Kassab diz que 2º mandato já começou

Reeeleito com 60,72% dos votos no segundo turno, Gilberto Kassab reafirmou promessas de campanha durante entrevista ao CBN São Paulo e diz que o segundo mandato já se iniciou. O prefeito reeleito disse que, apesar de começar mais cedo, entregará as metas exigidas por lei aprovada neste ano apenas ao fim do prazo que é de 90 dias após a posse:

Nossos Queridos Funcionários !

Por Márcio Rachkorsky

Seis horas da manhã, pontualmente, o Sr. Pedro, porteiro do condomínio onde moro, já está na guarita, sorridente, atento e bem barbeado. Cumprimenta a todos e saúda os moradores pelo nome. Conhece até o “tio da perua escolar” que vem buscar minha filha mais velha.

Pela manhã, quando saio para trabalhar, encontro o elevador limpo e cheiroso. Saio do elevador e passo pelo hall de entrada, igualmente limpo e cheiroso. No caminho até a guarita, encontro a Dona Maria (nossa faxineira), feliz, cantarolando baixinho um hino evangélico de sua Igreja.

No trajeto, avisto o Seu Zé, zelador, limpando a piscina. Sisudo e sério, como sempre.

Lá pelas tantas, após uma longa jornada de trabalho, retorno para casa e o Sr. Manoel, porteiro da noite, faz um sinal de positivo quando entro, me desejando um bom descanso.

Quanta gente boa trabalha no meu prédio !!!!!!!!!!!

Agora que estamos chegando no final do ano, que tal olharmos um pouquinho para os profissionais do nosso condomínio ? Abnegados funcionários que garantem nossa segurança e bem estar, que zelam pelo nosso patrimônio e que, acima de tudo, cuidam de nossos filhos e entes queridos. Que muitas vezes aturam moradores petulantes e arrogantes, com tamanho jogo de cintura e sabedoria, pois acima de tudo precisam garantir o emprego.

Na correria maluca do dia-a-dia, dificilmente temos tempo para uma boa conversa com nossos funcionários. Semana passada resolvi puxar papo com a Dona Maria. Puxa, que lição de vida !! Com mais de 50 anos de idade, acorda as 04:00 da manhã; prepara o café, deixa o almoço pronto, medica o marido inválido, cuida da neta e pega o ônibus. Aliás, dois ônibus e quase duas horas de viagem. Pega duro no batente até as 16:00 horas e depois, vai fazer um bico num apartamento, como passadeira. Chega em casa após a novela das nove … Ganha aproximadamente R$ 750,00 e agradece a Deus todos os dias pela saúde forte que tem !

Que as muitas “Donas Marias” sirvam de exemplo e incentivo a todos nós !

Márcio Rachkorsky é advogado especializado em condomínios e comentarista do quadro Condomínio Legal que vai ao ar às quartas e sextas na CBN, logo após às 11 da manhã. Toda segunda apresenta um artigo inédito para você que é leitor do blog.

Paulistanos fazem lista de pedidos a Kassab

No sábado, durante o CBN São Paulo, fiz a seguinte pergunta aos ouvintes-internautas e entrevistados: Qual o seu pedido para o prefeito que for eleito ? Um dos mais significativos foi apresentado pela professora Asuncion Blanco. Ela quer que a prefeitura ouça e atenda aos pedidos do cidadão.

Veja a lista com outros pedidos feitos ao prefeito eleito, no CBN São Paulo:

Ignácio de Loyola Brandão – mais bibliotecas.

Ronaldo Francisco da Silva – fim das enchentes na região da Freguesia do Ó.

Mauro Ruiz – fiscalizar o dinheiro público à sério.

Daniel Aveiro – não traia a cidade para se candidatar a Governador.

José Júlio Gonçalves de Almeida – capacitar motorista e cobrador de van.

Míriam Jager – trate a cidade como trata da sua própria casa.

Sívia Dias – olhe para o bairro do Tucuruvi.

Paulo Reis – Reabra o PPI e melhores condições para pagar IPTU atrasado.

Alexandre – motoristas e cobradores de ônibus e vans mais educados.

Carlos Enrique – fortalecer relações com as cidades metropolitanas.

Magê – suba em um ponto bem alto e olhe para o assassinato da Serra da Cantareira.

Edno Araujo – desfavelização da cidade.

Ana Lúcia Passos Barretto Molina – acabar com transferência de alvará de táxis.

