Boas e más notícias da Câmara em São Paulo

Cerca de um terço dos vereadores que irão assumir o cargo em janeiro, em São Paulo, foram eleitos pela primeira vez ou estão voltando à Câmara. Apesar de considerar positiva esta mudança, o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo Marco Antônio Teixeira ressalta que o perfil do legislativo municipal não será muito diferente daquele com o qual estamos acostumados.

Nesta entrevista que você acompanha, Marco Antônio Teixeira destaca os pontos positivos e negativos da nova Câmara:

Acesse aqui para ver a lista dos 55 vereadores eleitos em São Paulo.

Kassab e Marta não vão declarar doadores antes da eleição

O eleitor paulistano vai votar no segundo turno sem saber que financiou a campanha dos candidatos Gilberto Kassab (DEM) e Marta Suplicy (PT). Entrevistados por Heródoto Barbeiro, no Jornal da CBN, os dois se resumiram a dizer que vão respeitar a lei que não exige a declaração dos doadores antes da eleição.

No Rio de Janeiro, todos os candidatos fizeram a declaração apesar de não estar previsto em lei. Em São Paulo, apenas dois candidatos, Soninha Francine (PPS) e Ivan Valente (PSOL), apresentaram o nome dos financiadores provocados pelo CBN SP.

Ouça a desculpa de Kassab:

Ouça a desculpa de Marta:

Eleitor abandona Alckmin para vencer Marta do PT

Se a chegada no segundo turno era inevitável, a surpresa ficou pela forma como a candidatura à reeleição de Gilberto Kassab bombou na última hora. Desde a quarta-feira passada, petistas começaram a admitir a possibilidade de derrota no segundo turno. Não sabiam, porém, que a vida já seria tão dura neste domingo.

A votação expressiva de Gilberto Kassab se explica pelo comportamento dos aliados de Geraldo Alckmin. A maioria decidiu fazer agora o que José Serra havia feito com o “colega” tucano no início da campanha: abandoná-lo. Em uma lista de discussão na internet da qual faço parte apenas como leitor, soube de simpatizantes de Alckmin que deixaram de votar no ex-governador para “vencer Marta do PT”.

Perderam excelente oportunidade de mostrar que Geraldo Alckmin representa uma significativa parcela da população paulistana, maior do que os 20 e poucos por cento de votos que teve. O sistema de dois turnos existe nos grandes centros urbanos exatamente com esta intenção. No primeiro, o eleitor diz quem é. No segundo, vota contra quem não é.

Desde minha primeira eleição para presidente da República poucas vezes estive com os favoritos. Sabia que meu candidato não venceria. Mas tinha necessidade de mostrar para ele que suas idéias tinham meu apoio e de mais alguns eleitores que me acompanhavam no voto. Ele tinha significado político. E eu tinha convicção.

Apenas votar para vencer o PT é muito pouco para uma cidade com a dimensão criativa de São Paulo.

A força do vento na eleição paulistana

O eleitor saiu de casa para a “Festa da Democracia” (e dê-lhe lugar comum) sabendo o resultado das eleições. Em São Paulo, todos repetiam o que as últimas pesquisas mostravam: Marta e Kassab vão para o segundo turno. “Coitado do Alckmin, não vai dar de novo”, diziam.

Este sentimento ganhou tal dimensão que acabou turbinando a votação de Gilberto Kassab e criando o único fato novo desta disputa.

Lembro que li nosso colega (quanto colega bom a gente tem) Carlos Heitor Cony escrever no fim de semana que São Paulo sentia soprar o mesmo vento que teima em mudar as expectativas na eleição do Rio. Lá, já é tradição, o crescimento de um candidato na última hora. Fernando Gabeira foi a bola da vez. Assim como há mais tempo ocorreu com Leonel Brizola no Governo do Estado. Em São Paulo, ventania mesmo soprou a favor de Luiza Erundina em uma época na qual minha vida ainda era a agitada disputa eleitoral em Porto Alegre.

O vento daqui, porém, não é o mesmo do Rio.

