Por Carlos Magno Gibrail
Da vaca só não se aproveita o berro. Da mandioca, produto brasileiro nato, base da alimentação de carentes, levada à África para matar a fome continental, tudo se aproveita e se suspeita que possa ajudar na crise financeira atual.
Desde Cabral, foi alimento básico para países em desenvolvimento com ricas aplicações em diversos tipos de receitas nas culinárias nativas e, mais recentemente, fonte de energia sustentável com projetos desenvolvidos em combustíveis.
Parte do capital despendido para administrar a atual economia mundial está sendo dirigida para fontes de energia alternativa. A mandioca é uma das opções.
Nigéria e Tailândia, mandioca como base da alimentação e da economia, primeiros lugares em amido e fécula, respectivamente, apresentam melhor produtividade que o Brasil, segundo maior produtor mundial.
É daqui, entretanto, que surge grande avanço, via CbPak , empresa brasileira, fazendo com a mandioca produto substituto do isopor.
Da produção mundial de petróleo, 4% são destinados ao isopor, item incômodo na questão da sustentabilidade. Não é degradável, armazenável nem palatável para os catadores de resíduos, pois não permite compressão e ocupa muito espaço.
O aumento da capacidade de produção em cinco vezes e uma transação inédita, com compra de participação acionária pelo BNDES, mostram que o substituto biodegradável do isopor feito a partir de fécula de mandioca deixou de ser um investimento de risco – Cbpak, Cláudio Rocha Bastos.
Ricardo Young do Ethos mostra que a mandioca é mais rentável que o suco de laranja, vendido a 82 dólares a tonelada enquanto ela é comercializada a 220 dólares a tonelada.
No Congresso, Aldo Rebelo aprovou proposta para incluir mandioca no pão, vetada por Lula e denunciada por Nilson Mourão como resultado de lobby dos Moinhos de trigo. Restou, no entanto, o Promandioca de Edigar Mão Branca, que inclui medidas para melhorar a produtividade, estimular o consumo de mandioca e criar condições para ampliar a sua utilização como fonte de alimento. E Fernando Coelho Filho obteve aprovação do projeto de incentivo ao álcool de mandioca.
Como fornecedor de proteínas a 1 bilhão de carentes, com apoio de Gates, como produto de exportação importante de nações da África, como complemento do trigo para o pão, como fonte de energia alternativa ou como matéria prima para um novo isopor, a mandioca, podemos dizer, é insuperável. Dela aproveita-se até a metáfora.
Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve toda quarta aqui no blog e adora uma tapioca no café da manhã.