Vladimir Ferrari Bizarria – continue visitando as cidades e não deixe para fazer isso apenas na eleição.

Edu Marques (Twitter) – veja a bicicleta como alternativa de integração e transporte sustentável.

Rgabarra (Twitter) – que seja prefeito e ame a cidade.

Capacitat (Twitter) – Usasse o transporte coletivo uma vez por semana.

Kassab, deixe o cidadão participar da prefeitura

A semana começa com o debate municipal motivado pela escolha do prefeito Gilberto Kassab por pouco mais de 60% dos paulistanos. A reeleição já era prevista não apenas pela vitória no primeiro turno ou pelas pesquisas de intenção de voto no segundo. O sistema que permite que o prefeito concorra mais um mandato tem beneficiado os ocupantes do cargo em boa parte do Brasil como vimos nesta eleição quando 60% dos prefeitos se candidataram e 67% liquidaram a fatura no dia 5 de novembro. A vitória de José Fogaça lá na minha terra, nesse domingo, apenas serve para comprovar a tese.

Além disso, aqui em São Paulo, a candidata do PT, Marta, não foi capaz de superar a alta taxa de rejeição enfrentada por ela – medida pelos institutos desde quando liderava a disputa – como cometeu dos mais constrangedores erros no momento em que tentava recuperar terreno. As perguntas que foram entendidas como insinuações de que Kassab era gay pegaram muito mal e desconsideraram o perfil do eleitor paulistano que mistura gestos conservadores com atos renovadores. Haja vista, que a capital paulista já teve duas mulheres no comando – a própria Marta, inclusive – e um negro, gênero e raça sempre discriminados no País.

No discurso da derrota, a petista pede que o paulistano fiscalize o prefeito. E faz bem, apesar de entender que a solicitação dela não terá efeito – tanto por quem pede como pelo que pede. O cidadão precisa, a partir de agora, cobrar dos 55 vereadores eleitos na Câmara Municipal que façam este que é o papel constitucional deles: fiscalizar o Executivo.

Infelizmente, nas últimas legislaturas temos visto vereadores muito mais preocupados em fazer acordos com os prefeitos de plantão para garantir verbas às obras paroquiais do que cobrar ações que beneficiem a cidade como um todo ou alertar para medidas que não estejam de acordo com a demanda da cidade.

No dia 29, quarta-feira, haverá a primeira audiência pública para discutir o Orçamento que o prefeito Gilberto Kassab terá para tocar a cidade em 2009, na Câmara Municipal, às 10 horas. A proposta prevê receitas e despesas que superam os R$ 29 bilhões. Conforme Regimento Interno da Câmara, a comissão que discute o tema tem que realizar, no mínimo, duas audiências públicas. E você pode apresentar sugestões de mudanças no texto dos vereadores.

Será uma ótima oportunidade para testarmos a disposição da Câmara – que também conseguiu reeleger boa parcela dos seus vereadores – de ouvir o cidadão. Neste processo eleitoral perguntei aos candidatos a prefeito e aos vereadores eleitos como pretendem permitir a participação do paulistano nas discussões do destino da cidade. Todos se mostraram abertos, mas poucos (e o prefeito Gilberto Kassab não está entre estes, infelizmente) agem neste sentido.

Um desafio que teremos em São Paulo é a implantação dos conselhos de representantes, instância fundamental para controlar os investimentos das 31 subprefeituras. A lei que rege o funcionamento do conselho está em discussão na Justiça e enquanto ninguém pressionar e a prefeitura não se mostrar interessada em implantá-los a participação popular continuará no discurso.

De cidadão e eleição

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Na quarta-feira eu dirigia tranqüila pela Marginal Pinheiros, com folga para a aula do meio-dia. Ouvia o rádio, mas mantinha sentidos e reflexos assanhados. Se você dirige ou já dirigiu nas marginais da cidade de São Paulo, sabe do que estou falando. Atenção multiplicada e nível de irritação dividido. Metade você descarrega ali mesmo, no fígado, e a outra metade despeja na família e nos amigos. Como? Contando como foi a tragédia, nos mínimos, venenosos e suculentos detalhes, por exemplo.

