Transportadores: Os Bandeirantes Urbanos (II)

Transportadores: Os Bandeirantes Urbanos (II)

Por Adamo Bazani

(Contianção do post de ontem)

Laudelino Gimenez
O bem humorado Laudelino ao volante de uma Jardineira

Outro patrimônio vivo da Auto Viação ABC é o motorista Laudelino Gimenez, de 75 anos. Ele começou na área de transportes no setor de vendas da empresa “Café São Bernardo” e, em 1956, foi trabalhar com as famílias do Grupo que hoje é proprietário da Viação ABC. Ele se recorda das dificuldades para dirigir ônibus na época com volantes duros e pesados. Enfrentava lama, barro, subidas aparentemente impossíveis de se trafegar, mas se divertia muito enquanto trabalhava. Ele lembra que assustava os garotos que o auxiliavam numa linha que parava em frente a um cemitério de São Bernardo do Campo. “À noite, sem iluminação nenhuma na rua – isso não existia na época -, eu pedia para eles pegarem água para o radiador do ônibus numa torneira que ficava na mureta do cemitério. Me escondia no ônibus, fazia barulhos estranhos, me despenteava e aparecia do nada e os garotos corriam” – diverte-se. Isso quando Laudelino, na descida da Avenida Pereira Barreto, entre santo André e São Bernardo Campo, simplesmente se levantava e dizia aos passageiros que o ônibus Perdeu o freio. “Tinha gente que queria pular do ônibus”. Laudelino nunca foi de beber, mas às vezes simulava que estava bêbado e assustava os passageiros no ponto final.

A história dos transportes no ABC Paulista, também revela detalhes curiosos da região. Na época, os moradores brincavam que o bairro Baeta Neves era chamado de risca-faca, por ser considerado violento. “Batia seis da tarde, aparecia o fiscal na garagem e falava: – Lá eu não fico até mais tarde” – lembra o empresário João Antônio Setti Braga. O pessoal chamava a região de “bairro dos índios”, o que inspirou para o nome da Viação Cacique, uma das empresas que o grupo teve no ABC Paulista.

Além da própria ABC e da Cacique, a família teve importantes empresas como a Viação Vila Galvão, na Capital Paulista e a Auto Viação Vila Alpina.

Gerações se formaram dentro da empresa. O gerente Carlos Eduardo de Andrade, de 33 anos, filho de um funcionário da ABC, já freqüentava a garagem desde os 11 anos de idade e sempre demonstrou paixão pelo ramo.

Além de empreendimentos em outras áreas, o grupo é dono da SBC TRANS (São Bernardo Transportes), com aproximadamente 420 ônibus, a Metra (que opera o sistema de corredor ABD ligando a região às zonas Sul e Leste de São Paulo), com cerca de 260 veículo e a Eletra, uma das pioneiras em tecnologia de tração alternativa ao diesel, como os ônibus híbridos, que são referencial mundial.

Mas tudo começou com a ABC, que dentre todas hoje, é uma das menores, com 80 carros. “É como se a ABC fosse mãe, aparentemente franzina, pequena, mas que teve grandes filhos”. Lembra João Antônio que nunca se esquece de ser grato aos funcionários, do mais antigo ao mais novo, independentemente da função, e orgulha-se em considerar o grupo como empresa familiar.

Adamo Bazani é repórter da rádio CBN e busólogo, um apaixonado e pesquisador da história dos ônibus. Toda terça conta um novo capítulo para você que acompanha este blog.

Delícias no Paraíso

Não é exagero, não. Mesmo porque o Paraíso ao qual se refere a Ailin Aleixo, no Época SP na CBN, é o bairro. Foi de lá, de uma mesma rua, que ela tirou duas ótimas sugestões gastronômicas da cidade de São Paulo:

Beco do Bartô

Não é força de expressão: o restaurante fica mesmo em um beco, lugar escondidinho e muito simpático. Apesar da aparente rusticidade, já que todas as mesas ficam na área externa, a cozinha é das mais sofisticadas. Quem cuida do fogão é Vagner Carlos, que saiu da equipe de Laurent Suadeau e, com ele, aprendeu lições importantes a base é francesa, mas os sabores brasileiros estão bem presentes. Há receitinhas bem caseiras, caso do ótimo salpicão de frango com iogurte e batata palha, e outras bem mais elaboradas. A costela laqueada, por exemplo, cozinha por cerca de 15 horas e chega à mesa acompanhada de polenta cremosa e agrião. Outro prato interessante é a pescada amarela assada, coberta por molho de leite de coco e dendê inspirado na moqueca baiana. Para a sobremesa, não dispense os doces caseiros. A goiabada quente com queijo branco gratinado é um negócio, assim como o doce de leite com queijo cremoso.