Companheiro de Twitter – já são 370 -, Marcelo Mouta na troca de mensagens lembrou que Fernando Gabeira foi beneficiado pelo efeito Cauda Longa, expressão cunhada pelo jornalista Chris Anderson para explicar o comportamento dos consumidores e do mercado na era digital. Para Mouta, Gabeira acertou ao mirar no eleitor dos candidatos menores em vez de bater de frente com o líder nas pesquisas. O conjunto dos votos que existiam nos prefeituráveis sem chance era suficiente para levá-lo ao segundo turno.

Em São Paulo, o crescimento de Gilberto Kassab começou com a propaganda eleitoral, conforme ele próprio havia garantido que ocorreria durante bate-papo de bastidor antes de entrevista na rádio CBN. O bom índice de aceitação do governo dele sinalizava que teria fôlego para alcançar Geraldo Alckmin. Os números nesta apuração mostram que o pulmão eleitoral do Democrata lhe dá condições de ir além. Ou de ficar onde está. Na prefeitura.

Foi apenas mais um dia de eleição

“Até fiquei com pena dos meus colegas da CBN que precisaram passar o dia inteiro ao vivo falando de uma eleição de poucas notícias, e por isso elas foram repetidas muitas vezes”. Fiquei feliz com a solidariedade de Ricardo Kotscho em seu Balaio, publicado no Portal IG. Seja por me chamar de colega – e tenho orgulho de exercer a mesma profissão dele, apesar de não com o mesmo talento -, seja por tê-lo como ouvinte-internauta.

A cobertura durante boa parte do dia foi mesmo um marasmo, apesar do esforço de produtores na busca de entrevistados variados e dos repórteres na procura de fatos novos nas ruas, entre um santinho e outro jogado no meio-fio. O noticiário em dia de eleição muda pouco: o voto dos candidatos, a tímida boca-de-urna, a apreensão de alguns cabos eleitorais atrevidos, e as urnas eletrônicas quebradas (tem até ranking como ouvi de um repórter: “a cidade que está em primeiro lugar no número de urnas quebradas”).

Nem o voto do presidente da República dá Ibope. Roseann Kennedy, nossa repórter-comentarista extraditada de Brasília para acompanhar os fatos em São Bernardo, contou que os eleitores, as eleitoras em especial, queriam mesmo era tocar no candidato a vice Franck Aguiar, músico popular que faz às vezes de político.

De eleições

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Setembro se despede chorando, enquanto as renas de Papai Noel esfregam seus cascos nas nuvens, indóceis no partidor. Os duendes, por sua vez, preparam a linha de produção da fábrica de brinquedos, para atender aos milhões de pedidos costumeiros. Dizem que o bom velhinho foi inspirado em São Nicolau, santificado por sua generosidade.

Se você tem menos de dez anos, as chances são de que ainda acredite em Papai Noel, e tem toda razão. Continue acreditando, e nem ouça o que vou dizer. Mas se tem mais de dez e já deixou de acreditar nele, pense comigo. Todo mundo já ouviu falar de ficha suja e ficha limpa, não é? Se você deve e não paga, seu CPF cai numa lista da ficha suja e aí, adeus cartão de crédito, adeus conta no banco. Claro, se o seu CPF atesta que você não é bom de crédito, nem um louco o daria a você. A não ser sua mãe.

Li alguma coisa a respeito, um dia desses. Um relatório da organização Transparência Brasil afirma que mais de trinta por cento dos políticos concorrendo a cargos de vereador, vice-prefeito e prefeito, na eleição deste domingo, tem ficha suja. Nas dez principais capitais da pátria amada, de cento e sessenta e seis candidatos a vice-prefeito e prefeito, cinqüenta e seis seriam barrados se quisessem abrir conta em bancos ou ter um cartão de crédito com seu nome estampado nele. Quer dizer que esses cidadãos pretendem que a gente vote neles e que lhes entregue nosso suado cofrinho?

Desculpe, mas tive que enxugar as lágrimas. Acabei chorando de rir. Ou será que ri de tanto chorar? Não importa, só sei que li também que, nos últimos cinco anos, o combate à corrupção estancou no Brasil. Nesse quesito, no cenário mundial, estamos lá pelo octogésimo lugar, acompanhados dos países a nossa volta. Os companheiros também não passaram na prova. Estamos todos abaixo de umbigo de cobra.

