Combate à corrupção não é prioridade

Por Transparência Brasil

A propaganda dos candidatos a prefeituras no pleito cujo primeiro turno acaba de encerrar-se percorreu uma grande variedade de assuntos. Um tema, porém, foi ignorado, tanto pelos candidatos quanto pela imprensa: o combate à corrupção.

Mas a prevenção e combate à corrupção deveria ser assunto estratégico para qualquer administração. Quando não se presta atenção ao problema, é inevitável que a corrupção se instale em todos as áreas da administração. Nos municípios brasileiros esse problema é notoriamente grave. É impossível avaliar numericamente o montante que se perde com a roubalheira que corre nas municipalidades brasileiras, mas dada a virtual inexistência de controles nessa esfera, sabe-se que é enorme.

Dados da Controladoria-Geral da União dão conta de que, quando se fazem auditorias nos programas federais conduzidos em municípios ao redor do país, detectam-se problemas graves em mais de 90% dos casos.

Com a intenção de induzir os prefeitos recém-eleitos e os candidatos que atingiram o segundo turno nas capitais dos estados, a Transparência Brasil está cobrando de cada um deles, pessoalmente, a incorporação, em suas plataformas eleitorais e programas de governo, de um conjunto de medidas objetivas para realizar a prevenção e o combate à corrupção na administração municipal.

A corrupção não é um problema moral, que se resolva pela transformação das pessoas, mas resulta de causas objetivas residentes no arcabouço institucional e (o que é freqüentemente esquecido) nas práticas administrativas.

Por isso, não se confronta o problema da corrupção com discrusos e lamentações, mas com medidas concretas.

Para estabelecer as bases do combate à corrupção nas capitais, a Transparência Brasil convida os eleitos e os que passaram ao segundo turno a adotarem as seguintes providências como passo inicial:

1. Centralização das ações. Qualquer área estratégica da ação governamental conta com uma secretaria específica que responde diretamente ao prefeito. É o que deve acontecer com o combate à corrupção. A designação de um secretário com autoridade sobre todos os demais no que diz respeito à adoção de políticas e à implementação de ações relacionadas ao combate à corrupção é uma necessidade administrativa premente.
2. Diagnóstico. O risco de corrupção existe em qualquer área de atividade do Estado. Como não é possível abranger todas as áreas ao mesmo tempo e como é sempre necessário aquilatar a relação custo/benefício de uma ação governamental, um primeiro passo é diagnosticar o problema. Existem metodologias desenvolvidas para isso, que permitem identificar as áreas de maior vulnerabilidade econômica e política na administração de um município e que, portanto, devem ser alvo da ação prioritária do governo.
3. Informação. A prestação de informações objetivas a respeito da ação administrativa é não apenas um dever constitucional como condição básica para que tal ação possa ser aquilatada por aqueles que, na sociedade, têm o dever de interpretar e disseminar a informação – a imprensa em primeiro lugar, seguindo-se entidades acadêmicas, associações de todos os tipos e organizações não-governamentais. Um aspecto muitas vezes esquecido é que a própria ação governamental resulta prejudicada se os fluxos de informação não são desenvolvidos. Quanto pior, menos extensa e menos criticada é a informação, pior é a qualidade da decisão do gestor.

A adoção de uma política de coleta, tratamento e disseminação de informação objetiva, não apenas quanto aos resultados da ação governamental mas também sobre os seus processos decisórios, é condição necessária para incrementar a eficiência administrativa.

Um programa desse tipo pode ser conduzido em qualquer prefeitura. Os custos de adoção de tal programa já se encontram previstos na maioria dos orçamentos municipais, a saber, nas suas áreas de comunicação, bastando redirecioná-los.
4. Programas em São Paulo. No caso de São Paulo, um diagnóstico já foi realizado entre 2002 e 2003, na forma de uma parceria entre a Transparência Brasil, o Instituto do Banco Mundial e a administração municipal. O relatório a respeito pode ser encontrado AQUI. Infelizmente, não se deu seqüência a esse esforço inicial, mas nunca é tarde para retomá-lo.

