófio, dona da Transportes Coletivos Parque das Nações ” TCPN – , uma das empresas mais tradicionais de santo André, com mais de 50 anos de existência.

“Quando me falaram da situação do aranha (apelido de Marcus), eu fiquei com medo de contratá-lo, pois temia que ele se machucasse na garagem ou nos ônibus” – revela Carlos Sófio, um dos proprietários da TCPN. A empresa pensava em ter Marcus como fiscal, mas ele queria começar como todos os demais colegas: primeiro como cobrador e depois chegar à fiscalização.

Em fevereiro de 1995, Marcus inicia na linha I 08 (Jardim das Maravailhas / Bairro Paraíso) ” municipal de Santo André. “Ninguém nunca foi preconceituoso comigo na empresa, mas o pessoal não sabia lidar com deficiente de maneira adequada. Hoje a situação na TCPN é diferente, mas vejo muito desse problema nas empresas”.
O motorista do primeiro ônibus que Marcus trabalhou dirigia com cuidado excessivo e toda a hora olhava pelo espelho interno para ver como o rapaz estava. A força e a alegria demonstradas por Marcus transmitia segurança aos colegas: “Eles que se sentiram seguros comigo e não eu com eles”, brinca.

“A agilidade desse rapaz me surpreendeu. O ônibus sacolejava pra lá e pra cá, quando via tava ele lá na catraca, quando chegava a garagem, olhava para o ônibus e onde estava o Marcus? Já prestando conta da féria do dia”, lembra o empresário Carlos Sófio.

O cotidiano de Marcus, antes nos ônibus e agora nos pontos finais, é marcado pela contradição: pessoas solidárias e amigos convivendo com preconceito e restrições.
“Por quantas vezes, eu, agachadinho do lado do ônibus, quieto, só desempenhando meu trabalho, vinha gente e me oferecia esmola….Aí eu falava, não obrigado, eu sou o fiscal da empresa. As pessoas ficavam constrangidas, mas isso não via como preconceito, mas como uma cultura implantada há muitos anos de que o deficiente é carente e dependente”

Em setembro de 2008, como fiscal de linha, Marcus advertiu uma senhora de que não poderia embarcar num determinado veículo com o passe gratuito de idoso, pois o vale só dava direito a ônibus intermunicipal e não municipal. “Quem é você “alejadinho” pra dizer que ônibus eu devo pegar ou não?”, respondeu a senhora. “Ela sim era portadora de deficiência grave: faltava-lhe educação e respeito, a maior deficiência que existe”.

O transporte de passageiro apaixonou Marcus. E foi a relação com as pessoas que o conquistou. O dinamismo do serviço também é outro ponto destacado por ele. “Tem as programações das viagens, mas na rua tudo muda. É trânsito, enchente, quebra de ônibus, adaptação aos horários das linhas concorrentes. Na prática, os transportes são bem diferentes que no papel, por isso, mesmo sem as pernas funcionando, eu tenho de rebolar e dançar muito pra não deixar o passageiro na mão” ” diz, com um sorriso no rosto.

Marcus se orgulha em dizer que nunca se afastou da empresa por doença, nunca chegou atrasado e já trabalhou em todos os horários e funções, menos motorista, o que não significa que ele não dirige. Com um Kadetti adaptado, viaja até o Nordeste para rever parte da família que ficou no Ceará. “E dirijo muito melhor que muita gente por aí. Na minha carta diz que não posso dirigir comercialmente, tipo táxi, o que é um preconceito também. Ora, se eu posso levar minha família pro Nordeste, por que não posso levar uma senhora a um hospital?” .