De repente, um misto de pocpoc pufpuf, e lá se foi a atenção para o engasgo do carro. Momento de tensão. Meu pé direito, coordenado e condicionado por anos de repetição, ainda apertou o pedal do acelerador, cheio de esperança; mas eis que o pocpuf voltou. Arregalei os olhos e aceitei o óbvio. Pane. Ainda deu tempo de esterçar a direção, aproveitar o embalo do carro e escorregar até a margem mais segura da pista da direita, sob a ponte João Dias. Respirei fundo, abri a bolsa e… O cartão do seguro do carro, que acabei de renovar, estava lá, no lugar onde deveria estar. O foco na organização mostra algum resultado, finalmente. E isso é bom.

Chamei a seguradora do carro que me atendeu prontamente, garantindo que o socorro estaria comigo no máximo em meia hora. Dois minutos depois, me enviou um torpedo informando o nome do socorrista a caminho. Em menos de quinze minutos, quase fui esmagada umas cinco vezes, e dois carros da CET desviaram de mim e passaram batidos, com cinco minutos de diferença um do outro. Exatos quinze minutos depois da minha chamada, chegou o socorrista Gilmar e resolveu tudo muito bem. Teve até lanchinho oferecido pela empresa. Hoje, quinta-feira, precisei acionar meu seguro saúde, e meu carro foi socorrido, novamente. Desta vez pelo socorrista Gilberto. Bons profissionais bem selecionados, e que gostam do que fazem.

Dou-me conta de que poder ser bem atendida por Gilmares, Gilbertos, enfermeiras Paulas e doutores José Jorges é um prazer que dá deixa para a reflexão. No dia em que tivermos serviços públicos decentes, esses serviços certamente serão ainda melhores do que os particulares de hoje. Do lado de lá, gente capaz e honesta. Do lado de cá, todos pagando menos.

Isso não temos, mas temos obras faraônicas, coisas que nunca ninguém viu, nem no primeiro mundo. Não sou contra o progresso e a busca pelo melhor, mas minha sogra, a dona Ruth, sempre nos descreve como uma sociedade que usa casaco de veludo e deixa a bunda de fora.

Pense na sábia frase dela, ou não, e até a semana que vem.

Ouça aqui o texto na voz da autora:

Maria Lucia Solla é terapueta, escritora e está todo domingo ao nosso lado aqui no blog. É a autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, publicado pela Libratrês.

Manual de explicação do Porto-alegrense



De Fabrício Carpinejar

Reproduzido do Blog Fim da Linha

O porto-alegrense não se aproxima com calma. Cumprimenta alto, gritado, estapafúrdio. Não confunda com assalto: é seu jeito mesmo. Tenta assustar tudo o que pode na primeira vez, para a amizade soar mais tranqüila dali por diante.

É o inverso do baiano, a voz não é mansa para se erguer naturalmente com o avanço da conversa. É tudo ou nada, é agora ou nunca. Um atropelo de vogais. Um ‘eiiii’, um ‘oiiiiii’, um’bah’. Sem chance. Sem recuperação. Um abuso para os mais travados.

A varanda já é sala de estar no rosto do gaúcho. Não há tempo para recuar. O abraço gira em si, como um nó de marinheiro. A Revolução Farroupilha o perturbou. Está sempre desejando o que ainda nem foi apresentado.

Conjuga o tu como se fosse você, para não engolir vento.

Canta o hino rio-grandense de cor e salteado. Canta o hino de seu clube de cor e salteado. Não abandona um argumento mesmo quando percebe que está enganado. É fiel ao erro.

Sabe ser profundo quando distraído. É de uma profundidade inesgotável. Sabe ser solitário quando atento. É de uma solidão ultrajante.

Aceita ser vítima de piada de um familiar. A mesma piada na boca de um estranho é preconceito. Recebe qualquer um de braços abertos para depois investigar. Paranóico, pulou do ventre para não ser chamado de ‘filho da mãe’. Não admite neutralidade e empate, muito menos voto de Minerva. Minerva é somente o nome de um sabão em pó. É preciso escolher, está do lado dele ou contra ele. Cuidado, o silêncio é compreendido como oposição.

Basta elogiar algo de sua cidade que ele vira turista. Repete os programas para ser encontrado. Comparece quatro vezes no mesmo lugar até ser reparado. Continua aparecendo até ser esquecido.

Há poucas bancas nas ruas se comparado a Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Recebe jornal em casa, debaixo da porta como um tapete. Adepto da locução escrita, ler para conversar. Morre bem informado.