R. Sampaio Viana, 216 – Paraíso, 3884-0119

Sal & Pimenta

O chef e proprietário Simon Anthony é um sujeito globalizado. Nasceu na Inglaterra, cresceu em Portugal e, hoje, comanda um restaurante pequenino e muito simpático no Paraíso, aberto somente para almoço. As mesas se dividem pela sala e quartos de um antigo sobradinho, todo decorado de azul e branco, e o sotaque dele não deixa dúvida de que se trata de uma casa portuguesa com certeza embora a tabuleta na porta anuncie que a cozinha é contemporânea. O cardápio traz clássicos lusitanos como bolinho de bacalhau (em falta no dia da visita, um deslize considerável…), alheira, arroz de pato, bacalhau a brás e uma excelente açorda de bacalhau, bem molhadinha e temperada com coentro, cebola e alho os pratos mais caros custam R$ 28. O almoço é muito concorrido também em função dos pratos do dia, receitas mais brasileiras a precinhos ainda mais camaradas. Pode ser picadinho com arroz, feijão e farofa, ou peito de frango recheado com espinhafre, arroz e batata dourada o menu está sempre atualizado no site. Para a sobremesa, Simon serve arroz doce português com canela e pêra bêbada no molho de vinho e canela.

R. Sampaio Viana, 276 – Paraíso, 3889-9071

Procuradora diz que acordo não prejudica saúde pública

O adiamento da resolução Conama que prevê a distribuição do diesel mais limpo terá pouco impacto na saúde pública, afirma a procuradora do Ministério Público Federal Ana Cristina Bandeira Lins. Após ouvir críticas do Movimento Nossa São Paulo reproduzidas no programa CBN SP (leia mais abaixo aqui no blog), ela decidiu esclarecer o que chamou de “confusão na mídia” em torno do assunto.

Ana Cristina explicou que a resolução somente previa o uso do diesel mais limpo para carros novos e, portanto, o impacto nos níveis de poluição nos primeiros anos seria pequeno. A procuradora disse que o ajuste feito em acordo com o Ministério do Meio Ambiente, ANP, Anfavea e Petrobrás prevê que o combustível menos poluente já será usado em 2009 na frota de ônibus de São Paulo; enquanto carros e caminhões serão atendidos a partir de 2012.

Ela ressalta, também, que o acordo não representa uma anistia aos órgãos e setores que não cumpriram a resolução Conama que deveria entrar em vigor em janeiro para todos os carros novos movidos à diesel. O Ministério Público Federal levará a frente a ação para responsabilizar os culpados pelo não cumprimento das medidas.

Ouça a entrevista que a procuradora Ana Cristina Bandeira Lins concedeu ao CBN São Paulo:

Nesta terça-feira, o Jornal da CBN entrevistou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que culpou o próprio governo pelo atraso na entrada em vigor da resolução Conama. Disse que houve um festival de erros que impediu a utilização do diesel mais limpo, em janeiro de 2009. A ex-ministra Marina Silva respondeu a crítica afirmando que a responsabilidade é da Agência Nacional do Petróleo, da Petrobrás e dos fabricantes de carros. Para Marina os setores ambientais tomaram todas as medidas possíveis, inclusive sugerindo ao Ministério Público que entrasse com ação contra aqueles que se negavam a se adaptar as normas.

Moradores temem aumento no número de vôos em Congonhas

A ampliação das pistas do aeroporto de Congonhas, zona sul de São Paulo, faz aumentar a preocupação dos moradores da região que defendem a restrição aos vôos no local. A presidente da Associação dos Moradores e Amigos de Moema, Lygia Horta, entende que com a reforma haverá aumento no número de pousos e decolagens, crescimento do risco de acidentes e mais transtorno aos vizinhos do aeroporto:

Ambiente Urbano: Menos luz, mais eficiência (II)

Ambiente Urbano: Menos luz, mais eficiência (II)

O comentário de Osvaldo Stella no Ambiente Urbano, dessa segunda-feira, reproduzido aqui no blog em texto, causou dúvidas em alguns ouvintes-internautas. Houve quem não entendesse como é possível falar de cidade muito iluminada se há tantas reclamações quanto a falta de iluminação pública na capital. Osvaldo volta ao assunto no blog para tirar qualquer dúvida:

“Prezados ouvintes a iluminação pública na cidade de São paulo é deficiente e isto não reduz a poluição luminosa. Como em outras questões o problema é a má distribuição, algumas áreas não tem iluminação, outras, tem demais. O excesso de luminosidade no ambiente confunde nosso relógio biológico e de outras diversas espécies também. É necessário expandir a rede de iluminação pública, de maneira eficiente, ao mesmo tempo em que se reduz o desperdício em prédios e outros lugares que, vazios, permanecem com a iluminação ligada durante toda a noite. Os milhares de out doors que foram desativados já são uma grande contribuição para resolver o problema”

Acordo para adiar diesel limpo descumpre promessa de Minc

O acordo feito no Ministério Público Federal para adiar o cumprimento da resolução Conama que previa a distribuição do diesel mais limpo no Brasil descumpre uma promessa do ministro Carlos Minc com o Movimento Nossa São Paulo. O ministro havia se comprometido em não firmar nenhum acordo entre as partes, antes de promover audiências com organizações da sociedade civil e representantes da Prefeitura e do Estado de São Paulo que resultassem na apresentação de propostas para um possível Termo de Ajustamento de Conduta.