Se depender de Marcus, aposentadoria só se estiver muito velho mesmo. “Me sinto a mais perfeita das criaturas de Deus e para isso não preciso ir à igreja ou ouvir palavras de auto-ajuda. A minha deficiência é minha bênção”

Marcus já deu várias palestras gratuitas para empresas, hospitais e executivos e mostra que um portador de necessidade especial, muitas vezes, pode ser o funcionário ideal de uma empresa de tramsporte, pois sabe o que é problema, dificuldade, limitação e com isso, sabe respeitar ainda mais passageiro e dar valor à empresa que deu a oportunidade de trabalho

Adamo Bazani é repórter da rádio CBN e busólogo. Toda terça-feira traz mais um capítulo da história do transporte de passageiros aqui no blog

O futebol nosso de cada dia e o diacho da imparcialidade


Por Carlos Magno Gibrail


Ary Barroso, flamenguista declarado; Nelson Rodrigues, fluminense extremista; talvez bastassem através da genialidade reconhecida em suas artes, para servir de paradigma às futuras gerações, ao apresentarem suas paixões quando no exercício do jornalismo esportivo.

Salvo exceções, como Juca Kfouri e Victor Birner, a grande maioria esconde suas preferências.

Nas outras esferas a situação é ainda mais distante, pois ninguém se apresenta. Política, negócios, artes, culinária todos que certamente escolheram as áreas de atuação por admirá-las, escondem juízos de valores e opções pessoais.

Quando não, exageram, ao decidirem explicitar posição em cima de um mesmo tema, como Diogo Mainardi que viveu longo tempo só atacando Lula, a ponto de escrever um livro chamando-o de anta. Desprezando princípio da comunicação que adverte a possível reversão do resultado, como também a lição do mestre Carlos Lacerda neste tipo de jornalismo, que é preciso carisma e linguagem agressiva de alto nível. Tanto que os dois principais algozes deste declinaram da vida (Vargas) e do cargo (Jânio), enquanto o daquele bate recorde de popularidade (Lula).

“A verdade é raramente pura e jamais simples” Oscar Wilde.

Marcos Nobre, sociólogo e filósofo, lembra que o formato notícia fica por conta da modernidade eletrônica, via internet e blogs. O jornal moderno, ou se aplica na pluralidade da informação através da variedade das seções de análise e de opinião, ou organiza as informações diferenciadamente apresentando posições. “Também por isso a ideologia da neutralidade da notícia já não convence mais. Qualquer que seja o formato a informação só faz sentido hoje se explicitar sua tomada de posição”.

Grande parte da imprensa esportiva viveu anos informando que os europeus não davam importância ao campeonato mundial de clubes.

Ronaldinho Gaúcho e Cia. aos prantos desmascararam esta informação, plantada, evidentemente, por jornalistas torcedores de clubes que nunca chegaram até Tóquio.

Há dias, Manchester United ganhou o título e seus jogadores enlouqueceram na comemoração, embora alguns tivessem informado que sua torcida estava contra sua ida ao Japão.

Na política, o jornalismo não identificado de direita, sempre cobrou a independência do Banco Central. Agora estão perguntando quem manda no país, o Lula ou o Meirelles?

Ao mesmo tom que perseguiam o objetivo do grau de investimento, que ao chegar foi minimizado.

A força das expectativas como uma das verdades da economia ao ser aplicada é criticada pelo mesmo jornalismo que antes a reclamava.

Não tenho dúvida quanto à necessidade do posicionamento do jornalista, a questão é a escolha. Enviar um fã da Madonna para cobrir o seu show? Ou outro que não a admire? Pedir para aficcionado da cozinha francesa fazer reportagem da cozinha brasileira? Colocar um jornalista keynesiano para entrevistar um economista liberal? Enviar a Dubai um são paulino para cobrir a vitória do SPFC? Ou a Soninha para tentar secar?

Carlos Magno Gibrail
é doutor em marketing de moda e toda semana está aqui no blog. Para presidente, votou em branco na última eleição. Em São Paulo, escolheu Soninha no primeiro turno e “branqueou” no segundo. No passado, votou em Jânio, no Lula, no Mercadante, no Suplicy, entre outras escolhas. O SPFC é o time eleito.

Inspeção veicular: empresa desmente prefeitura

A empresa responsável pela inspeção veicular na cidade de São Paulo desmente informação divulgada pela prefeitura de que a falta de terrenos para implantação dos centros de atendimento motivou o adiamento do programa. O diretor-executivo da Controlar Eduardo Rosin disse, ao CBN SP, que a empresa e a prefeitura decidiram mudar o cronograma da inspeção devido a baixa adesão no primeiro ano da prestação de serviço. Apenas 30% dos veículos movidos a diesel, licenciados na capital, passaram pelos centros de inspeção, em 2008.