Um programa de anticorrupção nas Subprefeituras de São Paulo, também descontinuado, foi iniciado em 2005 no âmbito de uma parceria entre a Transparência Brasil e a administração municipal. Seus elementos incluíam:
* Criação de um sistema de Disque-Corrupção de atendimento a reclamações e denúncias nas Subprefeituras.
* Criação e estruturação de um sistema de Ouvidorias nas Subprefeituras.
* Desenvolvimento e manutenção de instrumentos gerenciais e de informação à coletividade pela Internet, empregando informações recolhidas no âmbito do Disque-Corrupção e das Ouvidorias.
* Levantamento do mapa de riscos de corrupção e outras ineficiências nas diferentes atividades e processos conduzidos nas Subprefeituras.
* Realização de pesquisas periódicas junto a usuários e fornecedores das Subprefeituras, tendo em vista aquilatar seu grau de satisfação e sua experiência com corrupção.
* A partir da obrigatoriedade de uso de sistemas informatizados de compras por parte das Subprefeituras, o planejamento de sistemas de informação que permitam o gerenciamento e a divulgação das informações decorrentes.
* Desenvolvimento de mecanismos de ampliação da participação de empresas e da crítica de licitações realizadas no âmbito das Subprefeituras, com envolvimento de entidades comunitárias.
* Implementação de instrumentos de informação detalhada sobre a execução orçamentária das Subprefeituras.
* Implantação de sistema de informações sobre a gestão e o controle das Subprefeituras, disponibilizado na Internet.
* Contratação de auditoria externa para auditar continuamente os processos de fiscalização da Prefeitura.

Lei Não Perturbe preocupa empresas de televenda

O anúncio de que a lei que bloqueia ligações de empresas de televenda está em vigor está incomodando a vida dos empresários que atuam no setor. O vice-presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Telesserviços Topázio Neto diz que o segmento teme prejuízos, a lei é exagerada e ainda há muitas dúvidas sobre como funcionará.

A lei que ganhou o nome de Não Perturbe prevê que o cidadão cadastre seus telefones para que as empresas de televenda fiquem proibidas de fazer ligações oferecendo serviços e produtos. Apesar de estar em vigor, nem o Procon de São Paulo sabe ainda como será feito o cadastro, pois depende da regulamentação da lei sancionada pelo Governo do Estado de São Paulo

Ouça a entrevista do representante do setor de telesserviço ao CBN SP:

Doação de campanha: Orlando, pode; Marinho, não

O candidato do PSDB a prefeitura de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, disse que vai conversar com o comitê da campanha dele para ver se divulga o nome dos financiadores dele. Disse que não teria nada a esconder ao contrário do adversário, o candidato do PT, Luis Marinho. Na entrevista ao CBN SP, o petista disse que o eleitor não está interessado em saber quem são os doadores da campanha.

Ouça a entrevista de Luis Marinho, do PT

Ouça a entrevista de Orlando Morando do PSDB:

Canto da Cátia: Rodízio de caminhão

Eram 4 da manhã quando o caminhão chegava a São Paulo pela rodovia Imigrantes. A curva feita de maneira errada fez com que a carga caísse na pista e colocasse à prova a capacidade da CET intervir em momentos como esse. Eram 10 da manhã e a pista estava fechada, ainda.

A Cátia Toffoletto que registrou a cena para você no blog diz que um dos guinchos usados pela CET não aguentou o tranco e arrebentou. Só as nove da manhã um equipamento capaz de resolver o problema chegou no local. E é da empresa responsável pela carga.

Resultado de tanta competência: 7 quilômetros de congestionamento.

Avalanche Tricolor: Eu vi, meninos, eu vi

Grêmio 2 x 0 Santos

Brasileiro – Estádio Olímpico

Tinha quatro ou cinco anos. Não lembro bem. Era fim dos anos 60. O Grêmio disputaria uma partida contra o Santos de Pelé, no estádio Olímpico, em Porto Alegre. Lembro apenas de algumas cenas.

De mãos dadas com meu pai fui a pé de casa ao estádio. Já falei aqui quanto esta caminhada é curta. Naquela época, porém, o caminho não tinha o asfalto de hoje. Era de terra. Em vez de rua tínhamos um “beco” com esgoto a céu aberto em lugar da calçada.

Lembro, também, que o estádio estava lotado. Ficamos na área conhecida no Olímpico como social. Piso de cimento. Um alambrado ainda cercava o campo. Todos assistiam ao jogo em pé. Todos estavam lá para assistir à Pelé jogar.

Entre um corpo e outro que tapavam a minha visão, vi o “negrão” – como carinhosamente chamavam o craque – passar desfilando no gramado. Parece que o jogo pelo campeonato nacional terminara empatado em 1 a 1. Mas o resultado era o que menos importava naquele dia. Meu pai me levara para ver Pelé jogar bola, ao vivo, pela primeira e última vez na minha vida.

Nesta quarta-feira, já era tarde, quando um de meus filhos acordou e se sentou do meu lado para assistir ao segundo tempo da partida de Grêmio e Santos, pelo Campeonato Brasileiro, no Estádio Olímpico, diante da televisão. Estava um a zero, placar que garantia, naquele instante, a volta à liderança. Mas o resultado era o que menos interessava.