Os inúmeros prejuízos à saúde pública causados pela alta concentração do enxofre no diesel não foram considerados no acordo judicial. Em nenhuma das mais de 50 obrigações definidas às empresas e aos governos envolvidos há compensações financeiras ao setor público de saúde. Mesmo sendo consenso que milhares de pessoas morrem e outros milhões ficam doentes, todos os anos, por causa da poluição veicular. Veja a íntegra do acordo clicando aqui.

Texto reproduzido do site do Movimento Nossa São Paulo.

Transportadores: Os Bandeirantes Urbanos (I)

Transportadores: Os Bandeirantes Urbanos (I)

Por Adamo Bazani

João Antonio Setti Braga
Empresário Setti Braga ao lado de funcionários posam diante de uma jardineira restaurada

“Um investimento de risco e que exigia visão”. Foi assim que um dos proprietários das empresas que compõe o grupo originado pela Auto Viação ABC, João Antônio Setti Braga, de 60 anos, classificou o início dos transportes coletivos na região do ABC e na Capital Paulista.

Investimento de risco e visão, porque ele se recorda que bem nos primórdios da Grande São Paulo, como conglomerado urbano, os ônibus (ou jardineiras até os anos 40) iam até loteamentos e chácaras praticamente sem habitação nenhuma.

“Assim como os bandeirantes que cortavam matas e enfrentavam morros, assim foi com os pioneiros dos transportes, tanto empresários como funcionários. É como se os transportadores fossem bandeirantes urbanos” – afirmou João Antônio Setti Braga. Após a criação dos pontos finais nestes loteamentos, é que eles cresciam, tornavam-se vilas, bairro e até centro comerciais.

O empresário viu e contribuiu para o crescimentos de bairros, considerados hoje importantes, em São Bernardo do Campo, como Baeta Neves, Batistinni, Baraldi e Cento. Ele viu também pequenos caminhos, praticamente tomados por lama e terra se tornarem importantes vias, como a Avenida Pereira Barreto, uma das principais ligações entre Santo André e São Bernardo do Campo e, claro, a Rodovia Anchieta nascer e crescer, unindo na época de maneira mais segura, o Litoral, a Capital e o ABC.

O envolvimento da família Setti Braga com os transportes vem bem antes da criação da Viação ABC, fundada em 1956 por José Fernando Medina Braga e Maria Myrtis Setti Braga. Já nos anos 20, Adelelmo Setti deu os passos nos transportes no ABC Paulista. O trabalho foi assumido por João Setti. Em 1925, um ônibus jardineira fazia a ligação entre a Vila de São Bernardo do Capo e a Estação de trens de São Bernardo, hoje, estação da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – em Santo André (na época, era tudo um município só). Com a entrada de João Fernando Medina Braga no ramo, em 1947 o grupo tomou corpo o que proporcionou a criação da Viação ABC.

Mas a história do grupo vai muito além da atuação de empreendedores.

Motoristas, mecânicos, cobradores, gerentes empreenderam suas vidas e forças para o sonho dos transportes da Grande São Paulo, se tornar realidade. Muitos deles, são considerados pelos proprietários do grupo como da família, e até hoje atuam na empresa.

Elisiário Bonfim dos Santos
Elisiário Bonfim que trocou o status da metalurgia pelos ônibus

É o caso do mecânico Elisiário Bonfim dos Santos, de 67 anos. Natural da Bahia, ele foi com a família para Marília, onde atuou em duas empresas de ônibus, depois veio para São Bernardo do Campo. Em 1964, ele ia tentar um emprego na Volkswagen, quando encontrou o empresário José Fernando Medina Braga na porta da garagem. Os dois conversaram, Braga ofereceu um emprego na empresa e, na hora, Elisiário esqueceu a montadora (na época, trabalhar numa montadora era um sinal grande de status).

“Formei meus filhos, fiz minha vida e conquistei tudo devido à Viação ABC. Fui ajudado a comprar um terreno para construir minha casa e até a lua de mel a empresa me pagou quando casei”. O mecânico se recorda de cada detalhes dos diversos modelos que passaram pela empresa. “Fomos os pioneiros a ter o monobloco 0 364, da Mercedes Benz, em serviços urbanos. A própria Mercedes gravou uma propaganda comigo e com os carros da empresa, que passava antes da abertura do Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão”, orgulha-se ao lembrar.

(Continua amanhã, quarta-feira))

Adamo Bazani é repórter da rádio CBN e busólogo, um apaixonado e pesquisador da história dos ônibus. Toda terça conta um novo capítulo para você que acompanha este blog.