Ouça a entrevista de Eduardo Rosin, ao CBN São Paulo:

O secretário municipal do Verde e Meio Ambiente de São Paulo Eduardo Jorge, em entrevista ao CBN São Paulo, no sábado, havia afirmado que a prefeitura decidiu mudar o cronograma de implantação do programa porque teria apenas 16 dos 33 centros de inspeção.

Ouça a reportagem de Pétria Chaves com o secretário Eduardo Jorge:

Inspeção veicular: Mais uma promessa não cumprida

Os mais de seis milhões de veículos da cidade de São Paulo serão obrigados a passar por inspeção com o objetivo de combater a poluição do ar, em 2009. A promessa feita durante a campanha eleitoral pelo então candidato Gilberto Kassab tinha como objetivo mostrar a preocupação da administração dele com a qualidade de vida do cidadão paulistano. Usou o argumento em entrevista ao CBN São Paulo quando foi questionado pelo fato de o programa estar atendendo apenas os carros movidos a diesel. Repetiu a afirmação em várias sabatinas que participou.

Pouco mais de um mês após reeleito, Kassab decide cortar em quase 60% o número de carros que teriam de passar pela inspeção, em 2009. Ficarão de fora todos os veículos movidos a gasolina, álcool e gás fabricados antes de 2003 – a propósito, os que usam tecnologias mais antigas e, portanto, com maior potencial de poluição.

A justificativa da prefeitura para que a promessa de campanha fique adiada para 2010 é a dificuldade de ampliação dos centros de atendimento previstos no programa. Apenas 16 dos 33 necessários estarão concluídos até o ano que vem. A baixa adesão dos proprietários de veículos a diesel, no primeiro ano de implantação da inspeção veicular, também foi levada em consideração, disse o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge.

Nesta segunda-feira, vamos falar sobre esta decisão da prefeitura de São Paulo e as suas consequências na cidade. Um dos fatos que chamam a atenção é o critério de incluir no programa os carros mais modernos em detrimento dos maiores poluidores. Outra questão interessante é saber qual a responsabilidade da empresa contratada pela prefeitura para prestar este serviço ao não entregar os centros de inspeção previstos em contrato.

O jornal Folha de São Paulo, nesse domingo, lembrou que com o adiamento a prefeitura economizará em torno de 55% dos R$ 317 mi que pretendia investir na inspeção, já que o município é que arcará com o custo de R$ 52,73 por carro que passar nos centros de atendimento. Um corte que provavelmente ajudará na tarefa de contenção de despesas anunciada pelo prefeito ao mesmo jornal (leia AQUI) para adaptar o Orçamento a provável queda de arrecadação provocada pela crise na economia internacional.

A prefeitura poderia incluir neste cálculo o custo dos cofres públicos com a morte de 12 a 14 pessoas por dia devido a poluição no ar, cuja maior parte é causada pelos veículos. Talvez a conta não foi assim tão favorável aos cofres públicos.

A propósito: o corte no Orçamento de mais de R$ 1,9 milhão também vai na contra-mão do que prometeu o prefeito Gilberto Kassab durante a eleição. Ele garantiu que não haveria necessidade de revisão da proposta que havia sido encaminhada à Câmara Municipal pois esta já levava em consideração os efeitos da crise.

As mais belas decorações de Natal, em São Paulo

Este prédio da Móoca foi escolhido o mais bem decorado para o Natal, de acordo com votação eletrônica promovida pela prefeitura da capital, a São Paulo Turismo e a Federação do Comércio do Estado de São Paulo. O condomínio fica na rua Etiópia, 55

A Pernambucanas da Consolação, centro da capital, foi a mais bem votada na categoria “espaços comerciais” na opinião popular.