Um dos meus meninos se espantou com um garoto, negro também – como a maioria dos grandes craques brasileiros -, que cada vez que pegava na bola fazia uma bela jogada. Em uma delas, explodiu no poste. Em outra, um adversário ficou caído no chão após o drible estonteante. Um colega dele passou correndo sem saber o que acontecia. E o pobre goleiro se contorceu para impedir que o lance terminasse dentro do gol. No fim, meu garoto ainda teve tempo de ver aquele rapaz cobrar uma falta que iria parar nos pés de Soares e se transformar no segundo gol gremista.

Antes de voltar para cama, meu filho me olhou e perguntou: “Papai, era assim que o Pelé jogava ?”. Apenas sorri com a lembrança que ele me proporcionou, e expliquei: “É assim que Douglas Costa joga”. Voltou a dormir e eu não tive sequer tempo de dizer-lhe que o Grêmio é mais uma vez líder do Campeonato Brasileiro.

Para os vegetarianos não brigarem comigo

Deixei de postar na terça, as dicas da Ailin Aleixo para os bons restaurantes vegetarianos da cidade. Vamos acertas as contas, então:

Gopala Hari

Agora, o antigo Gopala Prasada virou dois restaurantes distintos: o Gopala Madhava, no número 413, e o Gopala Hari, no número 429. Embora a sociedade tenha sido desfeita no mês de setembro, as casas já apresentavam pequenas nuances. Uma delas é o jantar, servido só no segundo endereço. Aliás, é nessa unidade que a divisão se faz mais evidente, a começar pela reforma no piso superior, com nova decoração e cardápio com brasileirismos como o escondidinho de jaca verde. A base continua a culinária indiana, com receitas condimentadas, chutneys e cozidos de lentilhas (dahl). Marca registrada do lugar, as pétalas de rosas jogadas nos degraus da escada são um mimo que agrada a todos. O mesmo não se aplica ao cheiro de incenso que domina o ambiente. Os lugares perto da janela são a alternativa para quem prefere sentir o aroma da comida – que é ótimo, por sinal.
Rua Antônio Carlos, 429 – Cerqueira César – São Paulo – SP f: 3283-1292

Horta café e bistrô

O sobrado agradável com varanda e mesas no quintal tem aquele jeito caseiro, mas o atendimento é profissional, feito por garçons ágeis e atenciosos. Nem assim a clientela perde tempo de olhar o cardápio. Os habituès fazem a escolha na pequena vitrine que exibe as opções do dia. São quatro pratos na linha ovolactogetariana (com uso de leite e ovos no preparo das receitas). Sem data certa para aparecer, há lasanha de gorgonzola e rúcula, braciola ao molho de shoyu com gengibre e picadinho de proteína de soja com feijão preto, banana, ovo e arroz integral. No crepe de verduras com abobrinha gratinada, percebe-se o uso de ingredientes de qualidade e ervas frescas. Mas nada com muita personalidade no sabor e a parcimônia no tempero é compensada com o sal sobre a mesa. O prato dá direito ao suco ou chá, uma entrada (salada ou sopa) e uma sobremesa – essa em porção minimalista, só para adoçar a boca. Às terças serve mussaká e toda quarta-feira tem feijoada vegetariana.
Rua Costa Carvalho, 159 – Pinheiros – São Paulo – SP f: 3031-5997

Gaia

Moderno e estiloso, o restaurante foge do padrão dos vegetarianos que combinam lojinha de produtos naturais com salão simplório e atendimento ruim. Tem até espaço com redes para o descanso após a refeição. O serviço atencioso, coisa rara no segmento, é de tirar o chapéu. Não há cardápio fixo. São três opções por dia, uma delas light: entrada, prato principal, sobremesa e suco têm preço único. A criatividade impera na cozinha com receitas como a couve-flor empanada ao molho de tahine e tomates recheados com mix de arroz integral, alcachofra e morango. Único prato com dia certo para aparecer, a feijoada faz um sucesso tremendo nas quartas-feiras.
R. Cônego Eugênio Leite, 1152 – Vila Madalena – São Paulo – SP f: 3031-0680

Candidato de Santo André desconhecem prestação de contas

Ao garantirem que o nome dos financiadores das campanhas à prefeitura de Santo André já foram declarados ao Tribunal Superior Eleitoral, os dois candidatos que disputam o segundo turno demonstram desinformação em relação a prestação de contas. O que foi feito até agora foi o envio de informações parciais do total arrecadado e das despesas durante a campanha. O nome dos doadores, de acordo com a lei eleitoral, somente precisam ser declarados após a eleição.

