Netinho de Paula: “Vai nessa negão”

Acaba de se eleger vereador, mas está pronto para iniciar campanha para o senado. Foi o que disse o terceiro candidato mais bem votado na capital paulista, o músico Netinho de Paula que traduziu sua votação como um grito “Vai nessa negão”.

Sem experiência na atuação política, apesar de destacar suas ações sociais, o vereador eleito pelo PC do B aponta na entrevista quais são suas metas. Fala em combater problemas de habitação e retirar pessoas das ruas, mas está convicto mesmo é de seu projeto político rumo a Brasília.

Ouça a entrevista de Netinho de Paula, mais um vereador de São Paulo:

O capitalismo no divã

Por Carlos Magno Gibrail

Você é a favor do socorro do governo aos agentes financeiros?

Estima-se em US$ 1,5 trilhão o auxílio, num PIB americano de 13,8 trilhão. O Mundial é de 54, Europa 12, Japão 4,3 , China 3,2, Brasil 1,3, Rússia 1,2, Índia 1,1.

O total circulante é de US$ 157 trilhões e o de títulos com garantias reais em circulação equivale a US$ 57 trilhões.

Paul Samuelson diz:

“O capitalismo puro não pode evitar alguns ciclos econômicos. Tampouco se pode contar com o laissez-faire dos mercados para cuidar dos próprios males. A era da incerteza passa a ser a era da ansiedade”.

Nouriel Roubini, influente economista da New York University, acha que o governo passou de um extremo a outro:

“Os USA se tornam URSS”

“A crise é fruto dos excessos do liberalismo e do laissez-faire destes últimos dez anos. Os reguladores acreditaram nas virtudes do livre mercado e da auto-regulamentação. O julgamento deles foi incorreto. A lição é clara: precisamos de uma regulamentação melhor. A via mais correta é a do meio, com uma regulamentação mais rígida que, entretanto, não crie obstáculos à inovação”.

David Smick, interlocutor de Alan Greenspan, de George Soros e do ex-secretário do Tesouro Lawrence Eagleburger, está retomando a tarefa de explicar a nova ordem contemporânea depois de T. L. Friedman – “O Mundo é Plano”. No “The World is Curved – Hidden Dangers to the World Economy” ele cita a China como uma ameaça menosprezada:


“A Europa está se desacelerando, e o Japão enfrenta uma recessão. Os emergentes – com algumas exceções, como o Brasil – também sentem a demanda pelos seus produtos diminuir”.

“Os EUA, primeiro país a entrar em desaquecimento, será o primeiro a sair, em algum momento no final de 2009. O Brasil é muito especial. Ficamos tão fixados na idéia de G7 e depois G8, mas a realidade é que não existe o grupo das maiores economias mundiais sem a China, a Índia, o Brasil e a Rússia. O Brasil tem que fazer parte do grupo de líderes. Acredito firmemente que o mercado financeiro não voltará a ser saudável enquanto não houver uma solução global. É um momento histórico importante como aquele posterior à Segunda Guerra, quando os países se sentaram à mesa em Bretton Woods”.

Nelson Barrizzelli, Doutor em Economia pela USP, credita a mesma importância e lembra que no acordo de 1944 no qual estiveram presentes 45 países aliados a delegação inglesa foi chefiada por John Maynard Keynes, que defendia o intervencionismo estatal e criticava o liberalismo de Adam Smith e J.B.Say.

Segundo o acordo de Bretton Woods, as moedas dos países membros passariam a estar ligadas ao dólar e a moeda americana vinculada ao ouro. Foram criadas duas entidades de supervisão, o FMI e o Banco Mundial.

Durante vinte anos, o sistema Bretton Woods funcionou como previsto para em 15 de agosto de 1971, quando o passivo americano era de 70 bilhões de dólares e o estoque de ouro de apenas 12 bilhões, Nixon por fim ao acordo e à conversibilidade do dólar em ouro.

Barrizzelli lembra:

“Em 90, a crise foi cambial, desta vez temos uma crise de confiança no sistema financeiro dos países desenvolvidos A mídia amplifica o problema, com suas manchetes espetaculares. Cria-se desta forma uma crise psicológica”.

“O crédito nos países desenvolvidos foi zerado. Os bancos dos países em desenvolvimento terão dificuldades para conseguir recursos com baixas taxas de juros. O resultado é que o crédito se tornará escasso e caro”.

Barrizzelli aconselha:

“Evite se endividar, mantenha investimentos de longo prazo, não se preocupe com movimentos de curto prazo. O Brasil vai crescer menos, mas vai continuar crescendo”.

“Se puder compre Petrobrás e Vale”.

Joaquim Toledo, Phd em Economia pelo MIT, Diretor do Banco Nossa Caixa, acredita que a intervenção é necessária e ganhará não só quem tem aplicação, pois a bola de neve irá afetar os imóveis que desvalorizarão, diminuirá o ritmo da construção civil que é setor que emprega muita mão de obra. O emprego cai e a recessão marca presença.