O túnel da avenida Nove de Julho ganhou a preferência do cidadão na categoria “espaços públicos”

Para mais informações sobre o concurso clique AQUI

De desejo

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Desejar que o ano novo chegue trazendo magia é mais piegas do que acreditar em Papai Noel depois dos trinta. Vai ver é por isso que nunca temos o que queremos.

Hoje, há poucos dias do ano novo, desejo que seja você a acolher o ano que chega, sonhando e voando alto. Planando entre lógica e fantasia. Que vá ao campo, à praia, à montanha. Que sacuda a poeira e dê a volta por cima. Ajuda a fortalecer o tônus muscular. Aprenda e ensine mais. Ouça e ouse muito mais, por favor!

Que seja capaz de planejar, arregaçar as mangas e construir seu sonho. De ser mais subjetivo, ter o olhar menos concreto e as mãos menos abstratas. Que possa viver cada dia mais consciente da infinitude do amor, mesmo frente à finitude da vida. Que busque a perfeição, consciente de sua impossibilidade,

Que se importe mais com o que temos em comum e menos com as diferenças. Preste mais atenção à oportunidade, e menos ao obstáculo. Que goste mais da vida, que seu Deus não seja caprichoso, ciumento, vingativo, arbitrário e mascate; e que não demonstre preferência por povos ou religiões. E que você possa recriar-se à Sua imagem e semelhança. Que tal?

Pense nisso, ou não, e até o ano que vem.

Ouça o texto na voz da autora:

Maria Lucia Solla é terapeura e professora, autora do livro “De Bem Com A Vida Mesmo Que Doa”, publicado pela Libratrês, todo domingo está aqui no blog a nos provocar reflexões

Orfanato destruído pela enchente na noite de Natal

“Quando se fala em enchentes, antes de mais nada tem que pensar em proteger as pessoas que correm risco de vida. Os paulistanos vão entender que essa é a prioridade”. Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, em entrevista à Folha, neste sábado.

Agora o outro lado

Sérgio Vaz, da Cooperifa, por e-mail para o blog:

“As chuvas não param de castigar a periferia de São Paulo, e na noite do dia 25 de dezembro (aniversário de Cristo), sem o menor respeito com a dignidade dos mais necessitados, elas invadiram o orfanato “Lar São Tiago” e destruiram tudo que encontraram pela frente.

A Chuva desse dia foi tão deselegante com os órfãos que acabou com todo o estoque de comida, derrubou os muros da casa, deletou os computadores, arruinou a enfermaria e de quebra levou córrego abaixo, todo o estoque de sapatos novos que eles ganharam de presente de natal. Agora eles estão literalmente com os pés descalços.

Sem lugar para ficar, a maioria dos internos, uns sessenta, estão espalhados em vários abrigos e casas até que a situação seja controlada. E para controlar esta situação eles estão precisando de tudo: roupas, alimentos, leite, blocos, computadores, material de limpeza, sapatos, e tudo que as pessoas puderem ajudar. Tudo será será bem-vindo.

O Orfanato está vivendo, infelizmente, seu dia de Santa Catarina, e nós da Cooperifa e da Ponte Preta, estamos na sintonia para pedir ajuda a todos e todas que puderem ajudar, já que as “autoridades” até agora não se pronunciaram, e como todos nós sabemos, que é sempre nós por nós, venho apelar para a solidariedade dos nossos amigos e parceiros.

Montamos um posto de arrecadação no Bar do Zé Batidão e no próprio local (endereço abaixo) e dependendo da doação a gente dá um jeito de buscar.

O Lar São Tiago – que fica no Jardim Idemori (região do Jd. Ângela)-, é dirigido pela Esméria e coordenado pela Arlete, que sustentam o orfanato na raça, amor e suor no rosto, e a maioria das doações que recebem são justamente no natal, por isso o estrago foi total.

Para não dizer que não sobrou nada, a esperança continua de pé, pois enquanto eu escrevo, uns estão reconstrindo o que sobrou, com as próprias mãos, e outros estão batendo de porta em porta em busca de ajuda.

É isso, a periferia pede socorro !”

Bar Zé do Batidão – Rua Bartolomeu dos Santos nº797 – F: 4165-4965