O CBN SP entende que estas são informações importantes para o eleitor decidir o seu voto e tem feito este pedido a todos os candidatos.

Ouça a entrevista com o candidato do PT Vanderlei Siraque que falou, também, das propostas na área de saúde e segurança:

Ouça a entrevista com o candidato do PTB Aidãn Ravin que também apresentou suas idéias na área de saúde e segurança:

A pitada da Ailin: Duas novidades na cidade

Acompanhar a renovação gastronômica de São Paulo não deve ser fácil nesta cidade que muda a todo momento. A Ailin Aleixo, nesta quarta, traz algumas novidades paulistanas no “Época SP na CBN”:

Anita

A região colada ao Cemitério da Consolação não pára de ganhar restaurantes bacanas. O mais novo deles, inaugurado no finzinho de setembro, ocupa um lindo sobradinho dos anos 30, com bar no porão e salão pequenino. Da cozinha envidraçada chefiada por Fabiana Caffaro saem pratos bem simples, muitos declaradamente inspirados na dita baixa gastronomia, aquela dos botecos, mas com algumas gostosas frescurinhas. Tem filé oswaldo aranha (feito com prime rib), frango com creme de milho (empanado com panko, uma farinha de rosca japonesa) e deliciosos bolinhos de arroz (que levam creme de queijos na mistura). A entrela da casa, porém, é a máquina de assar galetos, a típica televisão de cachorro, estacionada na calçada inclusive à noite. As aves, bem torradinhas e douradas, chegam à mesa já cortadas, acompanhadas de farofa, batata bolinha ao alecrim e vinagrete de tomates verdes. Na sobremesa, não deixe de provar a ótima panqueca de doce de leite com sorvete de nata. No almoço executivo, vale o sistema de prato do dia: quarta-feira, por exemplo, é dia de mignon de porco com couve e quibebe de mandioca.
R.Mato Grosso, 154, Higienópolis,tel.: 2628-3584

Amazônia

Tucupi, tambaqui e as frutas típicas da região amazônica caíram nas graças de chefs badalados e marcam presença nas mesas de alguns restaurantes bacanas da cidade, como o D.O.M. e o Maní. Mas ainda faltava uma casa típica, autêntica, com receitas de raiz, sem parcimônia no uso dos ingredientes ou adaptações modernas. O Amazônia, aberto em agosto, preencheu essa lacuna. O paraense Paulo Leite, principal difusor dessa culinária em São Paulo (eram dele os restaurantes Tucupi e Carimbó, que funcionaram entre 1995 e 2004), se instalou no Bexiga, em salão despojado, e reproduz com fidelidade os sabores da sua terra. Servido em cuia, o tacacá (caldo de tucupi com camarão seco, goma de mandioca, jambu, ervas e pimenta) veio intenso em acidez do tucupi e anestésico por conta do jambu (erva que causa leve dormência na boca). O camarão tinha sabor forte e sal demais. Outra comida de sustância é a maniçoba, espécie de feijoada do Norte, preparada com folha de mandioca-brava (a maniva), carne de porco, dobradinha e mocotó. Farinha d’água crocante, amarela, colore o prato e umas gotinhas de pimenta-de-cheiro deixam a receita ainda melhor. Os peixes da Bacia Amazônica aparecem em pratos como filhote e pescada-amarela mergulhados no caldo do tucupi. Na hora da sobremesa, frutas como cupuaçu, açaí, teperabá e bacuri chegam à mesa na forma dos imperdíveis sorvetes. No almoço há bufê variado – mas não perca tempo e faça as escolhas à la carte.
R. Rui Barbosa, 206, Bela Vista, 3142-9264

Candidatos prometem declarar os doadores, em Guarulhos

Os dois candidatos à prefeitura de Guarulhos, na região metropolitana, e maior cidade paulista depois da capital, se comprometeram a divulgar a lista de seus financiadores antes da eleição do dia 26 de outubro.

Sebastião Almeida do PT e Carlos Roberto do PSDB falaram no CBN SP e disseram o que pretendem fazer para reduzir a quantidade de esgoto sem tratamento despejada no Rio Tietê. A cidade é uma das mais poluidoras da região metrpolitana:

Ouça Sebastião Almeira, do PT

Ouça Carlos Roberto, do PSDB

Em São Paulo, os candidatos Gilberto Kassab (DEM) e Marta Suplicy (PT) não querem nem ouvir falar na possibilidade de anunciar antes das eleições o nome dos doadores de campanha.