“A essência dos bancos é tomar e emprestar dinheiro, respeitando um multiplicador de seus recursos próprios”.

“Se todos sacam não há recursos”.

“Liberalismo puro é utopia, o Estado tem que estabelecer um conjunto de regras para controle das operações financeiras”.

“A crise originada na questão hipotecária, referia-se a situações de famílias que passaram a pagar prestação da casa própria menor do que a do aluguel, num imóvel melhor que o anterior. Só que no terceiro ano a prestação subia e a família não tinha condições de pagar.”

“No sistema havia instituições que não estavam sujeitas ao Acordo da Basiléia que, em 1988, estabeleceu em 12 vezes no máximo a utilização do capital e reservas.”

“E, inventou produtos que fugiram do controle financeiro, onde as empresas que davam o crédito não eram responsáveis pelo risco inerente.”

“No Brasil uma série destes produtos não seria viável, pois o nosso sistema tem mais controle”.

Bruno Amadei Jr.
, Adm., da IntegralTrust e da CredCapital:

“Até que ponto a crença baseada na complexidade e superioridade dos novos modelos existentes e que estão para ser pensados e desenvolvidos pode justificar a visão de que os mesmos são infalíveis?”

E, aconselha para o crédito estruturado:

“No curto prazo a tendência é de um aumento da aversão ao risco de crédito por parte dos investidores e maior procura por funding por parte dos bancos e empresas, ou seja, haverá um descasamento entre a oferta e demanda de recursos. No médio e longo prazo os bons projetos de crédito estruturado deverão ganhar a preferência e confiança dos investidores do mercado de capitais”

Ricardo Young
, do Ethos, ao mesmo tempo em que não identifica sustentabilidade neste processo todo, sinaliza que na utilização deste montante de socorro, há exigência de aplicações sustentáveis para o mercado americano.

Depois de sonhar que com 700 bi acabaria com a fome no planeta, vem para a realidade informando que ITAÚ, BRASIL e BRADESCO subscreveram o Principio do Equador, que estabelece normas vinculadas à sustentabilidade para a concessão de empréstimos a partir de 10 milhões de dólares.

Pela internet diz-se que a diferença entre 29 e 08 é que naquela época os banqueiros e executivos se retiravam jogando-se das coberturas dos prédios. Hoje estão saindo com milhões de dólares, pela porta da frente.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta escreve aqui no blog.

Foto-ouvinte: Bela Vista

O esforço de dar vida aos muros no bairro da Bela Vista se perde na falta de educação daqueles que fazem da calçada lixão. A imagem acima é apenas um dos exemplos de descaso com a cidade registrados pelo ouvinte-internauta Marcos Paulo Dias em seu passeio de fim-de-semana na região.

Os eleitos Ficha Suja, em São Paulo

Veja a lista dos vereadores eleitos em São Paulo que têm a Ficha Suja, segundo a Transparência Brasil

PR
Antônio Carlos Rodrigues
Agnaldo Timóteo

DEM
Carlos Apolinário do Democratas

PSDB
Ricardo Teixeira e Juscelino Gadelha

PT
Francisco Chagas

PDT
Claudio Prado

Têm processos, mas arquivados:
– Senival Moura (PT)
– Jooji Hato (PMDB)

Apenas 10 vereadores eleitos assumiram compromisso

Dos 55 vereadores eleitos, 10 assinaram a carta-compromisso apresentada pelo Movimento Nossa São Paulo aos candidatos à Câmara Municipal de São Paulo. O documento contém uma série de propostas destinadas a aperfeiçoar o processo eleitoral, ampliar a participação da sociedade no Legislativo paulistano e estimular uma atuação focada na melhoria da qualidade de vida da população, pautando-se pela ética e transparência.

Os candidatos a prefeito Gilberto Kassab (DEM) e Marta Suplicy (PT) também assinaram o compromisso com o movimento.

Ouça a entrevista com o coordenador do Nossa São Paulo, Oded Grajew:

Canto da Cátia: Estátuas ao crime ambiental

A primeira vista imagina-se que os moradores da rua Cauguçu, Cidade Líder, na zona leste, ganharam três totens na calçada. Descobre-se ao chegar mais próximo, contudo, que as “estátuas” eram árvores que foram decepadas sabe-se lá por quem. Talvez algum vizinho entendeu que as árvores estavam incomodando e sujando a calçada e decidiu podá-las de maneira irregular e fatal. Segundo a Cátia Toffoletto que esteve no local, a maneira como o corte foi feito matou as árvores. Esta atitude é considerada criminosa e rende multa de R$ 10 mil se o autor for identificado.

A poda somente pode ser feita com autorização da prefeitura e o telefone para fazer o pedido é o 011 3396 3285 ou para a subprefeitura da região.