Trata os escritores como se fossem músicos. Conversa sobre suas obras no ônibus, na lanchonete, no meio da rua. Seu suspiro é um autógrafo.

Bebe para discutir, não discute para beber. A bebida é anzol do chiste. Abole a frase inicial para ficar com a última. O que valoriza é a reputação. Faz as pazes no dia seguinte quando ama. Quando odeia, bem, dirá que nunca o conheceu.

Seu time é o melhor do mundo, sua cidade é a melhor do mundo, sua carne é a melhor do mundo. Às vezes é. Tão gaúcho que conta que é gaúcho para os próprios gaúchos.

Ele se elogia com receio de não ser lembrado.

Porto Alegre é uma cidade para atravessar a pé. Com o último botão da camisa aberto. Quem toma chimarrão, ronca acordado. É engraçado passear pela Usina do Gasômetro ou Brique da Redenção no domingo. A térmica é um filho aprendendo a caminhar. Balançando de mãos dadas com seus pais. O crepúsculo do Guaíba transforma a orla no teto de uma igreja. Dá vontade de amar alguma santa e pecar bem mais do que se viveu.

A conversa do anjo e do diabo



Por Francisco Solano

Eis o que diz o rapaz que matou a garota atirando em sua cabeça porque não suportou a idéia de estar apartado dela: há diabo e anjo falando comigo. Dois personagens capitais povoando nosso inconsciente e os sonhos que temos dormindo ou acordados, quer queiramos ou não. Shakespeare diz que o pano de que somos feitos sonhos são. Deus se impõe aos homens. O Criador se impõe às criaturas. Se aqueles e estas são providos de lucidez e coragem o sublime preenche nossas existências. Se estas e aqueles são desprovidos de uma e de outra o inferno na Terra é nosso lote. No Drama do Calvário ou mito do Cristo, poema dramático dando fundamento humano ou ético e substrato psicológico ou material ao homem de nossa era, esses símbolos tomam a forma (antropomorfia) de satanás e Jesus Cristo, de Arcanjo Gabriel e Judas, de Maria de Nazaré e Maria de Magdala, e outros mais.

Ainda restam dúvidas de que Lindemberg projetou e vivenciou seus diabos e seus anjos no lugar errado e junto a uma pessoa e não, como deveria, a outro personagem igual a ele? Em vez da cena teatral o apartamento de Eloá. Arrastou-a e à colega ao seu drama íntimo de amor e ódio, de medo e esperança que interpretou o tempo todo inconscientemente, e quanto maior a pressão da polícia e da mídia mais inconsciente ele se tornava aumentando seu pavor e seu pânico de estar apartado daquilo que prezamos acima de tudo e de todos, o sentido primeiro e último de nossas vidas:nossos pais eternos e universais aos quais da boca pra fora denominamos Deus. Graças às igrejas e ao Estado com seus desgovernos, graças aos políticos e ideólogos, graças principalmente às pessoas abstratas e desumanas chamadas povo (todas as classe sociais inclusas). No palco teatral ou realidade tudo poderia ter sido suprema beleza e haver nos resgatado à Vida. No palco fictício tudo foi só horror nos enterrando ainda mais nesse vale de lágrimas produzido pelo civilizado desde que surgiu no planeta, mercê de seu orgulho e de sua cegueira: até então o homem evoluíra organicamente, a partir de então deu uma guinada de 180 graus ao deserto dos insensatos órfãos do sagrado e da poesia, da criação de si mesmo, dos personagens ou símbolos. Dos auto-banidos do drama real e de sua arena. Toda vez em que a civilização e a criação do personagem renascem é porque voltamos ao espaço e ao tempo certos, voltamos à realidade, porém por pouco tempo (assim tem sido). Logo a ficção retoma sua tirania: nascer e morrer sem nada compreender ou saber: produzir, produzir e produzir, consumir, consumir e consumir.

Ainda restam dúvidas de que os pedófilos Brasil afora (seu número cresce sem cessar) projetam e vivenciam seus anjos e seus diabos no lugar errado e junto a pessoas e não personagens que são? Ainda restam dúvidas de que sejam iguais a Lindemberg?

Ainda restam dúvidas de que..chiiii, a fieira não para, mais a gente puxa, mais ela cresce…

Francisco Solano é ator, criador, criatura que me foi apresentada através deste texto pela colega de blog Maria Lucia Solla. Tomara que volte outras vezes.