Onde quero chegar com isso? Na verdade eu ia escrever só para desejar a você um bom exercício de cidadania, neste domingo.

Ah, só mais um minuto. Lembrei que também li uma análise interessante dos projetos apresentados, nos últimos três anos, pelos vereadores ainda em exercício na cidade de São Paulo. Interessante para ser lido numa sexta-feira à meia-noite, se você for chegado no estilo. A informação que mais me chamou a atenção foi a que diz que 91.4 % dos projetos aprovados, apresentados pelos vereadores de São Paulo, não traz benefício algum à cidade. Agora, trocando seis por meia dúzia, só para não deixar dúvida, também diz que o percentual dos aprovados que trazem benefício à cidade foi de apenas 8,6%. E a conta fecha. E fecha sobre nós que seguramos a bandeira cada dia mais gorda e mais pesada. Acabamos com um nome de rua aqui, de uma pracinha ali e muito sorriso de Botox e de Photoshop. E nossa dignidade, de mãos dadas com nosso dinheiro, desaparece magicamente. Pluff! E todo mundo esquece que já teve um dia.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça este texto na voz da autora:

Maria Lucia Solla é professora e terapeuta, autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, publicado pela Libratrês, e escreve aos domingos aqui no blog.

Avalanche Tricolor: Amém !



Douglas agradece à Deus pelo gol na estréia

Grêmio 2 x 1 Botafogo

Brasileiro – Olímpico Monumental

Resignação. Recolhimento. Inquietude. Esta última semana marcou o fim de um período de provação. Setembro, não por acaso mês em que o Imortal Tricolor foi fundado, exigiu de todos nós o exercício mais profundo de perseverança. Aquele que nós amamos parecia incansável na tarefa de testar nossa tolerância. Muitas vezes fomos pegos à beira da impaciência. Sentimentos contraditórios contaminaram nosso espírito. Houve quem tenha confessado traição outros admitiram cansaço após o teste final ao qual fomos submetidos no domingo passado.

Irmãos Gremistas, nós superamos todos estes momentos, vencemos nossos limites, aceitamos as injustiças e descobrimos Douglas Costa, menino que nasceu às vésperas do aniversário do Imortal, há 18 anos.

Até a Glória!

Tempo extra: desculpe-me pela demora em publicar esta coluna, neste sábado. Precisava descer à igreja e repetir o gesto de Douglas.

Jornalismo independente ganha Nobel alternativo


Amy Goodman, jornalista americana, apresenta Democracy Now !

Uma jornalista americana está entre as cinco personalidades escolhidas para receber o Right Livelihood Awards, conhecido como o prêmio Nobel alternativo, oferecido pelo parlamento da Suécia. Amy Goodman lidera o programa Democracy Now!, transmitido por uma rede global de 700 emissoras de rádio e televisão e se dedica a “desenvolver um modelo inovador de verdadeiro jornalismo político independente que leva para milhões de pessoas vozes alternativas que são frequentemente excluídas pela grande mídia” – segundo os organizadores do prêmio.

Há 12 anos à frente do Democracy Now !, Goodman se disse honrada pela escolha e destacou que a escolha dela é a vitória da crença na liberdade de expressão e no jornalismo independente como ferramenta para paz, e o entendimento. Na equipe dela estão sete produtores, além de 35 jornalistas e muitos voluntários que conseguem realizar um programa de televisão que pode ser transmitido pelo rádio sem prejuízo no entendimento dos temas discutidos. O trabalho de Goodman e sua turma pode ser acompanhado pela internet no site do Democracy Now !

A ginecologista alemã Monika Hauser que desenvolve ações em favor das mulheres agredidas sexualmente em alguns dos países mais perigosos do mundo; a somali Asha Hagi que tem importante papel na luta pela paz e reconciliação em seu país devastado pela guerra; e o casal indiano Krishnammal e Sankaralingam Jagannathan que dedicaram suas vidas na redistribuição de terras às famílias mais pobres, completam a lista de nomes escolhidos para receber o Nobel alternativo, no dia 8 de dezembro, em Estocolmo.

Há dois anos, o prêmio foi entregue ao brasileiro Francisco Whitaker pela criação do Fórum Social Mundial.