Gabriel Chalita: De 1.000 a 100 mil votos

Em Cachoeira Paulista, interior do Estado, o pós-adolescente Gabriel Chalita de 19 anos foi eleito o mais jovem vereador da Câmara Municipal com 1.000 votos, em 1988. Na época, foi o candidato mais votado na cidade. Vinte anos depois, Chalita repete o feito. Em outra dimensão, sem dúvida. Foi eleito com a maior votação da capital, São Paulo, fez mais de 102 mil votos, já é professor, escritor, foi secretário de Educação e está muito mais maduro.

Ouça nesta entrevista o Gabriel Chalita, eleito pelo PSDB, pretende fazer como vereador de São Paulo:

Foto-ouvinte: Com todo respeito … com os carros

Entre o portão do condomínio e o ponto de ônibus mais próximo, o ouvinte-internauta Nelson de Souza Neto encontra no caminho esta caçamba cuidadosamente “estacionada” em cima da calçada. É provável que o dono do equipamento pensou em não atrapalhar o trânsito na Av. Raimundo Pereira de Magalhães, no bairro de Pirituba, zona oeste de São Paulo. Esqueceu dos pedestres, o que não chega a ser um privilégio dele nesta cidade que há muito só pensa nos carros.

“A quem reclamar ?”, pergunta o ouvinte-internauta que fez a foto acima. À subprefeitura, com certeza.


Prefeitura responde (10/10/08)

Em resposta a notícia veiculada no Blog no dia 07/10 com o título “Foto-Ouvinte: Com todo respeito… com os carros” a Secretaria Municipal de Serviços presta o esclarecimento abaixo:

Nesta quinta-feira, dia 09/10 , uma equipe de Fiscalização do Limpurb (Departamento de Limpeza Urbana), esteve no local para as devidas autuações. Na ocasião não foi localizada a caçamba e concluido que a mesma foi retirada pelo respectivo proprietário.

Grato,

Assessoria de Imprensa
Secretaria Municipal de Serviços

Restaurante brasileiro com sabor de interior

Foi com o som da viola que Ailin Aleixo chegou nesta semana para anunciar três boas opções de comida tipicamente brasileira:

Graça Mineira

Maria das Graças Oliveira Rossi é mineira da Zona da Mata e, desde 1993, comanda as panelas do restaurante. O cardápio segue praticamente sem alterações desde então, uma fartura só. Os pratos, anunciados para dois, alimentam até quatro pessoas de apetite moderado. Você escolhe pelo bicho: porco, boi ou frango. Um dos mais pedidos é o leitão à pururuca, que traz a carne já cortada em pedaços, bem crocante, mais feijão-tropeiro, torresmo, mandioca frita, couve e arroz. Já a tradicional vaca atolada é a costela de boi ensopada com mandioca, couve e arroz. Se o tempo estiver firme, vale a pena tentar uma das mesas do jardim – atenciosos e muito ágeis, os garçons conseguem amenizar a espera nos almoços de sábado e domingo, quando uma multidão já começa a petiscar e bebericar cachaças artesanais na calçada. Encerre o repasto: com doce de leite ou cocada cremosa, ambos maravilhosos.

Rua Machado Bittencourt, 75 – Vila Mariana, 5579-9686

Xopotó

A culinária mineira é uma das cozinhas regionais mais apreciadas pelos paulistanos – e isso se reflete no grande número de casas desse tipo na cidade. O Xopotó é uma das mais interessantes, com boa relação custo-benefício e um ambiente com ar de fazenda do interior de Minas. Há o tradicional mais conhecido (tutu, feijão-tropeiro, costelinha e frango ao molho pardo) e algumas pedidas interessantes, como o arrumadinho (lingüiça longa defumada, arroz, ovo, tutu e couve rasgada), a picanha caipira com farofa de maracujá e a costelinha com ora-pro-nóbis e angu. O doce de abóbora com coco é apenas regular – já o doce de leite com queijo é matador. Se não for guiar depois, aproveite o menu com mais de 50 cachaças mineiras.

R. Doutor Fadlo Haidar, 136 – Vila Olímpia, 3829-1267

Colher de pau

Carne-de-sol puxada na manteiga de garrafa com paçoca, banana frita, macaxeira e batata-doce. Moqueca de peixe e camarão com leite de coco, azeite de dendê e pirão. Tem também vatapá, peixada, feijão-verde, galinhada… Aqui, o sertão e o mar se encontram num cardápio repleto de especialidades do Nordeste brasileiro. Veja o cardápio inteiro, ignore a cafta, o filé à parmegiana, o franguinho com legumes e experimente o carneiro cozido com legumes. É macio, suculento e vem acompanhado de um encorpado pirão de carneiro. Se a vontade de comer a tradicional carne-de-sol falar mais alto, renda-se ao carpaccio. Versão com sotaque cearense na qual as lâminas da carne são cobertas por um vinagrete de coentro e queijo coalho ralado. Na hora do almoço, há sugestões do dia a preços atraentes, mas as receitas fogem da cozinha nordestina. Melhor é ficar com o cardápio e as fartas porções para duas pessoas.

R. Dr. Mário Ferraz, 563 – Vila Olímpia – São Paulo – SP

3168-8068 e 3168-2617